Notas iniciais
Olá de novo. A continuação do capítulo anterior está babadeira. Espero que vocês gostem e não esqueçam de comentar. Sem mais a dizer. Atenciosamente, Daily Poison.

—Acorda seu maldito preguiçoso.- Rhyagan despertou aos empurrões e gritos de Ariel. -Levanta logo daí ou jogo um balde de água em você!-

Ele riu sonolento, debochando da ameaça do primo.

—Dúvido.- Rhy desafiou enquanto voltava a fechar os olhos ainda pesados, puxando as cobertas quentinhas pra junto do corpo. Escutou o primo bufar e sair do quarto pisando forte. Ele pegara no sono no mesmo instante, apenas pra acordar minutos depois com água gelada molhando seu rosto.

—ARIEL…ENLOUQUECEU DE VEZ?- Rhyagan gritou furioso, sentando na cama num susto, mas seu primo gargalhava, um balde vazio pendendo de sua mão direita.

—Quem sabe? Talvez seja um mal de família.- o macho debochou ao seguir pra porta. -Ande logo, temos que tomar café, meu pai está esperando a gente pra treinar na casa do vento.-

—Não quero saber de treinar tão cedo depois do acampamento.- Rhyagan revirou os olhos e afundou novamente nos lençois, passando a mão ao seu lado e sentindo o vazio que Nehemia deixara.

—Você que sabe, mas ainda temos muito o que aprender e eu, não sei você, pretendo manter a forma. Ainda mais depois de ter bebido tanto ontem…- Ariel falou e então saiu do quarto, deixando um Rhyagan encharcado pra trás.

Ele olhou pra seu lado e suspirou triste. Não culpava Nehemia por ter saido de fininho, ele se empolgou e tentou ultrapassar um limite delicado. Mas Rhy não mentiu quando abriu seu coração pra ela, faria de tudo pra reconquista-la. E começaria dando espaço e tempo pra ela decidir quando estaria pronta.

Ele levantou da cama e se arrependeu de ter bebido no momento em que correu pro banheiro para vomitar no vaso. Pelo caldeirão, ele prometeu a se mesmo que nunca mais beberia daquele jeito de novo, estava um completo caco. O garoto deu descarga e tomou um banho rápido, vestindo sua roupa de rotina. Calça e jaqueta de couro, uma camisa básica e botas confortáveis. O herdeiro da corte Noturna passou a mão pelos cabelos negros e saiu do quarto, descendo as escadas o mais rápido que sua cabeça tonta o permitiu.

—Bom dia!- ele falou com um sorriso pra todos, quando chegou na sala de estar e jantar. Nehemia, ele notou de imediato, não estava ali, e ele só pode torcer para que não o estivesse evitando.

—Hum está de bom humor. A noite foi boa filho?- Rhysand perguntou com a cara mais estranha que seu herdeiro já o vira fazer. Um misto de sarcasmo e malícia que deixou o rapaz confuso. Sua mãe tentava segurar o riso, sem muito sucesso.

—Foi sim…- Rhyagan respondeu desconfiado enquanto sentava a mesa, e fez um gesto pra mãe, que estava do outro lado com o parceiro sorridente, em busca de uma explicação.

—Não ligue pro seu pai filho.- Feyre falou com um sorriso, gesticulando pra que o filho deixasse pra lá. — Deixo o garoto em paz Rhys!- ela continuou.

—Tudo bem, tudo bem!- Rhysand concordou.

—Eu não estou entendendo nada…mas enfim.- ele concluiu que o comportamento estranho dos pais era algo além de sua compreensão.

—Parece melhor mãe.- Rhyagan comentou enquanto enchia o prato com um pouco de tudo que tinha na mesa. Ovos, embutidos, pães quentinhos e frutas variadas.

—Estou sim, devo só ter comido algo que me fez mal.- Feyre respondeu e ele lembrou da aparência da mãe na noite passada, sorrindo aliviado por ela está melhor.

—Mas não é a primeira vez que acontece. Nem a segunda. Já faz algum tempo que você não vem se sentindo bem.- Elaim, que estava sentada ao lado de Ariel, até então absortos na própria conversa, disse ao olhar preocupada pra irmã caçula.

—É, Elaim tem razão. Talvez devêssemos chamar uma curandeira pra te examinar.- Rhysand falou preocupado.

—Deixe disso vocês dois. Estou ótima!- Feyre encerrou o assunto com um sorriso, mas seu olhar era sério e desafiador.

—Onde estão os outros? -Ele perguntou de boca cheia, sua mãe lhe repreendeu com um olhar significativo.

—Azriel foi fazer uma visita aos acapamentos ilyrianos a pedido meu. Mor foi visitar uma amiga e não deve voltar nas próximas semanas. Cass e Nestha estão na casa do vento desde o nascer do sol fazendo sei lá o que. Pela hora, Nehemia deve está lá também. — seu pai respondeu, parando de vez em quando para comer um pouco.

