Cosa Nostra

41 2ª Temporada - Capítulo 12: Espera e... Angústia


Notas iniciais
Espero que gostem... Recados no final, eu realmente gostaria que vocês lessem!!!!
Boa leitura meu povo!
Bjos

Ele apontou a arma na direção de Isabella. Rapidamente, eu me coloquei na frente dela, abraçando-a com toda minha força e ficando de costas para Don.

Não demorou nem um segundo e eu escutei mais uma vez sua risada de prazer e um tiro longo e profundo... e em um instante, foi como se tudo o que eu tivesse vivido até aquele momento corresse e simplesmente evaporasse bem diante dos meus olhos.

- Eu te amo. – eu sussurrei no ouvido de Isabella.

Esperei alguns segundos e... nada. Absolutamente nada.

Eu não senti aquela ardência costumeira de quando se leva um tiro. Eu me concentrei tentando sentir algo... e nada. Só então percebi que eu não havia sido atingido.

Mesmo sabendo que era impossível o tiro ter atingido Isabella, pois eu a protegia totalmente com meu corpo, eu a olhei atentamente dos pés à cabeça... e nada também.

Ela estava ainda mais pálida, se era possível, mas não havia outro ferimento.

- Você está bem? – eu a perguntei.

Ela apenas assentiu e fechou os olhos se apoiando em meu peito. Rapidamente, ela levantou a cabeça e olhou por cima do meu ombro, suspirando aliviada.

Eu senti minha camisa molhada no abdômen. Era sangue. Passei a mão procurando por algum ferimento, mas não tinha nada. Percebi então que era por causa do ferimento de Isabella que não parava de sangrar. Minha camisa agora também estava suja com o sangue dela por causa do nosso contato.

Será que Don havia errado o tiro?

Então eu me virei e vi Don com os olhos arregalados e a boca aberta. Sua arma estava caída no chão, mas ele ainda mantinha a mão erguida no ar. Acima do seu peito havia um machucado que eu conhecia bem. Um tiro.

Ele levou a mão ao ombro machucado e fez uma careta de dor. Depois olhou para a mão, agora suja com seu sangue.

Atrás dele, Elizabeth estava com a mordaça caída ao redor do seu pescoço e o rosto sujo banhado por lágrimas. Ela ainda mantinha a arma em punho, apontando para Don.

Ele se virou lentamente e a encarou.

- Elizabeth? – ele perguntou descrente revezando o olhar entre ela e sua mão suja de sangue.

Ela não respondeu, mas um soluço alto escapou de sua boca enquanto as lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto.

- Acabou Don. – ela disse com a voz trêmula.

- Vo... você atirou em mim? – ele perguntou, mas ela não respondeu, apenas o olhou com um misto de dor e decepção.

Ele deu dois passos em sua direção, mas ela atirou novamente. Dessa vez em seu abdômen.

Um filete de sangue saiu de sua boca e ele caiu de joelhos. Elizabeth se aproximou dele sem largar a arma.

- Por quê? – ele perguntou com a voz falha olhando para cima.

- Você já causou destruição demais na vida de todos. Agora acabou, Don. – ela disse em prantos.

- Tudo que eu fiz foi por você... por amar você. – ele falou com dificuldade.

- Isso não é amor. É doença. – ela o respondeu fracamente.

- É a única forma que eu sei amar. – ele retrucou.

- Pois eu não quero esse amor! Não quero! Não depois de tudo que você fez ao nosso filho... que você fez a mim! – ela falou aos gritos e em prantos.

Então Don segurou a mão de Elizabeth que segurava a arma e a fez apontar para a testa dele.

- Eu não tenho motivo para viver sem você. – ele falou – Vamos. Acabe com isso de uma vez por todas.

- Eu te amo. – ela sussurrou e atirou mais uma vez, desta vez em sua testa.

E o corpo dele caiu sem vida no chão, aos pés de Elizabeth. Ela deixou a arma cair no chão e olhou para Don por alguns segundos, despedindo-se dele.

Eu estava simplesmente abismado. Eu olhava para a cena toda sem acreditar nos meus próprios olhos.

Mas que merda tinha acontecido ali?

De repente, Isabella se firmou em mim, segurando fracamente meu braço. Instintivamente eu reagi e a segurei junto ao meu corpo, mas eu ainda não estava raciocinando direito.

