Notas iniciais
Olá, olá queridos. Como vão? A continuação do capítulo de ontem já está pronta. Espero que gostem e não deixem de fazer a tia aqui feliz deixando seu comentário. Sem mais a dizer. Atenciosamente, Daily Poison.

—Da pra parar de me olhar assim garoto?- Nehemia reclamou.

—Assim como?- o macho se fez de inocente enquanto a observava tirar seus sapatos e meias, ajoelhada aos seus pés no limite da cama. Um sorriso arrogante se abriu no rosto de Rhyagan, mas ele riu quando a prima gruniu irritada.

—Não se fassa de desentendido e tire logo a roupa. Vou encher a banheira!- ela continuou ao jogar os sapatos num canto do quarto já indo em direção ao banheiro anexado.

—Como você é mandona. Adorei!- ele a provocou enquanto tirava a calça e a largava sem nem ao menos ver aonde. Então sentou na cama, tirando devagar a jaqueta de couro e a camisa simples que usava, deixando as peças na cama ao seu lado.

Podia escutar o som da água corrente e Nehemia praguejando enquanto preparava o banho dele. Isso o fez se animar e tomar forças para caminhar sozinho até ela. E chegando lá ele riu com a cara de decepção da fêmea ao notar que ele ainda estava com a parte de baixo.

Ele gargalhou sem se importar com os outros que já dormiam na casa.

—Idiota!- ela disse enquanto fechava a torneira. -Já pode entrar agora, ou também precisa de ajuda pra tomar banho bebezinho ilyriano?- e então apontou para a banheira.

—Se quer me dar um banho é só pedir querida, não precisa me insultar no processo.- ele provocou ao tirar a cueca, um sorriso malicioso estampado na face.

Nehemia lhe deu as costas tão rápido que ele pensou que fosse cair. Aquilo o fez gargalhar ainda mais.

—Eu passo, obrigado.- e então ela saiu do anexo tampando sua visão com as duas mãos.

Rhyagan entrou na banheira e relaxou com a água morna tocar sua pele e asas, deixando escapar um suspiro de prazer enquanto submergia o máximo que conseguiu, esticando as asas preguiçosamente enquanto apoiava os braços e a cabeça na parede da banheira.

Pra sua surpresa, Nehemia voltara ao anexo, trazendo com ela uma cadeira de madeira que devia está largada no quarto dele. Ela pois o móvel bem proximo de onde ele estava, mais próximo do que ele pensou que ela ousaria e então sentou no mesmo.

As pernas estavam cruzadas de modo que o robe não podia esconder a belíssima paisagem que fez Rhyagan despertar. Os shorts curtos de seda subiram naturalmente, deixando as coxas e uma parte dos glúteos da fêmea provocantemente a mostra. Sua pele brilhava com a luz da lua que entrava pela janela aberta, deixando a ainda mais atraente. Nehemia estava de braços também cruzados e olhava pra ele com os olhos semicerrados e um bico na boca carnuda que ele desejava tanto provar, instigando ele a falar.

—Pensando na minha proposta, Nena querida? Tem espaço pra dois nessa banheira...-

—Estou apenas conferindo se você não vai se afogar!- ela debochou, mas sorriu ao fazê-lo.

Aquele era o momento, o macho pensou. Estavam sozinhos e ninguém os atrapalhariam. Precisava retomar a conversa que iniciaram no clube e talvez , quem sabe, eles não se resolviam de vez. Ele ponderou por alguns minutos sobre o que falar primeiro e então teve uma idéia. Seu pai uma vez lhe contou que ele e a parceira faziam uma brincadeira em que um dizia um pensamento e o outro tinha que da outro em resposta. Aquela era uma maneira descontraída e bastante eficaz de se começar uma conversa.

—Vamos fazer uma brincadeira Nena! Um pensamento por outro. — ele anunciou e não deu tempo dela negar, já emendando o que pensava. — Eu penso, não só agora, mas constantemente o que teria acontecido se eu não tivesse sido tão idiota naquela época.-

—Pelo menos você adimite que agiu como um idiota, já é um começo .- Nehemia respondeu com um risinho.

