Could It Be Another Change
4 - Capítulo III
Notas iniciais
“Percy sorria enquanto sua linda mulher acariciava seus cabelos. Nunca imaginou que estaria em uma situação dessas, sempre fora meio galinha e saía pegando todas que visse. Mas isso mudou quando conheceu Lily, era seu primeiro ano na faculdade de Direto, na Yale. Não acreditava que tinhas chances de entrar em uma faculdade tão prestigiada mas provavelmente sua mãe havia feito muita macumba para que aquilo acontecesse.
Não que ele não gostasse de Direito mas em parte, estava fazendo aquilo por seu pai que falou a vida inteira desde que Percy estava na barriga de sua mãe sobre a Yale. Não estava tão animado quando deveria mas sua felicidade aumentou em 101% quando conheceu a loura de olhos verdes em uma das festas no fim de semana.
Ela era a figura mais perfeita que Percy já havia visto em toda a vida, e olhe que ele já havia visto muitas mulheres nuas. Os dois se conheceram por acaso, se tornaram amigos por acaso e se apaixonaram por acaso.
Durante esse tempo Percy se sentiu outra pessoa e com o passar dos anos, amadureceu. Eles se casaram e no momento esperavam um fruto do amor deles.
—O que está pensando? – Lily perguntou, sem tirar os olhos do filme que passava. – Está tão distraído.
—Como sabe? Mal tirou os olhos da televisão. – ele comentou e ela riu.
—Por que eu te conheço Percy, você está muito quieto, isso só acontece quando está pensativo.
—Estou pensando em como eu mudei desde que te conheci. – a loura sorriu e olhou para o marido.
—Todos mudamos Percy, você não mudou por mim, nem quando me conheceu. Você mudou quando percebeu que a vida tinha mais para oferecer se você se esforçasse para merecer. Tenho orgulho de você. – ela beijou a testa de Percy e o moreno riu.
—Adoro quando você fica toda filosófica. – os dois gargalharam. Percy se sentou e viu a vasilha de sorvete quase vazia. – Acho que vamos ter que fazer as compras do mês umas três vezes por mês agora. – Percy passou o dedo pela bochecha da loura e ela levantou as sobrancelhas.
—Não estava sujo aí.
—Eu sei que não estava.”
—Papai, você está bem? O senhor tá quietão. – a pequena Agnes disse alto, tirando Percy de seu transe.
—Sim, eu estou pequena. Só estava pensando.
—Você não faz muito isso, né papai? – a pequena perguntou rindo e Percy se fingiu ofendido.
—Ah, mas você vai se arrepender de ter falado isso. – ele disse e ela gritou e saiu correndo enquanto Percy corria atrás dela, que não era muito rápida. Percy a pegou no colo e os dois começaram uma guerra de cócegas.
—Não papai, para. – ela pediu, ainda rindo. – Se você continuar brincando vai ficar feio pra Tia Annabeth. – nesse momento Percy ficou sério e Agnes riu internamente da situação.
—Como sabe que vou sair com Annabeth?
—Eu vi no seu telefone, papai. – Ag disse manhosa. – Desculpinha.
—Agnes, quantas vezes eu disse que você pode mexer no meu telefone. – falou bravo enquanto a pequena se encolhia. – Sabe que se você mexer em alguma coisa errada posso perder conversas importantes com os meus cliente. (N/A: lê-se nudes)
—Eu sei papai, mas quando eu vi você a Tia Annabeth conversando depois do sorvete e você não quis me falar o que você conversaram eu fiquei muito curiosa. – a loirinha olhou para baixo entrelaçando as mãos, fazendo cara de arrependida e Percy se acalmou um pouco. – E eu acho muito legal você sair com a Tia Annabeth.
—Você acha?
—Sim, ela parece uma princesa. – ela sorriu. – E eu acho que a mamãe ia gostar muito dela, sabe? Ela é boazinha e a mamãe gostava de pessoas boazinhas.
Percy riu apreciando a inocência de sua pequena, imaginando como seria possível aquela perfeição ter parte dele? Não era tão inteligente assim quando criança.
—Tudo bem, eu tenho certeza que a mamãe ia gostar muito da Annabeth. Mas quero que saiba que sou vou passear com Annabeth, vamos só conversar e sairemos como amigos e nada mais. Entendido? – ela assentiu. – Muito bem, vou ligar para a vovó e avisar que já estamos indo.
Nesta noite, Percy não sabia se voltaria cedo e de qualquer jeito não deixaria Agnes sozinha, ela só tinha sete anos, não seria louco o suficiente para fazer isso. Sua mãe, que estava dando o maior apoio depois da morte de Lily, se oferecera naquela noite para ficar com Agnes, ela dormiria na casa de Sally, até porque por mais que fosse apenas para sair com Annabeth, fazia muito tempo que Agnes não passava um tempo com a avó.
