Crônicas da Overwatch
6 Os vigilantes
Notas iniciais
King's Row, Londres, Inglaterra.
A polícia não conseguia pegar aquele mafioso. Ele era a peça chave para toda a operação de tráfico humano, e há meses que ele estava se esquivando. Ele só precisava fazer a documentação, e logo estaria fora do país...
Mas havia algo estranho. Uma aura de insegurança no submundo, como se eles estivessem temendo algo. Ou alguém.
Joe Drill estava no seu apartamento, até que recebeu uma mensagem de seu capanga.
Chefe, os tiras conseguiram provas. Não sei como, mas sabem do seu envolvimento
Rapidamente, digitou:
Ainda assim, não devem ter o suficiente pra me prender. não fala merda
eu também ouvi falar de um vigilante
vigilante? ,escreveu.
Sim. um cara que é conhecido por um número
que assustador...
dizem que é ex-membro da overwatch
Agora, seu sangue realmente havia gelado. Qualquer um que viesse de lá poderia arruiná-lo.
e parece que ele tá indo te pegar
Drill estava prestes a digitar "O quê?" antes de uma foto aparecer. Seu capanga, no chão, rosto ensanguentado, e um homem com uma jaqueta azul com detalhes brancos. Ele segurava uma pistola, e a legenda dizia:
foi mal "chefe"
mas você vai se foder muito na minha mão
—Tranquem o prédio! AGORA! Ninguém entra, ninguém sai!
...
Uma sombra correu por um beco. Tendo feito um pequeno trato com o chefe de polícia de Londres, ele estava interrompendo sua caçada por pistas sobre a queda da Overwatch só para ajudar o velho amigo.
—Shrike- ele murmurou, pelo rádio- o que você vê?
De um prédio adjacente, outro vulto estava de tocaia, mirando em um rifle de precisão — o Rifle Biótico. Olhando para a garagem do prédio, viu três brutamontes escoltando um grande número de garotas para dentro, e trancando-as lá.
—Adolescentes trancadas na garagem- disse a voz feminina, mas imponente, como uma Capitã- Drill vai ter bastante pelo que responder.
—Já percebi- grunhiu o vigilante. Estalou as articulações do pescoço.-Hora de entrar. Posição do canalha?
—Apartamento do topo, nono andar. Você tem vários guardas pra enfrentar até chegar lá. Boa sorte, 76.
A guarita estava povoada com dez guardas. Fácil demais. Dando uma arrancada até eles, saltou e deu um chute voador, acertando um deles nas costas e derrubando-o no chão.
—É ele! É o Soldado!
Metendo um soco naquele que gritou, 76 agarrou o braço de um outro e jogou-o contra a parede. Dois sacaram pistolas dos bolsos, e atiraram contra ele; mas o soldado foi mais rápido, pegando uma cadeira de dentro da guarita e arremessando-a contra ambos, que desmaiaram imediatamente. Um quarto homem pegou um pé-de-cabra e acertou 76 nas costas, e ele gritou de dor.
—Jack!- gritou Shrike. Ela mirou nele... e disparou, acertando-o com um dardo; imediatamente, 76 virou-se e, revigorado, deu um soco devastador na mandíbula inferior do homem, e neutralizou com violência, o restante dos agressores.
—Ana...- ele murmurou, estalando a articulação do ombro, e chamando Shrike por seu nome real — te devo essa.
—Já me deve várias, Morrison...- ela deu uma leve risada — apesar de um jantar qualquer dia poder compensar um monte delas.
O resquício de um sorriso passou pela sua boca.
—Qualquer dia, mas não hoje... agora, tá na hora de salvas as meninas e pegar o sacana do Drill.
Viu vários capangas armados ao longo do percurso que levava ao elevador. Sacando o Rifle de Pulso Pesado e dando um riso debochado, o soldado correu para dentro do prédio.
...
