Notas iniciais
Espero que goste.
~Prólogo~
Brasil, 1974, floresta amazônica
Hoje irei contar uma história bastante peculiar. Uma história sobre uma garota e um robô, um governo e seus governantes. Um mundo e seu destino. Agora, meu jovem, chegue mais perto e preste bastante atenção no que eu irei lhe contar. Cada detalhe é de suma relevância para o desenrolar da história, então não perca nada. Garanto que você não irá se arrepender.
Em primeiro lugar imagine vários tipos de cenários comuns que uma floresta provavelmente terá: Árvores altas com galhos e cipós compridos indo em todas as direções, então imaginamos os sons dos animais e da floresta em si, imaginemos o vento passando entre os galhos das árvores mais altas produzindo um farfalhar contínuo de folhas chocando-se com folhas, vemos pássaros voando com algum inseto no bico indo em direção a um ninho dar de comer para seus pequenos filhotes que ainda não conseguem voar por conta própria.
Um ambiente calmo onde melhor se pode sentir a pulsação da vida que corre em todas as coisas.
Em uma clareira sentado entre uma rocha e um pequeno riacho está o nosso protagonista. Ele está observando o trabalho de pequenas formigas que incansavelmente constroem e cuidam de seu formigueiro. Vemos também que ele estava feliz com isso, pois o que mais gosta de fazer é observar. Observar a natureza, as pessoas, os animais...a vida. Ele foi construído apenas para isso afinal. Observar. O dia que a pouco estava claro começou a escurecer e pouco a pouco água começou a vir do céu. Era uma garoa bem tropical e leve. As gotas caíam lentamente, nosso protagonista apenas olhava para o céu e com alegria via as nuvens em pingos descer.
Agora você deve estar se perguntando quem é esse nosso protagonista? A história que eu irei contar hoje é sobre como Θ (esse é o nome do nosso protagonista e lê-se Ó) descobriu o que é lutar pela sobrevivência. Você já sentiu um medo extremo de algo? Lembra como é a sensação? Pois é, Θ nunca sentiu isso. Medo é um sentimento que ele não consegue entender ainda que ele esteja sendo perseguido e a qualquer momento pode ser destruído, (calma que eu irei explicar) ele não tem medo.
O som da chuva abafava o som dos passos do estranho que se aproximava. Θ já tinha detectado sua presença porém não tinha manifestado reação alguma, apenas continuava parado olhando o céu imaginando como é sentir aquelas nuvens que estavam caindo tocando em seu corpo. O estranho usava uma armadura de metallo que lembrava à Θ a roupa que os nadadores profissionais usavam nos campeonatos de natação que ele via na TV. A chuva, agora mais pesada, dava ao lugar uma atmosfera mais obscura e mais assustadora. O estranho tinha uma bolsa com estampa de camuflagem nas costas e dela saca uma pistola e aponta para Θ.
A quarta revolução industrial ocorreu em meados do ano 19 quando surgiu o metallo liquido, com todos os tipos de aplicações possíveis. O metallo liquido (surgido aqui no Brasil) mexeu com toda a economia mundial e espalhou-se rapidamente mudando completamente o modo de como as industrias e as pessoas se comportavam. O metallo liquido é um metal extremamente fluido e resistente, um metal que consegue ir do estado sólido para o liquido em menos de um segundo sem mudança de temperatura (Alguns ,como a armadura do estranho, não saem mais da forma sólida).
–Finalmente te encontrei maldito – ele engatilhou a arma – essa palhaçada acaba aqui. Eu ia dizer que ia te mandar para o inferno, mas infelizmente você só vai deixar de existir. Sua existência é um erro, coisas como você são erradas e eu já estou cansado de te caçar!
Após gritar essas palavras de ódio o estranho deu um tiro que seria certeiro na cabeça de Θ não fosse pelo galho que caíra bem na hora. O galho atingiu o braço do estranho derrubando a arma no chão enlameado da floresta. Não fosse a armadura, o braço dele teria no mínimo quebrado. Até o momento Θ não havia demonstrado nenhuma reação, mas com a queda do galho ele olhou em direção ao estranho e disse calmamente:
–Você estar bem?
O indivíduo que não chamaremos mais de estranho se chama, Pedro Forshaq, e ele foi contratado para que desse fim a existência de Θ. Forshaq é um ex-caçador de recompensas e está atrás de Θ há mais ou menos 5 anos eu acho. Hoje ele finalmente crê que conseguirá concluir sua missão, preparou uma armadilha e tem certeza de que o maldito homenzinho de lata (jeito carinhoso que ele chama Θ) irá ser destruído. A armadilha consiste em bombas plásticas que ele plantou ao redor da clareira que eles estavam e o plano dele é de que Θ vá fugir dele como sempre faz e quando fizer isso irá ativar uma das bombas. É isso! Finalmente! A chuva agora bem mais pesada.
