Cosmos.
16 O surgimento do trono de fogo: Kanon e suas reminiscências. Parte I.
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Santuário de Athena.
Shura despertou-se em sua casa zodiacal de capricórnio sob os encantos enigmáticos de uma voz feminina inebriante que dizia compassivamente: “a espada da justiça é a única capaz de abrir os portais. Ela pode levar os mortais aos deuses, mas tenha cuidado! A mesma porta que abres pode não ser a porta da justiça. O seu coração é realmente imaculado para carregar a justiça em seus músculos? Poderia tu atrever-se a brandir a espada contra seu Deus?
Tal mensagem confusa dançava na mente do cavaleiro de capricórnio como se fosse fumaça. E este se encontrava completamente aturdido com as experiências que vivenciara. Levantou-se lentamente de seu aposento, tocou o abdômen e percebera que estava curado. Não havia cortes, escoriações, e nenhuma dor. Estava repleto de indagações, em sua mente cogitou a possibilidade de que tudo não passara de um devaneio. Levantou-se e caminhou diante do silêncio de sua casa. Estava tudo sob o véu da penumbra, caminhou e parou diante da estátua de Athena. Contemplou a imagem da deusa inclinada ofertando a espada da justiça ao seu valoroso guerreiro. Shura no seu intrínseco sentia-se notável por ser o escolhido a proteger o santuário. Na sua veia corre o sangue do guerreiro da justiça. O homem da lei.
Ocultou o rosto aflito com as mãos alvas, eram muitos questionamentos em sua mente, e nenhuma resposta, entretanto tomara a seguinte decisão: Iria se encontrar com o Mestre, para que o liberta-se da voz da serpente. Entretanto, de súbito a temperatura do espaço em que se encontrava subiu, fez um frio descomunal em sua casa zodiacal, percebera que havia mais uma pessoa ali. E isso nunca ocorrera. Através dos ombros em meio à penumbra silenciosa olhou para a entrada principal de sua casa, e viu a silhueta de um homem de alta compleição caminhando em sua direção. Neste mesmo momento, uma neblina pairou no ar, e este se condensou, Shura sentira isso através do ar que expelia pela boca em forma de fumaça. Seu rosto empalideceu. Porém aquele homem era reconhecível, no santuário só havia um homem capaz disto, tinha domínios do zero absoluto, um poder imenso, um adversário terrível. Ao se aproximar, a luz tênue do dia se contrastava com as sombras que encobria seu corpo, da sombra projetada era possível apenas notar seus olhos gélidos, de um tom azul cristalino, e de aparência enigmática. Sua tez era pálida, e seus semblantes incisivos. Falava através do silêncio. Mas por que ele está aqui?
— Camus de Aquário, o que o traz até aqui oculto pelo véu da neblina?
Naquele instante, parecia que uma música invadiu o espaço, um lírica que aprazia os ânimos, deveria ser este os ruídos misteriosos do universo. Camus interpelou o cavaleiro de capricórnio com a voz fria, e enfática. E este se aproximou mais, primeiramente observou Shura detalhadamente, o seu estado de saúde, e respondeu com segurança:
— Foi você quem me chamou Shura. Eu o vi, subindo a casa zodiacal envolto de serpentes. Abatido. Então fui ao seu auxílio e o trouxe até aqui.
— O quê! Não entendo, então não era um sonho...- respondeu perplexo.
— Eu feri a sacerdotisa em meio à batalha, não poderia confiar na serpente amaldiçoada, agora que ela está aqui entre nós. A lenda está certa, toda vez que Athena se reencarna, coisas terríveis podem ocorrer no santuário. Apenas fiz o meu trabalho.
Shura silenciou por um momento refletindo tudo isso.
— Mas é uma ordem do mestre...
Camus arqueou a sobrancelha e silenciou.
— Faço o que me parece prudente. O mestre confia em Cabiros e seus mistérios, mas eu não. Eu posso o entender, é digno de ser amado, ver além dos véus. Porém a função da sacerdotisa é apenas ser sua cura temporária, tens sido sua panacéia por todos esses longos anos, pobre corpo de um mortal sob os encantos dos deuses. O tempo dele no santuário se exauriu, a serpente logo desaparecerá da terra. E terás que lutar, mas não pode nos envolver nisso. É o destino dos dois, partir ao universo infinito. – as palavras de Camus foram breves, e surreais. Shura o olhou fixamente, enquanto ele caminhava pela entrada principal, rumo aos pórticos. Seus cabelos balançavam em direção ao vento em uníssono, à medida que caminhava sua armadura esplêndida fazia um som metálico, o som que quebrava o silêncio da casa de capricórnio. Este homem é o cavaleiro de aquário.
