Cosa Nostra

17 Capítulo 16: Raiva Guardada


Notas iniciais
Nos vemos lá em baixo... como sempre... =)

- Moleque... – Don falou sério – nós estamos precisando dos seus serviços com urgência.

- Eu preciso conversar com você e com Elizabeth antes. – eu falei de maneira seca.

Eu iria tirar a limpo essa informação de que Harry era informante da Cosa Nostra. Eu não tinha engolido essa merda dehistória e eu ia descobrir a verdade a qualquer custo.

- Edward, você sabe que é complicado nos encontramos. – Don respondeu hesitante – Você faz parte das Forças Especiais agora e nós temos que tomar cuidado redobrado. Nós não podemos dar mole não, moleque.

Eu bufei sem paciência. Eu nunca gostei desse papo de “te escondemos para te proteger”... agora menos ainda.

- Foda-se. – eu esbravejei – Eu quero conversar com vocês. E é urgente.

Eu escutei sua respiração acelerar pelo telefone. Provavelmente ele estava puto com minha falta de respeito... como se eu estivesse preocupado com isso.

- Tudo bem. – ele disse impaciente – Amanhã, às seis horas da manhã no Central Park. No lugar de sempre.

- Às seis, então. – eu concordei – Aproveite e leve os dados sobre o próximo alvo.

- Até amanhã, moleque... – ele despediu.

Ele desligou e eu joguei o celular na parede, o quebrando. Caralho! A Swan tinha acabado de fuder com as minhas noites... como se já não bastasse tanto segredo e mistério, agora eu descubro que ela sabia mais coisa sobre a minha vida do que eu mesmo.

Apesar de que não era culpa dela... e eu sabia disso. Os culpados eram Don e Elizabeth... e eu ia me ver com eles. Eu não duvidava que Tanya também soubesse... afinal, ela era o braço direito dos dois. E ela era mais filha deles que eu.

Eu tinha tanta coisa na minha cabeça... e o pior é que tudo me levava a Swan. Aquela maldita mulher! Ela estava colocando a porra do meu mundo de ponta cabeça.

Eu suspirei derrotado. Isso é que dar pensar com a cabeça de baixo.

...

No outro dia, eu acordei cedo. Eu tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans e uma camisa preta. Deixei um recado para Mike, o avisando que eu tinha saído.

Eu passei no Starbucks para tomar um café com leite e fui me encontrar com Don e Elizabeth.

Nós sempre nos encontrávamos em um dos lugares mais deserto do Central Park... por precaução. Quando eu cheguei, os dois já estavam lá, me esperando em pé perto de uma pedra enorme.

- Por que vocês nunca me contaram que Harry era um informante de vocês, porra? – eu perguntei assim que me aproximei deles.

Eu percebi que Elizabeth ia me dar um abraço, mas pela minha pergunta e meu tom de voz, ela apenas ficou parada no lugar, com os olhos arregalados. Segundos depois, lágrimas começaram a descer livremente pelo seu rosto.

- Como você descobriu? – Don me perguntou também espantado.

Pelo menos, eles não tiveram a cara de pau de negar. Eu dei um sorriso sarcástico.

- Ora, Don, eu sou um ‘boina verde’ agora. – eu falei – Eu sei de muita coisa.

Na verdade, eu não sabia de mais merda nenhuma, mas ele não precisava saber disso. Eu já não confiava neles... e depois do que eu descobri, agora que eu não confiava mesmo.

- Nos perdoe, meu filho. – Elizabeth pediu chorando.

- Não me chame de filho! – eu falei friamente – Esme e Carlisle são os meus pais. Vocês apenas me conceberam... e mais nada.

Elizabeth começou a chorar mais ainda. Don Edward me olhou com raiva, mas eu não me importei. Aquelas lágrimas não me comoviam nem um pouco.

- Não há necessidade de falar assim com a sua mã... com Elizabeth, Edward. – Don me chamou a atenção.

