Crônicas de Amegakure
5 Vigiado
Com tantas luzes vibrantes nesta cidade, onde o dia se confunde com a noite e há tanta coisa interessante, você mal nota tamanha vigilância. Mas está lá, um circuito gigante de câmeras, áudio, infravermelho e identificadores de Chakra. Prontos para detectar qualquer atividade suspeita...
Aqui, através da tecnologia tudo é exposto, há um conhecimento infinito sobre todas as coisas e pessoas. Há vigias eletrônicos presentes em todos os lugares, em todas as partes; que tudo sabe, tudo vê e tudo controla.
Existem boatos que há todo um sistema completo de vigilância externo para monitorar cada pessoa, sendo verdade e levando em conta a quantidade de pessoas por aqui, é o sistema mais vigiado do nosso mundo. Por isso fiquei espantado, a princípio, e cauteloso quanto a enviar-lhe mensagens; Todo metro quadrado é vigiado em Amegakure, inclusive o espaço privado. Bem como, todas as pessoas e coisas também são vigiadas.
Agora sinto como se tivesse falhado em minha missão. Eu lhes avisei que uma tentativa de adentrar em Amegakure seria falha, que as ruas labirínticas iriam lhes confundir, que iriam lhes interceptar e capturar rapidamente. Mesmo assim vocês do alto-escalão escolheram enviar seus Shinobis por acreditarem que eu não esteja sento totalmente útil aos seus desejos, só porque eu disse que não ficaria contra a cidade de Ame e seus cidadãos inocentes, quando disse que não forneceria um mapa. Agora pela imprudência de terem enviado um grupo, todos nós corremos riscos aqui...
Quando seu esquadrão ANBU entrou na cidade foi visto, interceptado rapidamente e brutalmente atacado, sendo levado rapidamente para interrogatório. Não possuem cidadania aqui e nenhum dos direitos humanos se aplicam a eles, devem estar agora vivendo um conto de terror. Eu pelo contrário, descobri que ter visto permanente me dá alguns direitos, que precisam ser respeitados: Dentre eles um que me protege como ser humano e cidadão de passar por quaisquer violências ou punições sem antes uma investigação, julgamento ou advertência.
Contudo, se há uma parte de Amegakure que não estava pretendendo conhecer assim tão cedo, essa era a estação de polícia. Uma desventura que me fazia pensar estar numa realidade onde eu era digno de receber voz de prisão. Você deve estar pensando que eu deveria estar acostumado, considerando que meu pai era o Chefe da Policia Militar de Konoha, quando ainda era vivo. Frequentar uma delegacia deveria ser uma realidade comum na minha vida, certo? Errado.
Quando fui instruído a ir até a delegacia prestar contas de minhas ações era dia, mas o local parecia obscurecido com a chuva intensa que caia do lado de fora, ao adentar a parte coberta retirei a capa da Akatsuki, deixando-a dobrada em meu braço. Havia um guarda na entrada, mas este estava com uma expressão fechada e não me cumprimentou quando passei pela entrada, apenas me orientou por onde deveria seguir. Talvez fosse melhor ter mantido a capa para assegurar seu status como “anjo de Deus”, mas achei que se Pain já estivesse desconfiando de mim, ter ou não a capa poderia não fazer diferença alguma ali...
Parecia uma situação corriqueira para estrangeiros, então segui as instruções, mas quando um policial com uma armadura bem equipada e de rosto escondido se aproximou para fazer algumas perguntas me dei conta de que talvez algo diferente estivesse acontecendo. E depois eu fui fichado...
Certo que eu tenho meus direitos aqui, mas quando eu me vi num lugar praticamente encurralado numa parede, percebi que não estava tão assegurado assim. Havia uma intensa movimentação, um aglomerado de pessoas muito próximas umas das outras numa linha como se tivéssemos sendo fichados como marginais. Todos com uma expressão fechada, de poucos amigos, como se compartilhassem do mesmo sentimento. Todos os rostos ali eram bem diversificados, oque me leva a acreditar que éramos todos estrangeiros que tinham infringido alguma lei.
Felizmente, Pain não tinha provas concisas sobre meu envolvimento nesse caso dos ANBU de Konoha infiltrados aqui em Ame, pois os homens que enviaram não sabiam sobre mim e os detalhes que me trouxeram aqui. Mesmo assim o Amekage e líder da facção mercenária criminosa Akatsuki ficou ainda mais desconfiado da minha estadia e resolveu tomar providencias...
Como uma medida de se precaver contra uma traição da minha parte, Pain se prontificou de me acoplar um Sistema de Posicionamento global (GPS) com um Ship embutido que me monitora regularmente.