Shura fechou os olhos e sorriu de forma breve:
— Creio que compreendi tudo, é um dèjá-vu, uma experiência do futuro. Mas vejo que, você pôde controlar mentalmente aquela batalha, como conseguiu interferir naqueles golpes contundentes? De seres não materiais. O que era tudo aquilo? É assim lutar contra o céu? Estou confuso.
— Não sei. Eu não fiz nada. Apenas atuei nos átomos, no que me foi possível o fazer com a mente. Em um único momento. Deve ter sido isso. Afinal é o futuro, eu estou no presente, como poderia prever o meu golpe.
— Bem, todos nós que atingimos o sétimo sentido, podemos nos comunicar através do cosmo e..
Interrompeu Camus:
— O santuário tem o poder de multiplicar os nossos poderes. Aqui é o lugar mais seguro para Athena, pois todos comunicarmos uns com os outros através dos sentidos, e ela também assim o faz.
— Seguro? O que está ocorrendo conosco Camus. Nossas mentes estão compartilhadas, por visões do futuro. Há alguém que está controlando tudo isso.
— Fato. E o mestre sabe quem é. E com ele lutará. Para expurgá-lo do Santuário. Não cabe a nós. – pontuou Camus. Veja Shura olhe para céu, há uma quadratura diferente, está na direção da constelação de Castor e Pólux. – e apontou para o alto.
— Não é possível ser preciso, ainda há a claridade do sol e as nuvens. É uma visão imprecisa. — justificou.
— Veja. – Camus fixou seus olhos azuis no céu róseo, seu campo de visão astral ultrapassou o céu, e fixou-se no universo, e lá estava a constelação brilhante em quadrante com o planeta Marte que ardia seus olhos devido ao tom vermelho. Camus não só viu os corpos celestes como também tinha audição aguçada para escutar a vibração do movimento dos planetas e das galáxias.
Shura forçou seu sentido, e pode também fazer o mesmo experimento de seu amigo, ele tinha razão, era uma quadratura misteriosa, e fora de previsão, uma energia que alterava o santuário.
— Você consegue escutar Shura?! Há um som muito forte em direção a terra, mas não consigo localizar de onde é proveniente. Assim com os cometas, provém da escuridão do eterno, o infinito..
— Sem dúvida, é a Deusa!
Os dois amigos caminharam juntos, contemplando o céu do entardecer. Ambos os cavaleiros estavam preparados para as batalhas que virão.
***
Ilha de Thera.
INSISTENTEMENTE, O VELHO DÉDALO persuadiu Aioros a deixar que Yaren permanecesse na ilha para ser treinada. Ele convencera que não tinha o poder para manipular a estrela, mas provavelmente o seu jovem discípulo tinha essa capacidade, já que tudo o que sabia nessa vida transmitiu a ele. Quando confessara isso, seus olhos enchiam de lágrimas, tinha um profundo carinho pelo seu pupilo. Era esta a relação de mestre e discípulo, o desapego. Mas o sentimento eterno, e deixou uma mensagem enigmática: Quem o seu discípulo treinasse; ou seja, transmitisse suas técnicas, habitaria neste cavaleiro para auxiliá-lo. Sua alma sempre estaria unida aos cavaleiros para todas as batalhas futuras. Aioros meneou a cabeça em assentimento, porém foi difícil convencê-lo a deixar Yaren ali. Sentira culpado por toda maldição que causara a ela. Mas Dédalo era um homem astuto e infinitamente sábio: anunciou que a levaria até a ilha de Andrômeda, para que tornasse uma amazona e fosse controlada pela máscara, a partir desse dia ela nunca mais lembraria quem Aioros era. Contudo, a estrela estaria selada até o dia que todos os cavaleiros se unissem, para uma nova guerra santa. Aioros não soube decodificar seus sentimentos, era um alívio ou uma preocupação? O futuro o intrigava, mas, por fim, acatou. E seguiu rumo ao Citeron. Não houve despedida, Yaren nem ao menos quis vê-lo. Caminhava solitária entre a relva no silencioso templo, completamente absorta. Mas no seu âmago o cavaleiro sabia que aquilo era uma maneira de protegê-lo. Foi assim que Aioros seguiu rumo ao Citeron. Sem olhar para trás.
