Corte de Desafios
2 CAPÍTulo 1
Notas iniciais
— Ela se mostrou útil, por mim pode ser testada. — Digo sob a bagunça de vozes que se calam quando escutam a minha voz — A idade é quase de um bebê, mas se tem competência não vejo problema. O máximo que pode ocorrer é morrer antes da iniciação.
— Como se não fossem tentar- Rai ri sarcasticamente, seus cabelos pretos caindo sobre os ombros enquanto ela olha para a novata como se fosse o prato principal do banquete.
— Ela não dura um dia – Annaki diz e todas começamos a rir. A pequena, que está sendo observada, se encolhe. – Ok, talvez dois.
Anny se levanta e caminha em direção ao centro do círculo neutro. Seu cabelo cacheado e longo está preso em uma trança apertada, apenas uma mecha rebelde cai em seu rosto. Seu olhar sereno, que estava dirigido para a ínfima criatura que está no centro do círculo neutro, abre lugar para um zangado quando levanta a cabeça para todas nós, como se dissesse "parem agora".
Quando fazemos o círculo neutro não existe hierarquia, não existe primeira, segunda ou terceira em comando. Somos apenas nós, as Párias, votando no melhor para o grupo. Nossa alcunha tem história, vem de situações durante o tempo de treinamento.
Começou quando me alistei. Uns dois dias depois de me alojar, encontrei uma menina sozinha, enquanto uma tal de Victoria juntamente seu grupinho implicavam com ela. A Victoria nem pertencia a Corte Estival, mas ainda assim estava presente em nosso treinamento, sabe-se lá por qual designo do Caldeirão que uma alma podre daquelas conseguia ter esse privilégio.
Eu não suportei ver tudo calada e caminhei até a menina, que mais tarde fui conhecer como Nessie. Um olho meu nem abria ainda graças a última surra que havia tomado do clã de minha tia enquanto ainda estava no mar, mas ainda assim eu não podia deixá-la sozinha. Nesse momento, a Lina e a Marina, que estavam passando pelo local, viram a comoção em torno da situação e entraram também em defesa da menina. Victória estava disposta a briga, mas nós também.
O desenrolar foi bagunçado e eu mais apanhei do que bati, mas esse cenário serviu para nos unir. Desse dia em diante, começamos a treinar juntas, algumas mais velhas outras recém completados 8 anos. Com isso nosso grupo começou a ser denominado de Párias, éramos as excluídas do centro de treinamento, só tínhamos umas às outras e conforme o tempo passava nos tornamos as melhores.
Alguns membros novos entraram, como a Lídia e a Duda que vieram com os braços costurados uma na outra por alguma pegadinha maldita que fizeram. Leh, como nossa curandeira, prontamente cuidou delas e quando estavam melhores passaram a ser Párias. Mas não pense que é fácil entrar em nossa facção, cada integrante passou pela iniciação, que é dividida em etapas. Cada candidata deve passar por todas nós, de seu jeito. Sua habilidade especial tem que passar no teste das Párias.
Mas antes, o grupo tem que permitir a sua entrada no teste, e era isso que estávamos discutindo sobre a criança de apenas 15 anos que se encontrava no centro do círculo.
— Nós deveríamos parar de assustar a garota – Anny diz — Ela não é um brinquedo, e não precisa desse tipo de tratamento para vocês se divertirem as custas dela.
— Se ela não nos aguenta, como você espera que ela aguente tudo o que passamos e vamos passar? Isso é uma legião para a guerra, não um clube de amigas felizes vivendo no mundo ideal que só coisas boas acontecem – Falo.
Vozes começam se elevar e as conversas a se misturarem conforme nosso debate aumenta. Ouço Lina dizer, "Mas somos amigas felizes" e alguém berrar em resposta "QUEM É FELIZ COM TANTO CALO NA MÃO?". Ao ouvir isso todas caímos na gargalhada, Rai não consegue nem respirar enquanto ri, Manu olha para nós como se não acreditasse no que estava acontecendo, mas sem esconder o sorriso.
Somos interrompidas por uma mensageira que chega em nosso alojamento. Rai percebe antes dela estar a dez metros da porta e com um assobio curto nos calamos, quatro minutos depois ouvimos sua batida. Annakki, como o meu braço esquerdo, geralmente é quem analisa as situações, correspondências e até mesmo nossos alimentos. Uma habilidade importante, que só alguém muito inteligente conseguiria ser impecável.
