Crónicas Felinas

1 Adotei Uma Cria Humana


Notas iniciais
Beta: Queen of Doom

Notas da Autora:
Esta história entrelaça-se com “A Caveira de Cristal”, tendo início no segundo capítulo, “O Aniversário do Dragão”.
No decorrer da narrativa, irei indicar, na secção dedicada às notas do autor, os capítulos correspondentes entre os fanfics.
Espero que gostem.

A Biblioteca de Malfoy Manor só poderia ser descrita como o local de sonho de qualquer amante de livros.

Começando pelo solo revestido de azulejos de mármore níveo e brilhante, seguindo pelos rodapés forjados em pedra de tonalidade verde esmeralda com leves matizes turquesas, passando pelas estátuas de mármore, com entalhes de ouro, esculpidas pelos maiores artistas da Antiga Grécia, sem esquecer as colunas erguidas a partir do mesmo material que havia sido utilizado para elaborar os magníficos rodapés da divisão.

Mas a maior atração daquele belíssimo recinto, era sem dúvida alguma os livros que repousavam nas suas abundantes e vastas prateleiras.

Entre os diversos volumes presentes, era possível encontrar toda a história do Mundo Mágico escrita à mão, com uma caligrafia impecável, por magos de diversas etnias que haviam dedicado toda a sua vida a registar a passagem do tempo, bem como todos os feitiços e poções conhecidos até à data.

Várias pessoas acreditam, que os registos antecedem a criação das barreiras que separam o Mundo Mágico, do Mundo Muggle… esses volumes encontram-se perfeitamente preservados nas estantes da majestosa biblioteca da propriedade principal da Família Malfoy. Era por essa razão, que Severus Snape se encontrava a folhear um desses famosos livros em busca de respostas a todas as suas questões.

O ruído das patinhas, do pequeno e inusual acompanhante do Mestre de Poções, foi seguido por um estrondo e por último um miado lastimeiro. O gatinho lutou ferozmente contra o inimigo, mas foi vencido pelo terrível monstro de papel.

O mago de cabelos e olhos ébano, ergueu-se do assento pegando na varinha, para poder devolver os livros aos seus respectivos lugares, movendo ligeiramente o pulso ao mesmo tempo que pronunciava o feitiço.

Com todo o orgulho que ainda restava do seu pobre e lastimado ego, o felino ergueu-se e bufou ligeiramente na direção do humano.

“Porque é que demoraste tanto tempo, escravo?”, perguntou o pequeno patudo, sendo que os sons emitidos pela sua boquita, eram basicamente uma miríade de miaus totalmente incompreensíveis para o Mestre de Poções. “Acaso não viste que precisava de assistência imediata? Hnf, Humanos!”

Severus realizou um feitiço para ver a hora, ignorando os miados e bufidos do felino, e constatou que estava atrasado. Lucius era bem capaz de lhe lançar um crusius se não chegasse a tempo à festa de aniversário de Draco e, para quê esconder, ele próprio nunca se perdoaria se tal acontecesse.

Decepcionado por outro dia em vão, na Biblioteca de Malfoy Manor, conjurou um desmaius sobre o pequeno gatinho, colocando-o dentro de uma caixa, apressando-se a entrar na lareira do antigo Escritório de Abraxas.

oOo

Draco retirou o gatito do interior da caixa, agradecendo ao seu padrinho pelo maravilhoso presente. O loirinho estava extasiado com o novo residente do Château de Chantilly… o mesmo não se podia dizer de Lucius Malfoy.

― Já pensaste num nome? ― perguntou o Patriarca ainda desgostoso pela presença do pequeno animalzinho, que na sua opinião era completamente inadequado para um futuro Slytherin, pois como já havia afirmado anteriormente, apenas Gryffindors adotavam felinos. ― Toda a mascote de um Malfoy deve ter um nome à altura.

― Lynx! ― exclamou o Herdeiro Malfoy, de três primaveras recém atingidas, com orgulho embebido na sua voz infantil.

A decisão estava tomada e um novo membro unia-se à pequena família.

oOo

Os pobres elfos ainda não tinham parado de correr o dia todo, pareciam baratas tontas, ora para um lado, ora para o outro.

Talvez estivessem com os rabos a arder, pois que outra razão poderiam ter para não sossegarem um segundo sequer?

A resposta era bem simples, na verdade… Haviam despertado com as galinhas, para conseguirem ter os preparativos da festa prontos atempadamente. Já anoitecia e estes ainda se encontravam atarefados com os imensos preparativos necessários, para que o Château de Chantilly,fosse digno de ser chamado lar de um gato de estimação de um Malfoy.

Um mero olhar suplicante do pequeno amito tinha sido mais do que suficiente, para os colocar todos a correr as lojas mágicas em busca de tudo o que pudesse ou não ser necessário.

Em suma, dezenas de elfos a comprarem as mesmas coisas, só podia resultar, inevitavelmente, numa divisão do castelo repleta de brinquedos e afins todos destinados ao entretenimento, alimentação e higiene do felino.

Não que esta fosse ter muito uso, uma vez que o gatinho já havia adotado a cria humana como sua e fizera da sua missão pessoal, mantê-lo seguro, como tal, partilhava quarto com Draco e por vezes, até deslizava para debaixo dos cobertores quentinhos e fofinhos do seu “dono”, enroscando-se nas suas pernas.

Lynx, não entendia porque os humanos teimavam em dizer que o seu protegido era seu dono.

“Eu não sou nenhum objeto para ter dono!”, miava Lynx entre bufidos na direção dos adultos, que logo aprenderiam a nunca pronunciar a palavra “dono” frente ao novo membro da família.

oOo

Bom… Era seguro dizer, que o primeiro dia de Lynx na residência da Família Malfoy, apenas chegava ao fim e este já se encontrava perfeitamente instalado e adaptado ao seu novo ambiente, instituindo-se como Mestre de um dos aposentos do castelo, com um total de vinte e três arranhadores, sendo que alguns deles eram praticamente iguais, diferenciando-se apenas pelo números de andares ou pela cor que fora utilizada para fazer os acabamentos.

oOo

Lynx acordou cedo e espreguiçou-se. Entreabriu os olhos para focar os seus arredores, passando a analisar os objetos presentes na divisão, sendo a sua atenção imediatamente capturada pelo objeto que descansava contra o canto formado pela união de duas paredes.

Curioso, desceu da cama com um salto ágil e dirigiu-se cautelosamente ao ramo verde esmeralda, com listras prateadas e vários ramitos mais curtos e finos presos a uma das suas extremidades. Tocou na vassoura voadora com a patinha direita, conseguindo inadvertidamente que esta reagisse ao seu núcleo mágico e levitasse horizontalmente a poucos centímetros do solo.

“Esta coisa parece interessante… para que servirá?”, murmurou o felino albino, pulando para cima do cabo da vassoura que logo alçou meio metro, começando a deslizar pelo gigantesco quarto que pertencia ao seu pequeno protegido.

“Toma lá e engole, sua harpia mal-amada. Quem disse que gatos não podem voar? Aquele idiota acha-se o maior só porque tem asas e pode voar…”, exclamou Lynx ao recordar o seu antigo vizinho.

Previamente à chegada do misterioso homem de negro à loja, o animal havia sido importunado, dia sim e dia também, pelo gavião-real, que padecia de um sério caso de narcisismo, que habitava na gaiola adjacente.

Notas finais
Ainda não tinha mencionado n’A Caveira de Cristal, mas sendo Lynx uma mascote mágica, decidi que deveria, ele mesmo, ser provido da sua própria magia, a qual virá a ser muito útil em capítulos vindouros.