Cosa Nostra
4 Capítulo 3: Assassino da Cruz
Notas iniciais
Depois de dois anos cumprindo missões de menor importância, Don Edward me chamou para termos uma conversa pessoalmente. O que era estranho, porque ele e Elizabeth nunca se encontravam comigo, sob o argumento idiota de que poderia ser perigoso demais para mim.
Eu achava a preocupação deles excessiva e desnecessária, uma verdadeira idiotice, mas eles eram meus chefes e eu sabia que não devia contestá-los.
Eu fui para o Central Park na hora marcada. Já passava da meia noite. Nós ficamos de nos encontrar em um lugar ermo e escuro. Um esconderijo praticamente perfeito para criminosos.
Quando cheguei ao lugar que havíamos combinado, vi Don Edward me esperando. Ele estava de costas e usava um sobretudo preto e um chapéu preto, bem estilo mafioso mesmo. Às vezes eu pensava que ele realmente queria ser o Poderoso Chefão.
- Oi. – eu disse para Don.
Ele se virou e me olhou sorrindo.
- Ei moleque. – ele falou – Como está?
Ele sempre me chamava de moleque. No inicio eu ficava puto, mas agora, eu nem me importava mais.
- Bem. – eu respondi.
- E seu namoro com Tanya? – ele perguntou.
- Está bem. – eu respondi dando os ombros.
Naquela semana, Tanya havia descoberto uma traição minha. No inicio, ela tentou fazer um escândalo, mas depois se acalmou.
- Você deveria ser mais discreto nas suas escapadas. – ele me aconselhou.
- Ela sempre soube que eu não deixei de ter outras mulheres quando começamos a namorar. – eu respondi e Don Edward gargalhou.
Apesar de não amar Tanya, ela era minha amiga e eu sempre fui sincero com ela. Eu não era um homem de uma mulher só e ela sabia muito bem disso.
- Não vamos perder mais tempo. Precisamos de você na Organização. – ele falou ainda sorrindo, mas logo ficou sério – Você é um atirador nato. Sua precisão é impressionante. E eu não posso desperdiçar o seu talento. Tudo bem?
- Eu não estou entendendo Don. O que você quer de mim? – eu perguntei sem saber direito o que ele queria.
- Digamos que estamos mudando você de departamento. – ele disse sorrindo novamente – Você a partir de agora receberá missões mais complexas e mais importantes.
Então, Don Edward me explicou detalhadamente como seria minhas novas missões. Ele me explicou como eu deveria realizá-las e outras bobagens.
E assim, me foi designada a minha primeira missão realmente importante: assassinar um senador.
- Edward, seu alvo é Amun Kanope, o senador republicano. Esse desgraçado possui ligações com a Família Cordopatri e está prejudicando os nossos negócios. – Don Edward me disse.
Só para você saber, a Família Cordopatri é a uma organização mafiosa concorrente a Cosa Nostra. E já viu, né? Se envolver com a organização errada, o destino do imbecil só pode ser um: caixão.
- Aqui está tudo o que vai precisar. – Don Edward falou e me entregou uma mochila.
Eu a abri e vi armas e munição. Sorri. Eu amava armas. Realmente era a minha paixão.
- Confio em você, moleque. – ele se despediu sorrindo e se virou para ir embora.
Ainda fiquei alguns minutos no parque, mas logo depois fiquei com sono e decidi ir para a casa.
...
Depois de alguns dias, Eleazar me passou, por um celular descartável, todas as informações referentes a rotina do senador Amun.
Eu o vigiei por duas semanas somente para me inteirar de sua rotina mais detalhadamente. Nessas semanas, eu descobri que o nosso grande senador era freqüentador assíduo de um puteiro. Ele ia visitar “suas meninas” toda segunda e quarta-feira, depois de acabarem as reuniões no Congresso Nacional. Para não ser visto, ele sempre entrava pela porta dos fundos.
Então, em uma segunda-feira à noite, eu subi no telhado do prédio que ficava atrás do puteiro. Vi quando o digníssimo senador saiu de sua limusine e entrou pela porta dos fundos do puteiro. Eu sabia que em aproximadamente três horas depois ele sairia.
Abri minha maleta com tranqüilidade e montei minha sniper. Coloquei minhas balas personalizadas, afinal, o mundo tinha que saber o que acontece com aqueles que irritavam a Cosa Nostra.
Aguardei pacientemente meu alvo. Até que eu o vi sair do puteiro com uma puta em cada braço. Eu mirei com precisão na cabeça do senador. Respirei fundo e puxei o gatilho. Ele caiu no chão e as putas que estavam do lado dele começaram a gritar histericamente.
Um tiro certeiro na cabeça. Esse foi meu primeiro assassinato.
Guardei a arma na minha mochila e saí de lá como se nada tivesse acontecido. Eu sabia que demorariam a chamar a polícia, pois os assessores do senador jamais deixariam a mídia saber que ele foi morto em frente a um puteiro.
