Notas iniciais
Oi galera, voltei com um capítulo cheio de ação, Jegan, Degan (Estranho, eu sei...), adrenalina e mistério.... Espero que gostem, amem, comentem... Vamos lá?

A distância era mais curta no Labirinto. Ainda assim, quando Daniel nos trouxe de volta a Times Square, eu me sentia como se tivéssemos corrido o caminho todo desde o Novo México. Nós saímos pelo porão do Marriott e paramos na calçada sob a brilhante luz do dia de verão, cerrando os olhos para o trânsito e a multidão.

Eu não conseguia escolher o que parecia mais surreal – Nova York ou a caverna de cristal onde eu vira um deus morrer. Guiei nosso grupo até um beco, onde eu pudesse conseguir um bom eco.

Então assoviei o mais alto que pude, cinco vezes.

Um minuto depois, Daniel ofegou.

- Wow!

Um bando de pégasos desceu do céu, mergulhando entre os arranha céus. Um grandioso pégaso negro estava na liderança, seguido por quatro de seus amigos brancos.

- BlackJack! — chamei.

Ei! Chefinha... Você esta inteira!

- Sim, estou. — eu ri. — Ainda. Escuta, precisamos de uma carona para o acampamento, rápido.

Pode deixar comigo, chefinha... Ah, você trouxe aquele ciclope com você... Hum... Guido, como estão suas costas hoje?

O pégaso Guido gemeu e se queixou, mas acabou concordando em levar Tyler. Todos começaram a montar – exceto Daniel.

- Bem... Acho que isso é um adeus, não é? — perguntou ele.

Dei de ombros.

- Quem sabe. — eu disse. — A gente talvez... Se veja por ai, não sei. Talvez, na próxima vez que eu precise de um mortal para atacar titãs com mp4 player azul...

Ele riu.

- Bem, é. — disse passando a mão no cabelo. — A gente se vê por ai, e... Boa sorte.

Eu assenti desconfortavelmente. Ambos sabíamos que ele não poderia ir para o acampamento. Eu olhei para Jake, que fingia estar bastante ocupado com seu pégaso.

- Enfim, valeu mesmo, você nos ajudou um bocado. — agradeci.

– Eu não teria deixado essa passar. Quero dizer, exceto por quase ter morrido, e por Pã... – Sua voz vacilou.

– Ele disse alguma coisa sobre o seu pai – eu me lembrei. – O que ele quis dizer?

Ele cruzou os braços e suspirou.

- Digamos que meu pai é... Meio que um diretor de cinema muito famoso, e...

- Então... Você é rico?

– Bem, sou.

– Então foi assim que você conseguiu o motorista pra nos ajudar? Você só disse o nome do seu pai e...

- É, é... Isso tudo, escuta Megan, digamos que meu pai vive viajando, e não é o tipo de fã numero um. Ele é muito ausente e as vezes não gosta do meu estilo. — ele riu desconfortável. — Mas...

- Ei, eu entendo. — eu disse. — Você foi incrível. Você nos guiou pelo labirinto. Você foi muito corajoso. De verdade...

Ele sorriu para mim.

- Valeu e... — eu já estava me virando — Megan?

- Sim? — virei de volta para vê-lo.

Então ele me beijou, certo... Não foi o tipo beijo de cinema, a única coisa que aconteceu foi que os lábios dele encostaram nos meus e ele se afastou com a mesma velocidade, eu estava corada é claro e tive muita vontade de bater nele. Se bem que Daniel é meu amigo, só isso.

- Para dar sorte. — disse ele.

Ouvimos um pigarrear atrás de nós, e no instante seguinte, Jake estava na minha frente.

- Megan... — disse ele olhando para Daniel como se fosse transforma-lo em pó. — Temos que ir agora.

- É... — eu me senti meio desconfortável naquele momento, mesmo assim eu assenti. — Certo, tchau Daniel.

- Tchau. — disse ele. — Vá salvar o mundo por mim, ok?

Eu assenti novamente e observei enquanto ele voltava pela Sétima Avenida e desapareceu na multidão.

Quando me virei para os cavalos, Nico estava tendo problemas. Seu pégaso ficava recuando, relutante em deixá-lo montar.

Ele cheira que nem gente morta! O pégaso reclamou.

