Cosa Nostra

22 Capítulo 21: A Verdade – Parte I


Notas iniciais
Um capitulo light... nos vemos no final....
=)

Eu e Isabella acabamos de ajeitar os últimos ajustes da missão... ou emboscada... como você preferir.

Eu fiz a ligação para Washington e expliquei tudo para o General Uley, do mesmo jeito que o McCarty tinha contado... afinal, eu não era louco de falar o que eu tinha visto naquela sala.

O tal general não ficou nada satisfeito em saber da notícia da traição e falou que estaria pegando o primeiro vôo para Nova Iorque. Ele queria conversar pessoalmente com a Swan e ver todas as evidências.

Depois de encerrada a ligação, eu fui até a sala procurar Isabella para avisá-la sobre a vinda do General Uley.

Assim que eu cheguei à sala, percebi que ela já estava toda isolada e o corpo de Royce estava sendo removido.

No fundo da sala, eu vi a Swan conversando com o Capitão Jackson e fui na direção dos dois.

- Tudo certo, Capitão? – ela me perguntou quando me aproximei dos dois.

- Tudo certo, General. – eu a respondi – O General Uley disse que pegará o primeiro vôo para cá. Ele disse que quer analisar as evidências pessoalmente.

- Imaginei que ele faria isso. – ela disse tranquilamente.

Será que ela não tinha medo do General Uley descobrir o que aconteceu de verdade? Qualquer um que visse o estado do corpo de Royce poderia afirmar que não foi uma simples briga.

Ela olhou para o Capitão.

- Mais uma vez, obrigada Capitão Jackson. – ela o agradeceu.

- Pode contar sempre comigo. – ele disse e prestou continência e olhou para nós dois – Até mais General... Capitão.

Eu e ela retribuímos a continência e ele se virou, indo embora.

- Já está tudo pronto, Capitão. – ela disse – Podemos ir para a base agora.

- Sim senhora. – eu a respondi.

Nós saímos da casa e paramos em frente à blazer. Ela tirou a chave do bolso da calça e abriu o carro com o alarme.

- Eu dirijo, se você quiser. – eu me ofereci, já pensando que ela não ia aceitar.

Ela me entregou a chave sem hesitar e entrou no carro pelo lado do carona. Caralho... o que o cansaço não fazia com as pessoas, não é mesmo?

- Vai ficar aí parado igual a um idiota, Cullen? — ela perguntou.

Eu neguei com a cabeça, percebendo que eu estava parado no lugar e dei a volta no carro, entrando do lado do motorista.

Ela encostou a cabeça no banco e fechou os olhos, em sinal evidente de cansaço. Ela parecia estar exausta mesmo...

Eu liguei o carro e parti em direção à base. Nós estávamos completamente em silêncio... nem o rádio estava ligado... mas não era um silêncio incômodo, mas agradável e natural.

Isabella parecia estar dormindo, por causa dos olhos fechados e a respiração regular, mas eu sabia que ela estava acordada e atenta ao que acontecia ao nosso redor.

No meio do caminho para a base, eu vi uma Starbucks. Sem pensar, eu estacionei o carro em frente à loja.

Provavelmente sentindo o carro parar, a Swan abriu os olhos e me olhou com a sobrancelha arqueada, exigindo uma explicação.

Claro que ela iria querer saber onde por que eu havia parado. Eu não falei nada, apenas saí do carro e entrei na Starbucks.

Na loja, eu comprei um copo grande de capuccino de chocolate e uma caixa com dez donuts.

- Aqui está senhor. – a atendente me entregou a caixa e o copo.

- Obrigado. – eu falei dando uma nota de cem dólares – Pode ficar com o troco.

A atendente olhou arregalada para a nota e me agradeceu sorrindo. Não que eu não queria perder quase cem dólares, mas eu estava com pressa... vai que dá a louca na Swan, ela vai embora e me deixa aqui, no meio do caminho?

Eu saí da loja fui em direção ao carro.

- Para você. – eu falei para Isabella entrando no carro e fechando a porta – Imagino que você não comeu nada hoje.

