Could I Touch The Sky?
5 Capítulo 5
Notas iniciais
As lágrimas ainda não haviam cessado... Ofegante e cansada de tanto correr, cheguei a entrada da minha casa. Andei pela grama, molhada pelo orvalho, congelando no sereno da madrugada. O silêncio era assustador, após tudo o que eu havia passado momentos antes. Meus pés doíam de tanto correr, e os mesmos congelavam e eu tentava — sem obter sucesso algum — esquentar minhas mãos. Escalei a escada acoplada na parede da parte lateral do lado de fora da casa, que dava para a varanda do meu quarto, e entrei. Meus pais, e minhas irmãs a essas horas já dormiam, já se passava das duas da manhã.
Entrei no banheiro que havia em meu quarto, tirei o meu vestido, com uma lateral rasgada passando a mão por toda a extensão das marcas roxas que haviam desde o meu rosto até a minha cintura. As marcas eram profundas, doloridas, e quando desci o olhar pelas minhas coxas pude ver resquícios do meu próprio sangue, e naquela hora, subiu a minha garganta já rouca e dolorida a mais súbita e profunda repulsa. Eu senti nojo de mim mesma, e entrei rapidamente no chuveiro, esfregando meu corpo num movimento automático, deixando alguns vergões vermelhos e piorando o estado deplorável que já se encontrava o meu corpo machucado. Vesti uma camiseta qualquer, me jogando na cama completamente exausta. Dormi, num sono profundo e sem sonhos.
Acordei algumas horas depois, mas continuei deitada. Absorta em meus pensamentos, várias coisas começaram a invadir minha mente. A essa hora, todo mundo já deveria estar sabendo do que havia acontecido, e eu já não poderia suportar mais nenhuma humilhação. Mais nenhuma mentira.
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