Cotidiano de uma Velha Alma.
4 Capítulo 4: Quebra de conduta social.
Notas iniciais
Muito tempo se passou e pouco aconteceu. Os padrões não mudaram, decepções maiores como sempre destroem a pouca esperança que resta em levar a vida como andarilho. Ao todo tempo, meu anjo não me aparece para me informar qual caminho ou ainda pode ser que sou cego para enxergar. Percebi que sou vazio o suficiente para não ter amor pelos meus consanguíneos viventes, apenas apreço pelo esforço de me sair do meu aposento.
Namorei por algum tempo para apaziguar a solidão que me invadiu ao descobrir que meus "amados" estavam com seus respectivos cônjuges não declarados oficialmente. Em questão de tempo, não posso nem sequer declarar como namoro, apenas vazio o suficiente para terminar essa sentença. O ponto é que permaneci inerte, um pouco melhor de fato mas ainda inerte me conformando com as expectativas passadas desde a infância: solidão, rejeição, estranha peça de quebra-cabeça que não encaixa em qualquer figura. Cansa ter a sombra sendo vista na minha frente e vista apenas a própria, sabendo que não irei enxergar outras sombras me seguindo ou que as sombras que segui ou seguirei, seus donos eu jamais alcançarei. Ninguém vem a esse mundo para ficar sozinho... Será mesmo?
–Mostrei sua foto para um amigo meu e ele gostou de você. Você esta namorando?!
O conheci, um vilarejo diferente daqueles que frequento (meus aposentos é minha vila) e recebi a proposta de conhecer esse novo lugar. Ficou apenas em proposta... O pouco que vi era assustador, asqueroso quando visto de fora, aquilo que vai contra meus princípios. Escandaloso feminino em forma masculina me repele, afeminados fere minhas empatias. Não irá aparecer um ser vivo que irá me cativar e me encantar com tais qualidades. Será que seria tal sentimento que move a maior parte dos ignorantes que repudiam e vetam as diferenças significativas da sociedade?
Perdas de tempo e dinheiro sem nenhum amor desenvolvido e longe de desenvolver me aporrinham a ideologia de que a solidão me assombra agradavelmente, assim como minha sombra me acompanha diante a luz. Ao menos me comprovei que as pessoas podem me enxergar, dos males o menor. Cansa ser bondoso, cansa ser paciente, cansa viver no mundo onde se depende mais dos outros do que de você mesmo, onde na antiguidade o conhecimento era distribuído pela filantropia e na modernidade é cobrado até em materiais ridiculamente e relaxadamente elaborados.
Que mundo tolo... mais tolo que ele é quem sobrevive nele. Se deixa iludir por seus semelhantes inertes na política, na religião, no trabalho ou onde for pois todas as áreas de sobrevivência da humanidade foram, ainda são e sempre serão meios de corrompimento das éticas. Para quê sobreviver de segunda classe se fazendo tais desvios de conduta poderia viver ao lado da realeza? Egoísmo e ignorância são as palavras regentes de nosso novo século, sendo levados pela influência de desconhecidos. Logo tamanha será a ignorância que irão acreditar que vacas voam.
Triste isso tudo tendo como óculos as lentes da depressão, da falta de esperança por movimento de ações boas e ser apenas uma testemunha pois tais boas ações devem ser movimentadas pela maioria e, sendo a maioria de ignorantes sem busca prévia da sabedoria geral, acabam amargurando seus semelhantes pela distorção do bem/mal deixando a bancarrota nos avizinhando inevitavelmente para uma espiral sobrevivência sub-humana.
E agora? Minhas escolhas amorosas foram de fato desastrosas, as possibilidades existem mas, por ser de uma realidade adversa as minhas preferências, várias barreiras se levantam pelo caminho apenas por diversão e deboche de minha personalidade torcida.
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