- Não? O que você acha que depois de quase vinte anos, você descobrir que foram seus próprios pais biológicos que te deixaram aos cuidados dos desgraçados que te espancavam? – eu perguntei descontrolado.

- Meu fil... Edward, por favor, entenda que... – Elizabeth tentou argumentar.

- Entender o que, porra??? – eu falei quase gritando – Vocês por acaso sabem quantas noites eu dormi pensando em me matar? Eu era apenas uma criança e já não queria viver! Tudo por causa daqueles filhos da puta! E vocês... – eu os olhei com toda raiva que estava sentindo – Vocês me entregaram de bandeja a eles! Eu sempre os culpei de me terem escolhidos naquela merda de orfanato... mas quando na verdade, os culpados sempre foram vocês!

- Se acalme Edward. – Don falou.

- Eu não vou me acalmar porra nenhuma! – eu esbravejei.

- Nos deixa explicar. – Elizabeth pediu chorando – Por favor. Só nos deixe explicar.

Eu respirei fundo, fechei os olhos e passei as mãos pelo meu cabelo, me despenteando ainda mais. Eu respirei fundo mais uma vez.

- Podem falar. – eu disse abrindo os olhos.

- No seu primeiro ano de vida, nós pagávamos à diretora do orfanato para não deixar ninguém te adotar. E o nosso trato estava dando certo... mas a direção mudou e a nova diretora não era confiável. Nós tivemos medo de um estranho te adotar. Se isso acontecesse, nós perderíamos o contato com você... e nós não queríamos isso. – Don contou – Harry não era da Organização. Ele era apenas um informante. Foi a única forma que encontramos de ter você por perto.

- Por perto? – eu ri com raiva – Por perto? Onde estavam vocês quando aqueles malditos me espancavam? – eu perguntei.

- Nós não sabíamos. – Elizabeth disse chorando – Nós acreditávamos que você estava bem. De vez em quando Harry tirava uma foto sua e nos dava. Você parecia estar bem.

- Assim que você nos contou, nós os fizemos pagarem amargamente por cada vez que eles o tocaram. – Don disse com raiva estampada em seus olhos – Nós nos vingamos. Eu juro que nós nos vingamos. Eu mesmo me certifiquei disso.

- Vocês esconderam isso de mim durante esse tempo todo! – eu exasperei – Por que, caralho?

- Eu tive medo. – Elizabeth falou e olhou para o Don – Nós tivemos medo de você não reagir bem... de nos culpar... exatamente como você está fazendo agora...

Eu passei a mão pelo meu cabelo nervosamente. Que porra de vida!

- Eu tenho que ir. – eu falei olhando para o relógio e mudando de assunto – Vocês trouxeram os dados do próximo alvo?

Don me passou um envelope pardo e eu o abri. Tinha uma foto do alvo e sua rotina detalhada.

- Ele é um policial metido a esperto. Peter Benson. – Don me detalhou – Cismou que quer mais propina... ou vai nos denunciar... e você sabe que eu não aceito chantagens.

Eu apenas assenti. O cara realmente era um babaca em pensar em chantagear um mafioso... fala sério... Burrice mandou lembranças.

Dei uma lida rápida no relatório... o imbecil estava envolvido com puta e todo dia ia a um mesmo bar, cuidar dos “negócios”. Seria fácil demais acabar com ele.

- Tudo bem. – eu falei – Eu cumprirei a missão o mais rápido possível.

- O dinheiro já está na sua conta. – Don falou.

- Ótimo! – eu disse – Já está na minha hora.

Eu já estava me virando para ir embora.

- Edward, por favor, nos perdoe. – Elizabeth pediu me segurando pelo braço.

Eu olhei para a mão dela segurando meu braço e depois para ela.

- Você não sabe o quanto eu me culpo por tudo de ruim que aconteceu com você. – ela disse aos prantos – Mas infelizmente, eu não posso voltar no tempo. Acredite em mim... eu acreditava que você estava bem. Eu acreditava...

- Eu tenho que ir agora. – eu falei me soltando dela – Estou atrasado.

