Cosa Nostra
30 2º Temporada - Capítulo 1: Me ajuda!
Notas iniciais
Boa leitura!!!!
Instintivamente, eu peguei minha arma e apontei para Isabella, que agora estava sentada na cama com uma arma apontada para mim.
Ela levantou o rosto, me encarando com a pose “sou foda” de sempre. Seu olhar era totalmente inexpressivo assim como todo seu rosto.
- Isabella... – eu falei com cuidado – Eu... eu preciso da sua ajuda.
Ela não falou e nem fez nada.
E ficamos assim: um apontando a arma para o outro, olhando intensamente um nos olhos do outro.
Ela sequer piscava. Seu único movimento era o subir e descer pesado do seu peito. Ela me encarava como se eu fosse um inimigo... o que, para ela, eu realmente era, especialmente porque eu estava com uma arma apontada para ela.
Sua arma estava apontada diretamente para o meu rosto. Apenas um movimento em falso e eu sabia que ela atiraria sem hesitar.
- Isabella. – eu a chamei com cautela tentando formular a melhor forma de falar com ela – Eu pre...
- Veio terminar o serviço, Cullen? – ela me interrompeu, perguntando com desprezo.
- Não. Claro que não. – eu neguei com toda convicção do mundo.
Em toda nossa convivência, matá-la nunca me passou pela cabeça. Isso nunca foi uma opção. Nem mesmo quando o desgraçado do Don mandou.
Ela arqueou a sobrancelha duvidando de mim. Com razão. Nem eu acreditaria em mim se estivesse no lugar dela.
- Só me escuta... por favor. – eu pedi.
Eu precisava provar a ela que eu não faria nenhum mal, então, eu levantei a mão livre em sinal de rendição e lentamente também levantei a mão que segurava a minha arma, a deixando apontada para o teto.
Ela seguia todos os meus movimentos com a maior atenção... nada passava despercebido pelo olhar dela.
Meu coração estava acelerado e a minha respiração descompassada. Eu sabia que se ela fosse me matar, essa seria a hora.
Mas era um risco que eu tinha que correr... afinal, ela era a única que poderia me ajudar a salvar meus pais.
Ficamos nos encarando por alguns segundos em silêncio. Eu só queria que ela acreditasse que eu não faria nenhum mal a ela.
Percebendo que ela não atiraria em mim, eu fui até o pé da sua cama o mais devagar que eu consegui, ainda com as mãos para cima.
Isabella acompanhava cada passo meu com a arma apontada diretamente para mim. Cheguei até o final da cama, longe dela, me inclinei e coloquei a minha arma lá. Voltei a ficar com a postura reta e levantei novamente a mão que antes estava com a arma.
- Por favor. – eu pedi mais uma vez olhando em seus olhos – Só me escute.
Eu não sabia se estava pedindo da forma certa. Eu não era acostumado a pedir as coisas para ninguém, mas eu esperava que ela me desse uma chance ao menos para me explicar.
Ela me olhou por algun segundos, provavelmente pensando no que fazer comigo.
- Escolha suas palavras com cuidado, porque elas podem ser as suas últimas. – ela me ameaçou ainda apontando a arma na minha direção – Você tem cinco minutos. Nem um segundo a mais.
Eu respirei um pouco aliviado e abaixei as minhas mãos. Uma chance. Era o que ela tinha me dado e era só o que precisava.
Pensei em pedi-la para não apontar mais a arma para mim, mas acho que estaria forçando demais a barra. Então, me concentrei a começar a contar a minha história.
- Eu tinha 13 anos quando descobri que Don e Elizabeth eram meus... – eu limpei a garganta e olhei para o chão enquanto contava a minha história -... meus pais biológicos. Isso foi um pouco antes de ser adotado por Esme e Carlisle. Eu sempre mantive minha origem em segredo. Eu sempre escondi deles a minha ligação com a Organização. Eu acho que no fundo eles sempre souberam que tinha algo muito errado comigo, mas nunca desconfiaram exatamente o que era.
Levantei minha cabeça e olhei para Isabella. Ela continuava imóvel, com a arma em minha direção.
- Comecei na Organização fazendo serviços leves. Levando carregamentos pequenos de drogas, roubando, cuidando de algum soldatti que estava dando problemas. – eu contei – Com o passar do tempo e pela minha habilidade no tiro ao alvo, passei a ser o assassino principal da Organização.
“Eu ainda me lembro meu primeiro assassinato. Foi o senador respublicano Amun Kanope. Eu o matei com um tiro certeiro na testa. Não senti remorso nem me senti culpado. Senti apenas a adrenalina correndo pelas minhas veias... e adorei a sensação. O risco de ser pego. O desafio de não errar. Era viciante.”