Eles seguiram até carro e Percy dirigiu até a casa de sua mãe que ficava apenas a 8 quarteirões da própria casa. No caminho Agnes falava sobre tudo que pretendia fazer na casa da avó, e o mais importante, o que iria comer.
Quando chegaram, a despedida foi rápida, Percy beijou a testa de Agnes e sorriu para a menina que mal ligava, só se importava com Sra. O’Leary, a pequena cadelinha que Agnes e Sally acharam com a perna quebrada na rua e Agnes convenceu a avó a adotá-la.
Seguiu direto para o restaurante, já que Annabeth fez questão de ir no próprio carro. Achava isso estranho, poderia muito bem ir busca-la, mas talvez estivesse apressando as coisas, afinal não eram namorados nem nada, nem amigos direito. É, ele estava pensando muito rápido. Estranho isso.
Annabeth’s House
Annabeth se olhava pela décima vez o espelho. Não estava muito elegante, nem muito largada, perfeito para um não-encontro. Usava um vestido azul florido discreto, jaqueta jeans e sapatilhas. Não sabia o porque de estar tão nervosa, afinal Percy era só seu amigo, ou talvez menos que isso.
—Ei, aonde está indo? – Annabeth sentiu seu coração disparar pelo susto que Luke dera nela. Ele estava encostado na porta com um cigarro em uma mão e uma garrafa de cerveja na outra.
—Que susto Luke. – ela disse, mas tratou de responder antes que desse problema. – Vou sair com a Thalia, ela está de passagem na cidade.
—Aquela prostituta punk? – ele riu, debochado. – Não sei como você aguenta aquela desgraçada.
—Ela é minha amiga desde sempre.
—Não pedi para responder.
Annabeth se calou e pegou sua bolsa que estava em cima da cama e tentou passar pela porta, mas Luke a segurou pelo braço. – Quero você em casa 22:30 no máximo, entendeu? – ela assentiu e tentou passar pela porta mais uma vez mas Luke a segurou mais uma vez lhe beijando grosseiramente e apertando sua bunda por baixo do vestido. – Gostosa. – ele sussurrou em seu ouvido e Anabeth se livrou dele antes que aquilo se prolongasse.
Não sabia como aguentava estar em um relacionamento desses, se quer podia chamar de relacionamento. Ela tinha um emprego bom, era boa no que fazia e amava o que fazia, podia ter a vida que todos queriam mas por causa daquele monstro que se infiltrou em sua vida, sua vida passava longe de ser perfeita.
Ela não sentia a menor culpa de estar saindo com Percy, mesmo namorando com Luke, sabia que ele a traía e não tinha o direito de reclamar. Então, mesmo que fosse escondido, queria se sentir bem, pelo menos um vez. E com Percy, ela se sentia ótima.
Pegou seu carro e seguiu para o restaurante que combinaram, já estava atrasada e não queria que Percy pensasse que ela não queria se encontrar com ele. Annabeth queria muito se encontrar com ele essa noite, fazia dois anos que ela não se sentia como deveria, fazia dois anos que não sorria de verdade, e esperava que Percy lhe proporcionasse isso.
Chegou ao restaurante e estacionou um pouco longe, já que não aviam vagas e o estacionamento do restaurante era mais caro que a própria comida. Se dirigiu até a entrada e sorriu para a recepcionista, entrando timidamente no restaurante.
Realmente não esperava que fosse chique.
Deu algumas olhadas pelo restaurante e logo avistou Percy, que tentava arrancar uma etiqueta com os dentes. Riu com a cena e andou calmamente até a mesa onde o moreno se encontrava, que era em um canto mais excluído das outras mesas, que dava uma visão para a praça próxima do restaurante.
—Olá Percy. – ela cumprimentou e Percy largou a etiqueta e corou, se ajeitando e finalmente olhando para Annabeth, a olhou de cima abaixo e levantou, beijando sua bochecha.
—Olá Annabeth. Espero que não tenha visto essa minha cena. – os dois riram, sabendo que Annabeth havia visto. Percy arrastou a cadeira e a loira se sentou.
—Tudo bem, eu não me importo. Sei como etiquetas são totalmente do mal. – Percy sorriu para ela, feliz com o fato dela não se importar com a sua estupidez.
—Fico feliz que tenha vindo, deu muito trabalho sair de casa em plena quinta-feira?
—Para falar a verdade não, hoje foi meu dia de folga. E eu também fico muito feliz que tenha vindo, eu só não esperava que esse restaurante fosse tão chique, na última vez que vim aqui era bem mais simples.
—Sim eles reformaram e eu sempre gostei, me lembra quando meu pai me trazia aqui para comermos lagosta escondido, já que a minha mãe odiava lagostas.
—Eu só vim aqui uma vez e achei a comida maravilhosa, eu era criança então perguntei ao garçom se eu poderia repetir meu prato mais vinte vezes. – eles riram e Annabeth continuou. – Mas você bem que poderia ter me avisado para vir com uma roupa mais formal, estou me vestindo como uma adolescente.