Eu me virei e saí andando. Por alguns passos, eu ainda escutei o choro abafado de Elizabeth.

Eu entrei no carro e bati com a minha cabeça no volante com força. Merda! Merda de vida! Merda de infância! Merda de pais biológicos!

Eu acreditava que Don e Elizabeth não sabiam dos abusos que eu sofria... mas ainda assim eu os culpava... era involuntário.

Eu escondi o envelope debaixo do tapete do meu carro, liguei o radio no volume máximo, para evitar pensar merda, e fui para a base das Forças Especiais.

Eu cheguei à base dos ‘Boinas Verdes’ em poucos minutos e estacionei na garagem do prédio. Peguei o elevador e fui para o 12º andar.

- Bom dia Edward. – Jéssica me cumprimentou sorrindo sensualmente.

Ela saiu correndo de trás da mesa dela e parou na minha frente, de repente.

- Bom dia. – eu respondi mal humorado, parando antes de trombar com ela.

- Você precisa de alguma coisa? – ela perguntou se inclinando na minha direção, me mostrando seu decote.

- Não obrigado. – eu falei totalmente sem paciência – Agora, me dê licença, eu estou atrasado.

Eu dei um passo para o lado, para passar por ela, mas ela deu também um passo, me impedindo de passar. Eu bufei.

Com certeza, hoje não era um bom dia para mim... e eu não estava com saco para agüentar essa vagabunda me dando mole.

- Claro, lindinho. E se precisar de qualquer coisa, eu estou a sua disposição. – ela disse e deu uma piscada – Qualquer coisa mesmo.

- Eu tenho certeza que ele já entendeu seu recado, Jéssica. – a Swan falou – Não é mesmo Capitão?

Eu olhei para trás e vi a Swan chegando. Ela usava uma calça jeans apertada, uma camisa azul colada no corpo e os cabelos soltos, o que era uma raridade. Ela estava linda.

- Entendi sim senhora. – eu respondi a agradecendo pelo olhar por me salvar da Jéssica.

Jéssica arregalou os olhos com medo e deu dois passos para trás, abrindo caminho para eu passar. Eu ri internamente. Cara, a Swan era foda. A mulher botava medo em todo mundo.

- Está atrasado, Capitão. – ela falou enquanto passava por mim e por Jéssica – E você, Jéssica, volte para sua mesa e não quero escutar mais nem um cacarejo.

Eu ri baixinho. Ela entrou na base e eu fui atrás dela. Nós dois entramos no banheiro, que era misto.

- Por nada Capitão. – ela falou abrindo seu armário, sem me olhar.

Eu a segurei pelo braço, me forçando a olhar nos meus olhos.

- Obrigado, General. – eu falei – Hoje eu não estou em um bom dia.

Ela apenas assentiu e entrou em uma das seis cabines para se trocar.

Eu troquei de roupa e fui treinar. Eu fiquei calado durante todo o dia. Pensando em Harry e em Sue. Tinha sido bom eu ter falado com a Swan sobre o que tinha acontecido quando eu era criança... mas eu ainda estava incomodado. Era como se tudo que eu tivesse guardado tivesse vindo à tona... e com força total.

À tarde, tivemos aula de luta livre. O professor nos mostrava as técnicas da luta... nos explicava como bater e onde bater. Foi uma ótima aula. Nós lutávamos com os sacos de boxe.

No final da aula, nós tivemos que lutar uns contra os outros. Eu fui com o Coronel Hale.

Eu nem esperei que ele me atacasse e já dei um chute no rosto dele. Ele deu um passo para trás e eu parti para cima dele. Eu dei um soco de direita na costela dele e um soco de esquerda no rosto.

Ele me deu um soco no rosto, mas eu nem senti. Eu percebi que ele havia aberto a guarda e dei uma rasteira nele. Ele caiu de costas no chão e eu subi em cima dele.

Eu comecei a dar socos incessantemente no rosto dele. Ele tentava se defender, mas era inútil. Eu apenas socava e socava.