Ei, cara. Blackjack disse. Vamos, Porkpie. Um monte de semideuses cheira mal. Não é culpa deles. Oh-uh, eu não estou falando de você, chefinha.

- Eu sei, eu sei... — suspirei.

- Acho melhor vocês irem sem mim. — disse Nico. – Eu não quero voltar para aquele acampamento de qualquer forma.

- Está doido? — perguntou Jake. — Precisamos que você vá!

Ele cruzou os braços e franziu o cenho.

Andei até ele e fiquei em sua frente segurando em seus ombros.

- Por favor, Nico. — eu pedi. — Não sabemos o que nos espera lá, nós precisamos de você. Eu preciso.

Vagarosamente, sua expressão se suavizou.

- Tá legal. — disse ele. — Mas não vou ficar.

- Pode ser... — eu disse. — Obrigada.

Quando me virei, vi Jake com uma sobrancelha erguida para minha do tipo: "Desde quando Nico te escuta?" então eu dei língua para ele.

Pelo menos tínhamos todos em cima dos pégasos. Disparamos para o ar, e logo estávamos sobrevoando o rio East com Long Island se espalhando a nossa frente, e quando eu vi, eu já estava nas nuvens, literalmente dizendo, voar em um pégaso sempre me deixava mais calma, porém... Quer dizer, eu adoro o acampamento meio-sangue, mas naquele dia em que eu estava voltando para lá, o único pensamento que eu tinha em mente era o de que o que quer que estivesse me esperando, não seria nada bom.

Nós descemos no meio da área dos chalés e imediatamente fomos encontrados por Quíron, pelo barrigudo sátiro Sileno, e um grupo de arqueiros do chalé de Apolo. Quíron levantou uma sobrancelha quando viu Nico, mas se eu esperava que ele ficasse surpreso com nossas últimas notícias, sobre Quintus ser Dédalo e a volta de Cronos, eu estava enganada.

- Eu temia isso... — disse ele. – Devemos nos apressar. Espero que vocês tenham atrasado o Senhor dos Titãs, mas sua vanguarda ainda continuará avançando. Eles estarão ansiosos por sangue. A maioria de nossas defesas já está posicionada. E Megan...

Os olhos de Quiron me encararam fixamente.

- Coragem, criança. — ele disse e eu assenti. — Venham comigo!

– Só um momento – Sileno exigiu. – E quanto à procura por Pã? Você está quase duas semanas atrasado, Hansel Phelps! ua licença de buscador está revogada!

Hansel suspirou e encarou ereto o velho sátiro.

- Lincenças de buscador não importam mais, Pã está morto. — disse ele. — Ele se foi.

- Mentiras! — gritou Sileno com o rosto vermelho. — Hansel Phelps, terei que exilar você por falar isso!

– É a verdade! – eu disse. – Estávamos lá quando ele morreu! Somos testemunhas!

- Isso ainda pode esperar, Sileno. — disse Quiron.

– Esperar?! – disse Sileno. – Devemos lidar com isso...

– Sileno... – Quíron o cortou. – Meu acampamento está sob ataque. A questão Pã tem esperado por dois mil anos. Temo que tenha que esperar mais um pouco. Presumindo que estaremos aqui esta noite para isso...

E com essa observação feliz, ele se curvou e galopou na direção do bosque, deixando-nos para segui-lo o melhor que pudéssemos.

Não era uma cena bonita de se ver.

Todos estavam na clareira, vestidos com armaduras de combate completas, mas desta vez não era para capturar a bandeira. O chalé de Hefesto tinha colocado armadilhas em volta da entrada do Labirinto – arame farpado, fossos preenchidos com potes de fogo grego, fileiras de estacas afiadas para desviar golpes. Beckendorf estava manejando duas grandes catapultas do tamanho de caminhões, já armadas e apontadas para o Punho de Zeus.

O chalé de Ares estava na linha de frente, Jake entre seus irmãos organizados em falanges com Clarisse dando ordens. Os chalés de Hermes e Apolo estavam espalhados pela floresta com arcos preparados. Muitos se posicionaram nas árvores. Até as dríades estavam armadas com arcos, e os sátiros trotavam em volta com bastões de madeira e escudos feitos de cascas de árvores resistentes.