Eu a entreguei a caixa com os donuts e o copo com capuccino. Ela pegou e abriu a caixa rapidamente.

- Acertou. – ela falou já devorando um donut – Não como nada desde ontem à noite.

Eu sorri satisfeito, dando partida no carro e fui dirigindo em direção à base.

- Quer um pedaço? – ela me ofereceu um donut.

Eu assenti. Ela colocou o donut perto da minha boca e eu o mordi.

- Eu adoro donuts. – eu disse.

- Eu também. – ela falou dando outra mordida – Quer mais?

- Não... eu comprei para você. – eu falei.

- A gente pode dividir... – ela falou enviando um pedaço de donuts na minha boca praticamente à força.

- Quanta delicadeza... – eu resmunguei mastigando.

Ela deu uma risada.

- Como se você não quisesse, Capitão... – ela respondeu.

Eu dei os ombros. Então, ela me deu um donut inteiro e pegou outro para ela.

Na verdade, eu comprei os donuts só para Isabella. Eu achava que não estava com fome, mas foi só ela começar a comer que eu percebi que eu também estava morrendo de fome... E agora eu estava comendo junto com ela.

Nós fomos comendo e conversando durante todo o resto do caminho.

- Ainda bem que eu comprei donuts a mais. – eu comentei quando estávamos quase chegando na base – Porque eu comi quase a metade.

- Eu não me importo. – ela falou dando os ombros – Minha mãe sempre enchia o saco para eu e meu irmão dividirmos tudo. Quer mais capuccino?

- Quero. – eu falei parando o carro para esperar o portão do estacionamento do prédio se abrir

Ela me entregou o copo e eu dei um gole.

- Valeu. – eu a entreguei o copo.

O portão se abriu e eu entrei no estacionamento, estacionando nas vagas reservadas para os ‘boinas verdes’.

Nós saímos do carro e entramos no elevador. Eu a observei detalhadamente. Ela ainda estava parecendo um zumbi, mas estava com um pouco mais de cor. Acho que a fome estava a deixando sem energias.

- Você parece um pouco melhor. — eu comentei.

Isabella se olhou no espelho por alguns segundos e deu uma risada com um pouco de sarcasmo.

- Se isso é melhor, eu não quero nem imaginar como eu estava Capitão. – ela disse.

- Da próxima vez, eu tiro uma foto para você, General. – eu falei brincando.

- Aí eu teria que te matar... – ela brincou dando os ombros – Sabe como é... evidências...

Eu dei uma gargalhada e ela me acompanhou.

- Obrigada pelo café da manhã, Cullen. – ela falou quando a porta do elevador se abriu no nosso andar.

Isabella imediatamente adotou uma postura mais firme e séria e entrou na base sem esperar a minha resposta.

...

Na base, estava tudo muito tumultuado por causa da traição de Royce. Pelo visto, a Major Weber também não sabia da emboscada e estava tão abalada quanto Mike.

- Vá tomar um banho Capitão. – Isabella ordenou.

Eu nem discuti e assenti, porque eu estava precisando mesmo de um banho. Rapidamente, eu fui para o banheiro e tomei um banho quente e relaxante.

Coloquei um uniforme limpo e fui em direção a sala de reunião. No caminho, eu encontrei com a Swan e o Hale.

Eles me pararam e a Swan me dispensou pelo resto do dia e me deu folga no dia seguinte.

- Tem certeza, General? – eu perguntei – Às vezes, eu posso ser útil aqui.

- Está questionando uma ordem minha, Capitão? – ela me perguntou com aquele jeito “sou eu que mando nessa porra”.

- Não senhora. – eu a respondi respirando fundo – Estou indo imediatamente.

Cara... era uma merda ser subordinado... ainda mais do cão da Swan...

- Bom descanso, boina verde. – ela falou e eu assenti.

Voltei para o banheiro e peguei as minhas coisas para ir embora. Depois, fui para a recepção e fiquei esperando pelo elevador.

- Edward. – Jéssica me chamou.