Bombas plásticas são bombas com um alto poder destrutivo e também um alto poder econômico. O Governo Mundial preocupado com a poluição cada vez maior ao redor do planeta resolveu dar um fim a todo o lixo. Uma reciclagem em massa onde o lixo era completamente transformado. No caso do plástico era transformado em pequenas bombas ativadas por controle remoto que com toda a quimica do plástico ganhava um alto poder oxidante.
–A quanto tempo você me seguir Sr.Forshaq? – Disse Θ olhando novamente para o céu ao perceber que o seu algoz não estava ferido. Ao ouvir aquela pergunta Pedro sentiu uma estranheza naquilo tudo pois geralmente quando eles se encontram Θ sempre fugia após o primeiro ataque dele. Ele se aproximou de sua presa enquanto sacava uma lâmina de energia escura de sua bolsa esperando que isso o assustasse.
–Sei lá uns quatro, cinco anos quem sab--
–E mesmo assim você nunca parar para pensar no porquê? – interrompeu Θ levantando-se e indo na direção oposta à do seu caçador– No porquê de eu eliminado ter que ser?
Pedro mal ouvia o que Θ estava falando, mais um pouco e ele iria encerrar tudo aquilo, mais um pouco e ele seria finalmente explodido de vez. Porém um pouco antes de pisar sobre a bomba que ele havia plantado ali o homenzinho de metal parou de recuar mesmo com Pedro apontando a lâmina para ele e avançando cada vez mais. Muito estranho.
–Não importa, agora continue andando, eu irei te levar de volta comigo. – Talvez se ele o enganasse e usasse esse momento de estranheza, conseguisse fazer com que o seu inimigo pisasse no dispositivo que encerraria tudo aquilo – e não tente nenhuma gracinha se não você irá se arrepender. Você sabe o que é isso né? O que é arrependimento?
Θ não continuou andando e ficou ali parado encarando a lâmina que brilhava naquele ambiente um pouco escuro. Um brilho meio avermelhado era emanado daquela lâmina negra e um pouco de fumaça também sempre que uma gota da chuva caia sobre ela. Creio que uma pequena explicação sobre essa lâmina seja necessária, essa lâmina é feita de energia escura uma energia que a muito tempo atrás cientistas descobriram que era emanada do espaço para a terra, era como o magnetismo ou gravidade a diferença é que essa energia podia ser armazenada e tinha propriedades cortantes. Era como um sabre de luz porém menor e mais poderoso e de cor preta.
–Arrependimento? Arrependimento sentimento ou sensação de que algo feito não devia ter sido feito. Vontade de desfazer o que foi feito. –Explicou Θ andando para trás, mas evitando a bomba – Por favor Sr.Forshaq eu não dese--
Um raio atingiu uma árvore e o homem com a lamina de energia escura. Um galho caiu em cima de Pedro. Ele urrou de dor ao sentir um pedaço pontudo de madeira penetrar sua coxa o sangue escorria com força no ferimento. Θ prontamente foi até ele com a intenção de ajudá-lo. Ele é assim sabe? Gostava de ajudar as pessoas, mas não podia entrar em contato com elas graças à sua programação, Pedro era a única pessoa com quem ele podia interagir ali naquela época e infelizmente era o tipo de interação que Θ não desejava ter com ninguém.
Pedro estava preso com suas pernas em baixo do galho enorme que caíra. Mais acima eles podiam ouvir o som de madeira se partindo. Um pedaço maior iria cair ali em segundos. E nesse momento eu creio que uma história estava prestes a acabar, mas a que viria a seguir teria proporções bem maiores que nem mesmo Θ poderia ter previsto.
Ao sentir cada vez mais a morte se aproximando ele sentia bem lá ,no fundo no fundo, que aquela luta realmente não tinha sentido. Por que ele devia destruir algo tão evoluído. Naquele momento ele esqueceu de como sua mulher morreu, de que ele estava num tempo que não era o seu simplesmente para destruir algo que a humanidade precisava e de todo o rancor. E a medida que sua mente se esclarecia ele pensou em algo mais fundamental ainda. Por que diabos um Yeger iria se empenhar tanto em destruir algo que pode revolucionar o conhecimento humano. Ao pensar nisso Pedro se sentiu um idiota por ter sido tão cego por tanto tempo e não ter percebido que sua raiva contra as máquinas o fizeram ser manipulado facilmente por aquele homem.