- Nós temos que levá-la para um hospital. – disse Elizabeth aflita, olhando para mim e depois para Isabella.

Eu assenti, mas não conseguia fazer nada. Parecia que meus pés estavam grudados no chão. Elizabeth correu na minha direção e me sacudiu.

- Agora, filho! Isabella precisa da nossa ajuda. – ela disse.

Só então eu acordei e concordei. Isabella. Eu tinha que levá-la a um hospital urgente.

- Traga o carro. – eu mandei e Elizabeth assentiu.

Ela entrou no carro, ligando-o e trazendo-o para perto de mim e Isabella. Eu peguei Isabella no colo e a coloquei no banco traseiro e entrei junto logo em seguida.

- Tente estancar o sangue enquanto não chegamos ao hospital. – Elizabeth disse arrancando o carro e cantando pneu com a manobra.

Eu tirei minha camisa preta, coloquei-a em sua barriga e segurei com força no local onde Isabella tinha levado o tiro. Era muito sangue e ela não parava de sangrar.

- Rose? – eu chamei pelo comunicador, mas não tive resposta.

Eu apertei meu comunicador e chamei mais uma vez por Rose.

- Nós perdemos sinal desde que paramos no acostamento. – Isabella disse fracamente, sua voz falhando miseravelmente.

Merda. Merda. Merda. Era só o que faltava.

- Edward... – Isabella disse em um sussurro quase inaudível.

- Shiiiii... fica quieta. Poupe sua energia. – eu disse tentando parecer tranquilo, mas acho que não deu muito certo, porque ela fez uma careta.

Ela então suspirou fechando os olhos e apoiou a cabeça em meu ombro.

- Abra os olhos, Isabella. – eu pedi.

Ela apenas balançou minimamente a cabeça negando.

- Abra os olhos, porra! – eu esbravejei e a sacudi.

E deu certo. Ela abriu os olhos.

- Chato. – ela reclamou e eu sorri sem emoção.

- Seja obediente pelo menos uma vez na sua vida e fique acordada. – eu pedi – Só até nós chegarmos ao hospital.

- Acho que não vai dar. – ela me respondeu baixo fechando os olhos novamente.

- Vai dar sim porra! Você não vai morrer! – eu falei tentando desesperadamente acreditar naquilo – É uma ordem, general.

Ela sorriu ainda com os olhos fechados. Elizabeth dirigia como uma louca, mas ainda era pouco.

- Não dá para ir mais rápido? – perguntei ríspido e impaciente.

- Estou indo até onde o carro aguenta. – ela me respondeu.

Então, eu senti Isabella desfalecer por completo nos meus braços.

- Isabella! – eu disse a sacudindo gentilmente – Acorda, Isabella! Acorda porra!

- Verifique a pulsação dela. – Elizabeth sugeriu parecendo estar angustiada.

Eu assenti e coloquei dois dedos em seu pulso. Sua pulsação estava muito fraca.

- Está fraca demais. – eu falei.

- Mas ela ainda tem pulsação. – Elizabeth disse me confortando – Foi apenas um desmaio.

Eu concordei e abracei forte Isabella.

- Você não vai morrer. – eu sussurrei em seu ouvido – Não vai... se você morrer, eu mesmo te mato.

Eu só esperava que ela pudesse, de alguma forma, me escutar.

Eu olhei pela janela e vi que já estávamos na cidade. Elizabeth avançou um sinal, fazendo alguns carros frearem bruscamente e buzinarem, e depois entrou em uma rua a direita. Era um hospital.

Ela entrou na entrada de emergência e parou o carro. Eu abri a porta do carro e tirei Isabella de lá o mais rápido que consegui.

Enquanto eu entrava no hospital, com Isabella desmaiada em meus braços, olhei para trás e vi Elizabeth fugir com o carro... mas eu não me importava. Eu só queria saber de Isabella.

- Alguém me ajuda! – eu gritei – Oficial ferido. Oficial ferido, porra!

Imediatamente, chegaram dois médicos.

- O que aconteceu? – um perguntou enquanto o outro media sua pulsação.

- Ela levou um tiro no abdômen. – eu informei.

Duas enfermeiras chegaram com uma maca e eu a coloquei deitada.

- Sala 02. – um dos médicos gritou e eles começaram a levar apressadamente Isabella para dentro do hospital.

- A pressão arterial 06 por 04. – uma enfermeira falou.

- Eu preciso de três unidades de sangue. Agora! – o outro médico gritou.

