Cosmos.
13 Prelúdio: A batalha do espaço tempo
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O grão mestre orava com devoção diante da estátua de ouro Athena, localizada na antessala de seu trono, era um lugar oculto por um véu vermelho, um limiar entre o espaço principal do palacete onde se reunia com os cavaleiros, aquele local era proibido, somente ele podia ter acesso. Ao adentrar, depositou nos pés do altar da deusa um turíbulo com carvões ardendo em brasa, e por cima salpicava lentamente resinas de artemísia, a fumaça inebriante perfumava o éter em uma atmosfera mágica, ajoelhado orava em língua Muviana, usava esse dialeto para conversar com a deusa e receber suas instruções. O que o mestre suplicava a deusa era um mistério que não podia ser decodificado, por ninguém presente no santuário. Contudo o que lhe afligia era a aproximação do planeta mercúrio com o signo de gêmeos próximo as litanias de Athena, era a abertura de um importante portal onde só o cavaleiro detentor desta constelação poderia manipular, para o bem ou para o mal, já que era o único que poderia conduzir outras dimensões. Entretanto, na antessala do palacete uma melodia de harpa começa a tocar, aquilo quebrou a oração profunda do mestre, quase um transe, que simplesmente calou-se para escutar o som e reconhecer a melodia. Eram as notas preferidas de Gaios, ele tocava muito bem o hino olimpiano, em suas palavras dizia que tocaria tais notas especialmente para Athena, tinha estudado apenas para este intuito. Entretanto, Gaios havia desaparecido, como ele poderia estar ali? Havia apenas um véu que o separava do grão mestre, como poderia conter a sua fúria? Shion no seu âmago, em todos os seus encontros sentira que em algum momento aquele velho cavaleiro poderia atentar contra a sua vida. Contudo, naquele exato momento, nenhuma cosmo energia podia ser sentida. Pacientemente, o mestre levanta-se e vai em direção da antessala onde se encontrava o seu trono. O caminho estava envolto por uma penumbra e cheiro forte de ervas inebriante, que o deixou um pouco trôpego. Mas era assim que ele podia dialogar com os deuses, envolta de uma mística incompreensível.
Ao chegar à antessala principal, para o seu assombro a harpa estava intacta, porém as suas cordas mexiam sozinhas a um toque suave e invisível. Na sua mente, Shion pode visualizar Gaios a tocando maravilhosamente, o que carazterizava uma atmosfera celestial, entretanto, as notas aumentam em um acorde que lhe passavam um sentimento de ódio, aquilo aumentava grosseiramente aos ouvidos do mestre a ponto de enlouquecê-lo.
O mestre de súbito, ergue sua mão direita e desfere um golpe de luz violento, que emitia fagulhas de energia contra a harpa, esta se arrebenta ao chão em pedaços, feito isso, ajoelha-se ao chão angustiado com a ilusão que estava diante de si.
— Ele quer vingança! – disse o mestre aos seus próprios pensamentos. Como posso enfrentar um homem como Gaios se não disponho da minha saúde de outrora? Ele pode vir me matar, usurpar meu papado, e causar algum mal para Athena! Mas quais são os seus planos? Ah, eu deveria ter o enfrentado quando pude! Mas não, sou um homem misericordioso, e Athena lhe impôs a penitência que ele se recusa a servir.
O velho mestre colocou as mão na cabeça aflito, e repentinamente a melodia da harpa volta a tocar sozinha, e junto de sua música vozes angélicas, espectros dos cavaleiros de outrora arrodearam o seu corpo, não tinham faces, somente a armadura e seus respectivos elmos, eram amigos ou inimigos? Gaios estava apenas controlando a mente do mestre?
— Ele pode controlar o espaço tempo! Ele domina a ilusão! Ele quer derramar sobre mim a loucura, mas, ele não pode esquecer que eu sou o cavaleiro de ouro de Áries! E até quando houver vida em meu corpo eu irei lutar com todas as minhas forças, essa liderança não foi decidida por mim, e sim pela deusa Athena, que sirvo com a minha vida! Então Gaios onde quer que esteja venha me enfrentar! Nem que custe o meu papado, mas vou te expulsar deste santuário e o fazer pagar pelos seus crimes, fugiu do julgamento dos deuses, mas não fugirá de mim! — Exclamou o mestre numa voz alta e ríspida.
Dito isso, explodiu seu cosmo no sétimo sentido, um bola de luz dourada em chamas que tomou conta de todo o palacete exorcizando a ilusão, era um enorme poder, que afugentou as sombras, a estátua de Athena no lado externo do palacete mesmo inanimada parecia uma testemunha do início de uma batalha.
