Cosmic Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
P.O.V Castiel
A última coisa que eu me lembro foi do olhar carregado de culpa que Dean Winchester dirigia à mim. Eu podia jurar que vi sua boca sibilar um "Me desculpe." antes de ser nocauteado pelo mesmo.
Acordei na enfermaria sentindo uma dor terrível se espalhar por meu corpo todo. Levei meus dedos até meus lábios, onde a dor era incrivelmente mais intensa. Percebi que o corte, provavelmente provocado pelo anel de Dean, que usava no momento em que me deu um soco ali, fora cuidadosamente tratado e agora havia um band-aid por cima do machucado.
Eu já ia, calmamente, levantando da cama, desejando sair o mais rápido possível daquele lugar com um cheiro extremamente forte e insuportável de remédio misturado com produtos de limpeza baratos. Quando já estava calçando meus tênis, fui interrompido por mãos femininas, impedindo-me de terminar o que eu estava fazendo. Era Ellen Harvelle, a enfermeira da escola.
— Ei, onde você pensa que vai? — Mesmo com um tom autoritário, sua voz continuava doce e reconfortante.
— Aula. — Essa foi a única palavra que conseguir soltar antes de sentir um estalo seguido de uma dor aguda no meu maxilar.
— Você ainda não me parece muito bem, Novak. — Ela me encarou, focando em todos os hematomas causados horas atrás. — Mas, tudo bem. Leve esses comprimidos, caso a dor volte a te atormentar.
Acenei com a cabeça, pegando os remédios da mão de Ellen. Logo então peguei minha mochila que estava jogada em um canto do cômodo e saí em direção à saída da enfermaria, olhei para o meu relógio. – Droga.- pensei comigo mesmo. Fiquei desacordado durante período inteiro. Fui apressadamente à saída da escola, rezando mentalmente pra que não houvesse nenhum daqueles metidos jogadores. Eu estava nervoso, a última coisa que queria era trombar com um daqueles grandalhões e ganhar mais uma cicatriz para sua coleção.
Felizmente, ninguém estava lá. Então fui caminhado até minha casa, havia perdido o ônibus por causa do pequeno “incidente”. No momento que cheguei em casa, notei que não havia mais ninguém. – Novidade. Disse pra mim mesmo, num sussurro. Meus pais se separaram quando eu ainda tinha cinco anos de idade. Depois disso minha mãe vem trabalhando duro para me sustentar. Mal consigo ver seu rosto durante a semana, ela é enfermeira no hospital central da cidade e sempre fica no estúpido plantão. Eu não lembro do rosto do meu pai e nem me esforço a tentar lembrar. Ele era um completo idiota.
Depois de tomar um banho, que não demorou tanto, desisti de tentar me lavar por completo, a dor que eu sentia a cada gota que caía sobre algum corte ainda não cicatrizado era insuportável. Deitei na minha cama e fiquei ali, olhando para o teto, o que, para mim, não era tão entediante. Eu gostava de pintar. E eu gostava de estrelas. Então, eu pintei estrelas, uma galáxia inteira, em meu teto. Ah, eu realmente gostava das estrelas, elas eram realmente maravilhosas e brilhantes. Como os olhos de Dean. De repente, os olhos incrivelmente verdes e brilhantes do loiro entraram em minha mente. Eles eram maravilhosos, como as estrelas. Mas a última vez que seus olhos se encontraram, a visão que ele ainda se lembra, não o agrada nem um pouco. Aqueles olhos cheios de culpa e remorso, as mil palavras que ele podia entender somente com aquele olhar. Foi horrível.
A última coisa em que pensei foram naqueles perfeitos olhos, e em sua boca, sibilando um “me desculpe” claro. Isso foi tudo que conseguir pensar antes de cair no sono.
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