— Não foi lacrado e não é nada demais. Alguns membros da Noturna estarão no centro de treinamento hoje e precisamos nos apresentar as 15h.
— Fala sério que o pedaço de mal caminho do Rhysand vem nos ver hoje!? Logo agora que ganhei de presente esse roxo na cara – Nessie fala e faz um biquinho que ganha risadas – Anna Clara, você me paga.
— Acho que com isso decretamos o fim da reunião, por hora e sem decisão sobre a pirralha. Assim que possível retornaremos, Manu você fica conosco até lá. Não quero você andando por aí sozinha, com tudo o que está acontecendo.
Há algumas semanas dois membros desse centro de treinamento foram encontrados mortos. Causas naturais foi o que todos disseram, mas não acredito, nem eu e nenhuma das Párias.
Saímos e nos dirigimos ao galpão principal, onde acontecem os treinos maiores, de missões curtas. Cada uma das Párias pega sua arma. A reunião é daqui a uma hora, mas acreditamos que um bom aquecimento muda tudo. Assim como eu, essas 11 garotas clareiam o pensamento com a adrenalina que uma boa dose de exercícios pode causar.
Pegamos os palitinhos e os misturamos para formarmos trios. Embora cada uma tenha um trio específico de melhor entrosamento, sempre treinamos com todas as alternativas possíveis. Algumas se saem impecáveis e outras apresentam maior índice de falhas, isso é o que procuramos reduzir ao máximo. Hoje eu tive a sorte de cair com a Marina, dou um sorriso quando pego o palito da mesma cor que o dela.
Quando vejo todos os trios formados dou um suspiro, Annakki ficou com Anna Clara e com a Leh. Com a velocidade da Anna, elas têm um fator de vantagem bônus. Leh fica mais a margem, mas é boa demais com a Shuriken para não representar perigo. E bem a Annakki é a Annakki, com aquelas adagas tipo sai, que quando você olha para ela se lembra das histórias sobre a Bryaxis.
Mas eu fiquei com a Marina e com a Lina, um trio muito bom já que nossas habilidades harmonizam. Marina levanta seu machado e começa a girá-lo para aquecer, eu a olho admirada, sua arma aparenta ser um membro de si mesma, uma extensão de seu próprio corpo. Às vezes eu a observava, querendo ter uma habilidade parecida, seus movimentos semelhavam-se a uma dança, mas já vi em batalhas o quanto essa dança pode ser mortal. Rai ficou com Lídia e com Duda, quando ela saca as espadas gêmeas olha diretamente para mim e aponta uma em minha direção como um aviso. Apenas mostro minha língua em resposta. Por fim Anny com seu arco, Nessie e Polly se juntam em um canto. Suspiro, um grupo grande, mas talentoso cada uma em sua maneira.
— Certo, a bandeira está no fim do galpão. A equipe que pegar primeiro, além de jogar na cara de todas a vitória, fica com nossa sobremesa, sem exceções.
— Você sempre tem que colocar comida no meio? – Rai pergunta, sem nem me olhar, apenas focada na bandeira oscilando a distância.
— Temos 30 minutos para finalizarmos o treinamento; se não pegarmos, falhamos. E sabem o que dizem das Párias.
—Não falhamos! — Todas respondem em uníssono.
Cada grupo escolheu um ponto entre cada extremo do galpão, a bandeira tremulava no meio. Esperamos o sinal sonoro, que ficou sob responsabilidade da Manu. Quando ouvimos o som agudo, Marina sai em disparada por uma lateral e eu por outra, ao invés de ir direto para o meio, damos a volta direto para a entrada de nossas oponentes. Com Marina a estratégia saí naturalmente, com apenas um olhar, ela apontou para as áreas e nos entendemos. Lina com sua função de mentira, segurava uma adaga longa e permaneceu escondida até achar sua primeira vítima.
Encontro Polly em meu caminho, lanço minha primeira faca visando a mão. O cabo da faca bate em sua mão e ela se vira apontando a Glefa para mim. Lâminas longas versus lâminas curtas não é a melhor opção para uma luta, mas é o que temos para hoje.
A regra é clara para esse jogo, sem mortes. Tentamos não causar danos maiores e quem conseguir desarmar a outra continua, a desarmada está fora.