Eu dei um meio sorriso amargo. Por um tempo eu convivi tranquilamente com o fato de ser um assassino, mas hoje não. Eu mudei ou fui mudado por Isabella, não sei dizer ao certo. E hoje eu tinha vergonha de ser quem eu era.
- Ao mesmo tempo, Esme e Carlisle me conquistaram aos poucos e conseguiram a minha confiança. Eles me deram amor e apoio incondicional. E se tornaram meus verdadeiros pais. Não me importando se nosso vínculo não era de sangue. – eu continuei.
“Eu entrei no exército com a intenção de ser apenas o informante da máfia. Mas Tanya e Don percebendo que eu tinha me adaptado tão bem à vida militar, me deram ordens para ingressar nas Forças Especiais. A minha missão era só copiar o disco rígido. Nada mais. Só que as coisas se complicaram... você as complicou para mim”. – eu falei olhando em seus olhos.
Isabella me deu um olhar mortal e eu parei de falar.
- Você não me sensibiliza nem um pouco com esse discurso de quinta categoria. Diga uma vez por todas o que veio fazer aqui, Cullen. – ela disse parecendo estar sem paciência.
Limpei minha garganta e respirei fundo.
- Eles pegaram meus pais. – eu falei – A Cosa Nostra seqüestrou Esme e Carlisle. E eu não sei para onde os levaram.
Isabella deu uma risada irônica.
- Enganado pelos próprios pais? Estou morrendo pena do mafioso idiota. – ela disse com sarcasmo – Bem feito! Isso é para você aprender.
Eu fechei os olhos e passei a mão pelo meu cabelo. Eu merecia isso. E sabia disso. Mas a verdade quase sempre é difícil de se escutar.
- Eu sempre achei que tinha tudo sobre meu controle. – eu confessei – Mas achei errado. E sim. Fui enganado por Don e Elizabeth.
- E o que eu tenho a ver com isso? – ela me perguntou.
- Eu preciso da sua ajuda. – eu pedi – Só você pode me ajudar a salvá-los.
- Você é um traidor. Um assassino. Um filho da puta de um mafioso que não merece outra coisa a não ser a morte. – ela falou me olhando com raiva – Me dê um motivo para não acabar com a sua vida nesse momento.
- Eu te devolvo minha cópia do disco rígido. Eu ainda não o entreguei para Don. Eu te devolvo e ele não terá acessos às informações das Forças Especiais. – eu disse desesperado. Não pela minha vida, mas pelas dos meus pais.
Mais uma vez ela riu com ironia.
- Por acaso você chegou a ver o que você copiou do computador central? – ela me perguntou.
- Não. – eu respondi confuso com a sua pergunta – Eu não vi. Apenas copiei o conteúdo, que estava quiptografado.
- Pois você deveria ter verificado o que estava copinando. – ela disse com sarcasmo.
- Eu não estou entendendo. – eu falei – Como assim?
- Você realmente achou que a minha senha era “Derek”? – ela perguntou retoricamente – Céus! Você realmente deve achar que eu sou patética. A louca perturbada que vive a vida em torno da memória do irmão suicida.
Eu a olhava confuso. Muito confuso. Principalmente porque eu não sabia onde ela estava querendo chegar.
- Mas essa não era a sua senha? – eu perguntei – Eu acessei o computador com ela!
- Claro que não era! Isso lá é senha de se colocar no computador central das Forças Especiais? Mas não tem problema, porque qualquer senha que você chutasse, você acertaria. – ela disse com um sorriso debochado no rosto.
- Eu ainda não estou entendo. – eu falei mais para mim do que para ela.
- Ora, Cullen, você já foi mais esperto. – ela falou ironicamente – Eu deixei você entrar na sala e copiar, ou pelo menos achar, que copiou o disco rígido. – ela explicou com um tom de amargura.
- O que? Não! Eu copiei o disco rígido. Tenho certeza disso. – eu disse com firmeza.
Ela riu mais uma vez.
- O único programa que você copiou foi um dispositivo GPS que me permitiu rastrear todos os seus passos até agora. – ela disse me encarando friamente – Vejamos... após a sua fuga da base, você foi esteve no Atlantic Bank of New York, onde sacou uma boa quantia. Devo admitir que fiquei supresa com a quantia que você retirou. Eu acho que no final o crime compensa, não é mesmo?
Eu apenas a fitei ainda muito surpreso com tudo que ela me dizia.