Eu os acompanhava correndo atrás da maca enquanto os via começar a efetuar os primeiros socorros em Isabella.

Eles já haviam cortado a blusa dela. O ferimento estava pior do que eu imaginava.

- O senhor não pode passar daqui. – uma enfermeira mais velha disse entrando na minha frente quando a maca passou por uma porta.

Eu parei bruscamente para não trombar nela.

- Posso e vou. – eu falei, mas ela me segurou com força.

- Não pode. – ela disse firme – Você só vai atrapalhar.

Eu me desvencilhei e dei um passo para lado olhando para dentro do corredor, pois a porta ainda estava aberta. A enfermeira também deu, entrando na minha frente de novo, mas eu continuei olhando para o corredor.

- Você quer que ela morra? – a enfermeira perguntou e só neste momento eu a encarei – Porque se você entrar, só vai atrapalhar o trabalho dos médicos.

Eu suspirei e assenti contrariado, vendo a porta se fechar na minha frente. Através do vidro da porta, eu os vi entrarem em uma sala de cirurgia com Isabella.

- Ela está em boas mãos, rapaz. O doutor Meyer é o melhor médico que eu conheço. – ela disse.

Passei a mão pelos meus cabelos e respirei fundo.

- Sente-se e tente se acalmar. – a enfermeira disse simpática – Eu vou arrumar uma camisa para você rapaz.

Eu assenti e deixei ela me guiar até uma sala de espera. Eu sentei em uma cadeira e levei minha cabeça até minhas mãos. Fechei os olhos.

Meu Deus... que nada aconteça com Isabella... por favor.

Eu sabia que eu não tinha muita moral com Deus e com certeza eu não era um dos seus filhos favoritos, mas Isabella não merecia morrer.

- Rapaz... – escutei a voz da enfermeira e levantei a cabeça, abrindo os olhos.

- Aqui está uma camisa e uma toalha para você se limpar. – ela falou me entregando uma camisa branca e uma toalha também branca.

Eu me olhei e vi que estava todo sujo de sangue.

- O banheiro é na primeira porta a esquerda. – a enfermeira me informou antes mesmo de eu perguntar.

- Obrigado. – agradeci e me levantei indo em direção ao banheiro.

No pequeno banheiro eu me olhei no espelho. Eu usava apenas a calça preta das Forças Especiais. Eu estava todo sujo de terra e sangue. Abri a torneira e enfiei minha cabeça debaixo.

A água gelada me fez estremecer um pouco, mas me deu um pouco de alívio. Depois eu joguei água no meu abdômen, peito, ombro e braço, limpando um pouco toda a sujeira.

Eu me enxuguei com a toalha e coloquei a camisa branca que a enfermeira tinha me dado.

Eu saí do banheiro e dei da cara com a enfermeira.

- Você é parente da policial? – ela me perguntou.

— Sou. – eu respondi imediatamente – E ela é a General das Forças Especiais.

Eu a corrigi sabendo que Isabella mataria a senhora se soubesse que ela estava a chamando de policial.

- Os médicos já começaram a cirurgia para remover a bala e tentar estancar a hemorragia. Sua esposa vai ficar bem meu rapaz. Confie em Deus. – ela disse sorrindo com compaixão.

Eu franzi o cenho. Esposa? De onde essa mulher tinha tirado isso?

- Eu sei reconhecer um homem apaixonado a quilômetros de distância. – ela se explicou e eu não a desmenti – Não se preocupe que eu o deixarei informado do que está acontecendo.

- Obrigado. – eu preferir não desmenti-la.

- Se quiser avisar algum outro parente, tem um telefone na recepção. – ela me informou e saiu.

Eu então me lembrei de ligar para Jasper. Eu não podia deixar todos sem saber o que estava acontecendo.

Ainda meio fora do ar, fui até a recepção do hospital, onde havia uma recepcionista loira, que lixava as unhas como se fosse a coisa mais importante do mundo.

- Com licença. Eu estou com a oficial baleada. – eu me apresentei – Eu posso usar o telefone? Eu preciso comunicar aos meus superiores o ocorrido.

Eu menti, com medo de ela negar.

A recepcionista parou de lixar as unhas, me olhou e sorriu de um jeito que me irritou profundamente.

- Posso ou não usar a porra do telefone? – perguntei sem me preocupar com educação.