Até mesmo os filhos de Afrodite estavam preparados com suas armaduras, e tal, juro que vi os olhos de alguns cintilar, "O Olhar de Afrodite" um tipo de poder que eu vira Silena usar na minha primeira missão.

Benjamin Chase se unia aos seus irmãos do chalé de Atena, que tinha montado uma tenda de comando e estava dirigindo as operações. Uma bandeira cinza com uma coruja rodopiava do lado de fora da tenda. Nosso chefe de segurança, Argos, estava de guarda na entrada.

Até as crianças de Dioniso tinham arrumado o que fazer. O próprio deus ainda não estava à vista, mas seus filhos, os gêmeos loiros, estavam correndo, providenciando garrafas de água e caixas de suco de uva para os guerreiros suados.

Parecia um bom começo, mas Quíron murmurou perto de mim:

- Não é o suficiente...

Pensei no que tinha visto no Labirinto, todos os monstros na arena de Anteu, e o poder de Cronos que senti no Monte Tam. Meu coração afundou. Quíron tinha razão, mas esse era o máximo que podíamos reunir. Pela primeira vez desejei que Dioniso estivesse aqui, mas mesmo que ele estivesse, eu não sabia se ele poderia fazer muita coisa.

- É só o que podemos botar fé. — eu disse.

Quando se tratava de guerra, os deuses eram proibidos de interferir diretamente. Aparentemente os Titãs não ligavam muito para restrições como essa. Mais pra extremidade da clareira, Hansel estava falando com Emily. Ele segurava suas mãos enquanto ele contava nossa história. Lágrimas esverdeadas formaram-se em seus olhos quando ela ouviu as notícias sobre Pã.

Tyler ajudou as crianças de Hefesto a preparar as defesas. Ele pegou rochas e as empilhou perto das catapultas como munição.

— Fique junto a mim, Megan. — disse-me Quiron. — Quando a luta começar, eu quero que você espere até sabermos com o que estamos lidando. Ela virá até você.

Olhei para ele me perguntando sobre o que Hades ele estava falando.

- Eu vi Cronos – eu disse, ainda atordoada pelo fato. – Eu olhei direto nos olhos dele. Era Luke... mas também não era.

Quíron correu seu dedo ao longo da corda do seu arco.

– Ele tinha olhos dourados, imagino. E na sua presença, o tempo parecia tornar-se líquido.

Assenti.

– Como ele conseguiu tomar um corpo mortal?

– Eu não sei, criança. Deuses têm assumido a forma de mortais por eras, mas realmente se tornar um... fundir a forma divina com a mortal. Não sei como isso pôde ser feito sem que Luke virasse cinzas. Mas...

– Cronos disse que seu corpo havia sido bem preparado.

– Eu sinto calafrios só de pensar o que isso quer dizer. Mas talvez isso vá limitar o poder de Cronos. Por um tempo, pelo menos, ele está confinado à forma humana. Ela os mantém juntos. Com sorte ela também irá restringi-lo.

- Ela vai liderar o ataque. — eu disse. — Eu tive sonhos e... Silena vai liderar o ataque, Cronos esta tentando faze-la provar sua lealdade... Me matando.

Ele não olhou para mim, apenas assentiu, mas não se demonstrara surpreso.

- Quiron... — eu chamei quando vi que ele não me responderia.

- Sim, criança?

— O que devo fazer? — perguntei. — Todos acham que devo desistir de Silena, mas... Eu não consigo, sei que é idiota, e sei o que é o certo, mas eu simplesmente... — minha voz vacilou.

Quiron estudou minha expressão antes de responder.

- Megan... Nem sempre o certo é o que deve se fazer. — disse ele. — Entendo o que se passa na sua cabeça desde o seu primeiro verão, você queria se tornar forte o suficiente para lutar por alguém importante para você mesmo que essa pessoa não retribui-se, isso é coragem e sempre foi mais que o necessário.

- Hum... Pode simplificar? — perguntei sem graça.

Quiron sorriu tristemente para mim, sabendo o que estava destinado a mim no futuro, aquilo que eu não sabia, eu ansiava por saber mais da grande profecia, mas depois daquele olhar, não tive mais tanta certeza disso.

