Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto

33 Pai e Filha : Uma relação distante (Final)


Notas iniciais
último capítulo ai galera, leiam as notas finais, lá estará o link para a próxima temporada, ok?

O resto do verão pareceu estranho porque foi muito normal. As atividades diárias continuaram: arco e flecha, alpinismo, cavalgar pégasos. Nós jogamos captura da bandeira (apesar de todos termos evitado o Punho de Zeus). Nós cantamos na fogueira e corremos com bigas e pregamos peças nos outros chalés. Eu passei muito tempo com Tyler, brincando com a Sra. O’Leary, mas ela ainda uivava durante a noite quando se sentia solitária sem seu antigo dono. Jake e eu estávamos bem mais próximos que nunca. Eu estava feliz por estar com ele, mas ao mesmo estávamos distantes um do outro.

Agosto ficou tão quente que os morangos começaram a assar nos campos. Finalmente, o último dia de acampamento chegou. Como sempre, haviam semideuses para lá e para cá, com malas e bagagens. Mas eu e Jake, nunca tínhamos um lugar para ir.

Às dez horas naquele dia, dia 6 eu estava finalmente completando meus quinze anos, eu era parabenizada — até mesmo uns amigos meus do chalé de Apolo tiveram a gentileza de fazer um bolo azul para mim, já que era minha cor favorita. — e presenteada, mesmo assim, eu não estava no clima de aniversário.

No captura a bandeira, eu, Jake e Annie Summers do chalé de Apolo, nos metemos em uma nova confusão. No meio do jogo demos de cara com aqueles velhos amigos: Os Myrmekos. Formigas gigantes que parecem ter a benção de Hefesto. Benjamin Chase fora capturado por algumas delas, fizemos um lendário dragão de bronze voltar a ativa e invadir a colina nas formigas. E no final, corremos sendo perseguidos pelo dragão que em tempos antigos protegia o acampamento meio-sangue.

Foi uma aventura meio... Interessante? Não, sei que essa não é a palavra. Mas quando terminou, todos foram assistir os fogos de artifício projetados pelos filhos de Hefesto, menos eu.

Eu estava meio tensa, admito. Eu estava contemplando o pôr do sol, na beira do mar. Eu tinha apenas um ano para me preparar para a guerra. Um ano para chegar aos dezesseis. Um ano para a maldita profecia se completar, e eu não estava nem um pouco ansiosa para esse evento.

Sabia que muitos iriam morrer, tudo por causa da droga da profecia. Sabia que talvez eu fosse um deles. Sabia que... Que talvez estivesse chegando ao meu ponto final.

- Você não está sozinha. — disse uma voz atrás de mim.

- É... Eu sei. — eu respondi. — Mas eu vou estar.

Virei para ver Jake, ele vestia a tradicional camiseta do acampamento meio-sangue, jeans escuros e largos e seu indispensável casaco de veludo negro da invisibilidade amarrado na cintura.

Ele se aproximou e ficou do meu lado olhando para o mar, ele segurou minha mão. Forte.

- Nós estaremos torcendo por você. — disse. — Eu vou estar.

Eu o encarei. E assenti.

- E se eu não for... — hesitei. — E se eu não for algo para se torcer. Talvez... Eu estou começando a pensar que...

Minha voz vacilou, eu iria dizer que estava começando a pensar que tudo aquilo talvez fosse realmente em vão. Que talvez os deuses realmente não ligassem para nós. Era um perfeito motivo para começar uma revolta. Digamos que desde minha luta com Silena, as palavras dela não saíram da minha mente.

Você é uma mera meio-sangue contra um titã e um exército de monstros.

Isso é só uma pequena parte do nosso poder, você pode finalmente ser reconhecida.

- Jake... — chamei. — Qual era o último verso da profecia?

Ele olhou ao longo do mar, mas não me respondeu.

- Descerás na escuridão do labirinto infinito... — recitei. — O morto, o traidor, e o perdido reerguidos.Erguemos muitos mortos. Nós salvamos Ethan Nakamura, que acabou sendo um traidor. Nós erguemos o espírito de Pã, que estava perdido.

Jake me encarou suspirando.

– Ascenderás ou cairás pelas mãos do rei espectral – eu a pressionei. – Esse não era Minos, como eu tinha pensado. Era Nico. Por ter escolhido ficar ao nosso lado, ele nos salvou. E do marcado por Atena, a defesa final.... esse era Dédalo, ele foi marcado por Atena. Não era uma benção, era uma maldição.

