Notas iniciais
Oi, oi! Aqui é a Mylla apresentando essa ideia que já estava incomodando não por pra fora. Espero que gostem!
Ps: Recomendo que leiam escutando Counting Stars - One Republic.

– Era para eles terem vencido a guerra – Nico murmurou tocando a lâmina de ferro estígio – todos aqueles semideuses... Você só precisava ter chegado do outro lado, Nico. Só isso.

Nico di Angelo. Semideus, filho de Hades, embaixador Plutão, Rei Fantasma, como quiser chamar. Isso não tinha mais importância. Ele havia falhado. Errado o caminho. Demorado demais. Percy e Anabeth foram submetidos aqueles monstros quando chegaram as portas. Eles não tinham mais forças para lutar.

Não culpou Leo pelo navio ter sido lento, ou Jason que poderia ter controlados os ventos, tão pouco Frank por não ter se transformado em um dragão, nem Piper por não ter charme contra as paredes também e muito menos Hazel por não te-lo ajudado. Culpava apenas a si mesmo. Ele havia prometido a Percy que chegaria do outro lado. E não chegou. Não, ele nunca se perdoaria.

Gaia agora os tinha nas mãos. Apenas cinco dos semideuses da profecia estavam ali. Lutando. Nenhum outro poderia ganhar. Ele, Hedge e Reyna não levaram a estátua. Precisaram dos deuses para isso também. Porém era quase um massacre entre gregos e romanos naquela hora. Os poucos que sobraram lutaram. Perderam muitos. Por culpa de Nico.

Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono

Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido

Mas amor, tenho, tenho rezado muito

Setando, sem ficar mais contando dólares

Contaremos estrelas

Então ele fez a única coisa que lhe restava. Entrou na Floresta a tempo de ouvir os gregos gritarem desorganizados enquanto atacavam. Entrou na sombras e se sentiu tão longe do mundo quanto um filho de Hades poderia se sentir. E naquele momento ele estava ali sentado em uma pedra se martirizando vendo.

Ali estava. Vendo aquela balança. Sentindo as almas entrarem na morte. Seu coração palpitava e doía. Ele estava deixando tudo aquilo acontecer. Nico apertou os olhos sentindo uma dor sobrenatural se apossar de si.

Era como se os anos no Cassino Lótus tivessem vindo à tona. Mas ele continua jovem. Porém não tão ousado. Ele deveria estar naquela guerra ajudando todos aqueles semideuses, mas ele não conseguia sequer se mexer. Eles venceriam, certo?

A quem ele queria enganar? Gaia não estava vendida. Ela lutaria contra eles. Ele apenas estava fazendo o que mandaram, aquele tempo todo, ele foi usado pelos deuses, não queria mais isso. Queria apenas deitar-se e dormir para toda a eternidade, que nem mesmo a morte seria o suficiente. Hades lhe preservaria todas aquelas memórias.

Vejo esta vida como uma videira que balança

Balanço meu coração além do limite

E meu rosto está dando sinais

Procure e você há de encontrar

Velho, mas não sou tão velho

Jovem, mas não sou tão ousado

Não acredito que o mundo esteja vendido

Apenas estou fazendo o que me mandaram

Aos poucos ele se sentia o mesmo Nico de sempre. Ele começou a rir sozinho. Por que estava sentindo algo tão bom, fazendo a coisa errada?

As folhas a sua frente farfalharam e uma garota entrou ofegante na mata e se assustou com a imagem do garoto. Ela arregalou os olhos, mas deu um passo para frente finalmente os estreitando como se perguntasse: O que raios você faz aqui?

– Thalia o que...? – ele perguntou lentamente – o que você...?

– O mesmo que você – ela disse.

– Por que? – Nico perguntou.

– Porque sinto algo tão errado fazendo a coisa certa – ela disse se sentando ao seu lado.

– E eu não poderia mentir – ele murmurou.

– Não poderia mentir? – ela perguntou.

– Não poderia mentir – ele confirmou – tudo que me mata...

– … Me faz sentir mais vivo – ela completou.

Sinto algo tão bom

Fazendo a coisa errada

Sinto algo tão errado

Fazendo a coisa certa

Eu não poderia mentir, não poderia mentir, não poderia mentir

Tudo que me mata me faz sentir mais vivo

– Exatamente – ele murmurou analisando a garota.