Eu cheguei em casa e quando acendi a luz, vi que meu pai estava me esperando sentado no sofá da sala. Nessa época, eu ainda não tinha saído de casa.
- Pai, me desculpe pelo horário. Eu estava estudando com uma colega e me esqueci da hora. – eu disse me desculpando.
- Tudo bem meu filho. – meu pai disse sorrindo para mim.
Ele se levantou e me abraçou carinhosamente.
- Eu sei que você tem segredos que não compartilha nem comigo nem com sua mãe. – ele disse baixinho, como se fosse um segredo nosso.
- Pai...
- E eu não quero te forçar a nada, filho. – ele me interrompeu – Mas saiba que se você quiser contar, quando quiser, eu e sua mãe estaremos sempre ao seu lado. E nunca se esqueça que nós jamais julgaríamos você.
Ele me deu um beijo na testa e foi para o quarto sem dizer mais nada. Eu fiquei alguns minutos parados, tentando assimilar tudo que meu pai havia me dito. Era estranho como se ele soubesse que eu estava fazendo algo errado.
Balancei minha cabeça tentando esquecer aquela conversa. Eu jamais poderia contar meu segredo para os meus pais. Era questão de segurança para eles.
Eu suspirei e subi para o meu quarto. Tomei um banho quente e relaxante, coloquei a calça de um moletom velho e me joguei na minha cama. Caí deitado de costas e coloquei o braço em cima da minha cabeça..
Pensei um pouco sobre o senador Amun e no que eu tinha feito. Eu tinha acabado com a vida de uma pessoa e não estava nem um pouco arrependido.
Eu sentia... nada. Simplesmente nada.
Foi nesse dia que eu descobri como a vida é frágil e como as pessoas são capazes de quase tudo. E mais. Eu descobri que eu era capaz de quase tudo.
Passados alguns meses e vários outros assassinatos desde a morte do senador Amun, a mídia começou a noticiar o aparecimento de um assassino da Máfia Cosa Nostra.
Como ninguém sabia quem era o assassino e a única pista eram as balas gravadas, passaram a chamá-lo de “Assassino da Cruz”.
Desde a morte do senador Amun, a minha rotina era essa: Eleazar ou Don Edward me passavam o alvo e algumas informações básicas. Eu o seguia por duas semanas e depois o matava, com um tiro único e certeiro.
Uma onda de pânico havia tomado conta de Nova Iorque, por causa dos assassinatos. Os jornais só falavam sobre esse assunto. A prefeitura estipulou um toque de recolher. As pessoas andavam na rua olhando para os lados, como se a qualquer momento poderiam ser assassinadas.
Era tudo muito engraçado, pois eu nunca me considerei um risco dessa proporção, mas o pior medo de todos era o não saber. Não saber quem era o Assassino da Cruz. Não saber como suas vitimas eram escolhidas. Não saber quando eu agiria novamente.
Meu pai, preocupado com tanta violência, me deu um spray de pimenta para a minha proteção. Irônico, eu sei. Eu até tentei negar, mas ele insistiu.
“É para a sua segurança, filho. Vai me deixar mais tranquilo”, ele disse, com um olhar preocupado. Se apenas ele soubesse que eu tinha um arsenal de armas no fundo do meu armário. Pior. Se ele soubesse que eu era o responsável por aquela onda de pânico.
Depois que eu fui morar sozinho, eu visitava os meus pais pelo menos duas vezes por semana. Geralmente, eu ficava com eles até a noite e depois ia atrás dos meus alvos.
Eles sentiam muita minha falta e eu também sentia falta deles. Minha mãe sempre preparava minhas comidas favoritas para me agradar e meu pai sempre lia algum artigo de Direito para discutir comigo. Eu era muito agradecido por eles terem me acolhido e aceito como um verdadeiro filho.
Depois de um tempo, como Assassino da Cruz, eu comecei a receber missões mais elaboradas ainda. Eu passei também a seqüestrar certas pessoas. O pior, ou melhor, é que era muito bom nessa porra.
Eu seqüestrava qualquer um, independente das dificuldades ou dos milhares de seguranças, e as entregava para Don Edward. Nunca deixei uma testemunha sequer. Também nunca deixei a pessoa seqüestrada me ver. Mas eu deixava a minha marca: eu sempre deixava uma bala de presente, para o mundo saber quem era o responsável pelo seqüestro.
Mesmo depois de formado em Direito, eu continuei a trabalhar para a Organização. Eu era muito bem pago para fazer meu trabalho. E eu o fazia muito bem. As ruas de Nova Iorque continuavam aterrorizadas com as mortes e seqüestros causados pelo Assassino da Cruz.
Cada ano que se passava o FBI, CIA e até mesmo a porra do exército ficavam mais desacreditados pela população, pois não conseguiam prender o tão famoso “Assassino da Cruz”.