Os aprendizes chegaram a Citeron, era um lugar similar ao areópago. Um ponto alto onde o sol radiava intensamente. Ali se fazia treinamentos árduos, e havia uma arena circular ao centro, os jovens aprendizes de cavaleiros lutavam ali entre si. Ou pior, onde o gigante Nicanor torturava quem ele considerasse fraco. Mas nada se compara ao leão de Citeron. Sua aparição era uma lenda, ele nunca estava sozinho, outros leões menores o acompanhavam. Dizia-se que era possível comunicar com ele através da mente e quem fez isso de forma exímia foi Hércules em tempos mitológicos. Depois dele, apenas um cavaleiro de Athena pode o fazer. Em meio às falas grosseiras, Nicanor, irmão de Nicurgo, o cavaleiro de prata protetor de Thera; diziam os antigos que uma vez este cavaleiro esteve aqui em missão, e fora misteriosamente atraído através de seus sonhos para este local cujo objetivo era treinar, e se afastou do santuário temporariamente. Ele se encontrou com o Leão de Citeron em um solstício de Verão na ilha, tal fato levou a muitas especulações folclóricas. Que a posição do sol em ápice favoreceu a aparição do animal lendário. E que o cavaleiro de Athena o enfrentou apenas com o poder da mente. Neste momento se ouvia um coro em assombro dos rapazes aspirantes. Muitos não acreditavam nessas histórias, outros sim. Por isso muitos tentavam enfrentar esse leão para apoderar-se de sua força. Ou da armadura de ouro. Havia a crença que este leão era seu protetor, superá-lo o fazia se tornar um cavaleiro, e apoderar de sua força. Mas ninguém, em todos esses tempos foi digno de tal feito. Eram esses os comentários que aqueles jovens proferiam, Aioria ficava assombrado com tudo aquilo, dentro de si, sentira algo diferente e familiar. Que deveria lutar, e tinha que ser forte, e se fosse necessário enfrentar aquele leão sozinho, se ao menos essa história fosse verdade. Mas, dentro de si, sua intuição exclamava que tudo aquilo que ouvia era verdade. De resto, apenas a cobiça de homens pela força e domínio.
— Só escutei bobagens! – disse um jovem zombeteiro.
Este jovem cruzou os braços no alto da cabeça, com semblante cínico, um meio sorriso no canto da boca, contrariando a todos, afirmando que tudo não passa de histórias para que temessem o poder do santuário. Fez um silêncio breve, e Aioria apenas o observou pelos ombros em meio à conversa. Nicanor fez um gesto, e aquele silêncio se perpetuou, aquele homem era horrendo. Era de uma altura descomunal, tinha uma voz rouca e firme, adorava torturar os jovens com treinamentos desumanos.
— Estou sedento por lutas! Quem não está? – exclamou como um gigante.
Neste momento, havia dois aspirantes derrotados na arena, que foram removidos quase abatidos.
— Ei você! Com aparência de príncipe. Venha até aqui, me deixe vê-lo.— Chamou com um aceno o gigante.
Mas quem ali tinha a aparência de príncipe?E todos começaram a olhar de um lado para o outro, até que o jovem cínico aproximou de Aioria e deu lhe uma cotovelada na costela, fez isso sorrindo deliciosamente:
— Príncipe? É você. Só pode ser um dos cavaleiros de Athena..
Kurazo intervém em defesa:
— Não pode ser Aioria, ele é de nosso bando. Faz parte da ilha.
— Que bonito! Defendendo o amigo. Senhor! ó grande Nicanor! Este homem que está entre nós é um cavaleiro de Athena disfarçado, leve o para arena. – exclamou o jovem cínico apontando para Aioria.
Fez-se um múrmuro geral.
— Silêncio! – exclamou Nicanor com a voz rouca.
O gigante ordenou que se aproximassem, Aioria foi o mais destemido e seguiu, o jovem zombeteiro foi logo em seguida todo sorridente, afinal agiu como se fosse alguém muito fiel a ilha. Ao se aproximar de Nicanor, esperava os elogios para alimentar o seu ego, porém para o assombro de todos ali presentes, o gigante esbofeteou aquele jovem que foi para chão contorcido de dor pela humilhação. Todos ali presentes ficaram em silêncio, paralisados com a autoridade do gigante.
