Cosmopolicchion

3 2 - Lembranças


Lembranças Parte I

Cheiro do pó de café ao misturar-se com a água quase fervente invadia a cozinha. A torrada com manteiga escorregavam para fora dá torradeira e os ovos mexidos estalavam com o óleo quente. Cheiros de misturavam e preenchiam todo apartamento.
Sayako apenas com seu pijama: uma camisa regata e shorts. Ela tinha acabado de acordar e foi a cozinha para ver o que estava acontecendo.

— Bom dia, Sayako. Eu sei que não é muito gentil de minha parte mas tomei a liberdade de utilizar sua cozinha. Afinal, lá em cima eu não tenho uma. Quer torrada com ovos? — O detetive, vestido como um mestre de cozinha apontava com a frigideira.

— Hans... Que diabos. OK. Me dê duas torradas — Ainda sonolenta, a doutora coçava sua cabeça na tentativa de despertar ou coçava sua barriga na tentativa de disfarçar a fome — Mas me fale: como foi ontem?

— Você salvou ele mais ou menos na época que eu estava em coma não é? Ele disse que a filha tinha dez anos quando você tentou tratar dele e como ela se formou há pouco a academia então ela tem no máximo vinte anos, aqueles ferimentos eram realmente graves, a profundidade da coisa que o atingiu foi bem relevante pra deixar cicatrizes como aquelas, pareciam de lâminas. Deixe-me adivinhar, a esposa de Cornellius não resistiu.

— Que assunto agradável pra um café de manhã...

— Espere, não terminei... — Serviu as torradas com ovos e o café enquanto se sentava — Você ainda se martiriza por isso? O cara que fez isso com os dois era muito forte. Katzens costumam ser habilidosos com espadas, por isso a maioria serve ao conselho como guardas reais. O olhar de Cornellius e seu aperto de mão não me enganam: ele foi um formidável soldado em sua juventude. Mas o assassino de sua esposa ainda sim o alejou para o resto da vida. Eu fiquei me perguntando se era possível a filha dele ter percebido isso e por conta própria buscar vingança no submundo do setor sul.

— Eu realmente não tinha pensado nisso, Hans — Ficou espantada com o fato dele saber cozinhar bem, nunca tinha visto ele comer nada além de macarrão instantâneo — É bem provavel, na verdade. Ele te falou sobre a personalidade da filha? O jeito que sua mãe morreu foi realmente traumático pra garota, foi ela quem chamou a emergência e os acompanhou até aqui. De qualquer forma, Hans, o primeiro passo é ir até "aquele lugar" mesmo que não goste de voltar lá.

Hans ajeitou-se na cadeira com seu largo sorriso e piscou como um sinal de confiança para Sayako.
— Querida Say. Eu sempre estou dois ou três passos a diante.

Lembranças Parte II

— Esse lugar não fedia tanto quando eu frequentava aqui. O que você andou passando nos móveis? Excrementos de Crockordles?

E esse era um dos muitos bares que existiam no extremo sul da cidade e como todos os outros fedia a álcool e sangue. Era normal começarem uma briga por causa de troco errado ou de olhares estranhos. O dono do bar, Bill, era dá raça Éber, um tipo de criatura que possuía a aparência de um pequeno javali em duas patas e com a habilidade única de beber sem parar e sem ter ressaca. Eles se conheciam há anos então Hans pôde ficar tranquilo em relação ao preço das bebidas embora esteja devendo dinheiro para o amigo desde seu último encontro, o que era comum quando todos os amigos estavam juntos: Hans tinha fama de caloteiro.

— Pelo menos fede menos que o quarto do Berkell quando ele entrou na puberdade. Aliás — colocou um copo generoso de cerveja para o amigo beber — tem visto o moleque?

O detetive agarrou o copo virando a cerveja goela abaixo enquanto pedia "um momento só" com a outra mão.
— A última vez que o vi foi bem antes de Júpiter II, foi em Marte. O velhaco estava junto ainda. Provavelmente ele ainda deve estar em Júpiter.

— Sei, sei — O pequeno tentava acompanhar o amigo bebendo num chifre de Taurania, uma outra raça peculiar que é conhecida por sua forca — Então me diga: o que te traz a esse fim de mundo? O último contato que tivemos você disse que viveria com a irmã "dela".

Por um momento, seus dedos pararam de segurar o copo que acabou escorregando até o chão do bar. Espuma alcoólica e vidro se espalharam no silêncio, todos a volta pensaram no desperdício.
— Ah, me Desculpe, Bill. Me distrai por um segundo. Enfim, Say é uma ótima pessoa. Devia conhecê-la, ela me ajudou muito a me recuperar depois que acordei do coma. Realmente aquela época foi difícil. Mas eu não vim aqui atrás de nostalgia, me pediram pra achar uma pessoa: Uma garota Katzen. Olhos caramelo, jovem e de cabelo curto. Assim como nessa foto — passou disfarçadamente a fotografia recortada da identificação enquanto observava se estavam sendo espionados,

— Não é comum Katzens aqui, sabe. São como gatos dá realeza, vivem lambendo seja donos e os servindo como animais domésticos. Eu me lembraria se eu tivesse visto uma focinho curto dessas passar por aqui, mas andam dizendo por aí que um camarada tem surgido das sombras e atacando qualquer um. E detalhe: nada é roubado. Se o maldito não está fazendo isso por informações eu não sei o que ele quer. Mas isso vem acontecendo há uns três dias.