—Não é assim que a brincadeira funciona mocinha.-

—Ta bom ,ta bom.- Ela conteve o riso e então suspirou.

—Eu penso no que estava se passando na sua cabeça oca pra fazer aquilo comigo e então me vejo com raiva de você. Porém, eu não gosto de sentir isso.-

—Você sente raiva de mim?- Rhyagan perguntou e a cara que sua parceira fez foi resposta o bastante. Então ele continuou. -Eu penso muito em você! Todos os dias que passamos separados, eu pensava em você, a cada segundo a cada respiração.-

—Ah faça me o favor. Isso não chega nem a ser um pensamento, é uma afirmação.- Nehemia reclamou, mais não pareceu chateada.

—Mas é a verdade. Por mais que eu tentasse me afastar de você, sua imagem nunca saiu da minha cabeça. No começo eu pensei que fosse apenas saudade da minha melhor amiga, porque eu senti sua falta Nena, mais do que gostaria de admitir. Mais depois, conforme eu crescia, eu percebe que era mais do que isso. — o herdeiro da corte noturna falou sem pensar, apenas falou.

—O que você percebeu?- Nehemia perguntou, os olhos arregalados com tantas revelações.

—Eu percebi que o vazio que eu sentia era porque uma parte preciosa de mim estava faltando, a melhor parte, a que me tornava uma pessoa melhor.- Rhyagan respondeu mantendo o contato visual com sua parceira. -Faltava você Nena, faltava a minha parceira.-

Os olhos dela se arregalaram ainda mais como efeito daquela palavra sendo dita em voz alta pela primeira vez. Ela segurrou as dobras do robe com tanta força, que os nós dos dedos ficaram brancos e seu rosto estava vermelho de frustação.

—Então porquê não falou isso pra mim? Porque continuou me afastando? Por quê você me ignorou? — ela disse por fim ao se aproximar mais da banheira, ficando a poucos centímetros do rosto dele, os olhos suplicantes por respostas.

— Por que eu tive medo! Sou um covarde Nena.- Rhyagan adimitiu ao esticar a mão molhada para tocar o rosto dela. Nehemia não fugiu do toque e repousou a mão delicada sobre a dele. A pele dela era tão macia comparada a mão cheia de calos dele, que o macho teve medo de machuca-la de alguma forma.

—Eu entendo, também tenho medo!- Foi tudo que ela falou, um meio sorriso contrastando com os olhos cinzas marejados de lágrimas.

—Nena eu…-

—Está tudo bem Rhy, de verdade, eu entendo. — Ela disse ao se afastar dele, levantando da cadeira e pegando uma toalha pra ele. -E por enquanto, isso basta. Temos bastante tempo pra conversamos, não precisamos nos apressar.- Ela abriu a toalha na frente dele, tampando qualquer visão do corpo nu que ela poderia ter. -Agora saia já dai, está tarde e estou cansada.-

Rhyagan demorou pra absorver tudo, mas no fim ele riu. Saiu rapidamente da banheira e pegou a toalha das mãos dela, enrolando na cintura. Aquilo significava que ela queria tentar tanto quanto ele, que teriam tempo, que conversariam e que no fim ficaria tudo bem. Essa promessa de um futuro fez uma onda de adrenalina percorrer o corpo do herdeiro, clareando sua mente e o livrando do entorpecimento do álcool. Estava feliz como nunca se sentiu em tempos.

—Um pensamento por outro?- ele perguntou com um sorriso malicioso ao notar que Nehemia estava olhando pra ele de cima a baixo. O macho então foi se aproximando dela devagar, abrindo levemente as asas no processo.

—Você primeiro.- ela disse ao recuar aos tropeços para trás ainda o olhando.

—Estou pensando em quando a encontrei hoje agarrada com Niklaus e em como eu estou irritado com isso.- ele falou e continuou a avançar devagar na direção da garota.

