Cosmos.

9 Interlúdio


KANON FALA...

Aquele velho guardião desceu das longas escadarias de mármore do palácio de Athena e sua aparência estava sombria, eu nunca o tinha visto assim em todos estes anos, seus olhos brilhavam como o fogo, tentei refletir, para descobrir o que poderia neste mundo retirar a serenidade daquele homem, o grão mestre deveria ter lhe proferido coisas amargas, e pelo seu espírito livre, Gaios não gostava de obedecer, de fato parecíamos ter uma semelhança. Isso me fez recordar de minha infância, embora tais lembranças se dissipem aos poucos de minha mente, meu tutor militar era um homem ausente devido as suas campanhas em regiões longínquas da Grécia, mas tudo isso parecia querer se apagar, pois o único dia que lembro muito bem, foi aquele onde seus semblantes ficaram marcados em minha memória, o dia em que o deus da guerra voltou-se contra nós e condenou a nossa plaga sob o medo. Diziam que aquilo era uma punição dos deuses contra ele, mas o que ele poderia ter feito? Eu vi vingança em seus olhos. É algo que carrego em minha alma e que nunca poderia esquecer.

Mas existem pessoas que ainda me enxergam como herói, é incompreensível! Eu não poderia carregar o discurso dos justos, se sou egoísta ao ponto de pensar apenas em mim mesmo e minhas ambições, foi assim que cresci e sobrevivi a tudo. Os dias no santuário eram tediosos, contudo pressinto que algo misterioso está prestes a acontecer, e tais movimentos devem ser da ordem dos deuses, sempre me procurei manter informado, e foi então que conheci o jovem Laio, meu criado, passara a viver comigo e Saga, ensinei esse menino a ler e a escrever, realmente a sua fidelidade a mim é impressionante, e sua admiração por minha pessoa chega a ser um exagero. E em comum acordo com meu irmão o escolhemos como escriba de nosso mestre, era de sua vontade manter segredos, que em algum momento cairia nas mãos de Athena, como era de sua vontade.

Laio me relatou algo impressionante que até então não imaginei existir no santuário. Um homem chamado Nicurgo, um cavaleiro renegado, recusou a seguir as ordens do grão mestre, não o reconhecendo como representante de Athena, portanto este homem audacioso deixou o santuário e foi criar o seu exército pessoal como vingança ao mestre. Dizem que em outrora na era mitológica esta ilha que ele tomou posse de forma intrigante quase destruiu o santuário, e que Athena por um acordo com um deus manteve o vulcão adormecido. Porém, Laio também me disse, que as pessoas temem que este homem poderoso possa destruir o santuário manipulando o despertar do vulcão com ajuda de um deus cuja ele possui um pacto.

Eu ri de tudo isso, como se fosse uma pilhéria. Contudo, esse tal de Nicurgo parecia ser bem ambicioso, se realmente tudo isso for real, ou apenas fruto de uma imaginação popular. E decidi por mim mesmo, partir até a ilha de Thera para conhecer esse cavaleiro, e entender por que muitos pessoas desbandaram para seu lado, que discurso aquele homem inflamava a seus seguidores? Mas de fato era intrigante, qual era o motivo do Grão Mestre evitar um confronto com este homem? Essa indagação perpassava a minha mente.