Agora não tenho mais nenhuma privacidade, assim como a maioria das pessoas por aqui. As pessoas estão convencidas que suas conversas são frequentemente gravadas, seja dentro de casa ou em vias públicas. Todas as transações são controladas, oque entra e sai da sua conta bancaria, oque e quem entra e sai da sua casa, quantos passos você dá, quantas pessoas fazem parte de seu convívio e até com que frequência você faz compras ou anda pela cidade, todas as interações que faz, tudo é tido para o governo como informações levadas em tempo real. Pensei que era só um exagero no começo, mas agora sei que tudo isso é real.
Com esse pensamento. O que quis fazer era me afastar daquela situação, ir para um local onde me sentisse seguro ou onde pudesse me defender apropriadamente, mas fiquei lá aguardando mais informações sobre oque queriam comigo e esclarecendo qualquer dúvida que me solicitassem... Com uma reles esperança de que estivesse me agitando por nada.
Fiquei disponível a eles enquanto um me fazia perguntas das mais variadas, e invasivas, que iam desde gostos pessoais, comidas favoritas, desejos, posicionamento político, amigos próximos, costumes, oque eu gostava de fazer no tempo livre, e até sobre preferências sexuais. Alegaram que era um tramite normal, mas obviamente não parecia ser e estavam me analisando...
Um outro praguejava e soltava uns palavrões vez ou outra, aterrorizando as demais pessoas que estavam no mesmo local que eu. Não era como se eu estivesse mais calmo que elas. Dentro de minha mente, dizia a mim mesmo que eles sabiam que eu era um espião, e que Pain-Sama não teria misericórdia, que minha cabeça ficaria exposta em praça pública como a de Hanzo, um tipo de pensamento infeliz para o momento.
Ao que parece, minhas desculpas de que estava apenas experienciando as maravilhas que Amegakure tem a oferecer fazendo meus roteiros para desbrava-los não pareceram ser muito convincentes para eles. Claro que eu esperava que isso fosse acontecer e que algum dia desconfiariam de meu turismo pela cidade, mas não tão logo, que situação inoportuna. Talvez minha aventura por aqui e meus relatos acabem antes mesmo de começar...
Fiquei 15 horas preso naquela situação, tive que fornecer muitas informações pessoais para um banco de dados, que eu nem sabia existir. Algo que o governo mantem como forma de controle populacional, algo restrito e sigiloso. Algumas perguntas que tive de deixar sem resposta aumentaram a tensão. Por fim, o chip que mencionei antes foi colocado...
Um chip multifuncional do tamanho de um grão de arroz implantado na base do meu punho sob a pele, indolor e escondido. É multifuncional porque ele é ao mesmo tempo carteira de identidade, cartão de credito e debito fazendo movimentação de dinheiro eletrônico, e ainda mede as funções corporais e pode alertar o serviço de saúde quando algo está errado com meu corpo, medindo atividade cerebral, cardíaca, pulmonar. Mas também, com ele os órgãos do governo podem usar as informações pessoais armazenada como e quando quiserem, ele grava conversas, e filma também quando bem quer.
Aqui é assim, não se pode viver a vidas do jeito que quisermos e nem se afastar das regras, ninguém é anônimo, tudo é coletivo e registrado num banco de dados. Não importa onde esteja, estarei sempre sendo observado. E a população massiva daqui deve produzir uma enorme coleta de dados e informações...
Obviamente, fica claro que o controle da população é enorme, oque me diz que Pain realmente mantem esse lugar firmemente e com mãos de ferro, ele teme muito um atentado, invasão, infiltração ou golpe. Talvez ele esteja paranoico até demais.
Sabem onde estive na cidade por causa do Sistema de posicionamento global (GPS) acoplado, quais marcas de comida eu prefiro, ou quando eu uso o cartão de credito ou débito. E mesmo quando eu estou me sentindo mal, ou doente, podem ver absolutamente tudo que fiz, vi, senti e ouvi...
Mesmo que eu desabilite o Chip temporariamente ou tente burlar suas funções para lhe escrever isso, ainda será notado e um dia me enrolarei com as desculpas que terei que dar a eles. Estou cinte dos riscos, um dia eu realmente não sairei da delegacia são e salvo, talvez a ira de Pain realmente caia sobre mim. Talvez a minha cabeça realmente fique exposta em praça pública para lembrar as pessoas oque acontece com traidores por aqui.