Thalia continuava exatamente igual a última vez que se viram. Antes de ele seguir pelas Portas da Morte. As caçadoras não haviam gostado nada de sua presença, mas Thalia o deixara ficar por uma noite.

– Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono... – ela disse e Nico mexeu nos cabelos nervosamente.

– Desculpe por aquilo, Thalia – ele interrompeu.

– Você não foi o único culpado, Nico – ela garantiu.

– Mas não é você que estado sonhando com as coisas que poderíamos ter sido – ele falou falou e ela sorriu de lado.

– Mas amor, tenho, tenho rezado muito – ela afirmou – sentada, sem ficar mais contando dólares que não servem para nada.

– Então... – ele se aproximou – contaremos estrelas.

Ela gostou ve-lo proferir tais palavras. Mas estrelas ainda a lembrava Zoe Doce-Amarga.

Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono

Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido

Mas amor, tenho, tenho rezado muito

Setando, sem ficar mais contando dólares

Contaremos estrelas

Thalia sentiu a respiração pesar. Eles já tinham feito aquilo uma vez. Mesmo ainda sendo caçadora ela prometeu a si mesma que não iria se repetir. Mas era quase impossível com ele alternando o olhar entre seus olhos e seus lábios.

Por fim ela esqueceu a indecisão e colocou a mão no rosto garoto o puxando para mais perto, colando seus lábios. Ele não era mais um garotinho, era um garoto que como ela ficou perdido no tempo. E aquele simples toque a fez sentir mais viva.

– Sinto o amor – ele murmurou entre os lábios a puxando para mais perto – e sinto ele queimar.

Por que ele falou isso? Ele não fazia ideia. Tinha apenas escapado. Mas isso pareceu não a incomodar por tanto voltou a beija-la ao mesmo tempo que uma bola de fogo voava em direção ao chão e uma estranha onda de sono o invadir.

– O que...? – Thalia se afastou – ah, não importa!

Nico entendeu porque ao longo desse rio “hope” é uma palavra de quatro letras. Porque mesmo que Thalia Grace fosse a última pessoa que ele quisesse ver, ela era a única que ganharia esse dinheiro e veria queimar.

Velho, mas no corpo de um adolescente.

Jovem, mas não tão ousada.

Ártemis provavelmente a mataria, mas ela não ligava. Gaia naquele momento poderia estar vencendo, mas isso não importava. Estavam se distanciando como deveria ser. Apenas fazendo o que mandaram

Sinto o amor e sinto ele queimar

Ao longo deste rio, em cada curva

"Hope" é uma palavra de quatro letras

Ganhe esse dinheiro, veja-o queimar

Velho, mas não sou tão velho

Jovem, mas não sou tão ousado

Não acredito que o mundo esteja vendido

Apenas estou fazendo o que me mandaram

– Sinto algo tão errado fazendo a coisa certa – ela afirmou baixinho – e não poderia mentir.

– Não poderia mentir? – Nico perguntou;

– Não poderia mentir – ela confirmou.

Ele conhecia essa sensação. Quem melhor que um filho do deus dos mortos para preferir o errado ao certo? Ele que se sentia completamente tentado a se juntar ao exército dos Titãs, só não o fizera por causa de Bianca. Sua irmã não iria querer isso.

– Eu sei – ele disse suspirando e ela balançou a cabeça.

– Tudo que me derruba me faz querer voar – ela falou.

– Pensei que tivesse medo de altura – ele brincou e ela lhe deu um tapa – o que foi?

– Você consegue ser tão idiota Nico di Angelo – ela resmungou e ele riu – tão bobo.

Sinto algo tão errado

Fazendo a coisa certa

Eu não poderia mentir, não poderia mentir, não poderia mentir

Tudo que me derruba me faz querer voar

– E tão lindo – ele brincou a fazendo rir.

– Talvez seja por isso – ela disse o fazendo olha-la curioso – que ultimamente, tenho, tenho perdido o sono.

– Isso é sério? – ele perguntou.

– Não mesmo – ela afirmou por mais que fosse verdade e ele lhe deu um olhar triste – eu diria que é por que ando sonhando com as coisas que poderíamos ter sido. Isso sim é sério.

