Crônica 001
1 Um Pombo No Meu Telhado
Notas iniciais
Nada como uma pedra no meu sapato. Não. De longe, as coisas inusitadas costumam acontecer quando menos se espera e com quem acha que nunca irá acontecer algo igual, ou parecido. Nunca tive uma pedra no sapato, pelo que me lembre, mas em uma aula monótona em um dia de segunda jurei sentir algo mexer sob a meia, rente ao dedão mais gordo e feio do meu pé. Então eu chutei e parou.
Mas com certeza, se você tem, ou já teve, um pombo no telhado saberá bem do que estou falando. Você acorda com eles arrulhando (e se a sua casa tiver aquele forro PVC, meu amigo, eles ficam bicando até que a luz do sol passe pelo orifício feito) e dorme com o pensamento bom e aliviado de que já foram embora, mas na manhã seguinte lá estão eles novamente: um despertador natural do seu sono, onde se você estiver tendo um pesadelo acordará para um bem pior.
O recado que quero passar é que todos já tivemos pombos no telhado uma vez na vida. Não importa se você tem oito ou oitenta anos, o pombo é aquilo que te agonia e que te tira o sono. É aquela questão decisiva que você não conseguiu resolver na prova, aquele vaso favorito da sua mãe que você quebrou no domingo, aquela conta para pagar de imediato, mas que você não tem o dinheiro, ou aquela briga com o seu melhor amigo.
Não importa o tamanho do pombo se ele começar a arrulhar: O barulho sempre será um verdadeiro inferno e você não vai descansar até tirá-lo do telhado de sua mente. E o pior de tudo é que pode demorar horas ou dias ou semanas ou meses para você arrumar o melhor modo de se livrar do maldito.
A pedra você pode tirar do sapato tão rápido quanto ela entrou, mas o pombo, meu caro, você deve levantar-se da cama, deixar para trás o lençol bagunçado e se dar o trabalho de subir até o telhado e arrancá-lo de lá.
Certamente, antes o silêncio de um trabalho cumprido, que o arrulhar de um agonizante problema.
Notas finais
Um verdadeiro inferno!
Espero que não os tenham. Beijo.
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