Mas eu ainda tenho minhas ordens e minha missão, certo? Saiba que ficou ainda mais difícil lhe enviar cartas. Por isso demorei tanto desde a última vez. Recebi o informe dos senhores com um pedido para lhes entregar uma carta extra dando a localização exata da prisão de segurança máxima onde estão os ANBUs que vocês enviaram. Se estão planejando um resgate já aviso de antemão que não vão conseguir, pelo menos, não sem mim...
Farei o possível para ajudar o esquadrão ANBU capturado a sair dos domínios de Amegakure, isso me colocará em risco potencial, porém sei que é meu dever como Ninja de Konohakure.
As vezes a ignorância é uma benção. Entretanto, como agente infiltrado eu não poderia me dar ao luxo de explicar a dinâmica do lugar a vocês sem saber e dizer sobre seu sistema de segurança. Por outro lado, há cantos chamados de “Submundo”, onde a vigilância é menor e mais fácil de ser burlada, porem são áreas obscuras com gente estranha e negócios fora da lei. Minha posição de “Anjo de Deus” de nada seria útil ali, por isso fui o mais informal e comum possível.
Esses lugares mais se assemelhavam a um local abandonado, os longos becos que me levaram até lá mais pareciam como as masmorras de um castelo em ruinas, ruas no entorno estavam vazias ou com pessoas excêntricas de vestes camufladas e rostos tampados me olhando de forma desconfiada, era uma localidade suja devido o lixo que cobria o ambiente e tinha uma fragilidade nas paredes e muros, que pareciam gastos com o passar do tempo. O local era tão cheio de desafeto que me deu quase calafrios na nuca, de longe era o pior local por onde passei desde que chegara. Como se toda a cidade tecnológica morresse ali naquelas localidades antigas e mofadas. Mas eu precisei ir lá...
Para lhe mandar as cartas, terei que inutilizar o chip por alguns minutos e potencialmente usar de artimanhas para burlar algumas de suas funções. As pessoas do “Submundo” conhecem bem como fazer estas coisas, pois eles se dedicam a modificar e quebrar os aspectos mais internos dos dispositivos de segurança, programas e redes de dados e armazenamentos. Alguns fazem isso apenas por lucro, outros porque acham que é um grande desafio, outros para fazer negócios ilegais sem fiscalização.
O fato é que agora, para continuar minha missão, eu preciso deles para burlar e poder lhes enviar cartas, apesar do problema de ter o Ship de implantação. Como disse, isso também será percebido um dia. Logo imagino que talvez minhas cartas sejam interceptadas, nunca chegando a suas mãos. E mesmo que elas estejam criptografadas para só você ler, para Ame não haverá dúvida de que eu sou o responsável de qualquer forma, afinal que outra explicação teria para meus comportamentos suspeitos?
É possível que, quando isso estiver em suas mãos, eles já até saibam que eu também sou um infiltrado. Não se surpreenda se não receber mais notícias minhas...
Eu só peço que se contenham em vigiar o lugar pelo buraco da fechadura. As informações que eu lhes passo já são mais que uteis e enviadas sempre que posso. Se vocês continuarem acreditando que podem levantar a tranca e entrar na casa dos outros sem serem notados podem não só condenar minha missão como membro da Akatsuki e residente de Ame, quanto começarem um conflito desnecessário entre Amegakure e Konoha.
O mistério atrai mentes curiosas, e foi só por isso que enviaram esses ANBUs, eu sei. Mas acreditem em mim quando digo que não há nada aqui em Amegakure para temer, senão eu lhes direi. A organização criminosa das nuvens vermelhas é a única coisa a ser derrubada, enquanto a Vila da Chuva e seus habitantes merecem paz.
Até agora, obtive sucesso em burlar as defesas, pois pensam que seu sistema é imbatível e sem pontos vulneráveis, e aqui estou eu lhes escrevendo. Mas não fiquem presunçosos, Konoha também tem pontos vulneráveis, dentre eles um esquadrão ANBU capturado e potencialmente capaz de revelar coisas secretas de Konoha se sob tortura. Assim como eu posso estar morto em semanas, se descoberto.
Quando se tem demasiada curiosidade acerca das coisas que não lhes dizem respeito, quanto mais se cuida da vida dos outros, maior é a ignorância que se tem acerca de si mesmo, seus próprios defeitos e pontos vulneráveis. Não pense ter olhos perspicazes para os defeitos e pontos fracos dos outros, esquecendo que tens também, se não mais.
De fato, é como dizem: Mais importante que vigiar os outros, é controlar os próprios passos. Pois temos liberdade para fazer escolhas, porém somos todos prisioneiros das consequências.
Ass: Uchiha Itachi
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