- Você queria tempo, criança... Mas tudo o que conseguiu foi adiar o momento em que vocês duas se enfrentariam, você insiste em sua amiga, porém foge dela, no fundo sabia que esse dia chegaria. — disse ele segurando no meu ombro. — O Tempo não nos torna mais sábios, apenas mais covardes. Você deveria ter aprendido isso no seu tempo.

Eu assenti, e com aquelas palavras pensei nas primeiras coisas que eu disse no começo da minha história:

A vida é uma sala de espera, um corredor cheio de portas fechadas e abertas o problema é que no meu corredor... Todas estão fechadas.

Mas Silena me guiou até um porta entre-aberta, mesmo que o que estava atrás desta porta, não fosse exatamente o que eu esperava.

- Quiron... E se Cronos vier também?

– Eu acho que não, criança. Eu sentiria se ele estivesse por perto. Não tenho dúvidas que é isso que ele planejava, mas acredito que você criou inconveniências para ele, quando você pôs abaixo sua sala do trono em cima dele. – Ele olhou para mim reprovadoramente. – Você e seu amigo Nico, filho de Hades.

Um bolo se formou na minha garganta.

– Sinto muito, Quíron. Eu sei que devia contado. É só que...

Quíron levantou sua mão.

– Eu entendo porque você não contou, Megan. Você se sentiu responsável. Tentou protegê-lo. Mas, minha criança, para sobrevivermos a esta guerra, devemos confiar uns nos outros. Devemos...

Sua voz vacilou. O chão abaixo de nós estava tremendo. Todos na clareira pararam o que estavam fazendo. Clarisse vociferou uma única ordem.

– Juntar escudos!

Então o exército do Senhor dos Titãs explodiu do Labirinto.

Eu já estive em lutas antes, mas essa era uma batalha em escala completa. A primeira coisa que vi foi uma dúzia de lestrigões saindo do chão, gritando tão alto que minhas orelhas pareciam que iam explodir. Eles carregavam escudos que eram carros achatados, e bastões que eram troncos de árvores com espinhos na ponta. Um dos gigantes berrou para a falange de Ares, esmagando-a pelo lado com seu bastão, e o chalé inteiro foi arremessado, uma dúzia de guerreiros jogados para o ar como bonecas de trapo.

- FOGO! — vociferou Kim, do chalé de Hefesto.

As catapultas entraram em ação. Duas pedras foram arremessadas na direção dos gigantes. Uma foi desviada por um escudo deixando apenas um amassado, já a outra pegou um Lestrigão no peito, e o gigante caiu. Os arqueiros de Apolo atiraram uma saraivada, dúzias de flechas que ficaram espetadas nas armaduras dos gigantes como porcos-espinhos. Várias encontraram frestas nas armaduras, e alguns gigantes vaporizaram com o toque do bronze celestial.

Mas quando parecia que os Lestrigões estavam para ser derrotados, uma nova massa surgiu do labirinto: trinta, talvez quarenta dracaenae em armaduras de combate completas, segurando lanças e redes. Elas se dispersaram em todas as direções. Algumas atingiram as armadilhas que o chalé de Hefesto havia deixado. Uma ficou presa nas estacas, tornando-se um alvo fácil para os arqueiros. Outras caíram na armadilha de arame, e potes de fogo grego explodiram em chamas verdes, engolindo várias das mulheres cobra. Mas muitas continuavam se aproximando. Os guerreiros de Atena e Argos correram ao seu encontro.

Eu vi Jake sacar seu sabre, e atacar uma delas. Perto dali, Tyler estava montado em um gigante. De algum jeito ele conseguira subir nas costas do gigante e estava batendo em sua cabeça com um escudo de bronze BONG!BONG!BONG!

Quíron atirava flecha após flecha calmamente, derrubando um monstro a cada tiro. Mas mais inimigos continuavam a vir do labirinto. Finalmente um cachorro infernal – que não era a Sra. O’Leary – saltou do túnel e seguiu direto para os sátiros.

- Megan... — disse Quiron.

- Já sei! — gritei para ele e corri.

Destampei Anaklusmos e ataquei.