Quando mirei sua mão coloquei força suficiente para ela soltar sua arma no susto, mas ela não a largou e agora estou em um impasse injusto. Saco 4 facas e me preparo, seu ataque vem diretamente até mim, certa de que não tenho lâminas longas. Vou me afastando, trazendo-a para onde alguns equipamentos estão empilhados em uma prateleira presa por uma corda. Jogo a primeira faca e Polly roda a glefa, fazendo-a absorver o golpe. Jogo mais duas, uma mirando-a e a outra a corda, ela decide se defender. Péssima escolha. Os equipamentos caem e ela se joga para o lado, a glefa fica mais solta em sua mão, chuto seu pulso e ela xinga deixando a arma rolar. Tento correr para pegá-la, mas Polly alcança meus tornozelos, me fazendo cair de cara no chão. Dou um chute em seu rosto enquanto me estico, ela tenta puxar meu cinto de facas. Quando consegue destravar a primeira eu digo:
— Não adianta mais. – Mostro o que está na minha mão e ela me solta resmungando. — Não fica triste vai – digo rindo. Ela cospe sangue e puxa a glefa se encaminhando para fora sem falar uma palavra.
Me dou um minuto para respirar antes de seguir. Vejo risadas e xingamentos, é bom estar entre as meninas. Se me dissessem que eu encontraria uma família em meio ao treinamento, eu não acreditaria. Ainda mais de feéricas tão talentosas. Apesar da pouca idade, algumas tinham apenas 50, 60 anos. Entocadas aqui desde os 8, treinando para virar armas, armas que irão salvar vidas. Com 15 anos Manu era a menor, e isso me preocupava em relação a sua experiência, mas eu já a tinha visto em ação e sabia que seu talento era nato.
Chego perto da borda sem encontrar ninguém, a bandeira está perto. Estou escondida por uma série de sacos de boxe empilhados em um canto. De repente, começo a ver minha mãe, estou abraçando-a e chorando enquanto ela me diz que tudo não passou de um pesadelo e que estou segura. Eu fico calma em seus braços.
— Foi tão ruim, eu estava presa e só podia bater e bater. — Fungava com o corpo tremendo- Mamãe, foi só um sonho?
— Claro, você estava em um sonho ruim. Nada era real. Olha como seus olhos são lindos, são as cores dos corais da nossa costa.
— Mas cadê as meninas? – Perguntei secando lágrimas.
— Não existem! Elas são só um sonho ruim, péssimo.
— Mas elas não são ruins, elas não são ruins! NÃO SÃO!
Nessa hora percebo o que Nessie está fazendo. Ergo o escudo mental da forma como me foi ensinado, embora a imagem da minha mãe tente se forçar na minha mente e o quanto eu queria que aquele olhar de amor fosse real. Uma parede de algas mais dura que diamante se ergue em minha mente. Na mesma hora abro os olhos e a vejo, a poucos passos de mim, com os olhos fechados tentando se concentrar.
— Hoje não, você me ensinou bem. — Digo dando uma cotovelada no seu rosto. Me abaixo e rolo puxando sua espada da bainha. – Não faça mais isso, não me traga esperanças onde não existe, por favor.
— Desculpa, eu só queria sobremesa. — Nessie diz e soa todo o arrependimento pelo fato. Devolvo a espada e sigo em frente.
Tenho 10 minutos, vejo Marina lutando contra Rai do outro lado. Saco minhas facas e me preparo para correr. Quando começo a correr, não chego a dar dois passos antes de ver Anna correndo em alta velocidade até a bandeira. Miro a frente e lanço a primeira. Chego a cortar um cadarço de sua bota, mas ela não para. Lanço a segunda que é impedida por uma Shuriken. Leh, fala sério. Começo a correr enquanto preparo a última e lanço. Acerta a bota e ela tropeça, não o suficiente para cair, mas o bastante para parar de correr por um momento. Ela olha para trás com raiva.
Anny dispara flechas uma em minha direção e outra na direção da rapidinha. Flechas rápidas que não sei como conseguem ser atiradas simultaneamente com tanta precisão. Desvio por pouco. Mesmo com pontas arredondadas para não nos matar no treino, essas flechas contêm veneno paralisante e não quero ficar 20 minutos estatelada. Anna não tem a mesma sorte e cai dura no chão.
Okay. Falta pouco. Corro e derrapo no chão para evitar ser um alvo tão fácil correndo de apenas um modo. Quando estou perto de pegar a bandeira ouço uma risada e sinto um corte na perna. Annakki lançou sua sai em minha direção e ela rasga o tecido da calça, chegando até minha pele. Vaca. É ótimo ter essas habilidades contra os inimigos, mas contra mim, bem eu preferia passar.
