Could I Touch The Sky?

10 Capítulo 8 - Parte II


Notas iniciais
Considerando de fato, que me emocionei muito ao escrever a parte da Allie - haha, essa autora chorona! - Espero que gostem, é uma das partes mais especiais da fic.
Beijos ♥

No outro dia, logo após o almoço, saí dando a desculpa de que iria a escola realizar alguns trabalhos de história. O que é claro, nunca mais aconteceria. Porque eu já não ia a escola desde o acontecido, e eu normalmente passava o meu horário escolar em uma praça, não muito longe do Seattle Center, onde por todo o ano percorriam vários turistas, sorridentes e com suas câmeras e bonés e camisetas com aquela frase completamente ridícula e clichê que havia em todas as lojas "I ♥ Seattle".

Mas bem, eu não tinha muito o que reclamar. Normalmente vivia em um grande abismo dentro de mim mesma, me remoendo com as lembranças e amargura. Caminhei como quem não quer nada, até chegar a estação de metrô e sair na Fourth Avenue. Andei mais duas quadras enquanto me distraía com uma música qualquer, olhando as folhas alaranjadas caírem das árvores, formando uma paisagem digna de um filme de Hollywood. Era outono, e ainda seria o meu mês favorito se eu ainda me importasse com qualquer coisa.

Entrei na clínica, e logo reconheci pela voz a atendente que havia falado comigo ao telefone no dia anterior. Ela sorriu doce, e começou a completar a minha ficha, fazendo perguntas banais como: você é prostituta? Utiliza alguma droga ilícita? Com que frequência faz sexo? Por Deus! Foi tão humilhante quanto tudo o que eu havia passado. Corei ligeiramente ao responder alguma das perguntas.

Esperei em uma salinha com algumas outras mulheres, nas quais via no olhar de cada uma nenhum tipo de sentimento. Era tudo tão frio... Tão sem amor. 'Onde estavam meus princípios?'

Porém nenhuma delas pareciam aterrorizadas como eu com a própria escolha. Para algumas, parecia até que era comum. Como tomar um café, o sexo não era algo esporádico, e pouco importava para elas se a vida que elas carregavam tinham alguma escolha. Tinha alguma chance.

Olhei fixamente para a parede, pensando na minha ideia, até que algo me chamou a atenção. Havia um exemplar do 'The Seattle Times'

de mais ou menos uns 4 anos atrás. E na manchete, se mostrava uma linda garota grávida, com seu companheiro beijando sua barriga, demonstrando tanto amor que eu não pude deixar de querer pegá-la, e ler o que dizia.

"Poderia eu, tocar o céu?

Eu gostaria que as coisas fossem diferentes. Que eu não houvesse engravidado, numa súbita paixão do momento, sem pensar em quaisquer consequências que aquilo poderia me trazer. Mas eu já não tenho escolha. Agora, mais do que nunca, meu filho, que vive dentro de mim cresce cada dia mais, e ao mesmo tempo o meu amor por ele também. Minha família jamais aceitou a escolha, e me colocaram na rua há 2 meses (estou com 4 meses agora) e eu ando vivendo de canto em canto, dormindo em praças e comendo alguns lanches no Carl's Jr¹ que um dos funcionários gentilmente me oferece todos os dias. Não é a melhor coisa para o meu filho, mas por enquanto serve. Minha barriga cresce todos os dias e as minhas roupas já não servem mais como antigamente. As vezes paro e penso no meu futuro, e como gostaria que tudo, TUDO mesmo, de verdade, tivesse sido diferente. Que as coisas, tivessem tomado outro rumo e eu ainda fosse a líder de torcida mais adorada, com o namorado aparentemente mais perfeito do mundo.

Mas apesar disso, sei o que eu estou fazendo. Porque acredito que um dia, um dia qualquer, quando eu estiver com o meu filho em alguma praça da cidade, dando-lhe amor e lhe ensinando valores, eu poderei deitar na grama e lhe mostrar as estrelas, e dizer que seus olhos são como elas. Meu filho hoje é o meu futuro. Eu não penso por enquanto em mais nada que não seja para ele, que não seja dedicado a ele. Todo o meu esforço é basicamente para ele, para nós, pois ele é a minha única família. E enquanto estivermos deitados, eu esticarei sua mão direita e lhe direi 'toque o céu'. Porque, assim como o imenso oceano de pontos cardeais e estrelas infinitas que encontramos ao olhar para cima, o meu amor é igual. O meu amor por ele é infinito, cheio de estrelas cadentes desejando a ele o melhor futuro do mundo. Porque quando ele veio, eu toquei o céu.

Então, acredito que qualquer uma que esteja em uma situação parecida com a minha em plena adolescência ou vida adulta pode fazer o mesmo. Eu tenho a completa esperança, de que nós todas podemos tocar o céu, e um dia, tudo ficará bem." — Allie Makenzie, 17 anos.

Notas finais
Maaaaais um dos meus experimentos na viagem, haha:
1- Carl's Jr. é um fast-food MUITO bom, melhor que o do palhaço e o do reizão (Mc Donald's e Burguer King, como eu carinhosamente os apelidei) E é algo que precisa chega no Brasil, assim como o KFC ♥ e o Taco Bell ♥