Ela semicerrou os olhos, como pra conter as chamas que agora brilhavam.

—E eu estou pensando em porque está com raiva de eu beijar outro cara se você ficou com quase todas as ilyrianas do acampamento.- ela o provocou e sorriu arrogante pois sabia que tinha encontrado um ponto fraco. Como ela ficará sabendo de suas libertinagens Rhyagan não sabia, mas teria uma conversinha com Ariel no dia seguinte.

—Está com ciúmes, Nena?- O macho continuou. Nehemia soltou um grunido quando bateu de costas com a porta do anexo e viu que não teria como fugir dele, que agora já a tinha encurralado com o próprio corpo.

—Não é bem assim que esse jogo funciona!- ela falou e ele percebeu que sua respiração estava acelerada.

—Tem razão, mas o jogo pouco me importa agora- Então o garoto precionou seu corpo contra o dela a empurrando contra a porta, as mãos logo se posicionaram em lugares que ele sabia que a deixaria louca. A esquerda deslizou pra dentro do robe dela com facilidade e foi descendo pela cintura fina de Nehemia até que estivesse no seu quadril avantajado. Já com a direita, ele preferiu acariciar o colo e ombros da fêmea com precisos movimentos em espirais.

—Porque você ficou com raiva?- Nehemia quase sussurava ao olhar pra ele.

— Porque senti ciúmes. Porque eu queria está no lugar dele, segurando você nós meus braços.-

—Bem…você me tem nos seus braços agora.- A femea falou, um olhar malicioso e faminto, enquanto enroscava os braços magros mais definidos pelo pescoço dele, passando os dedos no cabelo curto de Rhyagan. -Vai continuar sendo um covarde ou vai fazer algo a respeito?-

—Coisinha devassa e cruel.- ele ronronou e então desceu a mão direita para mesma posição da esquerda, e sem precisar fazer força alguma, sua parceira pesava quase nada, ele segurou suas coxas e com um movimento rápido a levantou do chão.

Nehemia gemeu com o gesto e enroscou as pernas em sua cintura, e sem avisar o beijou. Rhyagan não poderia descrever tudo que sentiu naquele momento, palavras não seriam capaz de captar todos os sentimentos que brilhavam em sua mente. Seu corpo, por outro lado, respondeu automaticamente, claro, desejava fazer isso com ela havia muito tempo. Ele desamarrou o robe, e enquanto segurava ela no ar com uma das mãos, a outra retirou a peça com delicadeza, acariciando a pele exposta da fêmea.

Ele cortou o beijo longo que Nehemia lhe deu só para brincar com seu pescoço. Ele beijava, lambia e mordiscava, sem deixar de passar a mão firmemente por toda a extensão do corpo quase despido devido ao toque dele. Rhyagan roçou seu membro já duro sob a toalha contra ela com força, quando a ouviu gemer ao seu ouvido enquanto afundava as unhas nos ombros largos dele e beijava seu pescoço ainda molhado.

—Nena…- Rhyagan sussurava, a voz irreconhecível até pra ele.

Então ele sentiu a ligação entre eles brilhar fraca na escuridão que os envolvia. Ele queria mais. Queria ter ela por completo. Sem pensar, o garoto deslizou para a mente da parceira, e o que encontrou foi um muro sólido de obsidiana negra como a própria escuridão que habitava naquele mundo entre suas mentes.

Ela o sentiu e parou de beija-lo imediatamente. Aquilo só podia significar uma coisa. Ela ainda não estava pronta pra se entregar totalmente pra ele, pelo menos não daquele jeito. E pra Rhyagan tudo bem, ele entendia o porque dela se resguardar. A culpa era dele por tê-la deixado escapar pelos seus dedos entorpecidos.

"Está tudo bem Nena." ele falou pela ligação enquanto respirava ofegante, tentando alcamar o desejo de beija-la.

"Deveríamos ir dormir." ela respondeu. Um sorriso contido no rosto vermelho.