- Depois, você parou em um motel barato de beira de esquina chamado My Motel. Algumas horas mais tarde, foi ao banco de novo, mas dessa vez, ao Bank of New York, onde sacou mais dinheiro. Em seguida, você foi para uma lachonete, onde ficou por aproximadamente quinze minutos. Depois foi para a praia em Long Island e ficou lá por horas e horas. E por fim, veio para o meu prédio. – ela citou todos os lugares que eu tinha ido desde que fugi.
Então ela sabia onde eu estava desde que fugi da base? Ela sabia que eu estava no apartamento dela? Por que ela não foi atrás de mim? Por que não me prendeu quando teve toda chance do mundo?
Ela se levantou e foi em minha direção, parando na minha frente. Ela me segurou pela gola da minha camisa com uma mão, pois a outra estava com a arma e me jogou contra a parede, me imoblizando com seu corpo.
A corrente elétrica traidora de sempre passou pelos os nossos corpos e seu cheiro me atingiu em cheio. Inferno! Minha vontade era de abraçá-la com todas as minhas forças, mas a pressão da sua arma no meu peito me fez desistir da ideia.
- Seu tempo está se esgotando. – ela disse perto demais de mim. – Eu quero um bom motivo para te ajudar ou adeus Cullen.
Eu a olhei nos olhos e sem pensar eu apenas comecei a falar. Era a hora da verdade, ou pelo menos parte dela.
- Eles não mercem isso... são inocentes. Eu juro que eles não sabiam de nada! E por minha culpa estão correndo risco de morrer na mão daqueles desgraçados. – eu desabafei com a voz falha. Respirei fundo e continuei, sentindo meu olho se encher de água – Isabella, eu já fodi com toda a minha vida, traí todo mundo ao meu redor e me culpo por imensamente por isso. Mas não quero ter a morte dos meus pais nas minhas costas. É demais para mim. Eu não posso... eu simplesmente não posso...
Isabella deu um passo para trás, se afastando de mim. Eu pisquei algumas vezes tentando não deixar as lagrimas caírem.
Ela se virou, foi até a cama, pegou a minha arma e deixou a sua na cama. Ela tirou o pente de balas, a jogando no chao e colocou a arma no seu short branco. Ela pegou sua arma novamente.
- Não estou fazendo isso por você. – ela disse – Mas por eles... que não mereciam ter se envolvido com pessoas sujas como você.
Ela me ajudaria? E pela primeira vez, eu me permiti ter esperanças que recuperaria meus pais.
Aliviado, eu apenas assenti, sem saber se a agradecia ou não. Mas achei melhor não. Ela ainda me olhava como se estivesse prestes a me matar a qualquer segundo.
- O que você sabe sobre o seqüestro? – ela me perguntou friamente.
Eu me sentei em sua cama e passei a mão pelo cabelo.
- Há aproximadamente uma hora eu recebi uma ligação da minha mãe no meu celular dizendo que uns homens tinham invadido a sua casa e tinham pegado meu pai. Ela estava nervosa, mas conseguiu descrever quem estava na casa. – eu expliquei – Pelas descrições foi James. Um assassi...
- Eu sei muito bem quem James é. – ela me cortou.
- Eu não sei mais nada. – eu falei desanimado – Só sei que James não faria nada sem a ordem de Don.
- Por que ele faria isso? – ela me perguntou – Por que Don sequestaria seus pais?
- Depois do que aconteceu na base, Don esperava que eu sumisse do mapa por algum tempo, ficando incomunicável. – eu contei – Seria a oportunidade perfeita para fazer algma coisa com meus pais, se ele quisesse.
- E por que você não sumiu? – ela me perguntou desconfiada.
- Eu ainda tinha assuntos para serem resolvidos aqui. – eu falei evasivamente.
Isabella me olhava como se soubesse que eu estava mentindo. Mas eu não admitiria que eu não iria embora por causa dela... para protegê-la.
- Então Don não sabe que você está ciente do seqüestro? – ela perguntou.
- Não. – eu afirmei.
- Ótimo. Me espere na sala. Estarei lá em cinco minutos. – ela disse sem emoção – E cuidado Cullen, porque se você fizer uma gracinha ou der um passo em falso, eu acabo com você na mesma hora.
Eu assenti mais uma vez e me levantei da cama, já indo em direção à porta para sair do seu quarto, fechando a porta do quarto.
Fui até a sala e me sentei no sofá. Respirei fundo algumas vezes. Ela me ajudaria. E eu salvaria meus pais. Eu tinha que salvá-los.
Fiquei pensando no que fazer. Em qual seria nosso primeiro passo. Em como agiríamos. Eu não tinha nenhuma pista a não ser de quem era o seqüestrador.
