A primeira coisa que sinto ao acordar é o peso do seu corpo. Estou deitado de bruços e Isabella está deitada acima de mim, seus braços envolvem minha cintura e sua cabeça está apoiada nas minhas costas.

O calor e a pressão do seu corpo no meu não permitem que eu mude de posição e decido ficar aqui até ela acordar. Um tempo depois, Isabella começa a se mover. Ela me abraça um pouco mais forte antes de me soltar e eu reprimo a necessidade de dizer para voltar e continuar em cima de mim só mais um pouco.

— Edward? — Ela pergunta hesitante enquanto balança um pouco meu ombro. Sorrio quando a ouço chamar meu nome.

— Bella — respondo ao me virar e ela se senta ao meu lado de frente a cabeceira da cama, abraçando as pernas e com a cabeça deitada no joelho direito.

— Bom dia — diz.

— Bom dia.

Seu rosto está amassado, o cabelo bagunçado e ela ainda não colocou os óculos. Nunca a vi tão à vontade e tenho a impressão de que enquanto eu dormia, ela ficou um pouco mais bonita.

— Que horas são? — pergunta.

— Um pouco depois das oito — respondo depois de verificar no meu celular. — Quer café da manhã?

— Quero — fala e se espreguiça.

— Dormiu bem?

— Sim. — A jornalista cora e desvia o olhar. Se algum dia eu me irritei com sua falta de habilidade em olhar nos meus olhos, hoje não me incomoda nem um pouco. Nesta manhã, me faz rir, porque suspeito que sua vergonha tem a ver com o fato de que em algum momento da noite, deitou-se acima de mim.

— Eu sou um ótimo colchão, não sou?

— Cala a boca, Cullen. — Ela ri e fica ainda mais vermelha.

Combinamos de tomar café da manhã e trabalhar na matéria até a hora da apresentação. Vai ser interessante ver a abordagem sobre o caso sabendo a verdade por trás de tudo. A palestra começa às três da tarde e quem vai falar é um economista especialista no mercado de construção. Não me surpreende que ele justifique o colapso da empresa somente na crise econômica, mas me choca que em nenhum momento ele cita as licitações que a construtora ganhou.

No final, me inquieta o fato de ninguém questionar o envolvimento da MCC com obras públicas, então pergunto:

— Boa tarde, aqui é Edward Cullen, do Chicago Tribune, minha pergunta é sobre a maioria dos contratos da MCC ser com uma entidade pública. Você acha que se a empresa atuasse mais no setor privado, teria evitado o que aconteceu?

A resposta é vaga e Bella balança a cabeça ao meu lado e quando pergunto o que ela está pensando, ela só diz que está chocada que ninguém parece desconfiar de nada.

Assim que saímos da palestra, minha colega de matéria avisa que vai ao banheiro. Estou aguardando-a na recepção quando dois caras se aproximam.

— Edward Cullen? — O mais alto pergunta.

Nunca vi esses dois na minha vida, e olhando de perto percebo o quão mal-encarados são. Eles estão vestidos de terno, como o resto de nós, mas um deles, o loiro, está estalando os dedos como se estivesse se preparando para uma briga. O que falou comigo tem os braços cruzados sobre o peito e me olha de forma intimidadora. Lembro do que o Sr. Weber disse e sei que estou prestes a ser ameaçado.

— Sim? — respondo tentando parecer indiferente.

— Você é do Chicago Tribune, certo?

Concordo com a cabeça.

— A gente ouviu sua pergunta mais cedo, curioso você citar os contratos da MCC.

— É uma informação pública.

— Claro, é que pareceu que você estava insinuando alguma coisa. — O cara que estava estalando os dedos flexiona o braço e sinto a cor deixar meu rosto.

— Não, não. Foi apenas uma pergunta padrão para uma matéria.

— É? E por que o interesse na MCC? — Ele ergue as sobrancelhas.

— A MCC é uma empresa que tinha muito potencial e ela ter quebrado assim... — Dou de ombros. — É normal o interesse nela.

— Mas tudo o que precisa ser conhecido já está na imprensa, você não vai querer que a gente ache que alguma investigação mais profunda está acontecendo. — Ele se aproxima e baixa um pouco a voz. — Estamos entendidos?