Eu não pensava em nada. Eu só sentia. Sentia toda aquela raiva extravasar.

Até que eu senti que estava me afastando dele. Eu olhei para os lados tentando entender o que estava acontecendo e percebi que eu estava sendo carregado pelo Coronel McCarty e pelo Royce.

Eles me colocaram do outro lado da sala. A Swan estava agachada olhando se o Hale estava bem. Depois de alguns segundos, ela veio na minha direção.

Eu olhei para o Coronel e vi que ele já estava em pé, provavelmente indo para a enfermaria com a Major Brandon. Ele estava sangrando aos montes. Puta que pariu!!! O que eu tinha feito?

- Tudo bem, Capitão? – ela perguntou.

Eu assenti ainda desnorteado com o que tinha acontecido.

- King, McCarty, os senhores estão liberado. Podem ir. – ela ordenou sem tirar os olhos de mim.

Eles assentiram e se afastaram imediatamente.

- Está tudo bem, Capitão? – ela perguntou novamente.

- Eu me descontrolei. – eu a respondi – Eu não queria machucá-lo. Eu não estava pensando... eu só agi. Eu não sei o que aconteceu.

- O senhor não pode se deixar levar pelas suas emoções, principalmente a raiva. – ela disse – Vá para a casa. Descanse. Tome um banho frio para acalmar. Nós nos vemos amanhã.

Eu apenas assenti, sem falar nada. Ela se virou para ir embora.

- General. – eu a chamei e ela parou e me olhou.

- Peça desculpas ao Coronel Hale. – eu falei – Diga a ele que não foi minha intenção.

- Sim senhor, Capitão. – ela falou e foi para a enfermaria.

Eu tomei um banho rápido na base mesmo e saí de lá. Eu rodei com meu carro por uns quinze minutos. Eu não queria ficar sozinho com os meus pensamentos.

Até que decidi ir para o bar, onde o meu alvo freqüentava. Era um local sujo para caralho. Eu me sentei no balcão e pedi uma cerveja para o barman. Ele me entregou a cerveja e foi fazer outra coisa.

Eu dei um gole da cerveja, que não estava gelada, e uma loira se aproximou de mim.

- Ei gato! – ela falou chamando a minha atenção.

Eu a olhei de cima a baixo. Ela usava uma blusa colada, rasgada na barriga e uma mini saia. Nossa... dava para ser mais vulgar?

Eu me assustei com o meu pensamento... mas o que eu estava pensando??? A regra sempre foi: quanto mais vulgar, melhor!

- Oi – eu respondi sem vontade.

- Posso saber o que um cara gostoso como você está fazendo aqui, sozinho? – ela perguntou passando a mão pelo meu peito.

- Não pode não. – eu falei sem pensar.

Mas que porra estava acontecendo comigo? Eu realmente estava dispensando uma transa fácil?

Ela deu os ombros, sem se importar com minha falta de educação.

- Se mudar de ideia, estarei naquela mesa, gato. – ela falou sem perder a pose, apontando para uma mesa.

Eu olhei em direção a mesa, que estava cheia de mulher vestida do mesmo jeito dela, e assenti sem olhar para ela novamente.

Ela se distanciou e eu voltei minha atenção para a minha cerveja. Minutos depois, meu alvo entrou no bar, acompanhado de uma mulher que com certeza era uma puta. Ele se sentou em uma mesa e pediu uma dose de whisky para ele e um Martini para a puta.

Ele tinha toda pose “eu sou fodão”... mas não passava de um idiota de um pau mandado. Pelo jeito, seria fácil demais matar esse idiota.

Ao longo dos anos, eu já sabia quando seria fácil matar alguém ou não. Quanto mais preso à rotina o alvo era, mais fácil minha missão se tornava.

Eu me lembrei de como foi difícil até seguir a Swan. Ela não tinha uma rotina fixa, o que dificultava eu segui-la. Por isso, eu tive que segui-la por um mês inteiro.

Já de saco cheio daquele bar de quinta categoria, eu paguei minha cerveja não terminada e fui embora.