— Vejam! Isso é para aprenderem a não me darem sugestões de como devo agir! Quero que lembrem muito bem quem é a autoridade desta ilha. Aqui não é o reino de Athena! Eu sim sou piedoso! – disse o gigante que se impunha através do medo. Aioria estava de costas para Nicanor, o sol irradiava do alto de sua cabeça, no seu rosto um mistério o envolveu, não parecia ser tão jovem, e sim um homem adulto. Virou-se em foi em direção do gigante.
— Enfrentarei qualquer inimigo que vá contra os ideais da justiça, e isso inclui você homem perverso. Traidor.
Todos ficaram apavorados. Uma confusão se fez ali presente, o bando que conduziu Aioria até o Citeron está correndo sério perigo:
— Moleque insolente. Acha que é alguém para me desafiar? – disse o gigante entre os dentes.
E foi assim que o primeiro desafio foi lançado, um grupo de garotos foi contra Aioria que o venceu um por um, sem hesitar, embora mantendo a todos vivos. Estes não eram seus inimigos. O gigante não sabia o que fazer, porém era muito astuto. E teve a incrível idéia de fazer Aioria lutar contra seu próprio bando. Sugeriu que lutasse contra o próprio amigo Kurazo. Todos ficaram perplexos com tal atitude, menos Kurazo. Jovem piedoso que estava disposto a tudo pelo bem e a justiça. Aceitou o seu destino com tranqüilidade. Mas, Aioria ficara furioso não levantaria os punhos contra Kurazo. Porém, Nicanor foi enfático: apenas um sobreviveria, e selou um trato: se Aioria vencesse, os jovens de Pyrgos estavam libertos, mas para isso nessa luta apenas um sobreviveria. Kurazo aceitou se sacrificar, mas Aioria não aceitou o trato, e pela primeira vez chorou. Seu rosto não contorcia, sentia um aperto na garganta, mas as lágrimas estavam abundantes, estava sério e tácito, e com uma fúria implacável. Dizem que Aioria depois deste evento secou suas lágrimas para sempre. Tornou-se destemido e sempre inclinado para a justiça, sem hesitar.
Os dois jovens encararam no centro da arena, a luz do entardecer cálido estava ao centro de ambos, Kurazo fechou os olhos e sorriu. Aceitou o seu destino.
— Eu vejo um lado bom de tudo, enfrentar alguém como você Aioria, será oportunidade única!
— Não diga besteira Kurazo! Vamos voltar juntos para o santuário, você disse que lutaria com os cavaleiros de Athena.
— E não desisti, eu estando aqui ou não, meu espírito para sempre lutará ao lado de todos os meus amigos. Desde quando cheguei a Thera, já decidi que era assim.
Os dois se entreolhavam fixamente um para o outro, como adversários, ou como irmãos. Kei de longe observava tudo furioso, sugeriu ir ao lugar de seu amigo, mas não foi ouvido. Qualquer um naquele bando estava disposto ao sacrifício.
— Contenha-se Kei! – uma voz gritou em meio aos homens que assistiam a luta. Tenha piedade senhor!- exclamou Kei em direção ao cruel gigante. Naquele momento, Aioria compreendeu a personalidade daquele jovem, tinha apego aos amigos, e a amizade que nutria de um para o outro, o fez sentir culpado por estar no caminho deles.
—Vocês ficarão apenas olhando essa desgraça! Dois amigos se enfrentando na arena! Se sobrevivemos aqui há todos esses anos é porque cuidamos um do outro, e assim sempre foi! Como este cão miserável pode nos torturar desta forma! Me sinto um tolo por estar aqui em treinamento, rapazes escutem! Este homem é um traidor do santuário! Vejam Aioria. – apontou em direção do amigo – Esse jovem rapaz é de uma nobreza única! Seu coração é um misto de bondade e coragem, veio de longe para nos ajudar, saiu de seu conforto e proteção para arriscar sua a vida. Esse homem é um escolhido de Athena! – essas foram às palavras de Kei, inflamadas de coragem. Todos os jovens ali presentes ficaram tristes com esse discurso. E o gigante ficou furioso pela petulância.
— Já chega Kei! Eu matarei Aioria! – exclamou Kurazo. A promessa é que todos voltarão para seus lares! – e ajoelhou, fazendo reverência ao gigante. – Senhor, perdão pela petulância, prometo que vencendo esta luta punirei Kei pelas palavras em afronta.