Antes que eu responda, o loiro mais baixo bate no meu ombro e de longe pode parecer que somos apenas conhecidos se despedindo, mas a força que ele usou me diz tudo. Eles vão embora e solto a respiração que nem percebi estar segurando.

Não sei se eles já sabiam da investigação ou se só a minha pergunta chamou a atenção deles. O fato é que se foi só por causa de hoje, qualquer pessoa que suspeite minimamente do esquema da MCC com a prefeitura corre perigo.

Eles vão embora e um minuto depois Bella chega. Ela me olha e franze a testa.

— Tá tudo bem?

Não sei como contar a ela o que acabou de acontecer, não quero assustá-la. Se eles estiverem nos vigiando, e eu não quero brincar com a sorte e apostar que não estão, talvez eles percebam que ela está trabalhando comigo.

Por mais que vá contra os meus princípios e contra tudo que a minha profissão defende, devo considerar sua segurança, e nas atuais circunstâncias, a ignorância é uma benção.

Contarei em Chicago, longe dos meus dois novos amigos, onde estaremos mais seguros. Quando Aro e a Eleazar souberem, talvez possam providenciar alguma proteção a ela.

— Sim, tudo certo.

Tento trabalhar o resto do dia, mas estou em constante estado de alerta e não consigo ser produtivo. Se Bella percebe, não fala nada. Trocamos poucas palavras no jantar e meu único alívio vem quando vamos nos recolher para dormir. Quando chegamos no nosso andar, paro em frente ao meu quarto e quero muito sugerir que ela passe a noite aqui, só porque fará bem para minha sanidade mental saber que ela está em segurança.

Num pedido silencioso, indico a minha porta com a cabeça. Ela concorda e diz que só precisa buscar algumas coisas em seu quarto. Eu espero no corredor e quando ela volta, traz a mala consigo. Rio e ela dá de ombros.

Entramos no quarto e enquanto tiro meu terno e a gravata, ela tira o salto e pega roupas na mala.

— Tudo bem se eu for primeiro? — pergunta apontando a cabeça para o banheiro.

— Claro.

Sento-me na beira da cama para tirar os sapatos e o fato de que posso ouvi-la se trocando me faz pensar em quão próximos nos tornamos. Uns minutos depois ela sai do banheiro de cara limpa e pés no chão, a mesma roupa confortável que usou ontem.

— Tá livre — anuncia baixo.

Pego meu pijama e enquanto escovo os dentes e me troco, não consigo parar de pensar em tudo aconteceu mais cedo. Quero dividir minhas preocupações com Bella, mas precisamos estar longe daqui quando isso acontecer.

Quando volto para o quarto, vejo que apagou as luzes principais, deixando apenas o abajur ao lado da cama aceso. Ela está deitada de lado na cama, mas de frente para onde eu me deitarei. Seus olhos estão abertos. Deito espelhando sua posição e coloco uma mexa do seu cabelo atrás da orelha, mas quando sinto a maciez dos seus fios, não resisto e continuo alisando-os mais algumas vezes.

Ela me olha curiosa, mas sorri. Espero que quando a matéria for finalmente publicada, a gente tenha uma chance de explorar o que aconteceu entre nós esse fim de semana, porque em algum momento parei de sentir raiva de Bella e tenho quase certeza que é recíproco. Dou um beijo em sua testa e desligo o abajur.

— Boa noite, Bella.

— Boa noite, Edward.

XXX

O sono não vem fácil, e, como na noite passada, ela acha meu corpo e se deita quase que completamente sobre mim. Seu rosto apoiado nas minhas costas e os braços ao redor da minha cintura, me fazem querer parar o tempo, mas nem isso é suficiente para espantar as imagens de pessoas nos perseguindo dos meus sonhos.

A manhã toda ajo como um paranoico e Bella nota porque já é a terceira vez desde que acordamos que me pergunta qual o problema. Estamos saindo do restaurante do hotel quando o vejo. O loiro mal-encarado de ontem vem em nossa direção.

Torço para ele passar direto. Rezo para de ontem para hoje, ele ter batido a cabeça e esquecido a minha cara.

No entanto, ele para bem na nossa frente e abre um sorrisinho de merda. — Edward Cullen — estende a mão, mas não a balanço, ao invés disso coloco meu braço ao redor da cintura de Bella mantendo-a junto de mim. — Não vai me apresentar sua amiga?