– Tem noção que Ártemis vai matar nós dois, certo? – ele perguntou.

– Não sei, mas amor, tenho, tenho rezado muito para que isso não aconteça – ela afirmou.

– Tenho certeza que sim – ele afirmou – afinal, não estou mais sentado, sem ficar mais contando dólares.

– Contaremos estrelas – ela disse simplesmente apontado para a consteleção no céu.

Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono

Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido

Mas amor, tenho, tenho rezado muito

Setando, sem ficar mais contando dólares

Contaremos estrelas

A terra não estava furiosa. Provavelmente os semideuses havia ganhado. Sem precisar de Nico ou Thalia. Eles provavelmente eram forasteiros nesse momento. Mas aquela guerra era como dinheiro. Ganhe e veja-o queimar.

– Por mais que eu queira afundar tudo isso no rio – Thalia comentou distraidamente olhando para as estrelas – as lições são aprendidas.

– Melancólico – ele comentou e levou um soco no estômago – era brincadeira!

Ganhe esse dinheiro

Veja-o queimar

Afunde no rio

As lições são aprendidas

– Cuidado com o que diz – ela repreendeu.

– Não digo mais nada – ele prometeu e ela sorriu acariciando seus cabelos.

Tão macios. Thalia puxou alguns fios para si então finalmente voltou a beijar o garoto. Porque tudo que mata. Só fazia os sentir mais vivos. Com certeza estar beijando uma caçadora quando deveria estar lutando era um erro imperdoável no Olimpo.

Tudo que me mata

Me faz sentir mais vivo

Tempo, não era importante ali. Afinal, ele era quase um ano mais novo ou mais de quarenta anos mais velho que ela. O que faria alguns minutos ou algumas horas ali? Para semideuses talvez uma diferença enorme, mas, realmente, aquilo não era importante!

Porque ultimamente ambos teriam perdido o sono. Pensando naquele acampamento das caçadoras. Onde antes de ir embora Nico fez questão de roubar um beijo da tenente, que não pareceu nem um pouco feliz quando se viram novamente, mas agora estava ali afirmando que também teria sonhado com as coisas que poderiam ter sido. Porém, mesmo rezado muito, Ártemis não os perdoaria.

Afrodite podia ser cruel quando quisesse. Se apaixonar por uma caçadora não estava nos planos de Nico. Ele preferia ficar sentando, sem ficar mais contando dólares. Mas aquilo não fazia diferença. O que já foi feito, foi feito. As rosas já estavam no jardim. Embora não fosse culpa de nenhum dos dois.

Separaram-se lentamente. E se assustaram ao ver uma garota ruiva de doze anos os olhando irritada. Ártemis. Não havia mais tempo para contarem estrelas. A deusa aparentava estar furiosa como somente Apolo a fazia ficar.

Ultimamente, tenho, tenho perdido o sono

Sonhando com as coisas que poderíamos ter sido

Mas amor, tenho, tenho rezado muito

Sentado, sem ficar mais contando dólares

Contaremos estrelas

– Vocês dois – ela disse friamente e Thalia se encolheu – estão muito encrencados.

– Não hoje – Nico falou entrelaçando o braço na cintura de Thalia e desaparecendo nas sombras.

– Louco – ela murmurou o abraçando enquanto viajavam nas sombras.

– Além do alcance do deuses – ele falou.

– Alasca – ela disse e ele assentiu se concentrando.

Eles estariam seguros dos deuses. Ganhariam o dinheiro e veria-o queimar. Mas também poderiam chegar lá e se afundarem num rio. Porém apesar de tudo: As lições são aprendidas. E apesar de tudo ninguém exerceria aquele poder sobre eles.

Eles poderiam contar estrelas para o resto vida. E se os encontrassem, não importaria. Porque eles continuariam se encontrando do outro lado.

Ganhe esse dinheiro

Veja-o queimar

Afunde no rio

As lições são aprendidas

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Tem alguma opinião sobre o que mais gostou? O que não gostou nem um pouco? Exagerei nos detalhes? Faltou algum detalhe? Mereço tiros na testa? Bombas nucleares? Declarações de amor? Piadinha Toc-toc? Comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!