...

Cheguei ao meu apartamento casa e vi que a Swan estava na minha porta. Ela estava usando a mesma roupa de quando eu a vi na manhã: uma calça jeans apertada e uma camisa colada azul, mas seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo. Ela ia bater campainha quando eu me aproximei.

Ela percebeu minha aproximação e se virou, me olhando.

Eu fiquei a olhando, esperando que ela contasse o que ela estava fazendo na minha casa. Eu nem ia perguntar como ela sabia meu endereço, porque eu já sabia a porra da resposta.

- Você disse que não estava tendo um bom dia e, depois do que aconteceu no final da tarde, eu pensei que você podia querer companhia. – ela falou.

- Claro. – eu falei – Você quer entrar?

- Eu preferia ir para outro lugar. – ela respondeu.

Eu assenti. Nós fomos no carro dela, que era um BMW X5. Nós fomos para um bar de rock, que ela sugeriu. Era um bar tipicamente dos anos 70. Na jukebox velha, tocava Led Zeppelin. Nós sentamos em uma mesa afastada.

- Ei Johnny. – ela cumprimentou o garçom que se aproximou da nossa mesa – Duas cervejas.

- Duas cervejas. É pra já. – ele disse sorrindo e se afastando.

- Gostei do bar. – eu comentei.

- É um dos meus lugares favoritos. – ela falou.

O garçom chegou com a nossa cerveja.

- Aqui está capitã. – ele falou as colocando na mesa.

- Valeu Johnny. – ela agradeceu.

Ele sorriu e foi atender outra mesa. Eu olhei para ela com a sobrancelha arqueada.

- Capitã? – eu perguntei rindo.

Ela deu os ombros.

- Eu já tentei explicar para ele que eu era general, mas como você viu, não adiantou. – ela falou – Ele diz que eu tenho cara de capitã.

- Você vem sempre aqui? – eu perguntei.

- Eu vim à primeira vez aqui no meu aniversario de 18 anos. – ela contou – Jasper tinha feito uma festa surpresa para mim... e desde então, eu venho quase toda semana.

Eu me remexi incomodado. Aquela história dela com o Coronel Hale ainda estava meio estranha para mim.

- Eu ainda não entendo bem seu relacionamento com Jasper. – eu comentei como quem não queria nada.

- O que você quer saber, exatamente? – ela perguntou.

- Eu queria saber mais sobre a história de vocês. – eu falei.

Ela me olhou com certa curiosidade.

— Por quê? – ela perguntou – Por que tanta curiosidade sobre meu relacionamento com Jasper?

Eu dei os ombros. Na verdade, eu não sabia o que responder. Eu apenas estava curioso... e só.

- Nossas famílias são amigas desde... bem, desde sempre... – ela começou a contar por causa do meu silêncio.

Eu já sabia disso porque Rose havia me contado. E ela continuou:

- E Jasper era melhor amigo do meu irmão. Os dois viviam sempre juntos... sempre aprontando com todo mundo. Eles eram como unha e carne.

Bem... disso eu não sabia. Eu só sabia que ela era muito amiga da Rose.

- Depois da morte do meu irmão, eu e Jasper nos tornamos mais próximos... mais íntimos. E com o tempo, acabamos nos envolvendo. Foi... natural... sei lá... simplesmente aconteceu. – ela disse – Depois de três anos de namoro, nós ficamos noivos. Foi quando ele me deu a aliança que você viu na minha gaveta. Nós fomos noivos por quatro anos.

- Por que vocês terminaram? – eu perguntei.

- Não dava mais para ignorar que ele era como um irmão para mim. – ela falou – Nós tínhamos confundido os sentimentos. Era cômodo estar com ele. Só. Não era amor homem-mulher. Era amor de irmão.

- E você percebeu do nada que ele era apenas um irmão para você? – eu perguntei.

- Não... o casamento já estava marcado... faltavam apenas dois meses. – ela respondeu – Nós já tínhamos comprado até apartamento. É onde eu moro, hoje.