Não sei como espera que o faça quando não sei seu nome. Ergo as sobrancelhas e ele parece perceber o erro.

— Demetri Davis — fala e estende mão para a mulher. Vejo pelo canto do olho ela virar a cabeça na minha direção, mas não desvio meus olhos dele.

— Isabella Swan — fala hesitante e balança a mão dele rapidamente. — Vocês são amigos?

— Nos conhecemos ontem, na verdade. — Demetri responde. — Estávamos conversando sobre a matéria dele sobre a MCC.

— A matéria dele? — Bella fala com a voz aguda.

— Olha, Demetri — começo antes que ele possa falar mais alguma coisa. — Infelizmente não podemos ficar...

— Isso. — Ele me interrompe — Você está trabalhando sozinho não é, Cullen?

Merda. Porra. Puta que pariu. Se ele souber que ela está envolvida ela corre perigo também.

— Sim.

Bella se afasta de mim imediatamente.

— Bem, boa sorte. — Demetri fala e vai embora.

— Você só pode estar brincando com a minha cara. — Ela diz, colocando as mãos no quadril e me encarando. — Sua matéria? Trabalhando sozinho?

— Bella, por favor, eu posso explicar. — Estendo a mão para tocar seu braço, mas ela desvia.

— Não, Cullen, eu ouvi exatamente o que você falou. — Ela se aproxima e empurra meu peito com o dedo indicador.

— Bella, me escuta...

— Eu te contei o que Mike fez comigo e você vai e faz o mesmo? — Seu rosto está vermelho e sua voz falha um pouco. — Enquanto eu te contava tudo, você estava planejando fazer isso? — Seus olhos estão cheios de lágrimas e consigo ver a dor que causei.

— Merda, Bella, claro que não! Se você deixar eu te explicar...

— Não precisa, você sabia o quanto eu já sofri com isso. Eu pensei que... — Ela se interrompe e suspira. — Deixa pra lá, Cullen. — Sua voz falha de novo e as lágrimas escorrem pelo seu rosto. Meu estômago embrulha e parece que o mundo está desabando ao meu redor.

— Bella...

Ela dá um passo para trás, enxuga as lágrimas e respira fundo.

— Esquece Cullen, eu deveria ter previsto.

— Não, Bella.

— Tá tudo bem, vamos fazer o check-out e ir embora daqui.

Ela anda em direção ao elevador e eu a sigo. Meu coração pesa no peito e não sei o que fazer para que me escute. Me apego a ideia de que talvez quando chegarmos em Chicago as coisas estejam mais tranquilas e eu consiga explicar tudo. Não trocamos uma palavra enquanto pegamos as coisas no quarto e entendo que agora ela precisa de espaço.

A corrida de táxi do hotel ao aeroporto é feita em silêncio. A viagem de quase 4 horas entre L.A. e Chicago é torturante. Bella não apoia sua cabeça no meu ombro para dormir, nem fala comigo, tampouco olha nos meus olhos.

Assim que pousamos, peço que um milagre aconteça e que ela magicamente volte a falar comigo. Nós iriamos dividir um táxi, mas quando a lembro disso, ela se nega e entra no primeiro carro que para na nossa frente. Vejo o veículo se afastando e me dou conta que nem nos despedimos.

Na segunda-feira, Bella não aparece na redação e quando ligo, não me atende. Mando mensagem e não responde. Pergunto a Alice se por acaso sabe de algo, mas me diz que ainda não falou com Bella.

Explico para Aro o que descobrimos em Los Angeles, e ele não parece realmente surpreso com a existência de um esquema de corrupção, mas sim com o fato de ninguém ter descoberto antes. Segundo ele, vai ser o furo de reportagem do ano, pelo menos em Illinois. Ele me parabeniza pelo trabalho bem feito e eu me encolho, pois Bella deveria estar aqui recebendo os parabéns também.

Ele concorda que a matéria ganhou uma proporção maior e decide lançá-la em uma edição especial. Conto sobre a ameaça velada no hotel e peço para ele repassar a informação a Eleazar, com esperança de que a explicação chegue à Bella.