***
AIOROS ESTAVA PRESTES A RECEBER UM ATAQUE que iria chocar-se contra o seu cosmo em chamas, porém ainda não conseguia decodificar o seu inimigo, percebera que a travessia na floresta seria muito perigosa, havia muitos espíritos que o observavam, e ponderou que Petros estava certo, almas de guerreiros de uma Era muito antiga se saciavam impondo obstáculos a qualquer guerreiro que ousasse atravessar aquele lugar inóspito.
Repentinamente fez um silêncio abismal, e o cavaleiro percebera que aquilo seria mais um atentado contra ele. As deduções de Aioros eram procedentes, os galhos de árvores secas despertaram em vida, que formavam longos feixes que passaram a enrolar nos pés do cavaleiro para que o imobilizasse. Aioros lutava contra aquela resistência, e à medida que o fazia seus braços também se imobilizavam pronto para um golpe final para ceifar a vida do jovem cavaleiro.
— Não me matarão facilmente estão me ouvindo!
Ao dizer isso, concentrou uma força sobre humana em seus membros e arrebentou os galhos que o envolviam, neste momento Aioros percebera que aquilo tudo era uma grande ilusão, e mais uma vez uma escuridão derramou-se sobre aquele local. E a partir daí, esse galhos de árvores longos vinha em sua direção em forma de lâminas, o cavaleiro de Athena tinha que ser muito veloz para desviar daqueles golpes, e era isso que ele o fazia, mas como muitos passavam em uma rapidez rente à pele, lhe fazia alguns cortes leves. Aioros começava a cansar, mas usou de sua inteligência para descobrir de onde aquela ilusão se manifestava, para então poder neutraliza-la.
Ficou inerte, de olhos fechados concentrando-se, neste momento, os galhos envolveram o seu corpo todo, mas ele ficou imóvel, apenas concentrando, à medida que o fazia o seu cosmo crescia, e não sentia nenhuma dor, e nem a paralisia pelo aperto que lhe causava nos ossos de seu corpo. Aquele poder maligno envolvia seu corpo, mas Aioros continuava com a mente procurando quem era o cavaleiro que dominava esta luta, sabia que somente os espíritos não poderiam mudar realidades.
Seus olhos percorreram a ilha, e pausaram num templo distante, provavelmente onde residia o cavaleiro de prata protetor da ilha, mas conseguira chegar apenas até a entrada do templo, pois havia uma barreira que impedia que sua telepatia aproximasse. Mas o inteligentíssimo cavaleiro de sagitário obteve a seguinte ideia de neutralizar o seu poder de controle. Foi quando de súbito seu cosmo mais uma vez explode, e a ponto de iluminar toda a floresta, no momento que a ilusão desprende de seu corpo, Aioros exclama em fúria, e na sua mão esquerda surge um arco em chamas, na sua mão direita aparece uma flecha dourada, e numa posição de arqueiro ele lança a “flecha da justiça” que percorre toda a floresta como um feixe de luz, parecia um cometa em chamas cortando a névoa rumo ao encontro do templo do cavaleiro de prata que controlava toda aquela ilusão.
A ilusão se desvanece, rende-se ao poder sublime de Aioros, o arco desaparece de suas mãos, naquele instante o cavaleiro de Athena preocupou com seu amado irmão, que corria perigo e no seu âmago tinha uma sensação muito ruim, como se o santuário estivesse na iminência de um ataque, deixaria aquele lugar o quanto antes, não poderia destituir o cavaleiro de prata proscrito, não era sua incumbência. Ao dar o primeiro passo adiante, uma mão gélida pousa em seu ombro, era o seu inimigo sem dúvida, Aioros obteve uma sensação estranha, nunca tinha sentido, parecia ser alguém muito poderoso. Ao olhar para as mão, percebeu que eram dedos finos e pálidos, e escutou o seu nome dito em uma voz misteriosa.
— Aioros, não me reconhece?- disse Petros, com um rosto lívido e um olhar distante, Aioros o examinou com semblantes de desconfiança.
***
AFASTADA ENTRE AS MONTANHAS, havia uma casa próxima ao santuário, muito antiga, onde muitos enfermos se dirigiam a este local para obter cura, não era fácil encontrá-la, localizava-se em uma névoa densa, porém a sua história, remontavam-se a uma era anterior, onde havia um cavaleiro que lá habitara e promovia curas. Era uma casa modesta rústica, sob uma pequena vegetação de árvores altas que deixavam a moradia oculta, os ventos farfalhavam a copa das árvores, bandos de pássaros em azáfama sobrevoavam entre folhas e galhos, e do alto do umbral do telhado, um mensageiro dos ventos dançava sob o toque delicado do ar rarefeito emitindo um metálico tilintar, vozes humanas não eram ouvidas, somente o som da natureza podia ser ouvido.
