Notas iniciais
Capítulo dedicado às pequenas princesas que não amam à si mesma :(

Sandy entra no seu quarto e se desaba entre os travesseiros. Pobre garota, sofre tanto. Ninguém lhe entende, aos olhos dos outros é apenas um clichê adolescente, um drama bobo. Seu choro desesperado se abafava debaixo do travesseiro, qualquer um podia ver seu sofrimento.

Tantas e tantas críticas. "Feia", "tábua", "nariguda", "cabelo de bombril" e "fantasma" eram os mais comuns, e os mais dolorosos. Deve ser horrível se olhar no espelho e pensar "por que não nasci como fulana?". E é todo dia que ela finge. Em casa, sofre e chora o tempo todo, mas na rua o seu sorriso é contagiante.

Sem alternativas, Sandy arranca a lâmina de seu apontador e volta a rotina de sua pequena depressão. Seus cortes agora são mais profundos, não são nem parecidos com os primeiros. Dá pra notar cicatrizes em seus pulsos. Cicatrizes que mostram o quanto ela tenta ser forte, mas é fraca. E não importa se é frio ou calor, ela sempre estará de casacos e pulseiras, para que ninguém saiba de seu sofrimento. Para não lhe chamarem de retardada. Para não ser novamente a decepção de seus pais.

Acreditem, um sorriso pode esconder muita tristeza. Por favor, não critiquem. Eles não querem ser chamados de loucos, porque disso eles já sabem. O que eles querem é sair dessa loucura, e sua ajuda é muito importante. Não diga que é drama, porque não é. Isso se chama fraqueza, e toda a sua força foi gasta quando eles tentaram se defender das críticas e as injustiças da vida.

A pequena Sandy é encontrada desmaiada em seu quarto pelos seus pais. É levada às pressas para o hospital, mas não tem jeito, ela cortou a veia que não deveria. Adeus pequena Sandy. Descanse em paz.

E você, princesa, que se corta, lembre-se: a vida é somente uma. Nenhuma dor é infinita. Não se corte, por favor. Procure ajuda, não fique calada. Bullying é CRIME. Você não está sozinha, tem um cara lá em cima que te ama muito, e eu também.