Dois dias depois e ainda não tenho notícias dela. Nenhum sinal de que soube o que aconteceu, nenhum contato nem para discutir detalhes da reportagem. Sua ausência está me matando. Não achei que sentiria tanta falta, mas me acostumei a tê-la ao meu lado o dia todo ou pelo menos receber mensagens suas.

É quarta-feira à noite quando finalmente dá um sinal de vida. Estou transcrevendo parte da entrevista com Sr. Weber quando o e-mail chega. Meu coração acelera só ao ver seu nome.

De: isabellaswan@sun-times.com

Para: edwardcullen@tribune.com

Assunto: MCC

Cullen,

Primeiramente, me desculpe por não ter entrado em contato antes. Eu deixei que nosso desentendimento atrapalhasse meu julgamento e por causa disto, negligenciei a reportagem.

Eleazar só me explicou hoje o que aconteceu no hotel em Los Angeles e o motivo pelo qual você disse o que disse. Obrigada. Ele disse também que a matéria vai ser publicada pelos dois jornais, conosco em coautoria.

Em segundo lugar, esse e-mail é para enviar minha parte da matéria. Passei os últimos dias escrevendo, transcrevendo e editando todo o material que tenho. Também estou enviando alguns gráficos, contratos e planilhas da MCC (cortesia do Sr. Weber).

Queria te falar também que recebi uma proposta de trabalho do The Arizona Republic e estou considerando. Pensei muito no que você falou sobre ficar perto da família, sobre ficar perto de quem a gente ama. Acho que talvez seja o momento de voltar para casa.

E por último, denunciar esse esquema sempre vai ser uma das coisas mais importante que já fiz e foi uma honra ter sua companhia ao longo do caminho. Você é um excelente repórter, Cullen, com um futuro brilhante.

Atenciosamente,

Isabella Swan.

Termino de ler e um peso sai das minhas costas, mas o alívio dura dois segundos, pois percebo que Bella me enviou uma carta de despedida disfarçada de e-mail de trabalho.

Abro os anexos e já nas primeiras linhas percebo o trabalho minucioso que Bella fez. Há quatro semanas venho acompanhando o quanto ela é excepcional, mas ver tudo no papel, em primeira mão, só comprova sua habilidade. Sua escrita é impecável e sinto orgulho de saber que meu nome vai estar ao lado do dela.

Reviro os olhos quando releio a menção ao Sr. Weber, é claro que ele enviaria tudo o que ela pedisse, aquela pequena manipuladora.

Minha garganta aperta ao lembrar da proposta de trabalho em outro estado. The Arizona Republic? Em Phoenix? E ela ainda faz parecer que eu incentivei isso! Se eu soubesse que ela usaria esse argumento na primeira oportunidade, teria dito que morar perto dos pais é horrível, que família é superestimada e bom mesmo é uma quase amizade com um semi colega de trabalho.

XXX

Não dormi ou comi direito nos últimos dias, porque estive trabalhando em cada detalhe da reportagem. Falei com Bella algumas vezes pelo telefone, mas seu tom era sempre profissional e distante e eu odiei cada vez que me chamou de Cullen. Nenhum de nós mencionou seu e-mail, a não ser para confirmar que recebi os documentos relativos à matéria.

Finalmente é a manhã do domingo em que a edição é publicada. A repercussão está sendo enorme, e já se fala que James Miller vai ser indiciado por corrupção. Marcus também deve renunciar e ser indiciado por fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

O Tribune e o Sun-Times oferecem um jantar comemorativo para celebrar, segundo Aro, “os jornalistas que tornaram isso possível”. É a primeira vez que verei Bella desde o fiasco em Los Angeles.

Chego no salão de festas de um dos hotéis mais renomados de Chicago e centenas de pessoas já estão presentes. Alice me recebe com um abraço e de alguma forma, sabe o que vou perguntar antes mesmo que eu abra a boca.

— Ela ainda não chegou.

— Mas ela vem? Certo?

Alice revira os olhos e ri. Emmett é o próximo a me cumprimentar e a figura de Rosalie ao seu lado faz meu coração vacilar. Não por causa de Rosalie em si, mesmo ela sendo linda, mas porque ela me lembra que Bella chegará aqui a qualquer segundo.

Os editores e editores-chefes me parabenizam e parece errado não ter Bella ao meu lado nesse momento. Então, de repente, todos ao meu redor se calam ao mesmo tempo, então sei que ela chegou. Me viro na direção em que todos estão olhando e perco o fôlego por uns instantes.