Rhyagan a colocou de volta ao chão delicadamente e se afastou da fêmea com relutância. Ele pegou o roube do chão e entregou a ela, que ajeitava o pijama no corpo.

Os dois voltaram calados pro quarto, e Rhyagan tirou a toalha, sorrindo com arrogância ao ver sua parceira olha-lo de esgueira pelo ombro. Ele andou até a cama e se jogou nos lençóis quentinhos e macios, puxando um deles pra cobrir o corpo nu.

—Você vai dormir assim?E se alguém entrar no seu quarto e pegar você pelado?- Nehemia perguntou ao se sentar na beirada da cama, bem ao lado dele.

—Você vai vim bisbilhotar enquanto eu durmo Nena? Que coisa feia.- ele ronronou arrogante, piscando pra ela. -Se quer me ver pelado é só pedir.-

—Você é inacreditável.- ela revirou os olhos. -Boa noite.- e fez menção de ir embora, mas Rhyagan segurou sua mão e a conteve.

—Não vá pro seu quarto. Fique comigo esta noite.- o macho pediu, sem sorrisos ou brincadeiras, o olhar sério.

—É melhor não…-

—Por favor Nena- disse ao segurar a mão dela com força. -Fique!-

Ele não conseguiu decifrar o que viu no rosto da sua parceira naquela hora. Somente duas emoções comflitantes: desejo e medo. E por mais que respeitasse a decisão dela de ir devagar, ele não queria que ela fosse embora, queria sentir a presença, o calor, o cheiro dela um pouco mais ou o desejo acabaria com ele. Era egoísta, Rhyagan estava bem ciente disso, mais ele precisava daquilo.

"Chega pra lá e nem pense em tentar alguma gracinha pra cima de mim durante a noite." ela falou pela ligação e tirou o robe.

Rhyagan sorriu enquanto fazia suas asas sumirem para dar mais espaço a ela, e se arrastava para o outro lado da cama vendo a femea entrar pra debaixo das cobertas e virar as cotas pra ele. Aquela cena fez seu corpo esquentar novamente, mas ele conseguiu se controlar.

Ela era a criatura mais linda que ele já vira. Os cabelos estavam soltos em cima dos traveseiros, negros em contraste com os lençóis brancos. E a pele parecia tão macia quando a seda que a cobria. Ele sentiu vontade de explorar as curvas tão nítidas mesmo sob o lençol e riu consigo mesmo. Ela estava deliciosa.

—Va dormir Rhyagan!- Nehemia mandou, como se pudesse sentir o desejo que emanava do primo, e com sua ligação viva outra vez, ele não se espantaria se realmente conseguisse.

"Nós vamos devagar querida, mas você precisa saber o quanto eu senti sua falta e o quando estou feliz por está ao seu lado." ele falou e então mandou imagens e as sensações de quando estava no acampamento e pensava que não conseguiria aguentar a ausência dela.

"Sei que será difícil. Diremos coisas feias um pra o outro. Eu irei te machucar e você também irá me machucar. Mas isso não importa de qualquer maneira, porque sabemos que eu sou seu e você é minha." ele continuou enquanto acariciava a parede de obsidiana com as garras, sentindo o muro ceder levemente ao seu toque.

"Eu irei beija-la até que me perdoe, e não vou parar até te fazer minha. Minha amiga, minha mulher. Minha parceira." ele concluiu e então se virou para dormir também. E quando estava quase pegando no sono, ele sentiu o calor dela se aproximar, e logo depois o corpo encostando no dele. O braço de Nehemia deslizou pela sua cintura e o abraçou. As pernas dos dois estavam entrelacadas e ele segurou a mão dela, passando o polegar nos nós do dedos.

Rhyagan suspirou de prazer. A respiração de Nehemia fazendo cócegas em seu pescoço. E talvez fosse apenas por causa da bebida e do cansaço, mas o garoto dormiu tranquilo como há muito tempo não conseguia.