—Porque mandou o tio para os acampamentos? — o garoto perguntou curioso.

—Estamos nos preparando seja lá para o que estiverem planejando contra nós. A frota aérea é essencial para nossos exércitos. Azriel foi verificar se eles estão dispostos a lutar ao nosso lado caso seja necessário. — O grão senhor explicou.

—Então a situação é séria a esse ponto?-

—Não é novidade que algumas cortes se resentem quanto a nós. Estamos prosperando, tanto em poder quanto em riqueza e isso atrai inveja e perigo.- Sua mãe falou, encostando o garfo no prato com um tilintar irritante.

—Não é surpresa o que Niklaus está tentando fazer, já esperavamos por algo do tipo e ele não representava uma ameaça. Mas com Keir envolvido…- seu pai continuou o raciocínio da mãe, os dois pensando como um.

—Não ligamos pra ameaça da Corte Primaveril porquê está muito distante, mas Keir está no nosso território e conhece Velaris.- Feyre explicou.

—O perigo agora está às portas.- O garoto concluiu e seus pais acentiram com as cabeças.

—Não deve se preocupar com isso no momento. Nenhum de vocês!- Rhysand falou sério ao apontar pro filho e sobrinho.

—E o que devemos fazer?- Ariel perguntou.

—Nehuma besteira, eu espero.- Elaim falou com um de seus maravilhosos sorrisos, aliviando o clima tenso que pairava no ar.

—Exatamente. Por enquanto ainda estamos com tudo sob controle. Mas se precisarmos de ajuda,estejam preparados.- Rhysand falou, dando por encerrado o assunto.

Rhyagan suspirou enquanto terminava de engolir a última migalha que restou no seu prato. Então se levantou, deu um beijo na sua mãe e deu uma batidinha carinhosa no ombro do pai.

—Vamos!- ele chamou o primo, que atendeu a ordem e se levantou, seguindo ele sem precisar perguntar pra onde iriam.

—Você e Arabella, hum…prevejo problemas.- Rhyagan brincou com o primo enquanto caminhavam até a sala de treinamento. Tinham apostado uma corrida até a Casa do Vento, e Ariel havia vencido e o assunto sobre Arabella surgiu.

—Não é nada, eu apenas a chamei pra passear já que não tivemos muito tempo ontem. Ela vai me mostrar Velaris. Já faz tanto tempo que esqueci aonde fica tudo.- Ariel explicou.

—Sei, você não tem nehuma segunda intenção?- Rhysand continuou a provocar.

—Se rolar algo não irei achar ruim.- O macho sorriu arrogante, fazendo Rhyagan gargalhar.

Eles estavam quase chegando quando ouviram um forte baque ressoar pelo corredor. Alguém devia ter levado uma queda bem feia. Eles apresaram o passo e quando abriram a porta, estancaram para ver a cena.

Na sua frente eles encontraram Cassian e uma ilyriana lutando no centro da enorme sala. Lutando não, ela estava sentada no chão, as pernas enroscadas num golpe mortal no pescoço de…só podia ser Cassian.

—Quem é essa…- ele sussurou curioso, mas então sentiu o cheiro dela. O aroma levemente adocicado de rosas e o cheiro forte de livros novos, misturado com suor. Era Nehemia que lutava com Cassian. Mas não podia ser, Rhyagan não podia acreditar. Ela tinha asas.

—Vai adimitir ou quer continuar? — Nehemia falou rindo pro pai, que bufou com raiva.

—Você é a melhor!- o macho falou sussurando.

—Sou sim, obrigado.- e então ela o soltou, Cassian tossiu algumas vezes e então comecou a rir enquanto levantava do chão e estendia a mão pra filha, que segurou e se deixou ser puxada.

O coração de Rhyagan quase saiu pela boca. Se já não estava apaixonado antes, aquele foi o momento em que ficara caidinho pela sua parceira. Nehemia já era perfeita, mas quando ela virou na sua direção seguindo o olhar do pai, ele ficou vislumbrado com a majestade da criatura que de repente ela havia se tornado.

As asas grandes em comparação ao seu tamanho, estavam levemente abertas, deixando os pontinhos azuis brilharem em contato com a luz. A postura dela também tinha mudado, a coluna estava ereta e ela apoiava as mãos na cintura fina, o pequeno gesto iradiando orgulho e poder. O olhar dela era malioso e subversivo, e Rhyagan tinha certeza que bastaria um movimento errado e ele estaria no chão, exatamente como Cassian estivera.

Que mulher meus amigos, que mulher.

—Vocês vão entrar ou vão ficar babando ai?- Cassian falou irônico, e o garoto percebeu que encarava Nehemia e desviou o olhar rapidamente. E com o pouco de naturalidade que lhe restou ele se aproximou dos dois, seu primo animado ao lado.

—São maiores do que pensei encrenca.- Ariel falou ao ir direto pra irmã, que abriu as asas pra mostrar pro irmão.

