Cosa Nostra
8 Capítulo 7: Bem vindos às Forças Especiais
Notas iniciais
;)
Nos vemos no final...
Todos tiraram as máscaras. Era a Swan. Filha de uma puta! Eu também vi McCarty, o Hale e a Weber.
- Sejam bem vindos ao treinamento das Forças Especiais. – ela disse com um sorriso sacana no rosto.
As luzes da sala se acenderam por completo, facilitando a minha visão. Agora eu podia ver com mais clareza: eram três homens, entre os quais eu reconheci o Coronel Hale e o McCarty, e três mulheres: a Swan, a Major Weber e a morena baixinha que havia me seqüestrado.
As mulheres tinham o cabelo preso em um rabo de cavalo. Só então pude ver que na camisa preta de todos, havia o símbolo dos ‘boinas verdes’, que era uma espada com duas flechas e a frase “De Opresso Líber”.
- Equipe alfa, em posição. – a Swan comandou com um tom de voz alto, para mostrar que era ela quem mandava.
Todos ficaram de frente para a Swan e adotaram uma postura rígida: as pernas um pouco separadas, o peito estufado e a cabeça erguida com orgulho.
Puta que pariu! Os filhos da puta eram bons mesmo. Todos tinham um ar de superioridade. Eles olhavam para frente, quase sem piscar.
- Preparar, boinas verdes! – ela gritou para eles.
E sem deixar as armas de lado, eles na mesma hora, em total sincronia, tiraram do bolso traseiro uma boina verde e a colocaram em suas cabeças, demonstrando que eram os membros das Forças Especiais.
Era perceptível o orgulho que todos eles sentiam em ser ‘boinas verdes’.
- Apontar! – a maldita da Swan gritou mais uma vez.
Cada um segurou a metralhadora que estava em mãos em posição de ataque, apontado para nós.
Mike engoliu seco e se remexeu ao meu lado. Os outros que estavam amarrados também pareciam assustados. Todos tinham os olhos arregalados e se remexiam inquietos, como se isso fosse salvá-los.
Eu revirei os olhos. Claro que os ‘boinas verdes’ não fariam nada. Afinal, estávamos em uma merda de um treinamento. Não dava para sair matando qualquer um assim não.
- Descansar armas! – a Swan comandou.
Eles colocaram as armas em posição de descanso, que era segurá-la de lado próxima ao peito, com uma mão no cano e a outra mão na base.
- Descansar, boinas verdes. – a Swan ordenou.
Os ‘boinas verdes’ colocaram as armas para trás, ficando dependuradas em suas costas pela bandoleira*.
- Hale, McCarty desamarrem os novatos. – a Swan ordenou.
Eles assentiram e começaram a nos desamarrar. Eu ouvia todos suspirando aliviados ao serem desamarrados. Eu os entendia. A sensação de estar preso era horrível, mas o pior para mim, era se encontrar em uma situação de fragilidade, dependendo de outra pessoa.
McCarty me desamarrou e eu massageei meus pulsos, que estavam doloridos e marcados pela corda.
Eu me levantei, assim como todos os outros. Caralho! Eu estava todo dolorido. Eu me espreguicei tentando aliviar um pouco a tensão do meu corpo. Todos os músculos do meu corpo doíam.
Depois de desamarrar todos, McCarty e o Hale voltaram para a posição que estavam. Depois de um minuto de silêncio, a Swan voltou a falar:
- Vamos às apresentações, senhores. Esses são Coronel Jasper Hale, Coronel Emmett McCarty, Major Alice Brandon, Major Angela Weber e Tenente Jacob Black. E eu sou a General Isabella Swan.
Uau. Ela era general? Porra! Eu imaginei que ela tivesse sido promovida, mas nunca pensei que fosse ser “general”, ainda mais das Forças Especiais.
Percebi que a mulher que havia me seqüestrado e me interrogado era a Major Brandon. Ela era baixinha e pequena, mas eu sabia quão potente era um soco daquela filha da puta. A dor no meu rosto não me deixava esquecer.
- Nós formamos o grupo alfa da elite do exército americano. – a General Swan continuou – Durante esses vinte dias os senhores serão treinados para serem membros das Forças Especiais, mas somente os que finalizarem o treinamento e passarem no teste serão ‘boinas verdes’. Alguma pergunta, novatos? – ela perguntou sem paciência.
