Cotidiano de uma Velha Alma.

2 Capítulo 2: Metáforas Diárias.


Notas iniciais
Sou a encarnação da filosofia nos tempos de intelectualidade das trevas. A Realidade Você que a Fez ou a Fizeram para Você?

Sou uma extensão da filosofia: mais perguntas do que respostas. Ao que parece, os questionamentos que faço tem fundamento íntimo com influência externa mas, algo que faz minha regência influencia o todo à minha volta. Uma espécie de física quântica da probabilidade mas, retida... Acredito que esta nessas condições por não aceitar meu daime. Como posso aceitá-lo se nem sei ao certo onde esta sua influência??

O dia passando, questionamentos jogados em segundo plano. Voltando a realidade de integridade física, preciso de um emprego. Minhas reservas de dinheiro estão acabando, apesar de consumí-las mais lentamente que o metabolismo de um urso em hibernação. Ao que se deve em relação financeira, meus custos não estão altos, na verdade, quase nulos ao que se refere a ambições consumistas. Custo de sobrevivência que deve pesar um impacto significativo, algo que ainda não tenho noção pois, ainda que convivo com minha matriarca em seu lar, tendo as luxúrias de casa, alimentação e roupas limpas em meu armário (também comprado por ela).

–Essa vaga parece melhor. Carga horária de segunda a sexta, com fim de semana livre e salário razoável. Ideologia melhor que estar encarcerado em casa!

Dezenas, dúzias, centenas de pessoas. Transporte público que impulsiona a maior parte da fatia de trabalhadores em encontro ao seu ambiente profissonal. São tantos idosos, que impressiona é a vontade de trabalhar ao invés de aproveitar suas aposentadorias para fins de entretenimento. Apesar de que, ao que anda a economia, dificilmente irá conseguir parar de trabalhar, maior parte por necessidade.

O que será que se passa na mente "criativa" dos artistas plásticos e colocar as obras em nosso caminho no meio do metrô?... Ainda estou para testemunhar um rosto bravio se desmanchar, ao menos para neutralidade quando ver tais obras.
–É aqui. Prédio do centro sempre tem essa aparência de tombado pelo partrimônio histórico!

Processo seletivo, conversas e conversas, paralelas ou indutivas ao cargo, entrevista ao funcionário de alta "patente" na empresa almeijada, escalado para a vaga.

–Voltar para casa, em companhia de novos conhecidos, fortes futuros amigos. Infelizmente nenhum potencial comparsa!

Depois de meu metafórico coração ter sido despedaçado, não tenho mais esperanças de encontrar um amor. Ao menos, espero um companheiro ou comparsa de preferência homem pois, a relação é bem mais compreendida e menos paranóica. Nulamente racional pois, aquele que um dia abriu o karma da empatia em meu peito e o deixou negativamente sofrido se tratava de um garoto. Poderia ser justificado e compreensível a preferência pelos garotos se o trauma causado fosse originado pelas garotas, mas não se aplica aqui.

Lembranças ruins. Deixei claro meus sentimentos, ele declarou ser uma confusão minha. Tentamos manter a amizade mas, a ideia de ver/testemunhar sua felicidade sem minha plena presença em seu coração, me castigava amargamente. Eu sei, eu sei, fui bem mais do que egoísta, temperado com ciúme mas, ainda sim, me fazia muito mal. Hoje não mais pois, depois de tantas tentativas entre os dois lados, a distância foi a escolha. Ele ainda esta no canto aqui dentro, me assombrando. Se ao menos eu conseguisse encontrar seu epitáfio...

Em casa finalmente, encarando mais desafios: a matriarca não sabe de minhas peripécias profissionais. Ainda consta em seu conhecimento que pertenço ao antigo cargo portanto, as rusgas causadas pela minha excessiva presença no lar são constantes.
–Que saudade dessas quatro paredes. Preciso arrancar essa roupa e colocar a de briga!

Sem fome, pouco cansado, sento em frente ao computador e vejo que se passa na autodestruição humana. Como somos tolos: todos pensaram que, ao longo dos anos, as datas proféticas do fim do mundo seria algo como eliminação do planeta de uma vez, algo como uma grande explosão. Esta se degenerando gradativamente oras, esta claro isso. Conflitos sem fundamento por causas tão banais e até pela simples razão existencial. Se todos aqueles que odiamos fossem mortos, resolveria o problema da superpopulação mundial.