Drill estava no seu apartamento duplex, pegando seu revólver 38. Além dele, haviam cinco de seus melhores homens e uma garota que, antes do ataque, estava "prestando favores" a ele. A menina em questão era a filha do chefe de polícia.
—Se alguém vier pelo elevador, encham de bala!- ele gritou.
Apontando para o elevador, eles esperaram... e ouviram alguém bater na porta.
—Mas que...?- um capanga disse. Então quando ele chegou à porta, a mesma foi lançada na direção do criminoso com um chute do velho soldado.
—Atirem nele!- berrou Drill, enquanto corria para um local seguro. As balas cortavam o ar indo na direção de 76, que derrubou uma mesa para se proteger. De lá, ele viu a menina no chão, tentando subir as escadas que levavam à cobertura. Tinha 14 anos... e fora sequestrada para tráfico e prostituição! O sangue de Jack ferveu nas veias.
—Ah, Drill... você me paga!- pegando o rifle, disparou os foguetes Helix contra os atiradores. Dois deles foram para o chão, enquanto os restantes fugiram atrás de seu chefe. Correndo até a escadaria, chegou até a jovem; ela parecia ter sido agredida, e instintivamente recuou ante a presença dele.
—Calma...- ele disse, plantando um dispositivo cilíndrico no chão cuja função era armar um campo de cura- eu não vou te machucar. Você é a filha do chefe Jonathan Churchill, não?
Ela assentiu fracamente com a cabeça.
—Bom... eu vou te tirar daqui.
—Não tão rápido, Soldado.
Jack se virou lentamente, e viu o mafioso apontando a arma para ele. Seus dois capangas, mais o que 76 derrubara anteriormente, o ladeavam, apontando metralhadoras para ele. O vigilante mantinha o rifle apontado.
—Você é bom... quem está te pagando? A Polícia?
—Ninguém me pagou porra nenhuma... e não vai ser você que vai me comprar. Você vai soltar todas as meninas que escravizou, principalmente ela- apontou para a jovem ao seu lado- ou as coisas vão dar muito errado pra você.
Drill riu gostosamente.
—É mesmo, é? Não parece.
Jack prestava bastante atenção no elevador atrás deles.
—Vamos fazer o seguinte, sr. 76 — prosseguiu Drill. — Se você baixar o rifle, eu vou deixar você ir embora. Vou esquecer que você esteve aqui, derrubou/matou meus melhores homens, vou apagar seu nome da minha lista, e tudo continua como estava... se não, depois que meus amigos aqui acabarem com você, mando eles abrirem fogo contra metade das garotas capturadas. Inclusive — apontou a filha do chefe de polícia- ela.
—Covarde miserável. — ele fingiu que cuspia no chão, enquanto o elevador abria suas portas — Sem trato.
—Já esperava. Rapazes?
As travas de segurança das metralhadoras foram retiradas.
—Só mais uma coisa, Drill. — a expressão curiosa dele o fez ignorar a figura que, com uma pistola, atirou um dardo sonífero nele e outro em Jack. Ele só ouviu alguém gritar "Você está energizado, vá para o combate!", ao mesmo tempo que 76 dizia:
—Você está na minha mira.
E enquanto ele caía ao chão, dormindo, os três homens eram transformados em peneiras com a velocidade e precisão dos tiros do rifle.
...
—Mais um pra trás das grades ...- murmurou Jack, tirando a jaqueta dentro do bunker onde estavam — deixei minha marca na polícia, pelo menos. Agradeço por salvar as adolescentes na garagem, aliás.
—E na máfia?- indagou Ana, limpando os ferimentos dele. -Você massacrou os homens dele mas isso não parece tê-lo impressionado.
—Eu não preciso de respeito dos criminosos... só preciso que fiquem fora do meu caminho.
—Jack... eu entendo. Mas você sabe o que ele fez... e só apodrecer na prisão não vai ensinar nada pro desgraçado.