Puta que pariu... o que essa mulher queria agora??? Eu respirei fundo e me virei para olhar para ela.

- Oi Jéssica. – eu disse sem esconder minha impaciência.

- Eu... – ela começou a falar, mas parou e não disse mais nada.

- Você... – eu falei para incentivá-la a falar.

Ela respirou mais fundo, provavelmente para tomar coragem.

- Eu só queria como Mike está. – ela disse realmente preocupada – Eu perguntei para o Coronel Hale, mas ele não me respondeu.

Eu sorri. Mike ia gostar de saber que Jéssica estava preocupada com ele.

- Ele levou um tiro na perna. – eu falei e ela arregalou o olho de susto.

- Mas... ele está bem, né? – ela perguntou.

- Acho que sim. A Major Brandon chamou uma ambulância e ele foi atendido lá mesmo. – eu expliquei – Os paramédicos falaram que ele ia para o hospital só por precaução.

Ela sorriu, nitidamente mais aliviada.

- Obrigada Edward. – ela falou – E quando você for visitá-lo, diga que eu mandei um beijo.

- Pode deixar Jéssica. Eu falarei para ele. – eu falei rapidamente, pois o elevador já tinha chegado.

Eu saí da base e fui direto para a casa. Chegando ao meu apartamento, eu mal fechei a porta e já comecei a tirar a roupa. Eu estava exausto e só queria a minha cama.

Eu joguei minha blusa no sofá... o tênis no corredor... a calça na porta do meu quarto. Eu caí na cama só de cueca.

Não demorou nem um minuto e eu já estava dormindo.

...

No outro dia, eu passei no hospital para visitar Mike. Ele me contou que ficaria dois dias no hospital em observação.

Os médicos tiraram a bala e cuidaram do ferimento na perna dele. O problema é que ele precisou fazer transfusão, porque tinha perdido muito sangue.

Ele ficou todo satisfeito ao saber que Jéssica tinha perguntado por ele... eu percebi que ele estava gostando dela de verdade.

Depois do hospital, eu decidi ir visitar meus pais. Fazia dias que eu não falava com eles e eu estava com saudades.

No caminho para a casa deles, um jornal me chamou atenção. Eu parei na banca e comprei o jornal.

Mais uma vez os Boinas Verdes salvam os EUA: Traidor da pátria é morto pelos nossos heróis”.

Esse era o título da matéria. Eu li toda reportagem que contava sobre Royce e sua ligação com o Cordopatri. Tinham algumas fotos de Royce conversando com os Corodpatri e trechos de gravações de conversas telefônicas entre eles.

A reportagem exaltava o trabalho competente dos ‘boinas verdes’, afirmando várias vezes que eles eram a salvação dos Estados Unidos.

Eu bufei. Ninguém tinha a menor ideia do que tinha acontecido... porque na realidade, os ‘boinas verdes’ não eram tão heróicos assim.

Eu definitivamente não tinha nada contra eles. Só que o que eles fizeram com Royce não foi nem um pouco heróico, e sim sádico... não que eu me importasse com isso... porque o problema era o Royce... que se fudeu no final.

Eu joguei o jornal fora e fui para a casa dos meus pais.

Eu entrei na casa dos meus pais com a chave que eu tinha e fui direto para a sala.

- Mãe? Pai? – eu os chamei, mas ninguém respondeu de imediato. – Alguém em casa?

- Edward! – minha mãe gritou e veio da cozinha correndo para me abraçar – Pensei que você tinha se esquecido de nós, meu filho.

- Como se isso fosse possível. – eu falei ainda a abraçando.

Ela me soltou, mas ficou segurando minhas mãos.

- Seu pai está de plantão, mas chega daqui a pouco. – ela me avisou.

- Eu vou esperá-lo. – eu a comuniquei – Estou com saudades de vocês dois.

Ela sorriu.

- Então me faça companhia na cozinha. Estou preparando uma lasanha. – ela disse sorrindo.

- O que você não me pede chorando que eu faço sorrindo? – eu perguntei correndo até alcançá-la

Eu a carreguei até a cozinha, mesmo sob seus gritos e protestos.