–Agora tenho tempo. Preciso meditar sobre aquelas perguntas e sobre o que ocorre com essa irracional empatia!

Segundo Alfred Adler "desafios de doenças, defeitos de nascença, pobreza ou outras circunstâncias desfavoráveis na juventude estimulam as mais altas realizações". Isso pode ser a influência da qual estou sendo bombardeado negativamente pois, considerando a maior parte dos seres humanos, a realidade de uma vida disputada com imensas barreiras não foi me apresentada desde cedo. Minhas ambições eram simples: uma formação acadêmica, um emprego sustentável, sobrevivência e morte. A pergunta que alguém faria ao se deparar com tal situação: O que ocorreu nesse meio tempo para distorção do fluxograma? Resposta: O despertar de minha empatia. Infelizmente, de forma negativa, minha empatia por outro ser humano de forma mais afetiva e carinhosa, abriu uma trincheira no peito e me colocou em meio ao confronto dos meus titãs pessoais: A lógica e racionalidade implacáveis pela sua influência exata e mais ortodoxa aos princípios de melhores escolhas contra a benevolência e ligações empáticas entre todas as outras fontes de humor, personalidade, ação e reação.

Em tese, o cérebro ganharia sem quaisquer interferência de reforços... em tese. Não é a realidade concebida. De alguma forma, depois desse despertar empático, percebi o quanto estava vazio, incompleto e imperfeito. A perfeição não me é um dos atributos mais fortes mas sim, a ideia de equilíbrio. Racionalmente, logicamente demonstrado, estou utilizando a capacitação de minha mente ao alcance que me é contemplado. Empaticamente... é melhor descrito como uma casa recém-comprada: cômodos e mais cômodos vazios, com a presença do eco de meus passos e janelas abertas iluminando ao que parecem ser cubos ocos metafóricos, representando o que antes tinha de desconhecido.

–Estou aqui dentro. Parece vazio faz tempo... e nesse canto jazida a memória "dele". Você me fez sofrer muito portanto, do batente não vou passar!

Era o cômodo onde foi ocupado por meu karma negativo empático-amoroso. Ideias metafóricas transpostas em imagens do cotidiano me ajudam a decifrar melhor essas teias esquecidas e interpretar as que consigo. Enquanto no cômodo da razão esta priorizado o conhecimento mais utilizado no dia a dia, com organização de um almoxarifado, nos cômodos da empatia, mal se sente o vento pelas frestas da janela.

Esse meu daimon, esse anjo que me persegue, suplicando por atenção, talvez o tenha visto e ignorado ou ainda não o presenciei... Redundante na ideia, isso ja constatei. Revi minhas lembranças, sendo mais cotado as lembranças negativas a ter algo escondido que indique a manifestação da vocação, do anjo. Talvez minha experiência desastrosa com amor, me deu capacidade de enxergar além do cerne de personalidade lógica, o que o indivíduo sabe, e enxergar o além empático do mesmo, sua personalidade resistências e fraquezas.

Por assim dizer, a capacidade dos outros segundo a lógica, pode ser retratada parte dela nas suas linhas de expressão facial, movimentos e reações físicas à exposição da realidade física de sua volta. Aplicando mesma tese, bem capaz de enxergar aquele que se chama coração, símbolo da empatia humana. Infelizmente, nenhuma das duas formas são garantidas. Pessoas são pessoas, independente de suas raízes, são todas diferentes. O mestre da enganação te ludibria com suas palavras e ações, te desarma impiedosamente para proveito próprio. Acredito que, a essência do ser humano é comprovadamente bondosa quando o mesmo tem essa capacidade de maestria no controle de seus iguais mas, que não a utiliza como forma de proveito ou exploração e desapropriação "indébita" das características do seu semelhante.

–Argh, dores de cabeça sempre nesse momento. Parece que faz de propósito pra me fazer parar de pensar. Vou fazer uma pausa, espairecer as pressões!