Quando James chegou em casa, viu uma das piores cenas da sua vida. Seu amor, a mulher da sua vida, estava ali, morta, perto do berço dos seus filhos. A sua primeira reação foi verificar as crianças que agora dormiam tranquilamente. Tocou em seus rostinhos fofos com as pontas dos dedos, verificando seus calor e sua respiração. Ao perceber que estavam bem, foi em direção a Lily que jazia morta, estirada no chão com uma expressão tranquila, com os olhos fechados e voltados para o teto.

Segurou a mulher em seus braços, seu corpo morno como se ainda estivesse viva, o deixava com uma grande angústia, com olhos cheios de lágrimas. E foi assim que ele se permitiu chorar.

Enquanto derramava as lágrimas por seu amor, Severus chegou desesperado ao ver a porta aberta. Ninguém além dele e James poderiam entrar naquela casa fora alguns amigos selecionados como os padrinhos de seus amigos. Subiu as escadas correndo e viu seu amigo abraçado ao corpo da mulher. Se sentiu tonto. Apoiou na porta e sua respiração estava descompassada. Era uma crise de ansiedade.

Severus sofria de ansiedade desde criança, quando seu pai abusivo batia em sua mãe e seu medo de mencionar qualquer coisa sobre magia. Seu temor se transformou em excesso de cuidado que depois se transformou em pânico depois de uma surra que levou de seu pai e quase morreu somente por falar que estava ansioso para ir para Hogwarts. Depois disso, suas crises apareceram e somente Lily e Lucius o ajudaram a superar isso e, com a inclusão de Potter em sua vida.

James viu que Severus iria cair, soltou o corpo dela e foi socorrer. Segurou o seu rosto e encostou sua testa na dele.

— Respire fundo, Sev, eu estou aqui, sempre estou aqui — disse com paciência. Mesmo em meio a dor, tentou trazer o outro de volta. Ele não podia cair agora, não quando precisavam estar de pé pelas crianças.

Severus se recompôs um pouco, se segurando em James. Chegou perto do corpo de Lily, tocando seu rosto para ter certeza se realmente estava morta. Agora gelado, sem respiração, não havia dúvidas.

— As crianças?

— Estão bem, Sev. Nada os atingiu, ela não deixou.

Os gêmeos abriram seus olhos e, como se tivessem sentindo algo no ar, choraram. Era um choro sentido, doloroso, estridente. Eles deveriam saber que perderam a mãe.

Severus pegou Harriet nos braços e James pegou Hadrian, os dois desceram as escadas. De algum modo, mandaram um patrono para a Ordem e esperavam alguma resposta. O primeiro a aparecer foi Sirius com Remus ao seu lado.

— Me diga que não é verdade, Pontas — Sirius possuía uma voz chorosa.

— Infelizmente é a verdade. Lily faleceu — a voz de James era chorosa e controlada, não queria assustar as crianças que já haviam parado de chorar.

— Como? — Remus foi em direção a Severus, via o homem tremer e sabia que ele estava se segurando demais apenas pelos filhos.

— Ainda não sabemos. Quando eu cheguei, a porta estava aberta e ela estava caída no quarto das crianças sem vida.

— Alguém deve ter falado sobre o fidelius. Temos que chamar todos os que sabiam o segredo. Tina!

— Sim, mestres? — disse a elfo doméstico da família trêmula.

— Vá até os nossos amigos que sabem do nosso segredo e os traga aqui, precisamos de uma reunião — a rispidez estava em sua voz. Ele aprendeu com sua amiga a ser mais respeitoso com as criaturas mas, o momento não permitia brandura. Foram traídos e precisavam saber de quem se vingar.

Alguns minutos depois, todos entraram na casa. Os Longbottom pegaram as crianças e os colocaram juntos no cercadinho; Os Malfoy chegaram apressados, com medo de seus amigos fazerem alguma besteira e Peter não estava lá.

James foi até o Flu e estava bloqueado. Tentou mandar um patrono apenas para o mesmo não sair do lugar, procurando a quem deveria se dirigir. Encontraram o traidor.

