Corvos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa Leitura!
A menina observava, sentada em sua poltrona de veludo caqui manchado, os corvos que dançavam em frente à janela de seu quarto. Em seu colo, desfalecido, encontrava-se um gato de alvo pelo maculado pelo sangue que escorria das feridas abertas recentemente, estava morto.
Com devoção, a criança de mente corrompida acariciava lhe os pelos, deliciando-se com o odor metálico que emanava do liquidoque, com o tempo, coagularia em sua camisola branca.
A figura, agora levantada detinha um sorriso cadavérico estampado no rosto, rosto esse que, um dia, julgaram inocente. Tirando uma lamina de baixo das almofadas volumosas e abandonando o bichano ali mesmo, dirigiu-se à porta que a separava do mundo.
Pisou fora do quarto, a liberdade era quase palpável. O piso de madeira rangia a casa passo dado. Andar lento, respiração afoita e quanto mais ela se aproximava do ser de aura negra que avistava ao fim do trajeto, mais sua mão apertava a lamina nua, ferindo-lhe a palma, deixando um rastro de sangue enquanto encurtava a distancia que lhes separava.
Pecado. Pensamentos pecaminosos invadiam a mente da pequena, excitando-a. Aquela sensação. Um arrepio percorreu sua coluna, um formigamento que subia pelas pernas, dominando seu corpo. Ofegante, vacilou, aproximando-se ainda mais do ser que se divertia com a cena.
Os olhos semicerrados da garota seguiram o caminho que o corpo de dois metros à sua frente fazia, encontrando seus olhos vermelhos. Um arfar se fez presente no corredor deserto. A lâmina foi levantada, hesitante. Era a hora de ele agir.
A distancia dos corpos era quase nula, o ser que ali se encontrava observava a criança com expectativa, esperando que essa tomasse uma atitude.
Um gemido de deleite chegou aos ouvidos do monstro desafiando sua paciência e até mesmo sua sanidade. Passou a mão de tamanho avantajado pela silhueta da pequena que arfou pelo toque inesperado.
Faça. A voz invadiu sua mente. Você terá muito mais disso. Faça.
A visão da criança encontrava-se nublada de desejo, ela precisava de algo. Mais gemidos agoniados saíram de sua garganta, seu baixo ventre começava a pulsar.
Com dificuldade aproximou um pouco mais a lamina na direção de sua garganta. Abaixando mais a mão ele levantou a camisola da garota, chegou à intimidade molhada da loura, penetrando ali um dedo.
Em um grito de puro agrado a criança fincou a lâmina em sua jugular, deixando seu néctar rubro jorrar corpo a fora. Sem delicadeza alguma o demônio prendeu seus lábios no rombo feito na pele cândida, sugando sua vida, sua alma.
Fale com o autor