- Foram vocês que nos seqüestraram? – só podia ser o idiota do Mike que fez a pergunta mais óbvia.
Os ‘boinas verdes’ riram da idiotice de Mike, apenas a Swan se manteve séria.
- Fomos. – ela respondeu totalmente impassível.
- Por quê? – Tyler perguntou.
- Eu não tenho que lhe dar justificativas sobre as minhas atitudes para a merda de um novato. – ela disse em um tom cortante.
O Coronel Hale deu um passo para frente e falou alguma coisa em seu ouvido e ela apenas assentiu.
- Na verdade, o seqüestro foi um teste. – o Coronel Hale explicou – Havíamos pré-selecionado mais de 30 pessoas. Apenas os senhores passaram.
- Precisava bater tanto? – Ben perguntou e depois gemeu de dor ao se ajeitar.
A General o olhou minuciosamente por alguns longos minutos.
- Precisava. – ela respondeu simplesmente.
Sua voz era fria e sem qualquer emoção. Ela nem se preocupava se Ben estava machucado. Quer dizer, ela não se importava com nenhum de nós.
- Na verdade, queríamos testar a resistência de cada um. Para evitar que perdêssemos nosso tempo com os mais fracos. – o Coronel Hale esclareceu melhor.
- Mas pelo visto, não adiantou de merda nenhuma, pois já estamos perdendo nosso tempo. – ela resmungou olhando com desprezo para Ben.
- Agora, os senhores poderão ir para a enfermaria com o McCarty e depois que a enfermeira os liberar, se dirijam ao refeitório. – a Major Weber falou provavelmente para evitar mais perguntas.
Todos assentiram. O Coronel McCarty nos guiou até a enfermaria, que ficava no final do corredor da casa que estávamos. Somente um novato foi direto para o refeitório. Ele não estava muito machucado. Parecia que nem tinha apanhado tanto quando nós.
A enfermaria era um quarto totalmente branco, com três macas e um armário cheio de remédios. Também tinha uma mesinha e uma cadeira, onde estava sentada uma enfermeira loira e muito gostosa.
- Essa é Tenente Rosalie Hale, nossa enfermeira. – ele a apresentou e ela se levantou, ficando do lado dele – Sentem-se nas macas, que ela irá atender a cada um.
- O treinamento nem começou e você já está me dando trabalho, McCarty. – ela falou em tom de brincadeira para o Coronel.
O Coronel McCarty se virou e falou alguma coisa para ela, ao pé do ouvido, que eu não consegui escutar. Ela sorriu e assentiu.
- Sejam bons novatos e fiquem quietinhos. Ah! E obedeçam a Tenente Rosalie. – McCarty falou para nós e saiu da enfermaria.
Eu me sentei em uma maca, ao lado de Mike esperando pela enfermeira. Minutos depois, a enfermeira se aproximou de nós dois.
- Dói em algum lugar, novato? – ela perguntou a Mike tranquilamente.
- Só do dedão do pé até o último fio de cabelo da minha cabeça, Tenente. – Mike falou e ela sorriu.
- Vocês até estão em boa forma. Já atendi novatos em pior estado que a de vocês. – ela falou enquanto cuidava dos cortes que Mike tinha no supercílio.
Apesar de ser Tenente, ela não tinha o ar de superioridade dos ‘boinas verdes’.
- Em pior estado? – Mike perguntou assustado.
- Sim! – ela disse como se fosse óbvio – Bem pior. – ela disse ainda fazendo uma série de exames em Mike.
Minutos depois, ela o dispensou e começou a cuidar do corte da minha boca.
- Você faz parte das Forças Especiais? – eu perguntei.
- Mais ou menos. – ela respondeu pegando algodão com algum medicamento e passando na minha boca.
O corte ardeu. Eu me remexi de dor e fiz uma careta.
- Fica quieto, novato. – ela disse.
- Como assim “mais ou menos”? – eu perguntei ignorando a ordem de ficar quieto.