Um séquito se aproxima da casa, a passos silenciosos, todos ocultos por pesadas túnicas escuras, ao se aproximarem da casa, separaram-se, vigiando todo o perímetro daquele local, e naquele instante parece que até os ventos pararam de soprar e a fauna fez um ligeiro silêncio, pois havia alguém entre eles, que era o maior de todos, e caminhava ao centro, de maneira majestosa, e seguia rumo à área principal da casa. Contudo a esta altura, olhos os observavam nas frestas da janela denotando preocupação, afinal havia uma maldição que fazia o seu líder jamais se retirar da casa, e isso deixava a todos que habitavam aquele lugar preocupados, afinal, devia ser cavaleiros enviado dos deuses para ceifar a vida de sua senhora. Incontinenti, um jovem menino de tenra idade abriu a porta da casa abruptamente, e decidiu por si só enfrentar aquele ser misterioso de alta estatura que tinha o objetivo de invadir a casa de sua senhora.
— Quem são vocês! O que querem? Não são bem vindos! Se vierem para levar a nossa senhora daqui, saiba que irei lutar, nem que isso custe a minha vida! – exclamou o menino intrépido.
Alguns sorrisos se abafaram, mas a coragem daquela criança era notável.
O homem de alta estatura e misterioso respondeu brevemente:
—É melhor que a sua senhora venha até aqui, ou vou adentrar nesta casa e irei levá-la a força, portanto emita este recado.
— O que! Quem são vocês? Enviados dos deuses para julgar a nossa senhora? – respondeu o menino cerrando os dentes.
E o homem deu um passo à frente não dando ouvidos, o jovem menino enfureceu, foi em direção ao homem, concentrando a força em seu punho, e o esmurrou quase na linha de cintura, porém percebeu que este homem estava revestido de armadura, então logo concluiu que eram cavaleiros, e oferecer qualquer resistência seria inútil diante da força superior emanada por eles. Mas, o menino impetuoso não desistiu, até que as mãos daquele homem corpulento paralisaram o seus ombros, o garoto tinha lágrimas nos olhos, e naquele instante ao se entreolharem o menino percebeu que aquele homem misterioso, tinha olhos pequenos, e um rosto lívido, quase inexpressivo. Ele não tinha chances, ele era cego por sua missão, não pouparia a vida de sua amada senhora.
Um vento soprou forte e frio, os outros cavaleiros que acompanhavam o séquito observavam tácitos, a uma distancia considerável. Porém, aqueles olhos que observavam pela janela ficaram atônitos devido a um barulho proveniente de dentro da casa, eram passos no assoalho que rangiam, a senhora despertou de seu descanso, sabia que havia alguém à sua procura, e a sua sombra se aproximava, até chegar à porta principal da casa. O homem misterioso ficou espantando, e se afastou do menino, era como se fosse uma ordem lhe dada telepaticamente e ele acatou sem perceber. Aquela mulher, envolta por um véu, e um vestido longo, parecia ser muito bondosa, mas nos seus olhos escuros mediterrâneos escondia muitos mistérios. Seu nome é Leyla de Cabiros. O menino correu e foi em sua direção e a abraçou na cintura em um pranto descontrolado. Leyla ajoelhou-se, para igualar em estatura, e olhava no fundo dos seus olhos de forma enigmática, acariciou o rosto e afagou os cabelos do menino, e disse de forma surreal:
— Esse dia chegaria, eu disse pra todos vocês, mas isso não é o fim, é o começo de uma Era, onde vocês precisam lutar muito para que possam sobreviver. Já ensinei tudo que deveriam saber, preciso partir, não vou resistir, meu tempo acabou.
— Não...
Leyla tocou os lábios do menino com o dedo indicador, como se fosse um gesto para calar os segredos, e levantou-se mirando o homem misterioso:
— Quem os enviou?
O homem misterioso abaixa o seu capuz revelando o seu rosto.
— Athena!
—Athena não está em nosso mundo, como poderia?
O homem rasga a sua túnica, revelando ser um cavaleiro de ouro, naquele momento era como se o sol estivesse diante de todos, a armadura rutilou de uma maneira que fez os olhos de Leyla brilhar e por um momento ficou assombrada, mas não demonstrou fisicamente, tinha os semblantes inexpressivos.
— Por que há um cavaleiro de ouro envolvido numa missão suicida como esta?
— Se Athena me cofiou tal missão é porque sou o único preparado para tal, além disso, carrego em meus braços a espada da justiça “aquela que cega os inimigos”.
Os olhos de Leyla brilharam com a possibilidade de voltar ao santuário já que estava sob o selo da maldição:
— É o cavaleiro da espada da justiça que está diante de mim, ele é o sucessor de...- refletiu.
— O mestre precisa de sua medicina, e ele me expôs o risco dessa missão, contudo é a vida de Athena que está em jogo, e eu, como sou um dos cavaleiros mais féis da deusa, cumpro suas ordens cegamente.
Leyla fechou os olhos e meditou na possibilidade de permitir que um cavaleiro de ouro a escoltasse até o santuário, e aquilo não seria uma missão, e sim a morte, sentenciada pelos deuses.
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