Ela parou de sorrir instantaneamente e me entregou o telefone. Eu fui o mais distante que o fio me permitiu e disquei o número de telefone da sede.

- Isabella? – Jasper atendeu no primeiro toque.

- Jasper, sou eu, Edward. Isabella foi ferida e estamos no hospital. – eu falei de uma vez.

- O que? O que aconteceu, Cullen? Explique-se. – ele gritou do outro lado da linha.

- Isabella levou um tiro de Don no abdômen e nós estamos no hospital municipal. – eu expliquei.

- Já estamos a caminho. – ele respondeu e desligou o telefone.

Eu devolvi o telefone para a recepcionista e a agradeci sem olhar para ela.

- Eu preciso que o senhor preencha os dados da paciente. – ela disse me entregando uma ficha.

Eu assenti e peguei a ficha. Fui até as cadeiras e me sentei. Eu a preenchi com os dados que eu sabia e a devolvi para a recepcionista.

Fui para a sala de espera e alguns minutos depois, Jasper, Alice, Emmett, Rose e Mike entravam correndo pela porta da sala.

- Como ela está? – Jasper perguntou parecendo um louco.

- Eu não sei. Eles ainda não me deram nenhuma informação. Só sei que ela está em cirurgia. – eu falei derrotado.

Rose começou a chorar e Emmett a abraçou. Alice se sentou ao meu lado e Mike se aproximou de mim. Ele colocou a mão no meu ombro.

- Vai ficar tudo bem cara. Ela é foda. – ele disse.

Eu apenas assenti.

- O que aconteceu, Edward? – Alice me perguntou, chamando a atenção de todos os Boinas Verdes.

Eu me endireitei na cadeira e comecei a contar o que tinha acontecido. Eu falei cada detalhe para eles. Por mais que eu não quisesse lembrar, eles mereciam saber.

- Você fez o que pôde cara. – Emmett disse me consolando – Agora é esperar pelo melhor.

Jasper bufou, mas não disse nada, apenas ficou me observando de longe.

- Vai para a base tomar um banho Edward... e ver seu pai. – Rose sugeriu.

- Não! – eu falei rudemente, mas imediatamente me arrependi – Me desculpe, Rose, mas eu não vou sair daqui enquanto ela não sair.

Ela assentiu sorrindo fracamente.

- Como ele está? – eu perguntei.

- Bem. Ele está um pouco mais machucado que sua mãe estava, mas é só. – ela me contou – Ele está ansioso para te ver.

- Eu vou vê-lo. – eu afirmei meio incerto – Eu só preciso saber antes se Isabella vai ficar bem.

- Sua mãe pediu para dizer a você que não precisa se preocupar com eles. – Rose disse e eu assenti.

Jasper bufou mais uma vez e saiu da sala de espera. Passados alguns minutos, ele voltou visivelmente frustrado.

- Eles ainda não deram nenhuma notícia. – ele falou soltando o ar de uma vez só – E aquela incompetente da recepcionista só serve para lixar as unhas.

- Calma, Jazz. – Alice falou o abraçando – Ela vai ficar bem. Eu sei que vai.

Ele a abraçou também e descansou o rosto em seu pescoço. E por um segundo eu tive inveja dele. Inveja de ter alguém para apoiá-lo... para ficar ao seu lado incondicionalmente.

Depois de tanto tempo eu também tinha alguém assim. E ela estava passando por uma cirurgia complicada por minha causa.

Eu levei as mãos até meu cabelo e respirei fundo, soltando todo o ar em seguida. Ela não vai morrer. Ela não vai morrer. Ela não vai morrer.

A espera era angustiante. Eu olhava o relógio de minuto em minuto. Eu já tinha me sentado, levantado, andado em círculos, sentado novamente.

O silêncio na sala de recepção era tenso. Todos esperando por alguma noticia que fosse, mas ninguém dava nenhuma informação.

Não sei quanto tempo passou quando a porta se abriu e um médico entrou na sala de espera.

- Isabella Marie Swan? – ele falou.

Eu me levantei em um pulo e me aproximei dele.

- Como ela está, doutor? – eu perguntei.

- Você é algum parente próximo? – perguntou ele, e eu revirei os olhos pensando nessa merda de pergunta padrão.

- Ela é minha mulher. – eu disse.

A enfermeira já tinha entendido errado mesmo... que mal tinha em continuar com o mal entendido?

