Notas iniciais
Penultimo capitulo meninaaaas

Bella saltou da cama. O que Jacob fazia ali? Como descobrira seu paradeiro? Não havia lhe contado para onde ia.

Precisava se vestir e descobrir o que ocorria. O problema era que as únicas roupas disponíveis no quarto eram a camisola de cetim e o robe. Poderia invadir o armário de Edward, também.

Pegou uma das camisas e a vestiu antes de acrescentar... o quê? A calça jeans era muito maior do que seu número. Encontrou uma calça de agasalho. Precisou enrolar um pouco o tecido ao redor da cintura. Camisas grandes e agasalhos combinavam, certo?

Apressou-se a descer e descobriu que Edward levara Jacob para o saguão. Teve esperança de que já o tivesse expulsado da propriedade. Mas era covardia sua querer que ele lutasse numa batalha que não lhe pertencia.

Era uma mulher corajosa que enfrentara um rato frente a frente. Poderia lidar com Jacob.

— O que faz aqui? — quis saber, o tom de voz frio independente do olhar suplicante de Jacob.

— Alice me contou onde você estava. Falou que trabalhava com uma nova conta por aqui. Molho para churrasco, eu acho.

Bella sabia muito bem que Alice não teria sido tão indiscreta se Jacob não a houvesse pressionado. Ficou imaginando o que teria prometido à moça para induzi-la a falar.

— Estou aqui para dizer que a quero de volta — Jacob declarou no tom dramático que um dia Bella achou tão romântico e que, naquele momento, soava ridículo. — Farei qualquer coisa para ter seu amor de volta.

Bella estava tão atônita que apenas pôde ficar ali olhando para Jacob, espantada. De que planeta ele viera? O que o fazia pensar, mesmo que por um breve instante, que havia alguma possibilidade de reatarem?

Ou haveria algo mais acontecendo ali?

Só um minuto! Uma das poucas coisas que Alice mencionara com casualidade na correspondência eletrônica colocara a situação em novo foco.

Lembrou-se de algo como os negócios na agência de Jacob estarem decaindo desde que Bella partira. Sem dúvida era esse o motivo real por detrás da aparição de Jacob, juntamente com a declaração de amor.

Antes que pudesse falar, entretanto, Edward disse friamente:

— Eu os deixarei a sós.

Não gostou do som das palavras. Nem do modo como Edward as proferiu. Como se nada tivesse a ver com ele. Como se Bella não fosse importante.

Talvez estivesse apenas se sentindo deslocado.

— Não há necessidade — Bella rapidamente lhe garantiu. — Qualquer coisa que Jacob tenha a falar poderá ser dita na sua frente. Não tenho segredos com você.

— Vocês dois devem ficar a sós — Edward insistiu com teimosia. — Para decidir como resolverão isto.

Seu tom de voz e postura deixavam claro que achava melhor Bella voltar para Jacob e para a vida que tinha em New York.

Estava furiosa. Como podia pensar isso após a noite que acabaram de partilhar? Ela até mesmo havia dito que o amava. Será que se iludira a respeito dele?

Achava que ela pulava para a cama com todo cowboy que conhecia?

Estava tão furiosa que nem conseguia pensar direito. Avançou na direção dos dois homens, na intenção de dar-lhes um bom sermão. Não pretendia ser moderada. Oh, não, estava brava o suficiente para gritar!

Primeiro concentrou a atenção no visitante inesperado.

— Jacob, serei breve. Pule no lago Michigan e saia de minha vida. Nossa história já é passado. Acabou. Não voltará a acontecer nem nesta vida nem na próxima.

Mal registrou o olhar de espanto antes de migrar a fúria para Edward.

— E quanto a você — gritou, a voz aumentando alguns decibéis -, é um total covarde que está com medo de amar novamente. — Marcou cada palavra com uma investida furiosa de seu indicador no peito nu de Edward. — Apenas porque teve uma experiência ruim. Acha que é o único que já cometeu erros? Eu cometi um erro com esse idiota aqui também, mas fui adiante. Você não. Não! O grande Edward Cullen sabe de tudo. Mas a conclusão é que você tem medo de acreditar que eu realmente o amo de todo o meu coração embora seja uma tola por sentir isto. Nenhum de vocês vale a pena!

