Corte de Promessas e Legados
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Horas se passaram desde o encontro com Rhyagan, e Nehemia, por mais que tomasse todo o estoque de bebidas do pai de Arabella, não conseguia para de pensar nele, em como ele a puxou para perto com tanta familiaridade, no cheiro inebriante dele de maresia e algo cítrico que ela não tinha certeza se era de laranja ou limão, aqueles olhos azuis suplicantes que lhe davam vontade de pular no pescoço dele, não para machucar, mas sim pra abraçar-lo e sentir seu calor.
Inevitavelmente, sua noitada de bebedeira e dança havia ido por água a baixo. Além do mais, seu corpo doia e seu irmão e a amiga estavam perigosamente dançando enroscados um no outro. Aquilo era a última coisa que ela queria ver no momento.
—Eu já vou indo gente, tenho que acordar cedo amanhã ou o papai me mata.- ela gritou para os dois que concordaram. -Eu te vejo depois Bella, ai te explico tudo com calma, ok?-
Arabella piscou pra amiga e quando Nehemia já estava tentando abrir caminho entre a multidão que não diminuira conforme a madrugava corria, ela sentiu uma mão segurar seu braço. Era seu irmão, com os cabelos extremamente bagunçados de tantas passadas de mão de Arabella.
—Antes de ir você devia ir falar com ele!- Ariel falou e apontou para um bar próximo, onde Nehemia encontrou Rhyagan de costas pra ela, uma garrafa quase vazia de uísque em uma de suas mãos.
— Eu sei que vocês brigaram, mas ele não aguenta beber tanto assim, é muito fraco pra bebida por mais que não adimita, se continuar nesse ritmo…-
Ariel não precisou terminar o raciocínio.
—Tudo bem, eu falo com ele. Mas depois que você e aquela doida ao qual chamo de amiga terminaram de fazer seja lá o que estiverem planejando, leve ele pra casa em segurança. Por favor.-
—Seu pedido é uma ordem encrenca.-
Então ele sumiu e Nehemia seguiu para o bar, respirando fundo para criar coragem a cada paço.
—Devia pegar leve nesse daí, é o mais forte da casa.- ela falou ao parar do lado dele.
—Agora você quer falar comigo?- Rhyagan falou com um sorriso arrogante, mais a fêmea viu vulnerabilidade por trás de toda aquela encenação e não retrucou na mesma moeda.
—Estou pedindo pra ir com calma e que volte em segurança pra casa, só isso.- ela falou com calma, então deu batidinhas no obro dele e se virou para ir embora. Não olhou para traz, mas conseguia sentir o olhar dele persegui-la até que já estevesse fora do clube.
Ela teria viajado nas sombras se não tivesse consumido tanto álcool. Não se sentia bebada, tinha certa resistência devido sua amizade com Arabella, mas preferiu não arriscar. A garota andou devagar pelas lindas ruas de Velaris, dando uma olhada nas vitrines e nas pessoas. Aquela cidade era maravilhosa, em plena madrugada, estava mais viva do que nunca.
A fêmea estava tão entretida com tudo a sua volta que só percepeu que havia chegado em casa, quando já estava nos portões da mansão da família. Seu subconsciente sabia que aquele era seu lar, aonde ela se sentia segura e feliz e automaticamente a trouxera pra ali. Uma casa tão grande, mas diferente da mansão da Corte Primaveril, aquela era aconchegante e cheia de vida. Tinha o cheiro e o toque de cada membro da sua louca família e ela amava está ali.
Sem demora, Nehemia subiu para seu quarto. O local estava frio, pois havia esquecido as janelas abertas e agora um vento noturno balançava as cortinas enquanto a garota tremia ao tirar toda a roupa. Precisava de um banho, mas o que ela queria mesmo era se jogar na cama e dormir o resto da noite.
Ela encheu a banheira e se banhou rapidamente, lavando os cabelos que cheiravam a vinho e suor. Apesar do encontro inesperado com o primo, ela havia se divertido. E por mais que vá negar eternamente, ela queria que ele não a tivesse soltado, queria que ele a segurasse com mais firmeza e… Nehemia afastou esses pensamentos da cabeça ao afundar na banheira. Tinha que esfriar o corpo antes de dormir, pois só de pensar em Rhyagan, a fêmea sentiu todo seu corpo esquentar perigosamente.
Não demorou para que estivesse enrolada em uma toalha e caminhasse até sua penteadeira, e por mais irônico que pareça, o porre que tomara havia melhorado significamente sua aparência. Já não estava tão opaca e seus lábios estavam rosados novamemte. A garota sorriu ao ver se reflexo no espelho e penteoou os cabelos molhados até que estivessem totalmente desembaraçados, secando-os o máximo que pode com a toalha.
Em frente ao guarda roupa ela retirou da caveta um pijama e roupas íntimas de cor azul marinho, sua cor favorita. A calcinha era de uma renda confortável e o conjunto de shorts e blusa regata eram de seda pura e brilhosa, que escorregaram por sua pele com maestria.
