O que foi que aconteceu? Pensou Beatriz, deitada em sua cama.

Seu grande dobermann jazia ao seu lado, com a cabeça entre as patas. Olhando para seu grande e bobo cachorro, Beatriz refletiu sobre seu sonho na madrugada passada.

Sonhou com seu pequeno Rafael.

Sonhou que mãos duras pressionavam o fino pescoço de seu irmão contra a parede de sua própria casa, até que este adquirisse um tom arroxeado.

No sonho, a dona das mãos era Beatriz.

Naquela noite, se levantou instantaneamente e olhou para si mesma no espelho. Você matou seu irmão, você matou seu irmão, você matou seu irmão, você matou seu irmão...

Os pensamentos torturantes do sonho deram lugar a gritos e destruição. O inocente espelho sofreu com o sonho de Beatriz.

Matheus cuidou de suas feridas. Limpou seu quarto sem pedir nada em troca. Chamou-a para a realidade.

Beatriz afagou seu cachorro e se revirou em sua cama até pegar no sono. Não sonhou, e ficou grata por isso.

Na manhã seguinte, Beatriz notou que Matheus não estava em seu sofá, como de costume. Será que aquele folgado desgraçado tomou vergonha e foi para sua própria casa? Não. Acho que não.

Em cima do sofá, uma folha dobrada se destacava com o nome de Bea. A caligrafia de Matheus era impecável, com letras magras e elegantes. O bilhete dizia:

“Bea,

Saí para respirar.

Voltarei logo se não tiver problemas.

Matheus.”

Saiu para respirar. Respirar em sangue, Matheus? Esse menino ainda vai me meter em encrencas... Pensou Bea, balançando a cabeça.

Notas finais
vou dar uma acelerada no processo de postar novos capítulos pra poder lançar os novos mais eletrizantes