Conforme gritava com os dois, Jacob e Edward rapidamente retrocederam, as mãos estendidas em confusão até passarem pela porta frontal ainda aberta.

Somente quando a porta bateu em seu rosto, Edward percebeu que Bella acabara de expulsá-lo de sua própria casa!

Seu primeiro pensamento foi de que Billy tinha razão. Bella tinha um temperamento capaz de fazer uma nevasca retroceder. Então percebeu que ela dissera que o amava não em um momento de paixão, mas de desabafo feminino.

Quando ouvira as palavras na noite anterior enquanto faziam amor, teve medo de acreditar. Mas atualmente, quem poderia duvidar de Bella? Fora tenaz em sua declaração, irredutível em seu intento de livrar-se dele.

Jogara os temores de Edward contra a parede ao acusá-lo de achar que seus sentimentos por ele eram fúteis.

Sim, presumira que Bella preferiria a velha vida na cidade à nova a seu lado e de sua família na fazenda. Enganara-se. Enganara-se a respeito de muitas coisas.

Bella não era uma borboleta. Uma brisa passageira. Era uma pessoa estável. Muito diferente de sua ex-esposa.

Tania tinha apenas um verniz na superfície, como ouro falso. Mas as emoções de Bella eram profundas e verdadeiras, como uma veia da espécie de ouro pela qual os homens arriscavam a vida.

Amava-a. E pretendia lutar por ela.

Virou-se para Jacob e falou:

— Você tem um minuto para sair da minha propriedade. E nunca mais volte aqui.

Devia ter parecido convincentemente perigoso, porque após alguns segundos Jacob dirigia às pressas sua BMW para longe da casa, deixando uma nuvem de poeira.

Já havia lidado com um problema. Precisava apenas lidar com Bella.

Resolveu entrar em casa. A porta estava trancada. Sua porta não era trancada havia anos. E jamais contra ele.

Bateu com delicadeza, percebendo que teria de agir com tato.

— Bella, querida, deixe-me entrar. Precisamos conversar.

Tinha esperança de que o tratamento carinhoso a suavizasse.

Em vão. Ela se recusava a responder.

— Ora vamos, querida — disse em seu melhor tom de incentivo. — Deixe-me entrar. Sei que cometi alguns erros. Está bem, erros enormes. Como presumir que você preferiria sua antiga vida na cidade à nova que está construindo aqui. É óbvio que se ofendeu com isto.

Um jeito leve de descrever a ira que ela demonstrara.

— Mas querida, eu acredito em você agora. Acredito que verdadeiramente gosta de estar aqui. Acredito em seu amor. Bella, querida, está me ouvindo?

Aproximou-se a ponto de seus lábios praticamente beijarem a madeira da porta.

Nenhum som ouvira-se do lado de dentro da casa.

— Estou lhe dizendo algo importante, querida. Estou lhe dizendo que a amo. Então deixe-me entrar, deixe-me entrar em seu coração, e juro que não vou magoá-la novamente. Vamos, meu amor.

Se "querida" não funcionava, talvez "meu amor" fosse melhor. Não. Talvez outro tratamento carinhoso então.

— Meu anjo? Meu docinho?

Ainda nenhuma resposta. Balançou a cabeça e colocou o ouvido em vez dos lábios na porta. Nada indicava que ela estivesse do outro lado, embora não ouvisse nenhum som de respiração, choro ou grito.

Foi então que percebeu duas coisas. Em primeiro lugar, brava como estava, Bella provavelmente fora para o andar superior e não podia ouvir o que ele falava. O que o transformava em um completo tolo.

Mas não tão tolo quanto a segunda descoberta revelava. Mike e Jasper estavam a poucos passos de distância. Talvez não tivessem ouvido nada.

Vã esperança.

Notas finais
Espero que gostem ♥