—Não é verdade... quer dizer, pode até ser mas eu tenho certeza que de todas as mulheres daqui, você é a mais bonita. – Annabeth sorriu e abaixou a cabeça, corada. Percy se perguntava como teve coragem de falar uma coisa dessas. Não sabia o que poderia falar depois dessa, mas graças aos Deuses, o garçom chegou.
Eles pediram e depois de alguns segundo esqueceram da frase constrangedora de Percy e continuaram a conversar. Conversaram sobre tudo, sobre suas vidas, todos os perrengues que já passaram e riram bastante. Durante a conversa Percy fez alguns comentários elogiando Annabeth e em dentro de uma hora de conversa, ela nem se sentia tão envergonhada. Na verdade, se sentia lisonjeada.
—Então hoje você vai me deixar pagar a conta? – ela perguntou assim que o garçom entregou a conta. Percy abriu e olhou, arregalando os olhos.
—Mas nem a pau que eu vou deixar você pagar essa conta, eu te chamei, então eu vou pagar. – ele disse e Annabeth o encarou, séria.
—Percy, pelo menos me deixe pagar metade, não seria justo com você. – ela o olhou, brava e Percy se sentiu meio tonto.
As discussões para pagar a conta. Assim como Lily.
—Percy, você está bem? – perguntou Annabeth, preocupada segurando sua mão.
O moreno apertou a pequena mão dela e sorriu. – Eu estou bem, só abobei por um segundo. – ela riu e Percy não insistiu em tentar pagar a conta inteira, pois sabia que ela não aceitaria.
Eles pagaram e saíram do restaurante, se virando um para o outro e sorrindo sem motivo. –Então, acho que eu deveria ir. – Annabeth disse, mas no fundo, esperando que Percy discordasse. E assim foi feito.
—Que isso Annabeth, não são nem dez e meia, podemos... sei lá, passear pelo parque? – ele perguntou, ansioso e mordendo os lábios.
—Claro, porque não?
Os dois andaram em silêncio até o parque deserto. Não conseguiam falar mais nada, e não sabiam o que fazer, Percy pensou em tentar beijá-la, mas não sabia se realmente queria isso, se só queria para tentar esquecer Lily, se Annabeth queria beijá-lo...
Mesmo com todos os pensamentos indicando para uma direção, Percy seguiu para outra e arriscou pegar sua mão enquanto caminhavam, Assim que a mão do moreno se encostou com a dela, seus dedos se entrelaçaram e ambos sorriam internamente.
Assim que avistaram um banco, se sentaram, ainda de mãos dadas e continuaram em silêncio. Mesmo com um silêncio confortável, Percy falou baixo. – Gostei muito de sair com você hoje, Annabeth, sei que estamos praticamente nos conhecendo agora, mas eu sinto que quero saber tudo sobre você.
Ela se virou para ele, dando um pequeno sorriso. –Eu também quero saber tudo sobre você. – Annabeth disse, e na mesma hora se perguntou se estava fazendo a coisa certa, se não estavam indo rápido demais.
E eles estavam.
Percy se inclinou, já com os olhos meio fechados e Annabeth ficou parada, sua respiração era acelerada e o medo de sabe se lá o que percorria seu corpo. Quando seus lábios quase se tocaram, os dois pularam de susto pelo barulho que o telefone de Annabeth fez. Ela pegou o aparelho e olhou o tela.
Luke. 22:25.
Fudeo. Ela pensou.
Olhou para Percy que a encarava confuso, se sentia mal por sair desse jeito mas não podia ficar mais. Beijou a bochecha do moreno e saiu correndo em direção ao seu carro, atendendo o telefone.
—Alô. – disse na maior calam possível.
—Cadê você cacete?! Eu disse para você estar aqui as dez e meia, faltam cinco minutos para tal hora e eu não estou vendo nem a sombra do seu carro. – ele gritou. – E além disso, Thalia ligou agora e pediu para falar com você. – Annabeth engoliu o seco. – Acha que pode me enganar Annabeth? Quando chegar em casa você vai receber uma surra daquelas, só estou te avisando de uma vez.
As lágrimas escorriam pelo rosto de Annabeth. Ela não tinha para onde fugir, não tinha como se esconder de Luke, ela tinha que voltar para casa e encarar Luke. A loira sabia que não se daria bem, mas o que podia fazer?
Absolutamente nada.
Chegou em seu prédio e estacionou o carro. Demorou alguns segundos para parar de chorar e assim sair do carro. Pegou o elevador e quando chegou em seu apartamento a porta já estava destrancada.
Annabeth entrou, dando o primeiro de muitos soluços que daria essa noite e olhou para cima onde Luke se encontrava ao lado de uma garrafa de cerveja quebrada e um cinto na mão.
—Eu só vou perguntar uma vez. Aonde estava e com quem estava sua vadia?
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