- Eu sou Tenente do exército. Porém, não faço parte das missões. Não vou para o campo, mas sou de confiança de todos. Então, fico esperando eles voltarem para vou cuidar deles. – ela me esclareceu.
- Você é parente do Coronel Hale? – eu perguntei por causa do sobrenome dela.
- Irmã. – ela respondeu sorrindo – Gêmea. Apesar de, que aqui, somos todos uma família.
Eu sorri e ela me deu um remédio.
- Tome. É para dor. – ela disse me entregando um copo de água – Amanhã você vai se sentir bem melhor.
Eu assenti e tomei o remédio.
- Prontinho, novato. Agora pode ir ao refeitório se alimentar. – ela falou e depois se aproximou mais de mim e falou com a voz baixa – Se fosse você, comeria muito bem agora, porque nos próximos dias, a comida não será tão.... gostosa ou farta.
- Obrigado pela dica, Rosalie. – eu falei me levantando da maca.
- Por nada. – ela disse dando os ombros – Sabe, eu gostei de você, novato. Pode me chamar de Rose.
Eu sorri, pois eu também tinha gostado dela. E nem era porque ela era gostosa de doer.
- Tudo bem, Rose. Até a próxima. – eu me despedi.
Rose sorriu de novo, se virou e foi atender Ben e Tyler.
Eu fui para o refeitório o mais rápido possível, porque estava morrendo de fome. O refeitório não era exatamente grande. Tinha uma mesa de madeira retangular, onde todos estavam sentados e um buffet com as comidas.
Os ‘boinas verdes’ estavam sentados à mesa, comendo e conversando tranquilamente. Apenas a General Swan estava quieta, apenas observando os novatos.
Mike já estava ao lado de dois novatos. Eu peguei a comida e um copo de refrigerante e me sentei-se à mesa ao lado deles.
- Edward, estes são Eric e Royce. – Mike nos apresentou.
- Prazer. – eu falei.
- Prazer. – os dois falaram ao mesmo tempo.
Mike, Royce e Eric engataram em uma conversa chata sobre o “seqüestro”, enquanto eu comia minha comida calado.
Ao contrário de Mike, que fazia amizade até com um poste, eu evitava ter muito contato com as pessoas em geral. Afinal, eu não podia me esquecer de quem eu era: um filho da máfia.
E eu era esperto o suficiente para saber que me envolver com pessoas. Eu sabia que acabaria em merda. E além do mais, eu tinha uma missão naquela porra: roubar a merda do disco rígido deles e não fazer amigos.
Eu sabia que Don e Tanya estavam me escondendo algo. Eles não me enfiariam nessa merda só por causa das informações que as Forças Especiais possuíam. Tinha algo mais nessa história. Eu ainda só não sabia o que era.
Eu levantei os olhos e encontrei com o olhar da General Swan. Aquela mulher era o cão. Mas em que merda eu me enfiei? Eu tinha uma sensação que isso não ia dar certo. Desde a primeira vez que eu a vi, seu olhar me incomodou muito. Não foi à toa que eu errei o tiro aquele dia no parque.
Balancei a cabeça e fechei os olhos, tentando dispersar esses pensamentos. Eu resolvi levar o conselho de Rosalie a sério, e mesmo satisfeito, eu coloquei mais comida no meu prato.
- Cullen, certo? – McCarty perguntou enquanto eu comia pela segunda vez.
- Sim, senhor. – eu assenti.
- Eu sabia que você se inscreveria. – ele falou se sentando ao meu lado – Só demorou mais do que eu esperava.
- Você sabia que eu me inscreveria para as Forças Especiais? – eu perguntei.
Se nem eu sabia, como ele poderia saber? Ele só podia de estar de sacanagem comigo.
- Sim. Eu até apostei com Bella. Ela me deve mil dólares. – ele disse sorrindo.
Mais uma vez essa Bella. Quando eu estava fazendo o treinamento para ser soldado do exército, o Coronel Hale tinha falado em uma tal de Bella e agora o McCarty também.
E outra coisa também me incomodou. Essa Bella me conhecia? De onde? Eu suspirei. Nem adiantava perguntar para McCarty, pois com certeza ele não me falaria.
- Como você podia ter certeza? – eu perguntei ainda intrigado.
