Coward
1 Covarde
Aquele cretino bateu na minha cabeça com tanta força que eu comecei a sangrar. Logo depois veio o zunido característico de quando batemos o ouvido muito forte.
O que deu em mim naquele momento? Eu não sei. Apenas tive a necessidade urgente de quebrar a cara daquele maldito almofadinhas. Fiz isso. Infelizmente, para mim, a mãe dele que era cega para tudo a que ele fazia comigo conseguiu ver muito bem que ele estava levando uma surra de uma menininha.
É agora, ele vai agir como um filhinho da mamãe.
— Ela me atacou, eu não fiz...
Ela sabe que é mentira, mas isso é tudo que ela precisa pra me mandar pra longe.
— Eu sei querido, essa selvagem passou de todos os limites.
Você é um covarde! Um grande covarde! Os covardes são mais corajosos que você!
Ele olhou para mim, vendo em meus olhos o que minha boca não podia falar.
Eu só precisava de um momento de coragem seu, mas você é incapaz disso, não é?
— Estávamos brincando de esconde-esconde, mas eu pensei que a Jane tinha sido levada pelo fantasma do quarto, ela tem a mania de entrar lá. Quando a encontrei bati forte em sua cabeça. Ela ficou chateada e me atacou. Ainda há sangue na orelha, vê?
— Isso é verdade? – minha tia perguntou para mim.
— Se não acredita nele como acreditará em mim? – respondi, calmamente.
Minha tia saiu de casa, tinha outras coisas pra fazer além de me atormentar. As criadas voltaram aos seus afazeres na cozinha. Apenas eu e meu primo continuamos na sala.
— Jane – ele cantou meu nome.
— O que você quer? – respondi bruta.
— Precisamos manter a tradição dos barulhos no quarto vermelho.
— Acha mesmo que terá algo de mim depois de machucar minha orelha? – questionei
— Me desculpa vai, não foi por querer e não é nada comparada a surra que você me deu hoje... e ontem... e no dia anterior... e no anterior desse. – ele disse, atacando meu pescoço.
— Não é culpa minha se você merece – retruquei, sorrindo. – Pare com isso, seremos pegos!
— Não precisa se preocupar, eu digo para Sra. Reed, minha mãe, que estava testando uma nova técnica de verificação de pressão arterial. – ele respondeu, me apertando um pouco mais.
— Ela nunca vai acreditar, nem eu acredito – falei, sem crer na cara de pau do meu primo.
— É isso ou ela ter que admitir que você disse a verdade alguma vez.
— Nós dois sabemos que ela nunca faria isso...
— Mesmo que sua vida dependesse disso – ele completou me jogando na cama.
— Como chegamos aqui? – perguntei, olhando para todos os lados.
— Existem alguns mistérios nessa casa que eu nunca vou te contar Jane. – ele sussurrou, jogando-se na cama.
Talvez ele não seja tão covarde quanto pensei.
E talvez devêssemos parar de “causar barulhos” no quarto vermelho.
Deixa pra lá, não consigo pensar direito com esse garoto me olhando com tanta... vontade.
Eu adoro quando ela fica sem roupa. Afinal de contas, pra quê ela usa tantas mesmo?
Fale com o autor