Jasper fez cara de poucos amigos, como se eu estivesse tratando Isabella como minha propriedade. Eu apenas o ignorei.

- Muito bem. – o médico suspirou. – Ela está estável nesse momento, mas teve uma hemorragia interna grave e vai precisar de uma transfusão de sangue urgente.

- Por que ainda não foi feita a transfusão? – Rose perguntou.

- O hospital é pequeno e nosso banco de sangue está defasado. – ele explicou – Durante a cirurgia utilizamos todo o nosso estoque de sangue, mas ela possui sangue tipo O- e não temos mais desse tipo. Nós usamos todo o nosso estoque durante a cirurgia. Eu já liguei para o bando de sangue de outros hospitais. Devemos receber mais unidades em algumas horas.

- Horas? – Rose perguntou.

- Infelizmente. – o médico respondeu.

- Eu quero ser o doador. – eu disse prontamente.

- Você é O-? – ele me perguntou.

- Sou sim. – respondi.

- Excelente. Vou preparar a equipe para a transfusão. Em breve te chamaremos. – o médico disse e saiu da sala de espera.

- Tem certeza que você vai fazer isso Edward? – Mike perguntou.

- É o mínimo que eu posso fazer. – eu disse.

- Claro que é o mínimo que você pode fazer. Sabe por quê? Porque foi você o culpado por toda essa merda. – Jasper disse exaltado já partindo para cima de mim.

- Pára, Jazz, isso não é hora para isso. – disse Rose entrando na frente dele.

- Não é hora? Quando vai ser hora para isso? Quando enterramos a Bella por causa desse desgraçado? – ele perguntou com ódio – É tudo culpa dele.

Eu fechei minhas mãos em punho com força e fechei os olhos. Porra, como eu queria socar aquele desgraçado.

- Esse não é o momento para discussões. – disse Alice em tom enérgico e apaziguador. – Jasper, vá tomar uma água e se acalmar.

Ele olhou para ela e apenas se virou, saindo da sala de espera.

- Rapaz? – a enfermeira entrou na sala me chamando – O doutor falou que você vai doar sangue para Isabella?

- Vou sim. – respondi.

- Certo, venha comigo, preciso que você responda algumas perguntas. – disse ela e eu a segui, deixando todos com caras ansiosas na sala de espera.

Depois que eu respondi uma infinidade de perguntas sobre fumar, beber, doenças e tudo mais, a enfermeira me levou para uma enfermaria, onde tinha varias macas e bandejas com instrumentos cirúrgicos e seringas.

- Primeiramente vamos tirar apenas um pouco de sangue para fazer um exame rápido de algumas doenças, tudo bem? – ela me indicou uma maca.

Eu assenti e me sentei na maca. Ela colocou uma fita elástica no meu braço acima do cotovelo e prendeu.

- Feche a mão. – ela ordenou.

Eu obedeci de imediato.

- Qual o seu nome? – ela perguntou.

- Edward Cullen. – eu respondi e ela sorriu.

Ela deu dois tapinhas na parte interna do meu cotovelo com dois dedos, pegou a seringa e a enfiou no meu braço. Senti uma picada de leve.

Ela encheu a seringa de sangue e depois tirou a agulha do meu braço.

- Voltarei daqui uns cinco minutos. – ela disse e saiu.

Eu fiquei olhando para a parede branca da enfermaria. Mais uma vez o tempo parecia não passar. Levei as mãos ao meu cabelo e os puxei até não aguentar de dor.

Que merda! Eu não aguentava mais a espera.

Eu pulei da maca quando o médico entrou na enfermaria acompanhado por uma enfermeira morena que não parecia ter nem 20 anos.

- Senhor Cullen, o aparelho para a transfusão está pronto. – o médico disse – Mas eu quero lhe explicar como vai acontecer.

Eu assenti esperando ele continuar.

- Pela urgência do caso, faremos uma transfusão direta. O senhor ficará em uma maca enquanto a máquina tira seu sangue, o filtra e fornece para Isabella. – explicou com propriedade. – Depois que acabarmos a transfusão, o senhor permanecerá deitado para se recuperar. Alguma dúvida?

- Ela vai ficar bem? – respondi.

- Acho melhor irmos agora. – ele falou e se virou juntamente com a enfermeira.

Por que ele não me respondia a merda da pergunta? Irritado, eu os segui até a sala de transfusão.