—Não é problema meu.
Ele se levantou, tirando seu visor, enquanto Ana já havia tirado o dela.
—O chefe Churchill chamou você... ele vai interrogar o Drill.
—E?
—O caso não foi fechado... ele ainda precisa de ajuda pra extrair informações do paspalho.
—Já falei: não é...
—O Jonathan é seu amigo, Jack!- ela disse, um pouco mais alterada- Você viu também o que fizeram com a filha dele. Por acaso você gostaria que algo assim acontecesse com sua filha, caso tivesse uma?
76 ficou calado por alguns longos minutos. Ana só o observava.
—Vai deixar mesmo um mafioso sair praticamente impune?
—Eu vou pra delegacia.
A atiradora sorriu vitoriosa. Sabia que, mesmo por trás da casca de Soldado 76, o senso de justiça de Jack Morrison ainda estava lá. Deu-lhe um beijo na bochecha.
—Tenho orgulho de você, Jack. Você ainda é um homem bom.
—A chama da bondade já apagou há muito tempo, Ana — ele retrucou, mesmo que isso não a tivesse intimidado — mas a da justiça não.
Ela riu e o abraçou bem forte.
—Adoro quando você banca o durão.
—Fazer o quê?- ele disse, em meio a um riso curto -Sou eu.
...
Jonathan Churchill entrou na escura sala de interrogatório. Havia se certificado de que o diálogo seria mantido fora das câmeras, então pediu para desligá-las. O criminoso parado era iluminado por uma luminária apoiada em uma mesa.
—Joe Drill?
O homem cuspiu na mesa onde se encontrava sentado.
—Também conhecido como: o filho da puta que sequestrou e molestou minha filha.
—Ha ha ha... isso vai para os arquivos?
—Não vai... por isso que eu quero o seguinte: me diz onde estão as outras mulheres que você vendeu. Pra quem vendeu. Tudo.
Dessa vez, Drill riu mesmo.
—Tá achando que é quem, Churchill? Não vai arquivar nada, que belo chefe de polícia nós temos em Londres! Caralho, você é mais trouxa que sua filha... "se eu fizer o que você mandar eu vou embora?"- levou um tapa na cara do oficial, sorriu. -Sabe que eu dou queixa disso, não? Agressão durante o interrogatório.
Churchill deu um sorriso forçado, com uma cara de "você não sabe o que está fazendo".
—Fala mais assim pra ver o que acontece.
—Ah, falo. Como sua filha era boa debaixo da coberta, e como ela é bonita... todos os meus amigos disseram isso.
Foi interrompido com uma leve risada vinda do policial. Como é?, ele pensou, Eu falo isso da filha dele e ele dá risada?
—Você é doente ou o quê, Churchill? Gosta de ouvir insultos sobre sua filha?
—Ah, não é disso que eu ri.
—Riu à toa? O que tem graça, quero saber! Sua filha já perdeu a dela, mas acho que uma piada deve me mostrar mais alguma. Isto é, além da piada sentada na minha frente...
—De qualquer forma... te dou uma última chance. Se você der as informações, eu talvez reduza sua pena de 15 pra 12 anos.
—Eu só tenho isso pra dizer: pega essas suas chances e enfia no cu.
—Bem, acho que isso é suficiente- disse por fim, o chefe Churchill. -Fiz tudo o que eu podia, mas você se recusa a dizer alguma coisa que preste. Mas você vai falar.
A gargalhada de Joe Drill ecoou no espaço vazio ao seu redor, enquanto Jonathan saía da sala.
—Que ótimo chefe. E me diz então, chefe Churchill: quem raios vai me fazer falar?
Churchil parou na porta, de costas. Virou a cabeça e meramente disse:
—Ele...
E saiu, fechando a porta da sala com um sorriso malvado para Drill, enquanto a luz laranja-avermelhada de um visor se acendia na escuridão atrás dele.
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