- Simples. Os melhores nunca se contentam com o exército. – ele disse dando os ombros – Alguns apenas nasceram para ser um ‘boina verde’.
- Pode ser. – eu respondi sem saber o que falar.
Antes que McCarty falasse mais alguma coisa, a General Swan se levantou e deu as ordens:
- Novatos, se dirijam imediatamente aos dormitórios. Amanhã, nosso treinamento terá início. Estão dispensados.
Todos os novatos, incluindo eu, fomos para um dormitório. Dormir em uma cama quentinha era o paraíso naquele momento.
A Major Weber nos acompanhou para mostrar o caminho. Quando saímos da casa, percebi que estávamos em uma espécie de fazenda. Havia muito mato e muitas árvores. Paramos em frente à duas cabanas de madeiras.
Os novatos foram divididos para duas cabanas. Novamente, eu fiquei com os dois dos três patetas: Mike e Tyler. Acho que era castigo de Deus. Só podia ser.
Eu fui para a cabana e vi o que seria a minha cama. E lá se foi a minha ideia de cama quentinha. Havia apenas um lençol fino cobrindo a cama, que parecia ser dura para caralho.
Em cima da cama, tinham três pares de uniformes, que eram calças de exército pretas e camisas de malha também preta. Ao lado da cama, estava a minha mala.
Peguei minhas coisas pessoais e fui para o banheiro comunitário, sem pensar muito na cama dura e fria que me esperava.
O banheiro era bem limpinho. Havia várias duchas, pias e cabines onde provavelmente havia privadas. Tomei uma ducha quente e rápida, mas relaxante.
Os outros novatos também estavam tomando banho. Todos conversavam e brincavam, como se fossem amigos de longa data.
Eu coloquei uma calça de moletom preta e uma camisa branca e escovei meus dentes. Voltei para a cabana, morrendo de sono.
Chegando na cabana, eu tirei a camisa, ficando somente com a calça do moletom e me deitei. Não estava tão frio, então, nem me preocupei em me cobrir. Até porque aquela merda de lençol e nada era a mesma coisa.
As luzes se apagaram automaticamente, deixando o quarto completamente escuro. Eu fechei os olhos tentando dormir, mas Mike e Tyler haviam chegado também do banheiro e, para variar, Mike não parava de falar. Ele falava com Tyler sobre como ele estava realizando o sonho da vida dele e como eu era um amigo tão bom que havia me inscrito só para ajudá-lo.
- Porra, Mike! – eu esbravejei – Vê se cala essa boca e vai dormir, caralho!
- Desculpa Edward, mas eu estou tão animado que eu acho que não vou conseguir dormir. – ele se desculpou.
- Tente, pelo menos, merda! – eu o respondi rispidamente.
- Eu... bem... eu estou com medo da General Swan. – ele falou constrangido, provavelmente por ter medo de uma mulher – Quer dizer, dizem que ela é pior que o capeta. E parece mesmo. Eu não gosto do jeito que ela olha para mim.
Eu bufei alto. Eu também não gostava do jeito que ela olhava para mim, mas não ficava reclamando disso como uma mulherzinha, igual Mike fazia.
- Se eu fosse você, novato, eu fechava a porra da sua boca e dormiria. – a voz da Swan preencheu todo o dormitório – O senhor nem imagina o que espera por você amanhã. – ela disse com uma voz sacana.
Mas que merda! O que ela estava fazendo na nossa cabana? Eu abri os olhos e percorri o quarto com meu olhar tentando ver onde ela estava, mas o quarto estava escuro demais para enxergá-la.
- De... des... desculpa... eu... eu não sabia que a senhora estava... bem.. aqui. – ele gaguejou se desculpando.
Cara, não tinha ninguém mais azarado que Mike. Ele sempre perdia a oportunidade de ficar calado.
- Eu estou em todos os lugares, novato. – ela falou ironicamente – Agora, durma! E eu não quero escutar nem mais um pio. Entendeu?
- Si... sim, senhora. – ele gaguejou de novo.
Depois disso, o silêncio se instaurou. Mike provavelmente estava se cagando de medo por ter sido pego pela Swan.