O médico ficou na porta me olhando enquanto a enfermeira entrava na sala.

- Eu devo voltar em breve. – ele disse e saiu pelo corredor afora.

Eu entrei na sala e por um instante, eu congelei no lugar. Meu coração quase saiu pela boca quando eu vi Isabella deitada naquela cama, toda indefesa sem se parecer nenhum pouco com a General fodona que ela era.

Senti um frio na barriga e fiquei sem ar.

- Bem, senhor... – a enfermeira conferiu meu nome na ficha – Edward Cullen, você provavelmente se sentirá meio tonto e com vertigem, mas isso é passageiro. Apenas deite na maca e relaxe.

Assenti olhando para Isabella, me deitando na maca. Rapidamente a enfermeira começou o procedimento, colocando meu braço em um suporte.

Enquanto ela fazia o procedimento, eu não conseguia tirar meus olhos de Isabella e não via a hora de ficarmos sozinhos para eu poder falar com ela.

- Com licença, você pode me responder se ela vai ficar bem? – eu estava puto que o maldito médico não me dissera nenhuma palavra sobre isso.

- Os médicos já retiraram bala. Agora ela precisa da transfusão. – suspirou – Ainda é cedo para afirmar, mas eu acredito que ela ficará bem sim, senhor. Ela é forte. – disse ela, descartando a agulha usada no incinerador.

- Sim, ela é. – respondi.

A máquina começou a fazer um barulho e passou a retirar meu sangue. Eu e Isabella estávamos conectados por tubinhos ligados à bolsas de sangue.

– Você deve gostar muito dela. Converse com ela. Às vezes pode ajudar. – disse a enfermeira antes de se retirar da sala.

- É... eu gosto muito mesmo dessa teimosa dos infernos. – falei mesmo depois que estava sozinho.

Ver Isabella totalmente vulnerável desse jeito era uma cena que eu jamais gostaria de presenciar novamente.

- Isabella. – eu a chamei e nada – General?

Esperei e nada novamente.

- Swan? – eu perguntei e imediatamente me arrependi, me lembrando que ela havia me dito que não gostava de ser chamada assim porque lembrava do pai dela.

- Hey, Bella. – era a primeira vez que eu a chamava assim. Era estranho, mas eu queria que ela sentisse algo familiar para que ficasse confortável.

Até que não soou tão ridículo não.

- Bella... – eu repeti, me virando o tanto que pude, ainda deitado, para vê-la melhor – Você me assustou para caralho hoje, sabia? Eu pensei que fosse perder você. – murmurei.

Fiquei divagando por uns minutos, pensando no que tínhamos passado. Flashes do que tinha acontecido vinham à minha mente.

- Jasper disse que isso tudo é minha culpa e eu odeio admitir, mas ele está certo. Afinal de contas, se nós não tivéssemos nos envolvido você não teria a porra de um rasgo na barriga agora e talvez estivesse lá com os Boinas Verdes bebendo naquele bar com a sua pose de “sou a porra da General e mando nessa merda toda”. – eu disse.

Então comecei a pensar nas coisas que Don havia contado

- E sabe do que mais? Acho que Don estava certo. Eu sou igual a ele. – confessei – Eu sou uma merda de um assassino e não faço bem para ninguém. Eu enganei você e o resto dos Boinas Verdes, que eram meus amigos de verdade. Eu traí a confiança de todos e, para completar, fodi com a vida dos meus pais. Não sei como minha mãe conseguiu me perdoar. E eu não quero voltar para a sede. Eu não quero ter que encarar meu pai.

- Melhor com a merda de um rasgo na barriga do que ouvir toda essa ladainha sua. – ela murmurou. Meus olhos se arregalaram por um segundo, enquanto ela abria as pálpebras bem devagar. – Pare com essa porra Edward. Você não é igual àquele merda, caralho. – ela tossiu.

- Ei, pare de falar, você está fraca – fiz menção de me levantar da maca, mas meu braço doeu e eu me lembrei da agulha.

Eu a olhei nos olhos. Seus olhos estavam com aquela emoção estranha que compartilhávamos, apesar de ainda estarem um pouco desfocados.

- Você... está doando sangue para mim? – ela perguntou baixinho, com a voz cansada.

- Não, mas como não tinha nada para fazer, eu decidi me deitar em uma maca e enfiar a porra de uma agulha no meu braço só por diversão. – tentei usar o sarcasmo para deixá-la mais animada e consegui um sorriso pequeno.

