Cotidiano
69 Um amigo para todas as horas
Notas iniciais
Shino retornava com as compras para casa, incluindo os doces para Kiba, quando viu Hinata sozinha sentada no Ichiraku. Não foi difícil imaginar o motivo, é claro, quando, um pouco distante, viu Sasuke e Naruto adentrarem o churrasco.
Aburame nunca fora bom com palavras, mas sabia da afeição dela pelo Uzumaki. E o fato de sentir um comichão perto dele sempre que estavam com Kiba fazia com que tivesse um olhar enviesado para o loiro, como se soubesse que ele traria um furacão por onde quer que passasse.
− Vai jantar aqui hoje, Hinata-chan? – Shino aproximou-se, recebendo um cumprimento da colega.
− Tinha pensado em chamar Naruto-kun, mas ele já tinha companhia. – Um sorriso triste pintou-lhe os lábios. Dali, era possível observar as gargalhadas escandalosas de Naruto.
− Hn. – Shino concordou, lembrando-se do inseto que picara Sasuke da última vez colocando-o no hospital. – Sinto muito por isso.
− Não sinta. – A voz dela era carregada de melancolia e um sorriso que não alcançou-lhe o olhar foi dirigido para o companheiro de equipe. – Não acho que as chances estavam ao meu lado. Sempre foi ele no final das contas, não é?
Hinata não costumava ser falante, muito ao contrário. Nem Shino. Era sempre a presença de Kiba que equilibrava a equipe. Se tivessem juntado Neji a eles, como seriam? A trupe do silêncio?
O pensamento trouxe assombro à Shino, pois embora algum tempo tivesse se passado, ele sabia que Hinata constantemente visitava o túmulo do primo. Seus insetos sempre relatavam isso e faziam o possível para manter vivas pelo máximo de tempo possível as flores que ela levava.
− Acha mesmo? – Shino deixou a pergunta escapar, lembrando-se dos momentos em que Naruto estava ao lado de Kiba e como ele parecia sempre confortável demais, próximo demais. Seria coisa de sua cabeça? Inventando casos onde eles não existiam?
− Eles são próximos desde a academia. – prosseguiu ela, fingindo que Teuchi não escutava tudo enquanto preparava seu lamen. – E foram para o mesmo time, viveram coisas que nenhum de nós sequer pode imaginar.
− Nós também vivemos, Hinata.
− Esse não é o ponto, Shino-kun. – Ela tornou a dizer. – É que eu nunca tive chance de lutar e me iludi com isso. Não posso culpar Naruto-kun por nunca ter me notado.
− Pois acho que ele é um tolo que não te merece. – Shino não sabia de onde vinha a raiva carregada naquelas palavras. Dirigiu um olhar para a amiga que o encarava estupefata e pigarreou. – O que quero dizer é que você vai encontrar alguém melhor. Alguém que te mereça e note a pessoa maravilhosa que é.
− Acha mesmo? – Um sorriso tímido tomou o rosto rubicundo de Hinata.
− Tenho certeza disso. – Shino deixou as compras de lado. – Traga um lamen para mim, Teuchi-san.
− Sem carne? – O velho perguntou, recebendo uma afirmativa.
− Não ia encontrar Kiba-kun, Shino-kun? – Hinata perguntou.
− Ele pode esperar um pouco. – disse.
Hinata nunca foi tão grata com a presença do amigo quanto naquele momento.
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