Soltou um grito de frustração. Jogou os vasos no chão, porta retratos, virou a poltrona favorita dela. Sua raiva era descomunal, parecia uma fera. Sirius sabia como ele era quando estava com raiva, ele ficava cego e precisava descontar em alguma coisa. Geralmente era no quadribol mas, agora, nada poderia ser feito. Todos o observavam sem falar nada, apenas esperando. Lucius foi acudir o seu amigo que estava realmente com um ataque de pânico, sentado na única cadeira que o seu parceiro ainda não havia destruído.

Depois de seu ataque de fúria, veio o choro. Era tão sentido, dolorido que os outros sentiam seus olhos marejados. Alice ficou perto das crianças caso elas precisassem junto de Tina que estava arrumando toda a bagunça que seu mestre fez. Sirius o agarrava, deixando ele extravasar a dor.

Dumbledore chegou uma hora depois, quando todos estavam mais recompostos. Remus colocou o corpo de Lily no quarto de hóspedes e a deixou em cima da cama. Parecia que ela apenas estava dormindo, com uma expressão serena.

— O que aconteceu?

— Lily, minha Lily… — não conseguiu terminar de falar.

O velho se aproximou do corpo da mulher, observou seus traços e viu algo que o deixou intrigado.

— Vocês sabiam que ela pertencia as Armadeiras? — perguntou paternal.

— O quê? — Janes estava confuso.

— O senhor acha que ela era uma delas? — Remus se aproximou de Dumbledore intrigado.

— É uma chance. Seu corpo está cheio de magia arcaica, muito complexa para uma bruxa normal ou até mesmo de alto nível como ela.

— Espera, o que seria uma Armadeira?

— São bruxas que usam magia arcaica para proteção ou maldição. É uma comunidade pequena e bem restrita. Se ela foi escolhida quer dizer que possuía um potencial extraordinário — disse o mais velho — Preciso ver os gêmeos — e saiu apressado.

Ao chegar no térreo, Alice estava ninando Harriet enquanto Narcisa estava com Hadrian. Severus estava mais calmo, cochilando no ombro de Lucius. Dumbledore viu essa cena e sentiu seu coração pesar. Sabia que eles poderiam passar por grandes provações a partir de agora e deveriam estar prontos para tudo.

Chegando perto das crianças, percebeu algo interessante. Ambos usavam pulseiras de metal, algo que não era exatamente desse mundo, sabia disso, com um grande cheiro de magia arcaica. Era isso, Lily os protegeu e morreu por eles, uma grande mãe, uma grande mulher.

Voltou ao quarto dos pequenos e encontrou uma capa estranha, além de poeira grossa, carregada de magia escura. Resolveu levar um pouco consigo, entendendo que esse poderia ser o fim de toda a desgraça que assolou o mundo bruxo. Pelo menos por enquanto. Precisava contar ao ministro imediatamente.

Se despediu dos demais na casa e foi embora às pressas. Ninguém entendeu nada, apenas que ele veio como um furacão e saiu como um. Era isso que pensavam. Só não sabiam que aquele homem mudaria para sempre a história do mundo bruxo.

Levaram o corpo de Lily para St.Mungus para avaliar as condições do cadáver. Realmente o veredito foi o esgotamento de magia que a fez utilizar sua força vital, a matando no processo. Fizeram o que precisavam para que ela fosse enterrada, sendo levada para o cemitério da família Potter. Severus e James conversaram e decidiram que seria melhor assim.

Agora em casa, tudo parecia vazio. Sem os sorrisos, as gargalhadas dela, seus gritos quando ele aprontava. Tudo deixou de fazer sentido. Severus era seu porto seguro, a pessoa que o trazia para a realidade, que o fazia se sentir uma pessoa de novo. Nem as crianças faziam essa tarefa, olhar para elas era lembrar de sua mãe, o que era doloroso.

Dias se passaram, meses a fio e James não parecia melhorar. Seus amigos estavam ficando preocupados e sentiam que não podiam fazer nada. Aquele homem estava definhando aos poucos.

