Na sala de piso de tatami e portas corrediças de folha de arroz havia um pequeno grupo de adultos com roupas monocromáticas.

À frente deste grupo, uma menina de aproximadamente oito anos de idade.

Os fartos cabelos lilás estavam presos em um coque frouxo. Vestia quimono branco. E era acompanhada por seu mordomo.

Saori aproximou-se do futon e beijou as faces de seu avô. Não chorava, mas apresentava feição triste.

- Adeus, vovô querido.

o0o0o0o0o

Entro na sala ampla e me sento numa poltrona, de frente para o quadro de Mitsumasa Kido.

- Ah, meu querido vovô... A etapa de hoje do torneio terminou sem acidentes. Por favor, vovô, proteja a todos amanhã também.

Minhas preces são interrompidas por uma batida leve na porta.

- Entre.

Tatsumi abre a porta e avisa sobre a chegada de Seiya.

- Irei em um momento.

Logo me dirijo para a sala ao lado, onde o Cavaleiro aguarda.

- Seiya, estou tão feliz que tenha voltado. Ponha sua bagagem no chão e descanse para o combate de amanhã.

- Combate?

Seiya mostra-se surpreso com minhas palavras. Assim, explico-lhe pacientemente sobre a Guerra Galáctica, a missão de Seiya no evento e as regras gerais do torneio.

- Sem essa.

Surpreendo-me com a rude recusa dele. Por que agia como criança? Fora treinado para lutar, afinal. Devia contentar-se em seguir os sonhos de meu avô.

- Eu não tenho nada a ver com essa tal Guerra Galáctica. Eu quero ver Mitsumasa Kido.

Ver meu avô? Então Seiya não sabia que... Inspiro fundo, para explicar-lhe o ocorrido.

- Não poderá vê-lo. Ele morreu há cinco anos.

Apesar da revelação, Seiya não se mostra entristecido. Ao contrário, balbucia que “é melhor assim”.

Tatsumi tenta golpear o Cavaleiro, irritado com suas palavras, mas Seiya o derruba facilmente, em apenas um segundo. E o jovem ainda cobra uma promessa de meu avô à mim.

- Uma promessa? — repito, entre surpresa e curiosa.

O Pégaso explica sobre meu avô ter lhe prometido procurar sua irmã. Quando vou lhe responder sobre a situação, Jabu adentra na sala e exige mais respeito do Pégaso. Seiya responde que deseja apenas rever a irmã. Jabu exalta-se e o ataca.

Ambos trocam golpes rápidos. E Seiya lança um raio de luz que arrebenta a parede, por pouco não atingindo o quadro de meu avô. Vejo-me então ordenando-lhes:

- Já chega.

- Mas, senhorita, não está vendo como ele...

- Por acaso você tem a intenção de me desobedecer, Jabu?

Ele nega, acalmando-se.

Exijo que ambos somente se enfrentem na Guerra Galáctica. E explico a Seiya sobre sua irmã ter desaparecido do orfanato. Ofereço o apoio da Fundação, desde que ele vença o torneio.

O Cavaleiro nada responde e retira-se em silêncio.

Inspiro fundo, com a certeza de que o Cavaleiro comparecerá ao torneio.

oOoOoOoOo

Meus pensamentos mostram-se corretos. Seiya enfrenta Geki de Urso. E o vence.

A Guerra Galáctica prossegue...

Mas, antes que o torneio chegue ao fim, o Cavaleiro de Fênix surge e leva a Armadura de Ouro de Sagitário.

Encosto-me, angustiada, na parede de vidro de minha sala no Coliseu Galáctico.

“O que devo fazer, vovô?”

oOoOoOo

Os Cavaleiros de Bronze empreendem intensa caçada aos seguidores do Cavaleiro de Fênix e, por fim, enfrentam e derrotam Ikki.

Vencido, o Cavaleiro parece arrepender-se de ter enfrentado seu irmão.

Ikki sacrifica-se para proteger os demais Cavaleiros, quando Dócrates os ameaça.

Entretanto, Seiya e os outros retornam somente com o elmo da Armadura de Sagitário.

Cabisbaixos, conversam entre si sobre seu fracasso em recuperar as outras partes da Armadura de Ouro.

- Não se preocupem. Nosso inimigo reaparecerá, enquanto tivermos este elmo. Agora que conseguimos uma trégua, é melhor que vocês descansem.

Explico sobre os planos de meu avô em atrair as forças das trevas, através da Guerra Galáctica.

Shun se recorda das últimas palavras de seu irmão, horas atrás.

- Ele disse que mesmo derrotando-o, não seria o fim. Citou algo a respeito do Santuário.

Nossa conversa é interrompida por Tatsumi, que pedia socorro... contra Kiki, o qual o mantinha suspenso no ar através de sua telecinese.

- Tatsumi! Afinal, que bagunça é essa?

- Eu não tive culpa, senhorita.

Todos riem. E se despedem.

oOoOoOo

Mais tarde dirijo-me ao planetário. Preciso refletir sobre os últimos acontecimentos.

Ergo o rosto para o céu estrelado, na esperança de encontrar respostas.

- Vovô, eu te suplico... Por que eles estão atrás da Armadura de Ouro?

Entre as estrelas projetadas no céu do planetário, somente o silêncio.

“Então foi apenas uma ilusão. Ele não vai responder.”

Inspiro fundo, com certa tristeza por ver-me sozinha ali.

Decido retornar a meu quarto, para descansar.

Após dois ou três passos, detenho-me. Uma sensação estranha se apodera de meus sentidos. Conheço esta sensação... e sorrio, virando-me.

- É você, vovô!

- Saori, existe um grande segredo escondido por trás da Armadura de Ouro...

Citando eventos históricos, Mitsumasa explica sobre a importância das Armaduras de Ouro no combate às forças das trevas. E prossegue:

- Quanto a você, minha neta, deverá se tornar uma Deusa.

Após estas palavras, sua imagem cada vez mais tênue desaparece entre as estrelas.

- Ah, vovô!

Somente resta o sussurro de sua voz...

- Você deve se tornar Athena.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.