Notas iniciais
Apenas o começo de tudo.

Nesta semana aconteceram grandes mudanças, às quais nunca vou me adaptar..

Como não teria mais meu pai por perto, resolvi fugir. Peguei minha mochila, coloquei umas roupas, materiais de higiene e aquele saquinho com moedas amplas e desregulares. Ao sair pela porta da frente, admirei a construção típica de prédios em Manhattan. Sabia que nunca mais veria aquela casa, que agora estava mais solitária do que nunca esteve.

Esgueirei-me por becos e ruelas, tentando encontrar.. Bem, eu não sabia pelo quê exatamente procurava, até que alguém me encontrou.

Esbarrei em uma senhora gordinha com vestido rosa de bolinhas, e com um sorriso psicótico. Somente depois de segundos, percebi a presença de um pequeno cachorro, que tinha olhos vidrados em mim, não exatamente em mim, mas algo atrás de mim. Aquela senhora murmurou algo como ‘’ áfisé me ísiho ‘’, que eu pude entender como ‘’Deixe-me em paz. ’’, e lá se foram, a idosa e seu cachorrinho, que acuava como louco, pela rua. Percebi que eles não eram o pior dos meus problemas. Vire-me para o escuro do beco.

–Olá? — gritei, e fui respondida com um barulho, algo como uma telha de metal batendo no chão. — Tem alguém aqui? — saquei um pedaço de ferro do chão, e vi uma forma. Não tive outra opção, a não ser atacar, porque era isso que a sombra fez comigo.

Assim que ergui o braço para bater, o cano voou da minha mão. A ‘coisa’ me empurrou, fazendo-me cair sentada no chão. Engatinhei até a luz, que brilhava fragilmente. Tentei me levantar, o que não consegui , acho que havia quebrado o pé. Pude ver o com o quê eu brigava. Era apenas um garotinho, com uma aparência de quem não dormia a dias. Tinha, presa à um cinto, uma espada grande e escura.

–O que você quer? É um deles? – perguntei, eu não tinha outra coisa a não ser isso para questionar.

– Acalme-se. Eu estou aqui para ajudar. — Ele me estendeu a mão, a qual eu não toquei. – Olha, eu sei que é difícil confiar em uma situação destas. Já passei por isso. Eu juro, que enquanto você estiver comigo, estará segura. – ele tentou mais uma vez com a mão. Segurei-a hesitante. Assim que tivemos contato, um leve choque percorreu o meu corpo. O garoto tinha a pele fria e pálida, o que não me surpreendia, já que a essa hora da noite, eu também estava congelando.

– Qual seu nome? — estava cansada de fazer tantas perguntas, mas era preciso.

– Nico. Nico DiÂngelo.