Enquanto eu corria pelo campo de batalha, eu vi coisas horríveis. Um meio-sangue inimigo lutava contra um filho de Dioniso, mas não era bem uma disputa. O inimigo o apunhalou no braço e bateu no topo de sua cabeça com o punho da espada, e o filho de Dioniso caiu. Outro guerreiro inimigo atirava flechas chamejantes nas árvores, deixando nossos arqueiros e as dríades em pânico.

Uma dúzia de dracaenae saiu da briga principal de repente e rastejaram pelo caminho que levava para o acampamento, como se elas soubessem aonde estavam indo. Se elas conseguissem, iriam pôr fogo no acampamento inteiro, completamente sem oposição.

A pessoa mais próxima era Nico di Angelo. Ele apunhalou um telequine, e sua lâmina preta estigiana absorveu a essência do monstro, sugando sua energia até não sobrar nada além de poeira.

- NICO! — gritei.

Ele olhou para onde eu estava apontando, viu as mulheres serpentes, e entendeu imediatamente.

Ele respirou fundo e ergueu sua espada preta.

– Sirvam-me – ele chamou.

A terra tremeu. Uma fissura abriu na frente das dracaenae, e uma dúzia de guerreiros zumbis saiu da terra – cadáveres horríveis em roupas militares de todas as épocas – revolucionários americanos, centuriões romanos, cavalaria napoleônica em cavalos esqueleto. Como se fossem um, eles sacaram suas espadas e atacaram as dracaenae.

Nico caiu de joelhos, mas eu não tinha tempo para me assegurar se ele estava bem. Eu me aproximei do cachorro infernal, que estava empurrando os sátiros para dentro da floresta. A fera atacou um sátiro, que saiu de seu caminho, mas acertou outro que era muito lento. O escudo de madeira do sátiro se partiu quando ele caiu.

- Ei! Cachorrinho! — gritei para o mesmo que não parecia ter gostado muito do novo apelido.

O cão infernal se virou. Ele grunhiu e saltou. Ele teria me rasgado em pedaços, mas enquanto eu caia, meus dedos se fecharam em uma jarra de argila – um dos potes de fogo grego de Beckendorf. Eu joguei a jarra no estômago do cachorro infernal, e a criatura se foi em chamas. Eu me afastei, ofegando.

O sátiro que tinha sido atacado não estava se mexendo. Eu fui até ele para checar, mas então ouvi a voz de Hansel:

- MEGAN! AQUI!

A floresta tinha começado a pegar fogo. Chamas rugiam a três metros da árvore de Hansel, e Hansel e Emily estavam ficando loucos tentando salvá-la. Hansel tocava uma música da chuva em sua flauta. Emily tentava desesperadamente apagar o fogo batendo nele com seu xale, mas isso só estava piorando as coisas.

Eu corri na direção deles, pulando lutas, passando por baixo de pernas de gigantes. A água mais próxima era o riacho, a meio quilômetro de distância... mas eu tinha que fazer alguma coisa.

Eu me concentrei... Som das ondas se quebrando, então eu ergui minhas mãos em direção a floresta e tiras finas de água saltaram dos meus dedos aumentando durante a distância.

Mais... Pensei.

A água respondeu ao meu comando e logo eu formara uma gigante onda que veio avançando entre as árvores. Ela extinguiu o fogo, molhando Emily, Hansel e praticamente todos os outros.

Hansel cuspiu um bocado de água.

- Obrigado!

- De nada! — gritei de volta.

Eu corri de volta para a batalha, e Hansel e Emily me seguiram. Hansel tinha um bastão nas mãos, e Emily uma vara – como um chicote antigo. Ela parecia muito irritada, como se ela fosse açoitar as costas de alguém. Bem quando pareceu que a batalha tinha se equilibrado de novo – como se pudéssemos ter uma chance – um grito agudo e sobrenatural ecoou do Labirinto, um som que eu já ouvira antes.

Campe se atirou para o céu, suas asas de morcego totalmente estendidas. Ela pousou no topo do Punho de Zeus e analisou a carnificina. Seu rosto estava repleto com uma alegria sombria. As cabeças de animais mutantes grunhiram em sua cintura. Cobras sibilavam e se enrolavam em volta das suas pernas. Em sua mão direita ela segurava uma bola de fios brilhantes – o fio de Ariadne – mas ela o colocou na boca de um leão em sua cintura e puxou suas espadas curvas. As lâminas brilhavam em um tom de verde com veneno. Campe berrou em triunfo, e alguns dos campistas gritaram. Outros tentaram correr e foram pisoteados por cachorros infernais ou gigantes.