Jake estava corado para minha surpresa.

- Um amor antigo para a morte perder ou prevalecer. — disse ele. — Esse era sobre você, agora eu sei disso... Na batalha, tive medo disso, e quase aconteceu. E no final... Estamos entre o bem e o mal.

Eu assenti.

- Acho que era para ser uma coisa boa... — comentei.- Por que temos que passar por essas coisas? Por que não podemos ser normais?

Ele sacudiu a cabeça.

- Não adianta lamentar, Megan. — disse. — Nascemos para ser heróis, é nosso destino.

- Eu escrevo meu destino. — insisti.

Jake me encarou com pena.

- Então... Qual será o próximo capítulo?

Eu não respondi, em vez disso, eu o abracei com todas as minhas forças. Jake pareceu meio surpreendido, mas retribuiu. Por este lado, ele tinha toda a razão... Não podia ficar lamentando. Era isso o que Cronos queria, primeiro eu lamentaria da minha vida, depois desejaria a destruição daqueles que me destinaram a isso. Os deuses.

Ficamos mais algum tempo abraçados até que uma voz na nossa frente tossiu. Nos afastamos rapidamente, então ambos coramos com quem estava na nossa frente. Jake parecia de repente meio desconfortável e sem jeito, era mais ou menos assim que eu me sentia.

- Pai. — cumprimentei.

Ele estava vestindo uma bermuda e uma camisa havaiana e sandálias de couro, como ele sempre usa. Sua barba preta fora cuidadosamente aparada e seus olhos verde-mar brilhavam. Ele usava um chapéu gasto decorado com iscas de pesca. Ele dizia CHAPÉU DE PESCARIA DA SORTE DE NETUNO.

- Olá, Megan. — disse ele, com um brilhinho maroto no olhar. Então ele olhou para Jake, e depois para mim. — Estou interrompendo algo?

- Ah... Não, senhor. — disse Jake apressadamente. — Nos só... Bem... É.

Poseidon encarou Jake.

- Hum... — ele deu de ombros. — Bem que Afrodite me avisou... Vim lhe desejar, feliz aniversário.

Jake corou até a raiz do cabelo.

- Ah, Obrigada. — hesitei.

Havia algo errado, com certeza. Passaram-se muito anos mesmo e Poseidon nunca se deu ao trabalho de vir até a mim pessoalmente para desejar um simples "Feliz aniversário".

Jake parecia um tomate ao meu lado, eu dei um passo na direção do meu pai.

- Pai? O que houve? — perguntei.

- Bem... — ele olhou para Jake por um instante, me virei para o filho de Ares.

- Ah... Ei, Cabeça de Javali. — eu disse. — Pode...

Ele assentiu como se dissesse: "Obrigado... Salvou minha vida!"

- Claro, te vejo depois, Cabeça de Alga. — disse ele, então ele reverenciou o meu pai e se foi, me deixando sozinha com Poseidon.

Assim que Jake se foi, Poseidon tocou meu ombro.

- Você está bem, minha filha?

- É. Acho que estou. — respondi.

– Eu ouvi histórias – Poseidon disse. – Mas eu queria ouvi-las diretamente de você. Conte-me tudo.

Então eu contei. Foi meio desconcertante, porque Poseidon ouvia tão intensamente. Seus olhos nunca deixaram minha face. Sua expressão não mudou durante todo tempo que eu falei. Quando terminei, ele assentiu devagar.

– Então Cronos realmente está de volta. Não vai demorar muito antes que a guerra esteja sobre nós.

- E Silena? — perguntei ansiosa.

- Ela sobreviveu... De certo modo.

- Mas... E Luke? Ele realmente se foi?

- Não sei, Megan. — disse-me. — Isso é bem perturbador.

– Mas o corpo dele é mortal. Vocês não poderiam simplesmente destruí-lo?

– Mortal, talvez, mas há algo diferente em Luke, minha filha. Eu não sei como ele foi preparado para hospedar a alma do Titã, mas ele não será morto facilmente. E ainda assim, temo que ele deva ser morto se nós formos enviar Cronos de volta ao abismo. Eu terei que pensar nisso. Infelizmente, eu tenho outros problemas para cuidar.

Eu engoli seco.

- Os antigos do mar? Eles estão despertando...

