Notas iniciais
Deixem reviews e boa leitura!

P.O.V Narrador :


O sol já se erguia aos poucos para espantar a noite fria. Rafael e Bianca ainda discutiam no telhado.

–Sua proposta é um absurdo! – falou Rafael, nervoso – Eu não vou fazer nada, nem por vampiros nem por toda raça, entenda isso logo de uma vez!

–Não seja arrogante, me ajude! Você pode muito bem descobrir o significado da sua marca, seu passado inteiro, pense nas possibilidades! – Bianca ainda insistia.

–Sinceramente, não sei por que deveria ir atrás de uma arma que pode matar a minha raça, é um absurdo, pura idiotice. – o vampiro dá as costas e vai voltando para as varandas. – Não me procure mais.

Bianca tira a pequena cruz de prata e atira na cabeça de Rafael.

–Se eu vim atrás de você, é por que preciso de você! Será que não entende! – ela esbravejou.

–Só por que recebeu meu presente, não significa que vou te ajudar. – ele reponde por cima dos ombros, sombrio – Entenda você o meu lado, uma lâmina de prata criada pelo Conde Drácula para dar um fim as Guerras Mortais... quem tem essa arma, controla os vampiros. É um poder que não tenho ambição...

–Não é poder que importa – lágrimas já surgiam no rosto da caçadora – Eu quero essa lâmina para salvar minha vida – ela arregaça sua manga direita e na sua pele, uma ferida vermelha e preta como veneno parece se alastrar – Essa maldição caiu sobre mim dias depois de você ter partido, consegui controlar com magias, mas agora não tem mais efeito. A única cura seria se um vampiro sugasse o sangue envenenado ou a lâmina cortar a ferida e drenar isso. É por isso que vim até você, Rafael, quero me salve... por favor... – Bianca já chorava alto.

O vampiro respirou fundo, sentindo o ar invadir seu pulmão morto. Fechou os olhos e começou a ver imagens correndo na sua mente. Uma fogueira crepitante, um prédio em chamas, uma igreja, um manto branco e uma lâmina longa feita de prata. Olhos do Vampiro, além de serem bons à noite para a caça, também poderia ser usados para ver um futuro próximo à frente, porém, não totalmente certo.

Rafael virou-se, e andou lentamente até sua amiga que estava ajoelhada chorando. Chegou até ela e abraçou-a com força.

–Eu te ajudarei... – ele sussurra.

Bianca abraça o amigo com mais força e lentamente as lágrimas vão cessando. Eles levantam, a mão fria do vampiro passa no rosto da mortal, limpando esse líquido tão doloroso aos humanos.

–Espere aqui. Vou buscar umas coisas que tenho lá no meu quarto. Eu vou voltar, não se desespere. – O noturno corre e se joga pelo lance de varandas, num movimento rápido com as mãos, impulsiona-se direto ao seu quarto.

Ele entra, vaia te um baú ao pé de sua cama, tira todas as roupas, puxa um fundo-falso. Em uma bainha negra, uma faca com vários detalhes e adornos no cabo estava descansando. Ele pega a arma e prende no cinto. Logo em seguida, vai até o armário, retira todos os cabides e da um soco no fundo. A madeira se quebra em vários pedaços, ele coloca a mão no buraco e puxa uma nova arma: Pistola Colt .45 com a frase ‘’Sua morte está na minha mão’’ grafada no cano de prata, ele a carrega com um novo cartucho e guarda nos eu cinto. Depois, abre a gaveta de baixo do armário e pega sua jaqueta preta com aros de metal mortal para os vampiros. A jaqueta é longa o suficiente para ocultar as armas.

–Aonde pensa que vai sem dar satisfação? – pergunta João, na porta do banheiro.

–Não te interessa... – o vampiro rebate, grosseiro.

–Se alguém abre um baú, tira uma faca de lá e depois abre um buraco no armário para pegar uma arma de fogo, é óbvio que precisa dar satisfação!

–Quer saber – Rafael puxa a pistola e aponta para João – Eu posso puxar o gatilho e as perguntas vão parar...