Severus tomava conta das crianças vinte quatro horas por dia. Ele não reclamava, as amava mais do que tudo, apenas era cansativo com um parceiro na depressão. Já havia levado para um psicobruxo mas, ele largou o tratamento uma semana depois. Tomava remédios para dormir e mesmo assim apresentava pesadelos. Já não sabia mais o que fazer com seu parceiro.

Não percebeu quando a preocupação se transformou em amor.

No começo eram pequenos toques, depois vieram os abraços até que Severus sentiu seu coração acelerar na presença dele. Lucius o encorajou a falar sobre seus sentimentos, mas tinha medo. Medo de ser rejeitado, odiado. Eles concordaram em entrar em um relacionamento por Lily, e apenas por ela. Entre eles se criou apenas uma irmandade. Queria mais do que isso, porque via um lado de James que poucos acessam. O lado amoroso e caridoso, o lado brincalhão… Mesmo durante esse período nefasto, James ainda possuía um brilho só dele. O amava ardentemente e seu medo de perdê-lo era intenso.

Um dia, enquanto estava perto da lareira, conversavam baixinho. As crianças estavam no berço e só acordariam no dia seguinte e por isso, poderiam aproveitar a companhia um do outro. Eles sorriam timidamente um para o outro e se tocavam o tempo todo. James parecia um pouco melhor nos últimos dias, graças ao esforço do outro de trazê-lo para o mundo novamente. Severus queria uma prova de que aquilo não era apenas do seu lado, de que James também queria. E num impulso, o beijou.

James pareceu surpreso mas, depois, o correspondeu. Segurou com força os cabelos de Severus, puxando para mais perto, ele precisava de contato. Estava tão carente, tão necessitado de amor que não percebeu quando aprofundou mais o beijo. Quando o ar lhes faltou, juntaram as testas e sorriam como bobos.

— Desde quando Sev?

— Faz algum tempo.

— Acha que vai dar certo?

— Podemos tentar, não é mesmo?

— Sim, podemos.

E nem se sabia como ao certo, os dois resolveram estar juntos e enfrentar tudo o que viesse, unidos em prol dos seus filhos e do leve sentimento que estava surgindo entre eles.

Infelizmente, receberam uma notícia que abalou seus corações: Belatrix, que desde o desaparecimento de Voldemort estava foragida, resolveu se vingar dos Longbottom como um modo de atingir a família Potter-Prince. Ela não conseguiu ir muito longe, foi presa e julgada a prisão perpétua em Azkaban assim como os outros comensais mais próximos do Lorde das Trevas. Alice e Frank ficaram com sequelas do feitiço, obrigando a ficarem em uma ala em St.Mungus para pessoas com doenças mentais.

Augusta não conseguia olhar para o neto e nos meses seguintes ela o manteve o mais longe possível dela. A criança era criada apenas pelos elfos domésticos, sem amor ou cuidado. Até o momento onde, de surpresa, o casal Potter-Prince junto aos gêmeos foram fazer uma visita.

Ao verem aquela situação onde o menino se encontrava, eles tomaram uma decisão: levariam Neville com eles. Conversaram com Augusta e a mesma concordou rápido demais, querendo se livrar logo da criança que lembrava seu amado Frank. Como padrinhos, entraram com pedido legal para guarda que foi concedida sem nenhum problema, sua amada esposa agora era chamada a Rainha dos Bruxos depois de tudo o que aconteceu, culpa do Ministério que divulgou a proeza da mulher e, por isso, todo o processo foi bem mais fácil. Neville levaria ainda consigo o seu sobrenome visando a sua herança que pertencia apenas a ele, mesmo que o casal estava doido para adotar o pequeno.

E assim, a família se reestruturou como conseguiu, vivendo um dia de cada vez, sentindo as suas dores e juntos, superando as adversidades.





Notas finais
Bom, eu aproveitei um pouco dos ataques de ansiedade para escrever. Espero que tenha ficado bom porque eu não tive muito tempo de corrigir.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.