—Você sabia?- Rhyagan conseguiu perguntar.

—Claro. Você não?- Ariel perguntou sem dar atenção a ele, enquanto comparava as próprias asas com a da irmã.

Rhyagan não precisou responder.

—Como?- foi tudo que falou depois de momentos silenciosos.

—Foi uma surpresa pra mim também.- Cassian falou enquanto se alongava despreocupado. -Posso contar a ele como aconteceu?- seu tio perguntou a ela.

—Tanto faz.- Nehemia deu de ombros como se não se importasse e então pulou no irmão, começando a lutar com ele, mas pareciam está mesmo é brincando.

—Foi ha o que? Quatro, cinco anos talvez. Fomos fazer uma visita a vocês no acampamento e ela estava extremamente ansiosa. Acho que nunca vi minha filha tão nervosa. Cuidado com os pés Ariel, sua irmã adora dar rasteiras.- Cassian se interrompeu para avisar o filho.

—Não sei exatamente o que aconteceu, eu a deixei no velho chalé por alguns minutos e quando voltei ela estava lívida. Percebe que havia algo errado e me aproximei dela devagar. Suas mãos estavam fechadas em punho e os olhos estavam disperssos.- seu tio falou a voz abaixando a cada palavra. Ele não tirava o olho da filha, a observava cauteloso, Rhyagan percebeu que ele estava com medo que aquelas lembranças a pertubassem.

—Eu perguntei se estava bem e quando ela olhou pra mim, vi desespero. Ela pediu ajuda repetidas vezes, os olhos cheio de lágrimas. Estava sentindo dor, algo crescia dentro dela e não sabia como fazer parar. Então eu peguei ela e a levei o mais rápido que pude para a floresta. Paramos bem no topo da montanha, onde ninguém nós encontraria e eu disse a ela pra que liberasse o que quer que a estivesse consumindo, que ela se sentiria melhor depois.-

Rhyagan escutava atento, um peso preenchendo seu peito. Ele fizera aquilo. Ele causara aquela dor ao ignora-la. Ele buscou o olhar de Nehemia para pedir desculpas, mas ela sabiamente ,continuou a ignora-lo, ainda lutando com o irmão, que perdia feio pra ela.

—Então ela se libertou. Foi assustador e incrível ao mesmo tempo. Uma nuvem de sombra emanou dela violentamente, trovões ecoaram pelo vale, cortando o vento e me empurrando como se eu não passasse de uma pluma. Eu bati contra uma árvore e cai não muito longe, ainda conseguia ver o que estava acontecendo. Ela gritava. Eu só tinha ouvido alguém gritar daquele jeito uma vez, a muito tempo, na guerra contra o rei de Hybern.- o rosto de Cassian estava sombrio, e Rhyagan não perguntou de quem ele estava falando.

—Foi a coisa mais angustiante que já ouvi. Mas graças a mãe não durou muito tempo. Aquela onda de poder se foi tão rápida quanto chegou. E quando a escuridão de dissipou, encontrei Nehemia caida no chão exausta, as garras fincadas na terra com ódio, o rosto vermelho de raiva e as asas completamente abertas sobre o corpo. Eu me aproximei rapidamente, esperando a encontrar confusa ou surpresa, mas nos olhos dela eu encontrei somente vazio. -

A luta entre os gêmeos agora havia acabando. Ariel perdera e se encontrava caído no chão. Nehemia estava ao lado dele, as asas levemente retraidas, olhos vidrados no chão. Suas mãos tremiam, ele percebeu, e quando finalmente olhou pra ele, o garoto entendeu o que seu tio havia falado. Vazio. Rhyagan só encontrou vazio.

—Eu não entendia como aquilo havia acontecido. Depois de 12 anos sem demonstrar nada, ela de repente cria asas. Talvez tenha sido algum poder ancestral que despertou ao chegar no acampamento, mas não tenho certeza. — Cassian explicou passando a mão nos cabelos. -Fiz menção de leva-la de volta ao acampamento, mas ela implorou que a levasse de volta pra casa e eu obedeci. Desde então ela vem treinando com Azriel para aprender a voar e eu intensifiquei os treinos dela, que ficou ainda mais poderosa com a nova aquisição.-

Silêncio. Depois que Cassian concluiu a história. Ninguém falou mais nada. Rhyagan perguntou a Nehemia pela ligação o porque dela não ter contado a ele, mas ela se livrou do olhar dele e o ignorou.

—História legal Mia. Você como sempre, muito dramática.- Ariel debochou irônico, fazendo o pai rir.

—Devo ter aprendido com vocês bebês ilyrianos.- Ela retrucou tentando fazer graça, mas ainda parecia perturbada. -Ja vou indo, estou faminta e o dia está corrido.- a fêmea anunciou e já partiu sem dizer mais nada.

Rhyagan fez menção de segui-la mais escutou a voz dela ecoar pela sua mente.

"Preciso ficar sozinha."

E o garoto atendeu ao seu pedido.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.