Em exatos cinco minutos ela apareceu na sala vestindo uma calça jeans e uma camisa preta dos ‘boinas verdes’.
- Vamos. – ela falou indo em direção a porta.
- Para onde estamos indo? – eu perguntei me levantando do sofá e a seguindo rapidamente.
Ela parou e se virou de repente para mim, me fazendo não trombar nela por muito pouco. E mais uma vez estávamos próximos de mais.
Ela parecia indiferente a minha presença, mas eu não podia dizer o mesmo. Ela mexia comigo de uma forma assustadora. Seria muito doentio da minha parte querer beijá-la?
- Se quiser a minha ajuda, vai ser do meu jeito. E sem perguntas, porque eu não confio em você. – ela disse me trazendo para a realidade.
Uma realidade em que ela me odiava com todas as suas forças.
Eu balancei a cabeça afirmativamente, mas ela não se moveu. Ficamos mais uma vez em silêncio. O mesmo silêncio, que era sempre tão bom, agora era tenso e pesado.
- Do jeito que você quiser. – eu falei, por fim.
- Ótimo. – ela disse com toda pose de general – Então vamos.
Descemos até o estacionamento do prédio e ela destravou o carro pelo alarme. Ela entrou no lado do motorista e eu, do passageiro.
Ela colocou o cinto de segurança e deu partida no carro, saindo do prédio. As luzes da cidade estavam acessas, iluminando a noite nova iorquina.
- Isabella... – eu a chamei.
- O que foi? – ela perguntou friamente.
- Obrigado. – eu falei baixo.
- Não me agradeça, porque não estou fazendo isso por você. – ela me respondeu prestando atenção no trânsito caótico de Nova Iorque e sem me olhar.
Eu queria argumentar que mesmo assim eu era agradecido, mas não me pareceu uma boa ideia. Com Isabella, menos era sempre mais.
Eu coloquei meu cinto de segurança e fiquei quieto no meu canto. Isabella dirigiu por alguns minutos e parou em um posto de gasolina.
- Fique aí e não ouse sair do carro. – ela mandou e saiu do carro sem me olhar outra vez.
Ela conversou rapidamente com o frentista, que parecia estar completamente intimidado por ela, e depois foi para a loja de conveniência do posto.
O frentista respirou fundo algumas vezes e só depois começou a encher o tanque de gasolina do carro.
Minutos depois, Isabella saía da loja de conveniência segurando dois copos e uma sacola de papel.
Ela acenou com a cabeça e sem rir para o frentista e veio em direção ao carro. Vendo que ela estava com as mãos ocupadas, eu me apressei e abri a porta do carro para que ela entrasse.
Ela entrou no carro e me entregou um copo, que eu percebi que era de café, e a sacola.
- A viagem vai ser um pouco demorada e eu não quero ter que parar de novo. – ela falou e tomou um enorme gole do café.
Eu abri a sacola e vi que ela tinha comprado alguns donuts. Eu peguei um e a entreguei. Ela pegou e deu uma mordida praticamente me ignorando. Ou melhor, me ignorando por completo.
Ela colocou o copo de café no porta copos do carro e o donut no seu colo. Então, ela ligou o carro e saiu do posto.
Peguei um donut e comecei a comer. Sem puder evitar, eu me lembrei do dia em que tínhamos dividido os donuts depois da missão que matou Royce.
Nem parecíamos às mesmas pessoas. Eu a olhava de rabo de olho e ela apenas ignorava a minha presença, como se eu nem estivesse no carro com ela.
Ainda dirigindo, ela comeu todo o donut.
- Quer mais um? – eu perguntei e ela apenas balançou a cabeça afirmativamente.
Eu a entreguei mais um donuts e peguei mais um para mim. E continuamos em total silêncio.
...
Nós estavamos na autoestrada há quarenta minutos. Somente os faróis dos carros iuminavam a estrada.
Eu percebi que Isabella estava tensa. Pelo canto do olho, eu a via segurando o volante com força desnecessária. Ela não tirava os olhos da estrada e dos retrovisores.
- Merda. – ela praguejou baixo.
E, de repente, antes que eu perguntasse o que estava acontecendo, ela acelerou o carro e entrou bruscamente em uma entrada a direita, saindo da estrada principal.
- O que aconteceu? – eu perguntei.
Ela estava com os olhos fixos no retrovisor. Dirigindo, ela abriu o porta luvas, pegou uma arma e me deu.
- O que está acontecendo? – eu insisti.
- Tem alguém nos seguindo. – ela disse pegando a sua arma em sua cintura.
Notas finais
Desculpa a demora, mas meu PC deu pau e eu tive que reescrever o capitulo....
Bjossssss
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