- Me solta Edward! – minha mãe gritava – Eu sou sua mãe e estou mandando.

Eu a coloquei no chão, sorrindo.

- Isso é golpe baixo, senhora Esme. – eu falei me sentando no balcão e comendo o queijo que minha mãe estava ralando.

- Como estão as coisas nas Forças Especiais, meu filho? – ela me perguntou.

- Bem. – eu respondi dando os ombros.

Eu a contei sobre o que tinha acontecido com Mike. Claro que ela ficou preocupada com ele e disse que iria rezar por ele nas suas orações diárias. Contei a ela também sobre meu dia-a-dia e sobre as missões que tínhamos.

- E como vai aquela moça? – ela me perguntou mexendo o molho de bolonhesa.

- Que moça, mãe? – eu perguntei sem entender de quem ela estava falando.

- Isabella... – ela me respondeu.

- Bem... eu acho. – eu respondi meio evasivo.

- Eu gostei dela. – ela comentou como quem não queria nada, mas que conhecia minha mãe muito bem – Vocês formam um casal bonito. – ela completou.

Eu sabia que ela ia fazer algum comentário.

- Nós não somos um casal, mãe. – eu reclamei – Eu já te falei que ela é a General e minha chefe.

- Se você não quer contar para a sua mãe, tudo bem. – ela falou dramaticamente.

Eu mudei de assunto, perguntando pelo mais novo serviço dela. Ela estava decorando a nova casa de um senador.

Ela sempre amou seu trabalho, mas quando eles me adotaram, ela parou para se dedicar a mim e voltou a trabalhar somente quando eu fiz 18 anos.

Ela começou a contar animadamente sobre o trabalho e não voltou mais ao assunto da Isabella... para meu alivio.

Meu pai chegou em casa poucos minutos depois. Nós três almoçamos juntos e depois fomos para a sala conversar mais um pouco.

Passamos um tarde agradável juntos, quando percebi já era noite e eu estava louco para ir para casa e descansar mais um pouco.

Eu cheguei em casa e quando acendi a luz e paralisei. O que eles estavam fazendo na minha casa?

Emmett, Rose e Alice estavam sentados no meu sofá, como se estivessem no sofá de suas respectivas casas.

Corri os olhos pela minha sala e vi Isabella e Jasper na janela. Isabella estava de costas para mim e olhava para a janela. Jasper se virou e me olhou.

Eu fiquei parado, esperando alguém fazer alguma coisa... me matar ou torturar... ou sei lá o que....

- Nós queríamos explicar para você o que aconteceu na missão ontem, Cullen. – o Coronel Hale falou antes que eu pudesse falar alguma coisa.

Eu percebi que todos estavam nervosos e... sei lá... ansiosos, talvez. Rose e Alice pareciam ter chorado. Jasper e Emmett estavam com a expressão exausta.

Mesmo depois de tudo que eu havia visto, eu não tinha medo deles... era como se eles não representassem perigo nenhum para mim.

O que era estranho para caralho, ao se levar em conta que eles não só mataram um colega nosso, mas o torturaram cruelmente.

- Vocês querem explicar o porquê de vocês torturarem e depois matarem o Royce na missão de ontem? – eu perguntei.

Eles não poderiam ter feito aquilo com o Royce.. Nem mesmo se ele fosse um traidor. Existiam regras e leis que os ‘boinas verdes’ tinham que respeitar e cumprir.

Isabella bufou e Jasper colocou a mão em seu ombro, provavelmente a acalmando.

- Isso mesmo Cullen. – Jasper me respondeu – Queremos te explicar o motivo de termos matado Royce.

Mais uma vez eu olhei para todos.

- Bem... já que vocês estão todos na minha casa, eu sou todo ouvido. – eu falei.

Afinal, o que eu poderia fazer nessa situação? Eles já estavam na minha casa, em maior número e provavelmente armados.

E eu também queria saber o porquê de eles terem matado Royce... não que ele me fizesse falta, mas por curiosidade mesmo.