Percebendo uma movimentação estranha no bar, uma sombra de capuz e manto se esgueirou até os fundos do bar, a saída mais usada por bêbados arruaceiros e Hans decidiu perseguir a sombra para que assim pudesse tirar alguma informação mas foi recebido com uma lâmina em seu pescoço assim que passara da saida, o punhal era bem adornado e tinha levemente em seu fio de corte as iniciais "E. K", a sombra em mais baixa estava impaciente com o silêncio do detetive e forçou contra a pele do mesmo a arma que carregava.

— Fale — Sua voz era distorcida por algum tipo de aparelho modificador — por que me seguiu? Fale enquanto ainda não tem um rasgo em sua garganta.

— Olha... Darth, digo, caro amigo. Estou procurando uma pessoa e essa tarefa é um tanto quando complicada porque ela se perdeu mais ou menos nesse setor a mais ou menos três dias. E anda tendo muito ataques por aqui e fica difícil, eu sei, de saber quem é amigável ou quem não é mas te garanto que este não é o melhor jeito de receber um bom homem, amigo. Ou devo dizer, Emilly von Krieger? Seu perfume de lilás é bem forte, deixa o rastro por onde passa até, devia mudar a fragrância se quiser continuar com seus atos de loucura por aí.

— Como... — A sombra se surpreendeu com a dedução de Hans e baixou sua guarda.

Num relance o detetive agarrou a mão dá sombra e torceu de modo que o punhal caísse o chão e com o antebraço levou até o pescoço da mesma enforcando-a contra a parede.

— Seu pai pediu a minha amiga que pediu pra mim pra pedir a você que voltasse. Enfim, é uma longa história. Agora poderia parar de tentar me matar? E respondendo sua pergunta: eu soube que era você porque eu forcei você vir até mim. Primeiro, antes de chegar no bar do Bill eu já sabia dos ataques e espalhei rumores de que havia um rapaz com as características parecidas com as que estou hoje com informações do Serial Killer de 3119. Segundo, todos que estavam no bar foram guerrilheiros assim como eu e Bill, então a única pessoa estranha que estava lá era obviamente a encapuzada. Terceiro, eu confirmei sua identidade quando você sequencialmente reagiu a sua própria foto, tem iniciais de sua mãe em seu punhal e seu perfume.

Paralisada a sombra removeu o capuz revelando o rosto de uma jovem e bela Katzen, Emilly. O detetive então deixou de enforcando-la e a pos no chão,

— O metido a Sherlock — Ela apalpava o próprio pescoço enquanto apanhava seu punhal do chão — Você não me explicou como descobriu que era eu quem estava buscando informações aqui e como sabia do assassino de 3119.

— Entrei no quarto de sua mãe, sem que seu pai soubesse é claro, ele não permitiria mesmo que não fosse minha intenção. Por sorte, acabei encontrando uma penteadeira interessante, você já deve saber do que eu estou falando. Muitos artigos sobre um assassino em série que começou a matar muitas pessoas em vários setores. Você não aceita a morte de sua mãe, nem os ferimentos de seu pai, e busca vingança. Vinganca que fez arquitetar a carreira como policial para ter acesso as informações, treinamento e armas que precisa pra completa-la. Assim que se formou buscou no banco de dados da polícia sobre o assassino, cautelou o máximo de armas que conseguiu e foi voluntária para uma patrulha que nunca existiu. Estou errado?

— Em grande parte sim, sabichão. Mas o que espera que eu faça agora? Volte correndo para as asas de me pai com o assassino de minha mãee solto? Você não pode me impedir. Eu tenho esse direito, sou adulta, fiz minhas escolhas...

— Espere, minha pequena — Ele tocou com o indicador os lábios dela silenciando-a — Eu simplesmente não sou apenas um detetive, eu faço o serviço necessário quando sou pago. Infelizmente este estou fazendo como um favor. Minha missão é: Achar e levar em segurança pra casa a filha do velho Katzen. Então, eu só preciso te acompanhar nessa busca irracional até você matar o desgraçado assassino. Em troca, você me paga pela escolta e pelo uso de minhas habilidades.

Emily deu as costas para Hans ignorando a proposta do mesmo, seus passos eram rápidos e logo ela sumia por entre os becos e vielas do setor sul. O detetive tentava debilmente correr atrás das garota na esperança de conseguir convence-la, mas logo ela havia sumido e tudo que restava era poeira e escombros.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.