– Di Immortales! – Quíron gritou.

Ele mirou uma flecha rapidamente, mas Campe pareceu sentir sua presença. Ela alçou voou com uma velocidade incrível, e a flecha de Quíron passou inofensivamente por sua cabeça.

Tyler se soltou do gigante que ele tinha batido até deixar inconsciente. Ele correu para as nossas linhas, gritando:

– Não corram dela! Lutem!

Mas então um cachorro infernal pulou sobre ele, e Tyler e o cachorro saíram rolando.

- Droga... — murmurei.

Os filhos de Atena atacavam Campe, que revidava. Benjamin gritava alguma coisa, provavelmente um pedido de socorro, mas eu não conseguiria chegar a tempo. Três das flechas de Quíron brotaram no peito de Campe, mas ela só rugiu mais alto.

- Megan! — ouvi alguém gritar, era Jake vindo na minha direção.

Eu me distraí demais... Jake me empurrou para o gramado antes de eu ser atingida por uma rajada de acido, nossa velha amiga Hidra...

- Wow! — exclamei.

- Abaixe-se! — gritou Jake puxando minha cabeça para baixo e juntos nos escondemos atrás de uma grande pedra que virou pó depois de ser atingida por um das bocas da hidra.

Jake tentou contornar a coisa enquanto eu a distraía, mas era impossível, todas as... Esperem... Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Nove! Nove cabeças estavam bem atentas a nós dois. Então quando nós estávamos no limite, Jake me disse:

- Bem, é isso... — disse ele.

- É isso. — disse eu.

- Foi bom lutar com você, cabeça de alga.

- Idem, cabeça de Javali.

Então, atrás de mim, algo uivou. Uma parede de escuridão atingiu a cabeça do meio da hidra mais rápido que a luz, mandando o monstro para o lado. E a Sra O’Leary estava parada a nossa frente, rosnando ferozmente para a hidra.

– Boa garota! – disse uma voz familiar.

Dédalo estava lutando por sua saída do Labirinto, jogando monstros para esquerda e para direita, como se ele estivesse abrindo caminho em nossa direção. Perto dele, havia outra pessoa – um gigante familiar, muito maior do que os Lestrigões, com centenas de braços ondulando, cada um segurando um grande pedaço de pedra.

– Briareu! – Tyler gritou admirado.

– Salve, irmãozinho! – Briareu berrou. – Fique firme!

O centímano atirou uma rajada de rochas em Campe que ainda perturbava Benjamin e o resto dos filhos de Atena junto com Annie Summers que tentava ajudá-los com suas flechadas. As pedras pareciam aumentar de tamanho quando deixavam a mão de Briareu. Havia tantas, que era como se metade da terra tivesse aprendido a voar.

BOOOOOM!

- É... Mais altos que o céu. — eu disse.

Mas não era o fim dos nossos problemas... Clarisse lutava com dificuldade contra três górgonas ao mesmo tempo, ela tinha um corte profundo no braço, mesmo assim resistia.

- Vou ajuda-la. — disse Jake indo na direção da irmã, mas um momento antes voltou como se lembrasse de alguma coisa.

Ele segurou meu rosto entre as mãos e me beijou, de modo suave, primeiramente eu queria dizer: Isso é hora?! Mas... Talvez eu não sentisse aquilo de novo. Não sentia como se já tivesse feito aquilo antes, acho que toda as vezes que ele me beijasse seriam como a primeira vez entre todas.

- Não morra. — disse ele e finalmente se foi.

Eu estava pronta para atacar o próximo monstro, quando percebi que não tinha nenhum perto de mim. Ouvi alguém gritar, olhei na direção da voz e vi que os irmãos de Hefesto estavam com problemas com alguns lestrigões, Nico tentava ajuda-los. Eu dei o primeiro passo para começar a correr e socorre-los. Quando senti a ponta de uma lâmina nas minhas costas, e uma voz terrivelmente familiar sussurrar para mim:

- Não tão rápido, amiguinha.

Notas finais
O que acharam????