Eu corri os olhos pelo quarto mais uma vez tentando achar a Swan, mas não vi nada. Então, fechei os olhos. Acho que por causa do remédio que Rosalie me deu, eu dormi rapidamente, mesmo sentindo o olhar frio da Swan sobre mim.
...
Eu mal tinha fechado os olhos para dormir quando acordei assustado e molhado. Com um pulo, eu me sentei na cama e abri os olhos tentando perceber o que estava acontecendo.
Espera um pouco! Eu estava molhado?
Porra! Eu estava completamente encharcado. Haviam jogado um balde de água em mim!
- Hora de acordar, senhores. – o Tenente Black falava enquanto jogava um balde de água em Tyler.
Eu olhei pelo quarto e vi a Swan estava encostada na porta da cabana. Ela usava uma blusa preta com o símbolo das Forças Especiais e uma calça do exército preta. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, exatamente como ontem à noite. Apesar de sua feição séria, eu podia jurar que a maldita estava morrendo de rir por dentro.
O Tenente Black jogou água no Mike, que caiu da cama com o susto. O Tenente gargalhou alto.
Mike e Tyler pareciam ainda não entender o que estava acontecendo.
- É hora de acordar, novatos. – Tenente Black disse.
Quando todos já estavam acordados e tremendo de frio a Swan desencostou da porta e falou:
- Vistam o uniforme de treinamento, senhores, e estejam no refeitório em exatamente cinco minutos.
Ela se virou e saiu da cabana, juntamente com o Black.
Olhei pela janela. Ainda estava escuro. Eu não tinha a menor ideia de quantas horas eram, mas o sol não havia nascido ainda. Rapidamente, eu coloquei um uniforme e corri para o banheiro para escovar os dentes.
Em poucos minutos, eu estava entrando no refeitório. Fui o primeiro a chegar. Os membros da Forças Especiais já estavam lá, esperando pelos outros novatos.
- Sente-se, novato. – a Major Weber ordenou – Vamos esperar seus companheiros.
Mike e Tyler chegaram correndo e se sentaram ao meu lado. Logo depois, Eric e Royce chegaram.
- Os cinco minutos acabaram. – avisou o Coronel Hale – E ainda falta um novato.
Nesse momento, chegou Ben correndo pela porta adentro.
- Está atrasado novato. – a Swan falou.
Ben apoiou as mãos em seus joelhos e respirou fundo.
- Eu me perdi, mas não vai acontecer novamente, senhora. – ele falou com a respiração descompassada – Me desculpe.
- Você não deve pedir desculpas para mim, novato. – ela falou – E sim para os seus colegas, que ficarão sem café da manhã por causa do seu atraso.
- O que? – Mike perguntou.
Mike era foda. Custava ficar de bico calado? O Tenente Black se virou para Mike.
- Falou alguma coisa novato? – o Tenente perguntou.
Pela voz, eu percebi que era ele quem estava com a Major Brandon quando eu fui “seqüestrado”. Aquele filho da puta era o homem que havia me quebrado na porrada. Mais cedo eu não havia percebido isso, porque eu tinha acabado de acordar, mas eu me lembrava perfeitamente da voz dele.
- Não. Claro que não. – Mike respondeu rapidamente.
- Claro que não, senhor. – ele corrigiu Mike.
- Claro que não, senhor. – Mike repetiu.
- Assim que eu gosto, novato. – Black falou.
- Sim senhor. – Mike falou.
- Agora, novatos, fiquem bem quietinhos enquanto nós tomamos o nosso café da manhã. – o Coronel McCarty falou divertido.
Os ‘boinas verdes’ se sentaram à mesa e com eram tranquilamente o café da manhã. O cheiro era delicioso e estava dando água na boca.
Eu só pensava em uma coisa: ainda bem que eu tinha comido muito ontem. Apesar do cheiro convidativo, eu não sentia tanta fome.
Nós, novatos, ficamos sentados à mesa, em silêncio, esperando os ‘boinas verdes’ acabarem o café da manhã. E eles não pareciam ter pressa em terminar o café. Conversavam e comiam tranquilamente, exceto a Swan, que estava calada e parecia totalmente perdida em seus pensamentos.