- Imbecil... – ela resmungou tossindo um pouco – Porra, eu me sinto destruída... O que aconteceu? Eu não consigo me lembrar direito.

- Don ia matar você. – eu contei – Eu entrei na sua frente para tentar de proteger, mas Elizabeth atirou nele antes.

- Elizabeth? – ela perguntou tossindo mais.

- É. Foi ela também que nos trouxe ao hospital, mas ela fugiu depois. – disse.

- Foda-se. Pelo menos Don teve o que mereceu. – tossiu. – Porra, eu não consigo respirar.

- Calma. Eu vou chamar a enfermeira. – eu falei.

- Não. Eu não preciso. – ela disse tentando puxar o ar, mas não conseguiu e continuou tossindo – Merda... detesto ficar vulnerável...

- Para com isso. – eu consegui me esticar e segurar a sua mão. – Até generais chatas como você ficam vulneráveis às vezes. – apertei sua mão.

Ela parou de tossir e respirou fundo. Eu entrelacei nossos dedos e ela apenas sorriu, fechando os olhos.

- Edward...

- Hum?

- Obrigada. – disse ela.

- Pelo quê?

- Por deixar a minha vida mais emocionante. – sorriu de olhos fechados. – E não se esqueça... eu amo você.

Meu coração disparou e senti sua mão apertar a minha antes dela voltar a ficar inconsciente.

Não demorou muito para que eu começasse a sentir o que a enfermeira tinha me dito e eu comecei a ficar fraco também, morto de cansaço de toda a maratona que havíamos vivido nos últimos dias.

Vários pensamentos invadiram minha cabeça e eu já não conseguia discernir realidade e pensamentos.

Imagens do meu pai vieram a minha mente e eu queria saber se ele estava realmente bem, mas o medo que eu tinha de encará-lo quase me paralisava. Queria também saber como minha mãe estava. O que tinha acontecido com Elizabeth, se ela estava sob custódia, o que tinham feito com o corpo de Don? E mais... seria o fim da Cosa Nostra?

De repente eu apaguei, entregando-me a exaustão que aqueles pensamentos todos me levavam.

Quando abri meus olhos, eu já não sentia a mão de Isabella atada a minha. Estava tudo à meia luz e eu não sabia onde estava.

- Isabella? – eu chamei meio em pânico.

- Calma. Ela está dormindo ao seu lado. – disse uma voz conhecida.

Esfreguei os olhos e vi Isabella dormindo, coberta naqueles cobertores de hospital, depois desviei para aquela voz. Elizabeth.

- O que você está fazendo aqui? – perguntei confuso, passando as mãos pelo rosto.

Um dos meus braços estava dormente, imagino que pela quantidade de horas que eu fiquei com ele parado doando sangue para Isabella.

- Eu só queria saber se vocês dois estavam bem. – explicou.

- Por que você fez aquilo? Você... Você amava o Don... e de repente, você o matou.

- Você é meu filho, Edward. – disse ela simplesmente como se aquelas quatro palavras explicassem tudo.

Parte de mim queria compreender, sabendo da verdade pela própria boca de Don, que havia enganado Elizabeth, fazendo-a tão vitima quanto nós, mas eu não conseguia esquecer tudo que vivi antes que Carlisle e Esme me adotassem, muito menos que, nas noites em que eu estava doente ou com medo, era Esme que estava ao meu lado, cuidando de mim como só uma mãe podia cuidar.

- Eu sei que você não pode me perdoar pelas coisas que aconteceram, mas eu só queria ver se vocês estavam bem. Ela é seu porto seguro, não é? – perguntou olhando para Isabella.

- Agora é. – olhei-a.

- Eu sei que ela vai cuidar muito bem de você. Faça o mesmo com ela, pois eu sei que ela ama você.

Eu fiquei apenas a encarando, sem saber o que dizer.

- Eu já vou, antes que eles descubram que eu estou aqui. – disse ela, virando-se para porta. – Nós nos veremos antes que você imagina, Edward.

Antes que eu pudesse dizer algo, Elizabeth já tinha saído. Achei estranho. Será que ela estava me ameaçando? E como ela conseguiu entrar aqui sem ninguém saber?

Eu me levantei para tentar impedi-la de sair, mas acabei ficando tonto e me segurei na maca para não cair. Merda.

Preferi não ficar pensando em Elizabeth. Não agora.