- Faz muito tempo que vocês terminaram? – eu perguntei.

- Faz cinco anos. – ela falou – No dia que terminamos, o meu pai quase me matou de tanto bater. O sonho dele era me ver casada com Jasper.

- Ele te bateu? – eu perguntei.

- Bater não seria a palavra correta – ela respondeu – O verbo mais adequado seria espancar.

- O que? – eu perguntei espantado – Como assim?

- Eu desloquei a clavícula, quebrei o braço em dois lugares e torci o pé. – ela contou sem nenhuma emoção – Eu tive que me trancar no banheiro e ligar para o Jasper. Nesse dia, ele me salvou mais uma vez do General Swan. E desde então eu moro no apartamento que seria nosso.

Caralho... ela apanhava do pai? Era bem parecido com o que eu sofri com Harry e Sue... mas eu não queria me lembrar disso... não agora, pelo menos.

Nós conversamos sobre diversos assuntos. Era fácil conversar com ela. Nós gostávamos do mesmo estilo musical e dos mesmos filmes, apesar de concordarmos que cinema era perda de tempo.

- Eu sempre gostei de leis e jurisprudência. – eu estava contando a ela sobre minha faculdade – À época, eu não sabia o que fazer, então, decidi fazer direito. Foi bem legal... mas eu nunca tive vontade de advogar. Foi uma espécie de hobby. E você fez faculdade?

- Fiz sim. – ela respondeu – Apesar de toda reclamação do meu pai, eu fiz faculdade de educação física, mas meu foco sempre foi na carreira militar. Foi o que eu sempre quis.

Ela deu um meio sorriso e eu também.

Ela, então, começou a me contar sobre como ela entrou para o exército e como as pessoas olhavam para ela com preconceito, por ela ser mulher. Em nenhum momento ela lamentou nada. Ela apenas me contava os casos como se não tivesse importância o que as pessoas pensavam dela.

Durante, toda noite, a Swan nunca me perguntou sobre o motivo do meu dia estar péssimo ou nem me forçou a falar nada que eu não queria... o que eu internamente agradeci... porque eu realmente não queria falar sobre o assunto.

- Capitã – o garçom falou – Sem querer atrapalhar o papo de vocês, mas nós estamos fechando.

Eu olhei ao nosso redor e percebi que só havia nós dois no bar. As outras mesas já estavam com as cadeiras em cima delas.

Caralho... eu nem tinha percebido o tempo passar... muito menos as pessoas irem embora.

- Então, me vê a conta. – eu pedi.

- Pode deixar. – ela falou e olhou para o garçom – Johnny, põe na minha conta.

- Claro que não. – eu discordei.

- Eu convidei, eu pago, Capitão. – ela disse dando um ponto final à discussão.

Também com aquele tom de voz era impossível falar o contrário.

- Na sua conta então, Capitã. – o garçom falou – E voltem sempre.

Nós saímos do bar e fomos até o carro dela. Nós entramos no carro e fomos para a minha casa. Ela parou na porta do meu prédio.

Ficamos um tempo em silêncio. Eu queria agradecê-la, mas não sabia como.

- Até amanhã Capitão. – ela disse quebrando o silêncio – E de nada.

Eu sorri, pois eu sabia que não precisava mais agradecer. Ela já sabia que estava agradecido.

Eu olhei nos olhos dela. E não tive dúvidas sobre o que eu queria fazer. Eu me inclinei e a beijei.

Notas finais
Olá!!!!Vamos aos agradecimentos... analu16, Totalrob e Monikita... muito obrigada pelas recomendações... eu adorei!!!!! Muito obrigada mesmo...Então, pessoas, como eu voltei a trabalhar... eu estou com dificuldade para responder os reviews. Na verdade, ou eu escrevo o capitulo ou eu respondo os reviews... Então, para não deixar vocês esperando, eu prefiro escrever o capitulo... mas TODOS os reviews serão respondidos... sem falta!!!Eu adorei todos os reviews!!! Obrigada!!Bjosssssss