Nehemia estava exausta e não sabia como iria conseguir manter a promessa que fizera ao seu pai de que chegaria cedo ao treino, sentia que poderia dormir por dois dias seguidos, mais o caldeirão tinha planos diferentes dos delas, ao que parecia.
Alguém bateu na porta de seu quarto e pelo som parecia com pressa. Nehemia não perdeu tempo, pegou um robe do mesmo material e cor do pijama e correu para abrir a porta enquanto vestia a peça.
A garota se arrependeu no mesmo instante, pois parado ali estavam Ariel com um sorriso brincalhão e Rhyagan sendo carregado por ele, mal conseguindo se manter em pé de tão bêbado.
—O que aconteceu com ele?-
—Você aconteceu encrenca. Depois que foi embora ele bebeu mais meia garrafa de uísque, tive que carrega-lo até aqui. Ele não está falando nada com nada, mais repete seu nome sem parar.- Ariel explicou ao tirar o braço do primo do ombro e passa-lo para ela como se Rhyagan fosse uma criança adormecida.
—E o que você quer que eu faça exatamente?- ela perguntou fazendo cara feia para o gêmeo quando sentiu o peso do primo recair sobre seus ombros, mais Ariel já se afastava.
—Não sei e nem quero saber. Já alcançei minha cota diária de Rhyagan, agora é sua vez. Boa sorte!- e sem dizer mais nada, Ariel se trancou no seu quarto que ficava exatamente em frente ao de Nehemia.
—Nena?- Rhyagan falou sussurando ao olhar pra ela, percebendo que era ela que o segurava e não mais Ariel.
—Não me chame assim seu bêbado!-
—Ah, deixe disso e vamos entrar logo, quero dormir. Estou exausto!- Rhyagan disse ao revirar os olhos e fez menção de se virar para entrar no quarto dela.
—Não senhor, nem pense nisso. Eu vou levar você pro seu quarto.- Nehemia foi rápida e fechou a porta do quarto com a mão livre, escutando o primo grunir com o gesto.
—Você é muito estraga prazeres Nena!- ele praticamente gritou enquanto ela o arastava pelo corredor.
—Cala essa boca! Vai acabar acordando todo mundo.- Nehemia o repreendeu e ele apenas riu.
O quarto dele era apenas quatro portas depois do dela, mais pareceu bem mais longe pra a garota naquele momento. Ela suspirou aliviada quando enfim abriu a porta do quarto e entrou carregando ele pra dentro, fechando a porta atrás de se.
O local estava exatamente como ela lembrava, talvez até um pouco infantil, com certeza ele iria fazer uma reforma agora que voltara. Ela notou o jogo de xadrez que eles brincavam na infância jogado no mesmo canto que eles deixaram. Um sorriso tímido se abriu no rosto cansado dela, cheio de lembranças boas e nostálgicas.
—Podíamos jogar uma partida se quiser, pelos velhos tempos.- Rhyagan falou ao seguir o olhar dela.
—Você mal consegue ficar em pé de tão bêbado que está, quem dirá jogar xadrez.- Ela respondeu sarcástica enquanto o jogava na cama sem nenhuma delicadeza. -Pronto, está entregue. Tenha uma boa noite!- e já começou a sair.
—Você não pode ir agora…tenho que tomar um banho e preciso de sua ajuda.- ele falou depois de um soluço rindo. Pelo menos ele estava se divertindo com a situação.
—Ah não, isso não. Nem pensar!- Nehemia respondeu rápido.
—Ah, vai me dizer que não está louca pra me ver pelado?- Ele sorriu maliciosamente ao se apoiar nos cotovelos enquanto a olhava de cima a baixo.
—Você é muito convencido seu porco!- ela revirou os olhos e fechou o robe com mais força enquanto cruzava os braços, suas bochechas rosadas ardendo de vergonha. Mais Rhyagan notou que ela parara de sair e o sorriso no rosto do primo se abriu ainda mais.
—Prometo que vou manter esse seu desejo devaso apenas entre nós. Além de que, tenho certeza de que não lembrarei de nada amanhã de manhã.-
Nehemia não respondeu. Era verdade que ele precisava se lavar, pela mãe, a garota podia jurar que se ele chegasse perto de uma vela acenderia em chamas. Não deixaria que sua tia o encontrasse daquela maneira. Mas pelo caldeirão, aquilo era um avanço e tanto para pessoas que nem se falavam a anos. Contudo, ela não podia negar a afirmação de Rhyagan. Aquele sorriso a fazia imaginar coisas, a desejar fazer coisas com ele.
Cafajeste, era o que ele era…e ela adorou.
—Então, o que vai ser?- Rhyagan perguntou, já sabendo a resposta dela. Não podendo esconder o olhar de cobiça ao observa-la.
—Se você tentar alguma gracinha, eu te mato!- ela falou ao lhe apontar o dedo. Mas seu primo apenas continuou rindo, sem ligar pra ameaça proferida.
—Eu vou tentar me comportar querida!-
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