Kei ficou exasperado e começou a chorar, aquelas palavras atingiram o seu âmago como uma espada afiada. Apenas balbuciou o nome de seu amigo, no momento que um golpe veloz o feriu no estômago. Ajoelhou-se contorcido em dor, Kurazo o atingiu com uma velocidade imperceptível aos olhos. As cornetas ressoaram, a luta ia começar.
***
NO TEMPLO EM RUÍNAS, KANON estava em frente ao trono de dragões, arriscou sua vida para estar apenas diante de um templo abandonado, sujo pelo tempo que o devorava a cada dia. Aquele lugar parecia ser muito antigo. Do silêncio, repentinamente notas musicais pairavam no ar, um piano velho tocava sozinho, parecia estar completamente destruído, mas as notas eram tão belas, que fez Kanon se lembrar de sua infância, sempre sentira nostalgia quando essas imagens lhe vinha à mente, mas por quê? Indagou a si mesmo, naquele momento. Havia uma manipulação, um cavaleiro poderoso devia estar à espreita. Olhou para o alto em direção a cúpula rachada, onde filetes de luz iluminavam o trono de forma tênue. E as corujas estavam todas ali, o observando.
—Maldição! Apareça guardião. – exclamou Kanon, seu grito fez um eco demorado. E as notas musicais ficavam cada vez mais belas. E o trono começou a pegar fogo subitamente. Os dragões boquiabertos ardiam em chamas, o calor era intenso. Os olhos de Kanon brilhavam com o fenômeno. Uma sombra estava sentada em meio ao fogo, o som das chamas incandescentes contrastava com as notas do piano. Era um fenômeno único. Kanon recuou do centro as chamas que ardiam intensamente.
— Será que este guardião é um Deus? Será Hefesto? — refletiu Kanon, a cosmo energia só aumentava. Diz à lenda que Hefesto também fez um pacto com Athena para não destruir esta ilha. Poderia esse cavaleiro de prata não existir? A sombra se materializou, era um cavaleiro de alta estatura, ornado por uma armadura branca reluzente belíssima, parecia um anjo. Seu elmo era surreal e brilhante, não era possível ver o rosto com precisão apenas os lábios rictos. E as notas do piano ficaram mais lentas, porém fúnebres. Parecia que estava sob um encanto, pois sua cabeça estava baixa, como se estivesse dormindo. Ele não me via como inimigo.
Kanon fala:
Ele não me via como inimigo parecia que estava adormecido, falava apenas com a minha mente, eu não sentia medo, mas um deslumbramento. As corujas que estavam ali olhavam para ele de forma obcecada prontas para alçar voô e pousar aos seus pés, a música lhe fazia reverência. Movimentou a cabeça que ficou ereta, despertou como um som de acorde, e os seus lábios mexeram dizendo: Nem deus, nem um cavaleiro.
Aquilo não era uma mensagem mental, aquele guardião conversou comigo. E dei um passo à frente, eu queria ver o seu rosto.
— Que importância meu rosto tem?
É, ele leu a minha mente, como seria possível isso?
— Se queres isso, então está bem. Lhe mostrarei quem sou, posso ser quem você quiser. Veja esta imagem, ela é aprazível para você? Você tem a procurado há muitos anos.
Tocou delicadamente o elmo reluzente com os dedos alvos, e lentamente o seu cabelo dourado como o sol cascateava em fronte, ocultando a sua face. Levantou-se, revelando o seu rosto. De repente, só lembro que cai de joelhos no chão em reverência, meu corpo respondeu de forma instantânea. Somente aquele homem tinha o poder de me derrotar, e de uma única maneira: emocionalmente. Pensara que tinha morrido pra tudo isso, um cavaleiro precisa se desligar de tudo. Mas não. Naquele momento havia uma memória gritante dentro de mim. Era nostalgia e ódio. Como pode tais sentimentos coexistirem dessa forma em uma pessoa? Mas quais são as lembranças que assombram a minha mente? Eu as reprimi violentamente. Quando eu olho para os olhos dele, de um profundo azul oceânico, me sinto hipnotizado. Eu sou um homem, e tenho meus ideais. Mas diante dele, sentia a minha pequenez. Era terrível exprimir estas palavras.
— Kanon levante-se! – quando ele disse meu nome eu estremeci. Se ele tentar algo contra mim, estarei derrotado.
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