Crônicas De Um Pirata
1 Prólogo
Notas iniciais
Para a maioria das pessoas, os piratas não passam de um grupo de ladrões e bandidos rebeldes sem leis, com poucas regras e ainda menos inclinação para seguir qualquer uma que lhes fosse apresentada. Mas isto não é verdade. Eu sabia qual era a verdade, e esse era o meu desejo de homem. Eu serei um pirata. Tinha absoluta certeza que esse era o meu destino, enfrentar o mundo e viver em liberdade.
– Caldwell Perthshire – Gritou o Capitão Magnus Hayes atrás de mim. Eu me virei surpreso que ele ainda lembrava-se de meu nome.
– Sim, Capitão – Respondi de imediato.
– Por que ainda está neste moquifo? – perguntou olhando ao redor para ter melhor visão do local.
Do lado de fora da taberna o vento gelado de outono cobria a cidade. Todos já se preparavam para a chegada do inverno, que este ano prometia ser mais forte que os anos anteriores. Eu olhei para o meu caneco e permaneci em silêncio. Cheguei a taberna durante a manhã quando falei com Capitão Magnus Hayes, já era noite agora e eu ainda estava lá. Eu e vários outros sujeitos que bebiam e berravam enquanto jogavam cartas e contavam histórias do qual eu sempre sonhei em participar.
– O que ainda faz aqui jovem rapaz? – tornou a perguntar o Capitão Magnus Hayes.
– Não tenho aonde ir Capitão – menti. Tinha uma casa ao sul da cidade, e lá estavam minha mãe Pomeline Perthshire, com meu irmão perfeito Spens Perthshire. Eu os odiava e não queria voltar para aquela casa. Não depois da ultima noite.
– Certamente tem um lugar para se esquentar a noite Caldwell Perthshire. Ou estou enganado? – Ele sabia que eu estava mentindo, dava pra ver nos olhos dele.
– Tenho Capitão Magnus Hayes. – respondi olhando para meu caneco cheio até a metade.
– Penso que quer partir no Émeraude como um fugitivo. Não lhe perguntarei o porquê, apenas se tem certeza do que quer. – Ele parou, olhou nos meus olhos esbugalhados e perguntou: — Você tem certeza do que quer Caldwell Perthshire?
– Tenho Capitão Magnus Hayes – respondi ficando em pé de imediato – Eu quero partir no Émeraude e tornar-me um pirata como os outros.
– Quantos anos você tem?
– Catorze Capitão Magnus Hayes. – Temi por um momento, devia ter mentido.
– É um pouco alto para catorze, ficará no convés por um tempo, depois veremos.
– Quer dizer que partirei no Émeraude, Capitão? – Perguntei oprimindo um sorriso.
– Partiremos quando o sol nascer, pegue tudo o que precisar. E mais uma coisa Caldwell Perthshire, não devemos mentir no Émeraude, para nossa própria segurança. – Ele se virou e sentou-se numa mesa onde vários homens bebiam e berravam num animado jogo de dados.
Sentei-me na mesa por um momento para digerir tudo com calma. Serei um pirata de verdade, pensei. Levantei-me de súbito da mesa, joguei minhas moedas ao Senhor Lionse no balcão e corri para a porta. Antes de sair pude ouvir a voz do Capitão Magnus Hayes me dizer:
– Se não estiver lá ao nascer do sol, partiremos sem você.
Mas eu estarei lá, pensei. É claro que estarei.
Abri a porta e pulei para a rua, para o frio da noite de outono. Minha última noite neste lugar.
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