- Sente-se, por favor, Edward. – Rose pediu.

Eu hesitei. Eu não sentia medo deles, mas me sentar parecia demais.

- Nós só queremos conversar. – ela falou quase suplicante – Eu só para te explicar o que aconteceu... por favor...

Eu assenti e me sentei em uma cadeira, de frente para eles.

- Você nem estava na missão Rose. – eu falei olhando para ela – O que você pode me explicar?

- Eu sou a peça principal desse assunto. Deixe-me contar desde o inicio e você vai entender Edward. Tudo começou quando eu tinha quatorze anos. – Rose começou a contar, me olhando os olhos – Eu e Bella ficamos conversando em um parque depois da escola e acabamos perdendo a hora de chegar em casa. Já havia anoitecido e estava escuro. Para não chegarmos em casa ainda mais atrasada, cada uma seguiu o caminho para a sua respectiva casa.

Ela olhou para Isabella, que ainda estava de costas e olhava para a janela, mas não parou de contar a história:

- No caminho de casa, eu decidi ir pelo caminho mais curto e também o mais perigoso. Eu tinha prometido para Bella que não iria por aquele caminho, mas a pressa falou mais alto. Em uma rua estreita e deserta, eu vi um grupo de rapazes. Um deles falou que eu era linda e me pediu para parar.

Ela começou a chorar, mas continuou com a voz falhada:

- Eu tentei apressar o passo, mas em questão de segundos eles me alcançaram. Um loiro perguntou o que eu estava fazendo àquela hora na rua. Eu não respondi, com medo. Ele, então, me segurou pelos cabelos e tirou meu casaco com violência, o rasgando.

Rose parou para tomar coragem e continuou:

- Ele olhou meu corpo de cima a baixo e eu senti nojo da forma que ele me olhava. Ele disse que somente vadias ficavam na rua àquela hora e que certamente eu era uma. Depois, ele me jogou contra a parede e rasgou o meu vestido. Eu tentei evitar, mas levei um soco no rosto, para ficar quieta. Ele me levou para um galpão velho que ficava na rua onde estávamos.

Todos nós estávamos em silêncio absoluto, apenas a voz de Rose ecoava na sala.

- Resumindo... ele me estuprou. – ela falou com um fio de voz, como se revivesse tudo – Eu queria fechar os olhos, mas ele não deixava. Falava que eu tinha que olhar para ele. Para memorizar seu rosto. Para me lembrar dele para sempre. E eu me lembro... eu nunca me esqueci... eu fecho os meus olhos e ainda consigo vê-lo.

O Coronel McCarty a abraçou carinhosamente. Ela suspirou e continuou:

- Eu passei todos esses anos sendo assombrada por ele. Assustada ao andar na rua, ao ficar sozinha. Todos esses anos, ele me assombrou. Ele era um rosto sem nome... um fantasma do passado presente na minha vida.

Ela me olhava nos olhos e eu podia ver toda a dor que ela sentia.

- Até que quando estávamos vendo as fotos dos candidatos à boina verde, eu o vi novamente. – ela disse ainda chorando – Então, depois de anos, o rosto que me aterrorizava teve um nome... Royce King II.

Eu arregalei os olhos... caralho... era o Royce???

- Estávamos todos conversando e rindo dos candidatos a ‘boinas verdes’, que ninguém percebeu minha reação. Ou foi o que pensava. – Rose falou e olhou para a Swan.

Eu segui seu olhar e vi Isabella, que ainda estava na janela. Ela estava com as mãos fechadas em punho, visivelmente tensa com o rumo da conversa.

- Eu pedi licença e tomei um banho para tentar me acalmar. – Rose continuou – Depois, fui para o meu quarto e qual não foi minha surpresa ao ver Bella estava lá, esperando por mim.

Flashback On – ROSE

Eu acendi a luz e vi Bella sentada na minha cama. Eu a olhei por alguns segundos, mas antes que eu falasse alguma coisa, ela se adiantou.

- O que aconteceu Rose? – Bella me perguntou sem rodeios.