Percebi que o Coronel Hale falou alguma coisa em seu ouvido. Ela o olhou e negou com a cabeça, se recusando a falar alguma coisa. Muito sutilmente, ele fez um carinho rápido em sua mão e voltou a conversar com o Coronel McCarty.
Eu estava intrigado com o relacionamento deles. Desde Fort Hamilton que eu havia percebido a cumplicidade entre os dois, mas eu me recusava a acreditar que aquela mulher poderia ser namorada ou esposa de alguém.
Depois de muitos minutos, os ‘boinas verdes’ finalmente acabaram de tomar o café da manhã e se levantaram.
- Se dirijam para o campo de treinamento imediatamente, senhores. – a General Swan ordenou.
Nós seguimos os ‘boinas verdes’ até um campo gramado. Ali seria onde teríamos o nosso treinamento.
- Em posição, novatos. – ela ordenou.
Eu e os novatos nos colocamos em posição, imitando o que os ‘boinas verdes’ fizeram na noite passada. Fizemos duas fileiras de três novatos em cada. Eu fiquei por último da fila.
A General estava de frente para nós, com as mãos para trás. Os demais ‘boinas verdes’ estavam atrás dela.
- Antes de começarmos o treinamento, eu vou falar algumas coisas para os senhores. – ela falou.
Todos ficaram em silêncio, esperando pelas palavras dela.
- Quando eu falar algo e vocês entenderem, digam “Sim senhora” ou “Não senhora”, seus incompetentes de merda! – ela esbravejou.
- Sim senhora. – nós a respondemos.
- Muito bem. – ela continuou – Os senhores sabem que estão aqui para se tornarem membros das Forças Especiais, certo?
- Sim senhora. – nós respondemos.
- E os senhores também sabem que somente os que terminarem o treinamento se tornarão boinas verdes. – ela disse.
- Sim senhora. – todos responderam novamente.
- Pois bem. Eu quero deixar bem claro que os senhores não são bem vindos aqui!!! – ela gritou dando um passo em nossa direção – Do mesmo jeito que vieram, com certeza irão embora!!! Pois nenhum... nenhum de vocês, novatos de uma merda, são bons o suficiente para serem boinas verdes!!! Os senhores não passam soldadinhos de merda! Incompetentes! Burros! Os senhores jamais serão boinas verdes! Jamais!
- Jamais! – os ‘boinas verdes’ gritaram.
- Quem tiver amor à vida, pode ir embora agora!!! – ela gritou nos olhando friamente – Porque quem ficar, vai se arrepender amargamente!!! E eu vou fazer questão de que se arrependam.
Ela andou entre nós e parou em frente ao Royce, o novato que estava ao meu lado. Ele tremia visivelmente. Os rostos deles quase se encostaram. Se o olhar dela não fosse tão assassino, eu poderia achar que eles se beijariam.
- Vai desistir novato? – ela o desafiou.
- Nã... não senhora. – ele gaguejou.
Ela deu um passo para trás, como se tivesse aceitado a resposta dele. Então, do nada, ela deu um soco no nariz dele.
Eu escutei o barulho do osso quebrando. Ele se curvou de dor e imediatamente o sangue começou a jorrar pelo seu nariz quebrado.
- E agora? Vai desistir? – ela perguntou.
- Não, senhora. – ele falou ainda curvado, acompanhado de um gemido de dor.
- Eu não escutei novato! – ela gritou – Fale como um homem!
Ele voltou a ficar com a postura reta, mas o sangue simplesmente descia pelo seu rosto, manchando a camisa preta.
- Não senhora! – ele falou mais firme.
A Swan deu um murro na boca do estômago dele e Royce se contorceu de dor.
- Você não serve para ser um ‘boina verde’. – ela cuspiu as palavras – É apenas um soldado de merda! Desista antes que eu acabe com você.
- Não senhora! – ele falou, mas era óbvio que ele estava com medo daquela mulher.
- O senhor acha que só porque seu pai é um merda de um Tentente General, você terá alguma regalia aqui? – ela perguntou.
- Não senhora. – ele respondeu.
- É bom saber mesmo, novato idiota! – ela falou com ódio – Pois seu “papai” não será capaz de te salvar de mim! Eu sou o seu pior pesadelo.
Ele ficou em silêncio.