–Eu duvido... – falou o humano, desafiador.

O gatilho é puxado, e a bala se aloja no forro de madeira da porta, a centímetros do rosto do humano.

–O próximo vai no meio de sua testa... – Rafael dispara para fora do quarto, e começa sua escalada para o telhado.

Lá encontra uma Bianca com uma cara bem melhor, sem indicio nenhum de choro ou tristeza.

–Esse barulho foi de tiro? – ela pergunta.

–Não se preocupe, foi apenas um susto para o humano... vamos?

A caçadora acena com a cabeça.

* * *

A dupla caminhou pelas densas florestas até chegar próximo a rodovia. Seguiram-na por alguns quilômetros e adentraram novamente nas matas, onde pararam em um clareira com um córrego a poucos metros.

Já era noite. Um vento frio soprava, ora rápido ora devagar. Um cheiro de sangue humano vinha de longe, mas já se podia notar um hipnotismo no vampiro.

–Essa noite, talvez você não se alimente. – falou Bianca, notando.

–Provavelmente não, mas mesmo assim, acho que vou dar uma volta, tudo bem?

–Pode ir, quando voltar, vai ter algo assando nesse projeto de fogueira – a caçadora fala, juntando gravetos secos e limpando o chão.

Rafael saltou na árvore mais próxima, farejou o ar e foi pulando de galho em galho com uma agilidade incrível. 20m, 35m, 50m, 60m e assim foi, cada vez saltando mais rápido e pra mais longe, sentindo cada vez mais perto seu banquete.

O vampiro chega até um casebre de madeira, em um lugar bem retirado, praticamente desolado. Mas a fumaça da chaminé saía, uma roda d’agua girava velozmente em um rio, e luzes estavam acessas. Usando os Olhos, ele presente cerca de 5 pessoas na casa, 2 homens e 2 mulheres, e um bebe... Um casal fazendo visita aos amigos, uma cena perfeita para uma carnificina.

O filho das trevas sobe no telhado da casa, puxa um pedaço da telha e arremessa com força contra uma pedra, apenas para fazer barulho. Em alguns minutos, um rapaz jovem sai armado com uma espingarda.

–Tomara que não sejam aqueles vândalos novamente! – ele fala, varrendo a área com a arma pronto para o tiro. Ele olha para o telhado – Meu deus, que diabos é você?! – ele encara os olhos vermelhos do monstro e fica paralisado de medo.

A última coisa que o homem vê, são presas brancas e brilhantes vindo contra ele com um rugido mortal.

Rafael deixa o corpo inerte do humano e limpa o resto de sangue que escorria de sua boca.

–Mas que diabos... – diz uma das mulheres parada na porta, vendo o corpo ali jogado.

Agora que as coisas começam a dar errado. A investida do vampiro contra a mulher é muito violenta, fazendo com que os dois voem para dentro da casa.

O noturno fica ali degustando sua vitima e não vê o outro homem com uma pá, ele é golpeado com muita força e sente, pelo menos, 2 costelas quebradas.

–Maldito humano! – fala o vampiro, deitado no chão, agonizado pela dor que em breve passará.

–Pegue o bebê mulher e corra para dentro! – o homem grita. A mulher obedece e corre para o interior da casa. – O que é você, demônio?

–Faz uma pergunta já respondendo logo em seguida, engraçado – Rafael ri, com a respiração entrecortada.

–Eu vou te matar...

–Sonhar faz bem...

Em segundos, a mão do vampiro está na garganta do homem, sufocando-o.

–Como...? – fala o humano, impressionado com a velocidade sobrenatural.

–Demônio, noturno, filho das trevas... tem vários jeitos de se referir a mim, mas sou comumente chamado de vampiro.

–Vampiros... não... existem.

–Humanos... nunca acreditando na verdade na frente dos seus olhos. – ele aperta a mão com mais força no pescoço do homem, quebrando seus ossos e matando-o – Eu existo, não sou um ‘’nada’’. – o corpo morto é jogado em um canto, falta uma vitima. – Onde você está docinho?