- Sim, minha menina. — confirmou. — Na verdade, eu não posso ficar muito tempo. Mesmo agora o oceano está em guerra consigo mesmo. É tudo que eu posso fazer para impedir os furacões e tornados de destruírem seu mundo da superfície, a luta é tão intensa.

– Me deixe descer lá – falei. – Me deixe ajudar!

Os olhos de Poseidon se enrugaram quando ele sorriu.

– Ainda não, minha menina. Eu sinto que você será necessária aqui. O que me lembra... – Ele fez surgir uma bolacha de areia e o apertou na minha mão. – Seu presente de aniversário. Use sabiamente.

– Hum, gastar uma bolacha de areia?

– Oh, sim. No meu tempo, você podia comprar bastante coisa com uma bolacha de areia. Penso que você irá descobrir que ele ainda compra muita coisa, se usado na situação correta.

– Que situação?

– Quando a hora chegar – Poseidon disse, – eu acho que você saberá. Eu confio em você, Megan.

Eu fechei minha mão em volta da bolacha de areia, mas algo estava realmente me incomodando.

– Pai... – falei – quando eu estava no labirinto, eu conheci Anteu. Ele disse... bem, ele disse que era seu filho favorito. Ele decorou sua arena com caveiras e...

– Ele as dedicou a mim – Poseidon completou. – E você está imaginando como alguém poderia fazer algo tão horrível em meu nome.

Eu assenti desconfortável.

Poseidon colocou sua mão bronzeada no meu ombro.

- Megan, seres inferiores fazem coisas horríveis em nome dos deuses. Isso não significa que nós deuses aprovamos. O modo como nossos filhos e filhas agem em nossos nomes... bem, isso geralmente diz mais sobre eles do que sobre nós. E você, Megan, é minha filha favorita.

Ele sorriu e, naquele momento, só estar ali com ele foi o melhor presente que eu já ganhei.

- Obrigada. — eu disse. — Mas... Posso lhe fazer mais uma pergunta? Só mais uma?

Ele hesitou.

- Dependendo de sua pergunta, irei responder.

Eu hesitei.

- Qual... — suspirei. — Qual é o meu nome? Quem eu sou?

Ele colocou sua mão em minha cabeça.

- O que nós somos não depende de um nome. — disse Poseidon — Qual é o seu nome? Um dia você adormeceu como uma pessoa. E despertou como essa mesma pessoa, apenas com um nome diferente. Megan significa "Grande espirito", Lealdade e Confiança. E é essa pessoa quem você é. Megan Jackson.

Eu o encarei com um sorriso.

- E mais uma coisa, antes de eu ir... Sobre o que aconteceu no Monte Santa Helena... Tifão está se agitando. É muito provável que logo, em alguns meses, talvez um ano no máximo, ele irá escapar de sua prisão.

Meu sorriso murchou.

- Eu sinto muito – disse. – Eu não queria...

Poseidon ergueu sua mão.

– Não é sua culpa, Megan. Teria acontecido mais cedo ou mais tarde, com Cronos acordando os monstros antigos. Mas tome cuidado, se Tifão acordar... não será como nada que você já enfrentou antes. A primeira vez que ele apareceu, todas as forças do Olimpo quase não foram suficientes para lutar contra ele. E quando ele se rebelar novamente, virá aqui, para Nova York. Ele virá diretamente para o Olimpo.

Esse era justamente o tipo de notícia maravilhosa que eu queria receber no meu aniversário, mas Poseidon bagunçou o meu cabelo como quem dizia que estava tudo bem.

- Preciso ir agora... — ele disse se afastando. — Megan, Boa sorte.

E simplesmente assim ele se transformou em névoa e foi varrido em direção ao mar com uma morna brisa marinha, me deixando finalmente só com uma guerra por vir e uma decisão que poderá salvar ou destruir o Olimpo.

Depois daquele encontro, as possibilidades de incerteza em minha mente, desapareceram por completo e finalmente eu pude acreditar na existência de Poseidon mais do que como um deus. Mas como meu pai.

Eu dei uma última olhada para o mar e dei as costas para o mesmo, andando na direção dos fogos de artificio dos filhos de Hefesto, aonde se encontravam meus amigos, talvez, fosse o último momento feliz da minha vida.

Notas finais
Como prometido o link da PRÓXIMA TEMPORADA, que emoção nem creio que cheguei tão longe assim! :

http://fanfiction.com.br/historia/420096/Cronicas_Do_Olimpo_-_O_Ultimo_Olimpiano/

Vejo vocês lá! Beijocas!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!