Eu já critiquei Bella por muitos motivos, mas sua escolha de roupas nunca foi um deles. Ela está usando um vestido azul escuro sem mangas que marca sua cintura e vai até o joelho. Com o cabelo solto em ondas e um salto discreto, ela é a mulher mais elegante desta cidade.

Sou esquecido por uns minutos enquanto todos a cumprimentam parabenizando-a, e vejo com divertimento suas bochechas ficarem coradas com a atenção. Finalmente ela para a minha frente.

— Cullen. — Ela me cumprimenta com um beijo na bochecha e seu perfume me atinge forte e letal.

— Bella. — Ela ergue as sobrancelhas e parece surpresa com o uso do seu apelido. Me curvo e falo em seu ouvido. — Será que a gente pode conversar?

Ela acena com a cabeça e a conduzo até uma área mais reservada do salão. Estou há uma semana com minhas desculpas engasgadas e mal espero que pare totalmente de andar quando falo:

— Eu te devo desculpas Bella, jamais tive a intenção de te magoar e deveria ter te avisado da situação naquele mesmo instante. Mas eu não vou pedir desculpas por tentar te proteger.

— Eu entendo, Cullen. — Mas antes que ela prossiga, levanto o dedo para interrompê-la.

— Edward, por favor. Você me chamando de Cullen tá me matando.

Ela ri e continua: — Me magoou muito você ter negado minha participação, principalmente porque achei que a gente tava se dando bem. Ou foi minha imaginação?

— Não, não foi.

— É difícil pra mim baixar minha guarda. Especialmente para você, que nunca foi com a minha cara.

— Calma, não foi bem assim.

— Claro que foi, na nossa primeira conversa você já riu de mim. — Ela cruza os braços sob o peito e franze a testa. Tento puxar na memória, mas não acho nada que justifique sua dedução.

— Eu tenho certeza que não ri de você.

— Riu sim, quando eu falei onde tinha estudado.

E então lembro exatamente da nossa primeira conversa e porque talvez ela tenha tido essa impressão.

— Eu não estava rindo de você, eu seria louco de menosprezar umas das melhores universidades do país, eu ri porque... Você lembra do amigo que me sacaneou na faculdade? — Ela concorda com a cabeça. — Depois que ele saiu de Harvard, ele tentou entrar em Yale e não foi aceito, quando você citou a escola, eu ri porque lembrei do fracasso dele.

— Então não você não riu às minhas custas?

— Nunca, Bella. E eu admito que te tratei com frieza depois, mas foi porque me chateou quando você roubou minha pergunta.

Ela fica literalmente de boca aberta quando digo isso.

— Edward, eu não roubei sua pergunta, eu não faria isso.

— Eu estava do seu lado, a moderadora apontou para mim.

— Tem certeza? Eu podia jurar que ela apontou na minha direção. — Bella tinha uma expressão tão genuinamente confusa que eu estava começando a pensar que imaginei tudo.

— Bem, na nossa direção. Eu estava bem ao seu lado.

Seus olhos vão para o chão e logo em seguida vira a cabeça na minha direção, os olhos brilhando como se estivesse tendo uma epifania.

— Meu Deus, Edward! — Ela coloca a mão sobre a boca. — Naquele dia eu acordei atrasada e esqueci de colocar minhas lentes e de pegar meus óculos, eu...

Mal ouço sua explicação porque estou contemplando quão estúpido eu tenho sido em relação a ela.

— .... e quando eu fui perguntar se você queria se encontrar em Chicago você me cortou, então achei melhor manter distância de você.

Isso captura minha atenção novamente.

— Foi por isso que naquele dia no bar você foi embora?

— Foi. — Ela ri. — Eu não queria ir, na verdade eu queria te conhecer melhor, mas...

— Como assim, Isabella, me conhecer melhor?

— Óbvio, Cullen! Você é facilmente o cara mais bonito que eu já conheci, eu precisei de todo o meu autocontrole para não ficar te encarando quando você se sentou do meu lado naquele segundo dia.

Balanço a cabeça indignado, não acredito que demorei tanto para perceber que ela não é nada do que eu tinha construído na minha cabeça.