Rafael entra no corredor e vasculha todos os quartos com os Olhos, mas não acha.

–Acho que você está muito velha para um joguinho de esconde-esconde! – o vampiro guita para que toda casa possa ouvir. – Vamos, eu quero apenas seu sangue e talvez sua vida, prometo que nada irá acontecer ao seu bebê!

Um longo silêncio fica no ar.

–Tudo bem, tudo bem, com essa demora toda, mato vocês dois! – rugiu o vampiro, totalmente impaciente.

Um chorinho de bebe chega aos super ouvidos do noturno. Outro quarto, armário ou embaixo da cama, ele constata.

Nesse quarto, tudo parecia intocado há tempos, a cama estava arrumada, o armário de madeira trancado... Aonde estaria essa maldita? Um novo choro é ouvido, junto com palavras para acalmar.

–Finalmente te achei, sua vadia! – o braço de Rafael atravessa a porta do armário e arremessa a mulher para fora, em um movimento, ele pega o bebê para si e o segura com os dois braços, com um carinho mortal.

–Por favor! Não faça nada a ele! – a mulher falou, chorando desesperada.

–Nãos e preocupe com ele... eu me preocuparia com você – ele vê o estado emocional da mulher, olha para ela com outros olhos. Era uma mulher jovem, morena de cabelos negros longos e lisos, tinha olhos verdes brilhantes e um belo corpo. Era bonita. – Vendo você nesse estado, tão submissa, desperta meus desejos um pouco mais selvagens... eu poderia te estuprar, matar e estuprar de novo! – um riso psicopata combinado com as presas faz o ar ficar sinistro.

–Você não faria, não faria... – ela conseguiu falar, respirando rápido e com lágrimas no rosto.

–É verdade, eu não faria isso, bem porque vampiros só obtêm prazer de outra forma...

Em uma velocidade fantasmagórica, a criança é deixada na cama, e as presas estão na jugular da mulher. Em minutos, mas um estava nos domínios da morte.

–E você, o que faço com você? – ele se levanta com sangue vertendo o queixo,e diz ao bebe – Matar crianças vai contra meus princípios ideológicos... um sucessor não seria má idéia... – ele toma a criança nos braços, e morde seu bracinho, injetando seu veneno, não para matar e sim para transformar. – Seja bem vindo, filho da noite!

Logo em seguida, a criança é enrolada em uma manta e é colocada no topo de uma árvore, numa distancia segura.

–Pronto, pequenino, vai aprender como eu aprendi. Vampiros fortes são frutos de dor. – ele beija a testa do bebe e retorna a casa.

Rafael carrega o corpo do homem que estava lá fora, e empilha todos na cozinha. Dá uma pequena ronda no ligar e acha dois botijões de gás e os coloca na cozinha. Fecha todas as portas e janelas do casebre, abre o gás e corre para fora.

O vampiro sente sua marca na mão brilhar e se concentra em fogo, logo em seguida, uma explosão imensa varre tudo. Uma coluna imensa de chamas vai aos céus, com as cinzas de uma noite próspera.

Meia hora depois, Rafael volta ao acampamento. Não foi difícil encontrar, pois a fogueira podia ser vista sem dificuldade. Os ossos de uma lebre ainda estavam presos no espeto de madeira.

–Então, como foi a aventura? – pergunta Bianca, recostada em uma árvore, sentada em seu sobretudo que havia se transformado em tapete.

–Até que foi interessante... bem... explosiva. – respondeu o vampiro, com as longas presas escapando da boa pelo sorriso.

–Eu imagino... são meia- noite agora, quer ficar com o primeiro turno de vigília?

–Não se preocupe, posso ficar a noite inteira de vigília.

–Então não vai se importar se eu fizer isso – Bianca se levanta e vai se sentar ao lado de Rafael, acocorando-se no seu peito e cobrindo os dois com o sobretudo – Estou com frio e cansada, tenha uma boa noite! – e dorme praticamente na hora.

–Boa noite... sinto que é só o começo.

Agora, apenas o céu estrelado e a lua brilhante fazem companhia ao vampiro.