- Nada... – eu menti – Não aconteceu nada, ora.

Bella bufou irritada.

- Da próxima vez que mentir, tente fazer mais convincente. – ela falou sem paciência – Eu vou te perguntar mais uma vez: o que foi que aconteceu?

Eu me sentei na cama, ao lado dela. Eu não tive coragem de encará-la, então, fiquei olhando para as minhas mãos.

- Era ele. – eu falei sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

Eu não precisava dizer mais nenhuma palavra, pois ela sabia muito bem do que eu estava falando.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu chorava e Bella apenas olhava para o nada. Eu sabia que os pensamentos dela estavam longe do meu quarto.

Todos esses anos, ela sempre esteve ao meu lado. Toda a vez que eu acordava de um pesadelo. Todas às vezes que eu chorava. Todas às vezes que eu pensava em morrer... Bella sempre esteve ao meu lado.

- Certo. Então agora sabemos quem é o desgraçado. – Bella falou quebrando o silêncio.

- O que você quer fazer? – eu perguntei ansiosa e apreensiva ao mesmo tempo.

Ela me olhou intensamente e segurou as minhas mãos.

- O que você quer fazer, Rose? – ela me devolveu a pergunta.

- Eu quero vingança. – eu falei convicta sem nem pensar uma só vez.

Eu falei com tanta convicção que até me assustei com a veracidade das minhas palavras. Mas eu sabia... eu sabia que era a única oportunidade que eu teria de ter paz novamente. A única chance de acabar de uma vez por todas com esse pesadelo.

- Tudo bem. – Bella concordou sem hesitar nem por um segundo – Você quer sua vingança e a terá. Eu te prometo, Rose.

Eu coloquei a cabeça no ombro dela e ela me abraçou.

- Só não conte nada a Jasper, por favor. – eu pedi em prantos.

- Rose... eu não posso esconder isso dele. Por favor, não me peça isso. – Bella falou com certa angustia.

Eu a entendia. Eu sabia da ligação dela com meu irmão e sabia o quanto seria difícil para ela manter esse segredo dele.

- Bella, me prometa. Me prometa que você não contará nada para Jasper ou Emmett. – eu pedi... ou melhor... eu implorei.

Nesse ponto, eu já chorava completamente descontrolada.

Eu tinha medo do que eles poderiam fazer com aquele desgraçado. Fiquei com medo de que eles fizessem algo de cabeça quente e se prejudicassem.

Eu não podia deixar que ele estragasse ainda mais a vida das pessoas que eu amo. Afinal, eu já havia perdido Derek por causa dele.

- Me prometa Bella. – eu insisti soluçando de tanto chorar.

Bella suspirou derrotada.

- Eu prometo... pelo menos por enquanto. – ela falou – Mas eles terão que saber a verdade. A vingança é sua, Rose, mas todos nós estamos envolvidos nisso.

- O que você vai fazer? – eu perguntei.

Eu conhecia Bella muito bem. Eu sabia que ela já tinha um plano. E eu sabia que ele iria sofrer tanto quanto eu queria que ele sofresse.

- Vou selecioná-lo para o nosso treinamento. – ela disse com uma voz tão fria que eu estremeci.

Flashback Off – ROSE

Quando Rose acabou de me contar tudo, eu fiquei alguns minutos calado... tentando digerir toda aquela informação.

Caralho.... agora tudo fazia sentido.

Então eu me lembrei do jeito que Royce havia falado da Swan no treinamento, no dia que nós dois brigamos. Eu não havia gostado da maneira que ele tinha falado, à época eu não sabia o porquê... agora eu sabia o que era... o filho da puta era um merda de um estuprador.

Também me lembrei de que a Swan nunca o deixava ir à enfermaria. Tanto na fez que ele apanhou dela quanto na vez que eu o bati.... Era óbvio que Isabella não o queria perto de Rose... e com razão.

E mais. Ele nunca pareceu ser competente, mas sempre conseguia completar as atividades com sucesso e nunca estava muito machucado, como o resto de nós.