O escândalo da MCC não foi a única cortina de fumaça que descobrimos com essa investigação. Por um ano eu disfarcei minha atração por Bella com implicâncias e julgamentos, e nas últimas semanas todos os meus motivos caíram por terra.

Bella chega mais perto e fica séria. Nossos corpos se tocam, meu coração acelera com a proximidade e sou consumido pelo desejo de segurá-la nos meus braços e nunca mais soltar.

Ela está com a cabeça inclinada para cima e se eu abaixar a minha só um pouco nossos lábios vão se tocar também. Ela apoia as mãos nos meus braços e as minhas vão automaticamente para sua cintura.

— Cullen — fala sorrindo então sei que está me provocando.

— Isabella...

— Só o que as pessoas falaram hoje é como formamos um bom time. — Ela passa a mão pelo meu cabelo e fecho os olhos ao sentir o carinho inesperado.

— Elas têm razão, sabe? — Levo uma mão ao seu rosto e acaricio sua bochecha. — Nós somos ótimos juntos.

Ela sorri e abaixo mais minha cabeça. Antes que eu perca a coragem, a beijo. Seu lábio superior finalmente está encaixado entre os meus e a mão que estava em sua bochecha agora segura sua nuca sentindo o cabelo macio entre meus dedos. Ela abraça meu pescoço e cada parte do seu corpo está encaixado no meu. Sua língua quente lambe minha boca, e de bom grado deixo-a entrar. Sinto seu beijo em todo meu corpo e nesse momento só existe nós dois.

Ao fundo, ouço alguém anunciar no microfone que o jantar será servido e não sei com que força de vontade vou parar de beijá-la. Minhas mãos não querem soltá-la e ela também não faz nenhum esforço para se afastar.

A necessidade por ar é o que nos para e coloco um centímetro de distância entre nossas bocas para respirar. Não aguento muito tempo sem sentir sua pele na minha e beijo sua bochecha, seu pescoço, o canto atrás da orelha e por último sua testa. Ela me abraça um pouco mais apertado e me solta.

— Vamos, Cullen. — Ela me puxa para a nossa mesa. — Vamos ter mais tempo para isso mais tarde.

A perspectiva de repetir esse momento me faz praticamente correr para o salão principal e Bella ri da minha empolgação.

— Só mais uma coisa — falo quando nos sentamos. — Essa história de voltar para o Arizona... Me diz que você já esqueceu essa ideia.

Ela suspira, — Eu estava mesmo considerando, mas agora — Ela me olha nos olhos —, eu tenho outras coisas para analisar.

— Bem, se vale de alguma coisa, eu gostaria muito que você ficasse.

— Não se preocupe, boa parte de querer sair daqui tinha a ver com ter brigado com você, agora que fizemos as pazes... — Ela dá de ombros.

Fico um tempo calado, mas assim que nossos pratos chegam, me inclino e sussurro em seu ouvido:

— Eu soube que o Arizona tem a maior população de fantasmas dos Estados Unidos.

A gargalhada que ganho em troca vale minha noite.

Aro e Eleazar discursam, brindam e falam sobre a possibilidade de indicação ao Prêmio Pulitzer de jornalismo. Mas tudo isso fica em segundo plano, pois só consigo me concentrar no fato de que Bella está segurando minha mão embaixo da mesa.

Após o jantar, uma orquestra começa a tocar e alguns casais se levantam para dançar.

— Me concede a honra dessa dança? — pergunto. — Ela morde o lábio inferior, mas se levanta.

Guio-a até o salão e seguro seu corpo junto ao meu, uma mão em sua cintura e a outra segurando sua mão direita. Seu braço esquerdo ao redor do meu pescoço, e a cabeça encaixada no meu peito. A música é lenta, mas mesmo se fosse dez vezes mais agitada, eu não mudaria de posição. Apoio minha bochecha no topo de sua cabeça e sinto uma paz que não achava ser possível.

Ela faz carinho na minha nuca e trago nossas mãos junto ao meu coração. Quero que o tempo pare. Bella suspira e me pergunto se está pensando o mesmo que eu. Ficamos assim até o fim da música e quando ela se afasta, seus olhos me dizem que é hora de ir embora.

Ela me puxa pela mão em direção à saída e sei que viramos uma página e estamos prontos para escrever uma nova história. A nossa.

FIM.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.