- O senhor entendeu? – ela perguntou.
- Sim senhora. Eu entendi.
Ela se aproximou mais uma vez dele e colocou as mãos em seus ombros. A General me olhou e deu um sorriso maldoso. Então, deu uma joelhada no saco dele. Imediatamente ele caiu no chão, chorando de dor.
Porra! Eu estremeci, sentindo dor por ele. Isso era golpe baixo! Todos os homens fizeram uma feição de dor, até mesmo os ‘boinas verdes’.
- Eu sei quem você é! E esteja avisado que eu sei ser tão baixa e suja quanto você. – ela o ameaçou.
Pelo visto, a Swan não gostava de quem era protegido no exército. Isso existia muito. Era comum um incompetente ter um alto cargo no exército, somente porque era filho ou afilhado de alguém.
O Tenente Black e a Major Weber fizeram menção de ajudar o Royce, mas foram impedidos pela General, que levantou a mão para eles, num sinal de “pare”.
- Fiquem em seus lugares. – a Swan ordenou.
- Ele precisa ir á enfermaria, General. – a Major Weber falou.
- Um verdadeiro ‘boina verde’ não precisa ir à enfermaria por causa alguns machucadinhos, não é mesmo novato? — ela perguntou.
Alguns machucadinhos? Machucadinhos? Ela era louca? A maldita deve ter deixado Royce impotente para o resto da vida, isso sim. Sem contar o nariz quebrado.
- Sim, senhora. – Royce respondeu com um fio de voz, ainda no chão – Eu estou bem.
- Viu? O novato está bem. – ela falou para a Weber e o Black e olhou para Royce no chão – Agora aja igual a um homem de verdade e se levante. Ah! E limpe esse sangue. Nós vamos começar o treinamento e eu não quero mais perder o meu tempo com soldadinhos de merda.
Ele se levantou com dificuldade e ficou em posição.
- Hale, você é o responsável por essa atividade, então comece logo. – A Swan ordenou – Brandon, venha comigo! Agora!
Ela se virou e saiu de perto de nós em direção ao prédio principal, onde tinha o refeitório e a enfermaria. A Major Alice Brandon a seguiu, correndo para alcançá-la.
Todos os novatos estavam impressionados com o que tinha acontecido. Ela bateu em Royce a troco de nada. Puta que pariu! Nem os filhos da puta da Organização eram tão sádicos a esse ponto.
O Coronel Hale se virou para nós e começou a dar as coordenadas sobre a atividade. Nós fomos divididos em dois grupos, de acordo com as nossas cabanas. Então, fiquei com os dois patetas: Mike e Tyler.
A Major Weber entregou para cada um uma bandana. A minha, do Mike e Tyler eram vermelhas. A do Royce, Ben e Eric eram azuis.
- Cada equipe possui um mapa da fazenda. – o Coronel Hale falou – O objetivo é seguir as pistas até chegar ao lugar onde os seqüestradores estarão com a vítima. A equipe que voltar com a vitima a salvo, será a vencedora.
- Esse é a vitima. – a Weber nos mostrou uma foto de um boneco – O nome dele é John. Queremos que os senhores o resgatem sem nenhum machucado.
- Mas tem uma regra: os senhores não poderão se separar. – o Coronel Hale avisou –Vocês são uma equipe e deverão agir como tal.
Eu sorri. Era uma espécie de caça ao tesouro. Essa atividade parecia brincadeira de criança.
Então, esse que seria o treinamento das Forças Especiais? Tirando a querida General Swan, esse treinamento seria fácil demais.
...
*Bandoleira: Correia de couro, em diagonal sobre o peito, que serve para prender uma arma.
Notas finais
Eu demorei a postar, por causa dos problemas do Nyah com o servidor.... mas agora está tudo tranquilo... ainda bem!!!! Rrss...
Eu percebi que algumas respostas minha a alguns comentários foram apagadas, então eu as responderei novamente... se eu responder ao seu review duas vezes, me desculpem, mas prefiro responder duas vezes do que deixar sem responder...
Eu queria super agredecer à JeehMasen e à lecullen pelas recomendações... eu simplesmente ADOREI queridas!!!!!!!!!!!!
Bjos a todos!!!
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