Era ótimo ver aqueles idiotas vestidos de terno dando satisfações e desculpas furadas para a sociedade. Não sei quantas vezes eles prenderam um idiota como suspeito.
Mas a sociedade estava certa em me temer. Sem falsa modéstia, eu era um excelente assassino. Sempre matava meus alvos com um único tiro certeiro. E durante todo esse tempo, eu apenas falhei uma vez.
Flashback On
Eu havia sido designado para matar um capitão de merda e intrometido do exército, que estava muito próximo de descobrir alguns esconderijos terroristas da Organização.
Para mim, seria apenas mais um assassinato. Mas me surpreendi quando descobri que meu alvo na verdade era uma mulher. Uma capitã e não um capitão.
Geralmente meus alvos eram homens. Não que o gênero do meu alvo importasse para mim. Sinceramente, foda-se. Eu iria fazer meu trabalho de qualquer jeito.
Seu nome era Isabella Swan., mais conhecida como Capitã Swan. À época, ela tinha 22 anos, igual a mim e já era Capitã do exército. Ela deveria ser muito eficiente para ser promovida tão rápido assim.
Eleazar havia me passado toda a sua rotina. Diferentemente dos outros alvos, eu a acompanhei por quase um mês, porque seus horários eram sempre confusos e ela parecia não ter uma rotina muito regular propositalmente.
Não que eu reclamasse de ter que vigia-la por quase um mês. Afinal, ela era muito gostosa. Particularmente, eu achava que seria um desperdiço matá-la, mas eu era muito bem pago para concluir a missão sem erros.
Uma noite, por pura sorte minha e azar dela, eu estava passando pela frente do prédio dela quando a vejo saindo. Pela roupa que ela vestia, ela iria caminhar. Às vezes, ela tinha o costume de fazer uma caminhada pelo Central Park à noite.
Fui correndo até meu apartamento, que não era longe de onde ela morava e peguei minha maleta com a minha arma e minhas preciosas balas.
Fui até um local isolado do parque. Curiosamente, ela sempre fazia a mesma rota, então, eu sabia que ela passaria correndo por aquele local em poucos instantes. Eu me preparei e esperei pacientemente por ela. Minutos depois, ela entrou na minha mira.
Mas inesperadamente, ela se sentou em um banco. Ela nunca fazia isso, eu pensei. Mas nem me preocupei, porque ela não me veria, uma vez que eu estava muito bem escondido.
Só que eu conseguia vê-la perfeitamente. Aguardei até o momento certo. Ela estava definitivamente sob a minha mira.
Ela parecia presa em seus próprios pensamentos. Respirei fundo, mas quando fui apertar o gatilho, ela olhou para mim. Seus olhos castanhos eram penetrantes. Quando eu digo penetrantes, eu digo penetrantes de uma forma assustadora.
Eu sabia que ela não podia me ver, mas eu podia jurar que ela estava olhando dentro dos meus olhos. Eu tremi ao apertar o gatilho e a bala passou de raspão em seu braço.
Eu praguejei ao ver que tinha errado o alvo. Guardei rapidamente minha arma no estojo, a joguei na mochila e saí do parque correndo, antes que a policia fosse acionada.
Entrei em casa batendo a porta de raiva. Era a primeira vez que eu errava um alvo. Inferno! Peguei um celular descartável e mandei uma mensagem para Don Edward:
Não deu. Não sei como, mas errei.
E.A.
No outro dia, meu erro virou primeira página em todos os jornais: Assassino da Cruz erra seu alvo pela primeira vez.
Merda!
Don Edward não ficou muito satisfeito, mas disse que mais cedo ou mais tarde eu iria errar mesmo. Eu me dispus a continuar com a missão de matá-la, mas Elizabeth me disse que não seria necessário, pois a Capitã Swan havia sido designada para outro caso e acabou se afastando das investigações sobre a Cosa Nostra.
Flashback Off
Eu continuei com as minhas missões, sempre as executando perfeitamente. O meu erro havia ficado para trás.
Um pouco tempo depois de eu me formar na Universidade, Eleazar foi morto pela polícia em um confronto. Assim, Tanya assumiu o cargo de ‘sottocapo’ da Organização.
Por isso, somente Don Edward, Elizabeth e Tanya sabiam da minha existência. Nenhum outro membro da Organização sequer imaginava quem era o Assassino da Cruz.
Eu nunca fui à base da Organização. Afinal, não se pode confiar em ninguém e nunca se sabe quando a porra do FBI ou o exército estariam monitorando as atividades da Organização.
Mas eu sabia muito bem sobre todos que trabalhavam para a Organização. Eu sabia o ponto fraco de todos, pois como eu disse antes, eu não confiava totalmente em Don Edward, Elizabeth e nem mesmo em Tanya.
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