Foi tudo muito rápido, no segundo em que Θ chegou até Pedro um galho maior do que o que havia caído antes se separou da árvore e caiu na direção deles. Com todos aqueles pedaços pontudos seria morte na certa...pelo menos para Pedro que estava incapacitado. Ele fechou os olhos e apenas esperou o momento final. O réquiem da vida como ele havia ouvido uma vez em um teatro.
Após perceber que ainda estava vivo Pedro abriu os olhos e viu que Θ estava sustentando o galho para tentar salvar sua vida. Ele não entendeu o porque daquilo. Estava tentando matar ele a mais de quatro anos e ainda assim tinha sido salvo da morte certa pela sua “presa”. Θ segurava o galho como podia para que ele não caísse em cima de Pedro e o matasse. Sua armadura já avariada não aguentaria aquele peso.
–O que você pensa que tá fazendo? – Perguntou pedro – Isso não faz sentido
–Eu dizer que não querer mais fugir – Disse Θ– agora sair daí rápido.
Logo em seguida eles ouviram um estralo atrás deles, a árvore estava quebrando em sua base e iria cair sobre eles dois esmagando-os.
–Vá embora, me deixa aqui cara, –Disse Pedro com lágrimas nos olhos– não tem mais nada que tu possa fazer.
Θ jogou o primeiro galho para o lado e avaliou a ferida na perna do homem que estava em prantos, uma artéria havia sido rompida ele morreria em alguns minutos se o ferimento não fosse fechado.
–Sabe –continuou Pedro– eu sempre fui contra vocês, robôs, ainda mais depois que um de vocês matou ela. Mas...mas mesmo assim eu vejo em você uma bondade que não consigo ver nem em nós mesmos sabe? Os humanos fazem guerras, leis e impostos. Mas eu vejo em você – a voz dele vacilou por um momento e ele tossiu um pouco de sangue –mas eu vejo em você uma coisa que nós em todos esses anos não conseguimos alcançar de forma global. Vejo amor. Eu sempre achei impossível uma máquina...não você não é mais uma máquina...você é uma coisa totalmente diferente. Completamente novinha em folha.
A árvore começou a virar lentamente mais a cada secundo acelerando.
–Sr.Forshaq...
–Saia daqui! Viva e veja um novo amanhã; Você realmente pode ser o que nós precisamos. Eles logo vão mandar outro atrás de você, eu espero que não mandem. Espero que entendam e espero que...–a voz de Pedro foi silenciando– espero que...ela...me perdoe...Millana
A árvore caiu esmagando tudo que havia sobre o seu caminho. A queda da árvore fez com que uma das minas ativassem criando assim uma sequencia de explosões em cadeia ao redor da clareira fazendo com que mais árvores caíssem no local umas sobre as outras. E tudo naquela hora se tornassem chamas com fumaça altamente tóxica.
Egito, ano 45, centro científico do Governo Mundial.
William estava sentado em sua mesa mexendo o chocolate quente na sua xícara com uma colher de metallo. Seus cabelos castanhos brilhavam sob a luz do luar que entrava pelas frestas da janela.
Uma batida na porta.
Entre.
Um rapaz usando uma beca e segurando vários papéis entrou apressado indo em direção a mesa de seu superior. Ele fez uma reverencia rápida e começou a dar o seu relatório. Ele havia falhado, Pedro, morto. William não pôde acreditar, como? Ainda não sabemos ao certo o corpo voltou despedaçado.
Ele gritou com o pobre coitado seus cabelos castanhos esvoaçando no ar enquanto ele esbravejava e ia na direção do rapaz de óculos; Parou, respirou fundo, e calmamente disse para o garoto sair dali.
–Er...senhor e quanto ao garoto? O filho dele.
Ah...ainda havia esperanças. William abriu um sorriso de leve. Se os boatos eram verdadeiros então Fernando Forshaq, filho de Pedro, era ainda mais eficiente nessa função. Especializado em assassinado a moda da Lótus Branca o rapaz com certeza iria terminar o serviço rapidamente. Não importando quem ficasse em seu caminho.
–Ligue para ele.
O rapaz acenou e já estava saindo da sala quando ouviu uma ultima ordem.
–Lembre-se de dizer a ele que o pai dele foi assassinado e diga a ele quem foi. Isso vai garantir que ele aceite participar do nosso pequeno...Projeto.
Notas finais
O que é um Yeger?
Que projeto?
Mel dels quantas perguntas!
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