Crônicas da Morte

5 A Dor de Uma Ilusão


Notas iniciais
Eu tive a chance de prever a dor De poder te livrar de todo o mal E com um simples tiro Te salvarei.

Dan e eu éramos um casal perfeito. Saiamos todas as tardes, passeávamos por jardins próximos de casa, de mãos juntas. Sentávamos na beira do lago e ficávamos esperando o sol se pôr. Deitava minha cabeça em seu ombro e dizia que aquele era o melhor momento de minha vida.

Pedalávamos de bicicleta em feriados de agosto e outubro e, nas manhãs frias de novembro, ficávamos deitados embaixo de uma árvore, vendo a neve cair e escutando musicas no mp3 que ele havia me dado como presente de aniversário.

Todas as musicas que ali estavam, me faziam pensar nele, no quanto ele era importante para o meu viver. Éramos vizinhos então, toda noite ele vinha me visitar estávamos até planejando uma viajem de acampamento escolar.

Ao passar dos dias, notei que ele havia se afastado de mim e eu, confusa, não sabia porquê ele fazia isso. Comecei a visitá-lo menos, pois sempre que tentava ir à sua casa, ele não estava. Não entendia o que estava acontecendo então cheguei a pensar que ele não me amava mais e que devia ter outra pessoa.

Passei a sofrer com isso, noites sem dormir, momentos bons sem sorrir, afina nada era como antes, nada era tão bom quanto antes. Estava a ponto de esquecer de Dan, mas, ao dormir, ouvi batidas na janela. Levantei-me e olhei para a janela. Vi-o como nunca o vira antes. Ele estava pálido, com olhos vermelhos, sorriso malicioso e caninos ativos. Não sabia se devia dizer que ele era um vampiro ou um morto-vivo, mas aquilo estava muito estranho.

Abri a janela e perguntei-o o porquê do seu sumiço, mas ele não respondeu, apenas me olhava com um ódio ou uma vontade de sugar meu sangue. Desci rapidamente e abri então a porta. Ele pediu para sair para dar uma volta. Ele estava muito diferente do que antes.

Ele segurou em meu braço com força e puxou-o com força, arrastando-me para a floresta. O clima estava bem frio, então ele pediu-me para olhar para o céu. Ao olhar, gotas de chuva caíram em meus olhos, em meu rosto. Gostava da sensação, mas sentia que um frio, gelado, me rondava.

Ele levou-me ao topo da montanha mais alta e mais fria da floresta. Afirmei que não conseguiria escalar aquela montanha sozinha, então ele deu-me a mão e apoiou-me em toda a escalada. Ao chegar ao topo, segurou em minha mão e pediu para que me sentasse. Ele sentou-se ao meu lado e, segurando em minha mão disse que era um vampiro e por isso havia perdido contato comigo.

Ao me contar aquilo, separei-me dele por um instante. Levantei-me e olhei para a bela vista de cima da montanha. — Então quer dizer que fez-me sofrer pois estava com medo de se revelar ser um vampiro? — Sim, desculpe-me. — Você não sabe o quanto eu sofri por você. Há quanto tempo você é um vampiro? — Não muito, desde quando parti.

Estava apreensiva com tudo o que estava acontecendo, então disse que sempre o amaria, apesar dos pesares. Eu queria realmente estar com ele e provar que o amo de verdade. Então pedi para me levar de volta pra casa antes que meu pai acordasse, mas ao chegar lá, meu pai estava nos esperando.

Não sabia o que explicar, então ele me pôs de castigo e proibiu Dan de me visitar. Abri a janela para dizer que o amava, mas meu pai, já chateado, trancou a janela e a porta e levou consigo. Eu estava naquele quarto, sozinha, esperando por um novo amanhã.

Ao amanhecer, Dan havia ido me visitar, mas meu pai, como disse que não queria mais ele me visitando, o prendeu num ângulo de sol, pois, ao ver sua aparência, supôs ser um vampiro e Dan, gritando pela minha ajuda e eu vendo todo aquele sofrimento, não podendo fazer nada, apenas gritar e chorar. Meu pai preparou um colar de alho banhado de água benta e com uma cruz presa ao no colar e pôs nele. Eu batia no vidro da janela, mas nada. Então, me afastei, tomei impulso e quebrei a janela de meu quarto e pulei para salvá-lo, mas ao conseguir livrá-lo de todos aqueles rituais, ele não estava mais vivo.

A dor era tão grande que me fez acordar desse pesadelo terrivelmente assustada. Dan estava lá, na minha janela, naquela noite que havia sonhado ser a noite da revelação. Então peguei uma arma de meu pai na sala, abri a janela e com uma lágrima no olhar, mandei-o ir embora, mas ele resistia e aguentava forte ali em pé e dizia que só queria conversar. Eu subi na janela, mas se querer tropecei e ao cair do terceiro andar, senti minha alma ser levada por um ser frio e sem sangue.

Então ouvi Dan me dizer suas ultimas palavras, finalmente você será como eu, eterna.

Então acordei de outro pesadelo. Eu queria não ter mais essas coisas atormentando meu juízo, mas essas ilusões me seguiam e causavam-me dor, então, para que eu pudesse acordar destes pesadelos eternos, iria acabar com o mal pela raíz. Peguei a arma de meu pai que havia pegue em meu pesadelo também, desci os andares da minha casa e fui bater na porta de Dan.

Ainda acreditando que aquele era mais um sonho, ao vê-lo disse que isso iria acabar com os seus tormentos e a faria voltar a vê-lo como um ser humano. Levantei a arma para sua cabeça e atirei. Esperando acordar, notei que não estava mais dormindo, aquilo era real e notei que matei o grande amor de minha vida.

Meu pai, ao ouvir o barulho de tiro, seguiu o barulho e veio até a casa de Dan e me encontrou com a arma na mão. Ele perguntou porquê havia feito isso e eu simplesmente disse que queria acordar de meus pesadelos.

Notas finais
Ela teve uma chance de prever todos os sofrimentos que teria de ver seu namorado aguentar, e sabia que tudo aquilo demonstrava ser um aviso de salvação. Continuem lendo minhas histórias e se emocionando mais com fatos. Se quiserem comentar, fiquem a vontade.