- Mas ele era da máfia? – eu perguntei me lembrando das fotos e da matéria do jornal – O que ele fazia com os Cordopatri?

- Ele nunca foi da máfia. Nunca teve uma ligação sequer com os Cordopatri. Ele não era inteligente para ser um espião! – Isabella falou pela primeira vez ainda de costas para mim – Apenas queríamos que a memória dele ficasse suja para sempre. A morte seria pouco para aquele desgraçado... e nada mais perfeito que ser um traidor da pátria.

- Nós só descobrimos quem era Royce no meio do treinamento. – a Major Brandon falou – Quando Bella contou a Jasper.

Então esse era a razão da briga que eu ouvi entre a Isabella e o Hale no treinamento??? Nossa... isso explicava muito... explicava a briga dos dois e o motivo do Coronel estar com tanta raiva... e também explicava o desespero de Rose...

- Depois que você deu uma surra nele, nós percebemos que ele tinha se interessado por Bella. – Jasper contou – Então, ela passou a fingir que estava interessada nele. Nós não queríamos que ela fizesse isso... era muito arriscado, mas ela insistiu e nós acabamos cedendo... ainda que preocupados.

A Swan bufou, inconformada. Ela se virou, me encarando pela primeira vez.

- Eu disse a ele que estava apaixonada por ele. Ele, claro, acreditou. Depois de alguns dias, eu falei que tinha uma missão importantíssima e só confiava nele para cumpri-la. – ela me explicou sem paciência – A missão seria ele se envolver com a Cordopatri. O idiota caiu feito um patinho. Foi então que conseguimos as fotos e as gravações de voz.

Então... todas as vezes que eu escutei o Hale e a Swan conversando... era sobre o Royce?

- Você fingiu estar interessada por ele somente para incriminá-lo? – eu perguntei e ela assentiu – Nossa! Que ideia maquiavélica.

- Ideia da Bellinha. – o Coronel McCarty falou.

- Edward... nós gostaríamos de te agradecer. – o Hale disse – Por ter ajudado Bella ontem com os últimos detalhes da nossa... missão.. Estamos em dívida com você.

Rose me olhou. Ela se levantou e se ajoelhou perto de mim.

- E eu gostaria de te pedir uma coisa... por favor, não fale nada para ninguém. – ela pediu segurando as minhas mãos – Eles estavam apenas me ajudando. Eu quis a vingança. Mas me entenda... eu quis ter paz depois de tantos anos.

Seu olhar era de puro desespero.

- Não se preocupe Rose. – eu falei com sinceridade – Eu não vou falar nada para ninguém.

- Obrigada. – ela disse e me abraçou.

Eu a abracei meio sem jeito. Eu não era bom nesse negócio de abraço e tals... mas ela ainda chorava.

- Acho melhor pegar um copo de água para você se acalmar. – eu ofereci.

- Nada disso. – McCarty falou – Nós vamos sair para comemorar. Afinal, depois de anos, temos paz novamente.

- E você vai com a gente. – Rose falou – Eu faço questão.

- Acho melhor não. – eu falei.

- Qual é Edward! – o McCarty falou – Vamos, cara!

- Nós fazemos questão. – a Major Brandon falou.

Eu não tinha muita alternativa a não ser concordar... então, eu concordei e saímos da minha casa.

Nós fomos para o bar que a Isabella tinha me levado no dia que eu surtei e bati no Hale. Sentamos em uma mesa e logo o garçom que tinha atendido a mim e Bella no dia, John, chegou.

- Boa noite meus soldados favoritos. – ele nos cumprimentou brincando.

- Boa noite John. – o Hale o cumprimentou.

- O que vocês vão querer, soldados? – ele perguntou.

- Uma garrafa de tequila, sal, limão e seis copos. – a Swan pediu.

- Sim senhora, Capitã. – ele falou — Seu pedido é uma ordem!

Ela fez uma careta e eu ri. John olhou para mim sorrindo.

- Bom vê-lo novamente Capitão. – ele disse para mim – Achei que não tinha gostado do meu bar, porque não voltou mais.

