P.O.V. Narrador

Annie tem 12 anos. Pequena e inocente, você imagina. Sim, pequena e inocente, porém, guerreira. Não entendeu? Leia um pouco da história abaixo e veja como um IDIOTA pode acabar com a vida de uma garotinha.

P.O.V. Annie

Eu havia acabado de sair da sala de aula. O sinal tocou e eu e minhas amigas saímos correndo em direção à saída, ansiosas para irmos à sorveteria, como combinamos no dia anterior. Andamos em direção à sorveteria, e logo que chegamos, escolhemos a mesa perfeita, na qual cabia eu, Hanna, Molly e Wendy. Enquanto tomávamos nosso sorvetes, colocamos a fofoca em dia. Fiquei sabendo que Molly tá caidinha por Lucas. Por um lado, ele até que combina com ela mesmo.

Depois de terminarmos, me despedi delas na saída e fui em direção à minha casa, que fica à uns quatro quarteirões de casa. Enquanto em andava, eu escutava minhas músicas preferidas da Avril. Teve um momento que eu comecei à ouvir uns passos atrás de mim, mas pensei que era uma pessoa qualquer. Notei que esses passos me seguiam, e quando olhei pra trás vi que era um moço alto, forte e com aparência não muito assustadora, tendo mais ou menos uns 40 anos.

Comecei à acelerar o passo, e ela acelerou junto comigo. Quando me dei conta, eu estava correndo para um beco escuro e sem saída, e ele continuava me seguindo. O medo já tomava conta de mim, e eu já não sabia mais o que fazer.

Dei de cara com e parede na minha frente, e fui obrigada à parar. Eu sabia que ele estava atrás de mim, mas não queria virar e encará-lo. Ele puxou meu ombro e quase num sussurro me disse:

"-Não tenha medo, sou bonzinho. Gosta de doces? Eu tenho um aqui que você vai amar!"

Eu não entendia o que ele dizia. Que tipo de doce ele estava falando? Não havia nada em suas mãos.

"-Gosta de pirulito? Escolha um sabor."

Comecei à imaginar ele me levando à uma doceria, e quase que imediatamente eu respondo "Morango". Ele me encara com um sorriso malicioso, meio inclinado pro lado. Se aproxima quase que mancando, já encostando em mim e mexendo nos meus cabelos, e sussurra:

"-Abra a boca e feche os olhos."

Foi aí que tudo começou. Me lembro que ele só havia me dispensado quase à noite. Eu chorava desesperadamente. Não acreditava que isso havia acontecido, não conseguia compreender o porquê disso. Era frio e meio escuro. Eu continuei ali, ajoelhada, abraçando minhas pernas. A única coisa que me aquecia era o rio de lágrimas coberto no meu rosto, mas ao pouco o vento foi aumentando e eu fui ganhando calafrios.

Eu não sabia mais o que fazer. Não sabia como explicar isso à minha mãe. Ele ameaçou matá-la, não posso deixar isto acontecer. Por dentro eu já gritava socorro, mas ninguém ouvia, porque eu tinha que sofrer silenciosamente.

"Eu serei forte"

Repetia isso pra mim mesma, tentando me recompor. Mas já era tarde. A polícia me viu. "Tenho que correr", pensava, mas mal conseguia me levantar. Vi minha mãe se aproximando. Dava pra notar seu desespero ao me ver daquele jeito, toda suja e rasgada no meio de um beco. Lembro dela encostando meu rosto, agradecendo à Deus por me encontrar. Mas por um mísero instante, tudo girou, meus olhos fecharam, tudo sumiu.

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Acordei numa UTI. Ouvia o Bip-Bip anunciando que meu coração ainda batia. A sala estava vazia. Fico imaginando que minha mãe deveria estar aqui, já que sua bolsa está numa poltrona próxima à mim, mas talvez ela tenha apenas ido no banheiro ou comer um lanche.

Fico deitada encarando um teto. Estou cheia de Band-Aids pelo corpo, e com vários chupões e marcas roxas. Uma enfermeira entra e pergunta como eu estou me sentindo, e eu digo que estou bem. Ela me entrega um bilhete, dizendo que um homem pediu pra me entregar. Em seguida, sai da sala e me deixa só.

"Descobriram tudo, pirralha. Parabéns, agora eu sou um foragido. Só digo uma coisa: eu te avisei"

Depois de ler essas palavras, comecei à entender o significado daquelas palavras. Meu coração acelerou, e aquela sensação de desespero voltou novamente à tona. Tiro os canos de soro e remédios que estavam grudado em minha pele.

Desço as escadas do hospital correndo, chorando silenciosamente. Eu já sabia o que aconteceu. Ao sair do hospital, reconheço que fica perto do beco.

Procuro pela ruas, e vejo que numa delas há um matagal. Entro lá dentro do mato e encontro o corpo de minha mãe, todo mutilado. Meu choro se tornou mais desesperado, como o de um bebê. Eu havia perdido a pessoa mais importante na minha vida.

Ele havia vencido.

Por um momento era só eu, usando camisola de hospital e chorando desesperadamente ao lado do corpo de minha mãe, mas logo comecei à ouvir passos.

Aqueles passos.

Me viro e vejo ele de pé atrás de mim. Ele segura uma faca e tem o mesmo sorriso malicioso no rosto. Acabou. Tudo acabou. Ele conseguiu tirar absolutamente tudo de mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.