Quando melhorei da tontura, me sentei na cadeira ao lado de Isabella, vendo-a dormir. Ela estava ligada ao soro e uma máquina de frequência cardíaca. Ela parecia lívida e muito serena ali, tão bonita.

Eu me arrastei para perto dela e acarinhei seu cabelo. Ela fez um bico enquanto dormia e eu sorri, achando aquilo o máximo.

Eu escutei a porta se abrindo e levantei a cabeça. Vi Jasper entrar no quarto lentamente.

- E aí? Como ela está? – ele perguntou baixo, apreensivo.

- Na mesma ainda. – murmurei, querendo que ele fosse embora, pois eu não estava com a menor vontade de discutir com Jasper.

Ele andou pelo quarto, até o outro lado da cama de Isabella. Meus olhos só seguiam seus movimentos.

Ele a olhou demoradamente e depois sorriu com carinho.

- Ei, Bella. – disse ele carinhoso. – Pode tratar de melhorar rápido, porque você não vai se livrar tão fácil assim de mim. Além do mais, Alice vai te matar se você nos fizer adiar o casamento.

Ele passou a mão pelos cabelos dela.

- Acorda logo, preguiçosa. Eu juro que eu te compro uma caixa de chocolate. Os seus favoritos. – disse ele em um tom estranho pra mim.

Não pude deixar de sentir uma pontada de ciúme pela intimidade deles, mas eu não tinha esse direito. Isabella e Jasper eram amigos desde sempre, embora isso não me fizesse sentir menos raiva dele.

- Você não pode morrer estando com raiva de mim, Bella. – ele disse em um tom agoniado – Não pode.

Ela continuou inconsciente e Jasper suspirou derrotado.

- Eu vou assumir o comando da nossa missão. Assumirei o cargo de líder do grupo alfa até que você melhore. – ele disse a ela – Vou fazer as coisas como deveriam ser feitas. Vou acabar de uma vez por todas com toda essa confusão e nós vamos seguir a nossa vida... sem Cosa Nostra... sem Assassino da Cruz.

Então ele me olhou sério e perguntou.

- Podemos conversar lá fora, Cullen?

Eu não estava gostando do rumo dessa conversa. Afinal, por mais que eu quisesse, eu não podia esquecer quem eu era.

Eu assenti e me levantei da cadeira. Dei um beijo rápido na testa de Isabella e sussurrei um “volto logo”.

Saímos da sala e paramos no corredor. Eu cruzei os braços e o encarei com a cabeça erguida.

- O que você quer Jasper?

Notas finais
Recado da Ju:
Oi, pessoas. E ai? Gostaram do capítulo. Achei um dos mais bonitinhos. Isabella disse que ama o Edward, owwn.
Aff, o que será que esse enxerido do Jasper quer? Ain, eu não gostei muito dele falando que vai assumir as coisas nas Forças Especiais e "fazer o que é certo" Puto, se ele prender o Edward eu não sei o que eu faço.
Enfim, deixem a gente saber o que estão achando lá nos reviews.
Beijos, até o próximo.

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Recado da Su:
Oi novatos!
Espero que tenham gostado. Eu sei que às vezes eu demoro a postar, mas para quem não sabe, vou repetir: eu tenho uma filha de 05 meses e eu escrevo quando consigo, porque ela ocupa parte do meu tempo, mas apesar de tudo eu e a Ju, que também está super correndo por causa da facul, sempre fazemos nosso melhor para postar um capitulo legal para vocês.
Eu queria agradecer muito a jaqueline cordeiro e a Darinhaassis pelas recomendações... Adorei cada palavra que vocês escreveram.
Obrigada também pelos comentários. Eu li e amei cada um!!!!
Galera, se alguém quiser, meu twitter é: @Su__Cullen (com dois travessões _ + _). Também tem o tt da Ju (@Gohans2Videl) e um da fic CN (@FrasesDeCN) que é feito pela fofa Lilly.
E se alguém quiser alguma indicação para uma fic em tenho duas ótimas:
1) Obsessive Feeling da Ju - http://fanfiction.com.br/historia/139456/Obsessive_Feeling
2) Passado Distorcido da whatsername - http://fanfiction.com.br/historia/198564/Passado_Distorcido
Se alguém quiser que eu indique uma fic, só me mandar por mensagem... mas fic boa ta????
Bjos e até a próxima...