- Não... eu adorei... – eu falei – Mas estive um pouco sem tempo.

- Ótimo então! Uma tequila saindo agora. – John falou e saiu.

- Não sabia que você conhecia o bar. – a Brandon comentou.

- Eu vim aqui uma vez. – eu respondi.

- Sozinho? – a Brandon perguntou.

- Não... – eu respondi.

- Com quem então? – ela perguntou – Para você conhecer John e ele te chamar de Capitão, tem alguma estranha nesta história... porque ele só chama a Bella de Capitã e o resto de nós, ele chama de soldado...

Eu me mexi incomodado na cadeira. Eu estava meio sem graça, porque eu não sabia exatamente o que falar.

- Ele veio comigo Alice. – Isabella falou – Agora deixe o Cullen em paz.

A Major riu baixinho, satisfeita.

Um garçom, que parecia estar servindo mesas pela primeira vez na vida, se aproximou da nossa mesa trazendo a tequila, os copos, o sal e o limão, mas ele olhava somente para Isabella.

Ele colocou a garrafa de tequila, os copos, os limões e o sal na mesa sem tirar os olhos da Swan.

- Posso ajudá-los em mais alguma coisa? – ele perguntou galanteador, ainda encarando Isabella.

- Pode. – ela falou olhando para ele, que sorriu mais ainda.

- Como posso ajudá-la, gatinha? – ele perguntou.

- Sumindo da minha frente. – ela respondeu friamente.

Ao ouvir aquelas palavras em um tom tão frio da linda mulher a sua frente, ele perdeu a pose de galã de quinta categoria.

Então, ele assentiu e saiu quase tropeçando nos próprios pés. Eu não conseguir segurar o riso e comecei e rir, sendo acompanhado de todos.

- Você assustou o garçom novo, Bella. – Jasper falou.

Ela deu os ombros.

- Detesto homem fraco. – ela falou seca e todos riram.

- Deixa a Bella em paz, Jazz. – Alice falou – Mania de criticá-la.

- Eu não estou criticando. – ele se defendeu.

Alice então se sentou no colo de Jasper e o beijou. Eu arregalei os olhos e olhei para a Swan.

- Oh! Você também achou que Jasper e Bella tinham um caso? – Emmett perguntou gargalhando, por causa da minha reação.

Eu dei os ombros. Claro que eu achava... até ela me falar que não.

- É. – eu respondi – Por um tempo eu achei que os dois eram namorados, sei lá...

Alice me olhou e sorriu.

- Todo mundo acha. Eu também achava. – ela confessou.

- Até o dia que ela ficou bêbada e quase me bateu, porque eu estava “roubando” o homem que ela amava. – a Swan falou debochada.

Todos riram na mesa e Alice corou.

- A culpa é minha se vocês viviam grudados um no outro? – Alice perguntou jogando um limão na direção da Swan, que desviou sorrindo.

- Eles ainda vivem grudados um no outro. – Emmett falou.

Jasper pegou uma mão de Isabella e a beijou. Eu me remexi incomodado. Eu sabia que não tinha nada a ver, mas ainda assim não gostava da proximidade dos dois.

- Bella é minha irmã tanto quando Rose. – Jasper declarou.

- Mas você bem que não pensava assim quando era noivo dela. – Emmett o alfinetou.

- Cala boca Emmett. – Isabella, Alice, Jasper e Rose gritaram ao mesmo tempo.

Jasper colocou a tequila nos copos.

- Ao fim de um pesadelo. – ele falou levantando o copo.

Todos nós levantamos o copo.

- Ao fim de um pesadelo. — falamos juntos, virando a tequila de uma só vez.

Notas finais
Ola pessoas...

Espero que tenham gostado.... proximos capitulo, Edward vai descobrir a versão da General sobre os fatos...

maya_maya, mirinha25 e NatalieOliver,
obrigada pelas recomendações... =) Eu realmente adorei cada palavra.... obrigada!!!!!

Bjos a todos e nos vemos quarta, no spoiler, e sabado no proximo capitulo!!!!!