Crônicas De Um Casal Assassino
19 Capítulo 19- Matheus
Notas iniciais
— Matheus, você precisa dormir. — disse Bea, cutucando Matheus nas costelas.
— Não enquanto eles estiverem vivos. — ele respondeu, de sua forma fria e insensível.
Claro que a insensibilidade de Matheus não se passava de uma farsa.
Claro que tudo o que ele queria era deitar em sua barraca, abraçar Beatriz e fazer carinho em seus cabelos, adormecer respirando seu perfume, e quando acordasse aquele cheiro permaneceria em sua memória e em suas roupas, quase alcançando a felicidade apenas por tudo em si lembrar-lhe a Bea.
Mas eles continuavam respirando, com suas repugnantes vidas seguindo em frente, então permaneceu sentado em frente à barraca, pensando sombriamente sobre como os mataria.
Eles torturaram Bea. Eles. Eles seriam torturados também. Um por um. E com certeza seria muito, muito pior.
— Matheus.
Subitamente Matheus percebeu que seus punhos estavam extremamente cerrados, com seus tendões anormalmente saltados.
— Desculpe, Bea, mas eu não...
— Cale a boca, Matheus. — interrompeu Bea, franzindo o cenho.
Uau. Essa é a minha garota.
Matheus aliviou a tensão e envolveu Bea com seus braços, tentando desviar o olhar de seus pés para manter longe a raiva irrefreável. Prendeu a respiração por alguns segundos, e a de Bea o preencheu.
Olhou em volta. Havia uma fogueira perto de seus pés, que iluminava o rosto de Bea, destacando seus olhos. Por alguns minutos, isso foi tudo que viu e tudo o que desejou ver.
Sentindo-se observada, Beatriz voltou seus olhos a Matheus, e de repente este desistiu e entrou na barraca.
Como ela consegue me vencer desse jeito?
Matheus começou a se perguntar por que nunca amara ninguém, por que nunca se sentira assim. A resposta entrou na barraca segundos depois e deitou em seu peito, tomando cuidado para não esbarrar seus pés em nada, sem fazer nenhuma ideia do impacto que tinha.
E de repente Matheus estava deitado em sua barraca, abraçando Beatriz e fazendo carinho em seus cabelos. Adormeceria respirando seu perfume, acordaria com aquele cheiro fresco em sua memória e em suas roupas, e alcançaria a felicidade apenas por tudo em si lembrar-lhe a Bea.
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