— Não achou que iria ganhar hoje, né? -Ela fala sorrindo.
— Garota eu só quero minha comida.
Ela pega a sua arma do chão começa a movê-la em sua mão, a levando em posição acima de sua cabeça enquanto a outra fica na frente do seu peito. Sei que isso é a prévia de um bote. Pego duas facas, as últimas e as giro na mão. Isso vai ser interessante.
Annakki vem com tudo, como sempre. Ela gira e ataca e eu sou um compilado de suor e sangue. Inferno de corte. Tento desviar ao máximo possível. Atiro uma faca na sua mão, ela solta sua adaga instintivamente ao senti a dor.
— Você pode ser foda, mas o seu corpo reage como qualquer outro. – Digo rindo. Quando resolvo avançar ela pisca um olho para mim sorrindo.
— Não sentiu um formigamento quando te cortei? Temos alguns venenos bons à disposição da Leh. Uma curandeira que mexe tanto com cura quanto com morte é um grande membro para um trio, sério.
— VACA! – Solto um grito e lanço a faca deixando de sentir minhas pernas aos poucos. A faca acerta a outra mão da Annakki, mas dessa vez ao invés de arranhar, ela a atravessa. Bem se eu não ganho, ela não ganha também.
Ela xinga entre resmungos e se prepara para pegar sua sai e provavelmente me estripar, o que seria mais fácil considerando a quantidade de sangue que estou perdendo e o veneno nele, mas o sinal sonoro soa indicando o fim do jogo.
Leh vem até nós correndo e faz cara feia quando vê a bagunça. Me dá um antidoto e limpa o corte com um líquido que arde MUITO. Sinto a perna inteira que parece estar pegando fogo.
— Pela mãe!!! O que infernos é isso !? – reclamo
— O que vai salvar sua vida, ou não, se você não ficar quieta. – Ela dá pontos e se move até Annakki para ver sua mão. – O que diabos vocês estavam pensando? É apenas brigadeiro!!!!!!!!!!
— É comida!!!!!!!!!!!! – Eu digo e me arrasto até onde elas estão – Eu sei que você vai fazê-la ficar bem.
Annakki me dá língua e ri, nossa parceria funciona assim, a gente se ama e se odeia ao mesmo tempo. Eu morreria por ela e ela por mim, tenho certeza. Mas em competições não existe isso. Enquanto ela está sendo curada, me levanto e saio mancando, me dirigindo ao local onde todas estão reunidas para avaliar se estão bem. Duda fez uma engenhoca que fisgou a bandeira no meio do caminho. Marina e Rai tem alguns cortes leves e trocam soquinhos amigáveis. Todas estão bem.
—Bem acho que TODAS as sobremesas devem ser entregues para mim e minhas parceiras– Lídia ri e dá tapinhas no ar – E só lembrando, NÓS ganhamos, VOCÊS perderam.
Só de pensar que não vou ganhar brigadeiro fico automaticamente triste, meu cabelo pende para um verde água e todas soltam risadinhas e provocações. Somos interrompidas pela chegada de um pessoal que não deveria estar aqui.
Azriel, Cassian e Amren entram na sala e vêm até nós. Automaticamente todas as Párias entram em formação e se reúnem. Respiro fundo e sinto Annakki e Rai tomarem suas posições em meu flanco esquerdo e direito.
— Achei que essa área não interessasse a feéricos importantes como vocês. – Digo para o trio.
— Nós decidimos o que importa ou não, pode deixar peixinho. – Azriel diz com desprezo. Qual é a desse cara?
— Cara ela disse que somos importantes, você ouviu? 700 anos atrás nós não esperaríamos por isso, agora eu sou "O Mais Importante de Todos". – Cassian fala com um sorriso bobo. Amren revira os olhos e balbucia "bebê illyriano".
— Bem, a que devemos a honra em nosso galpão?
Usualmente os encontros são realizados na sala de reunião e não entendo o ponto. Normalmente eu também não falaria com superiores assim, mas desde que nos conhecemos Azriel e eu nos estranhamos. Cassian arrumou esse apelido ridículo de peixinha que me tira do sério. Parece que tenho 8 anos!?
— Queríamos ver o quanto vale um brigadeiro, e pelo seu estado parece que muito. – Rai tem um acesso de tosse que indica que ela tentou disfarçar a risada.
— Brigadeiros importam tanto assim? Eles fazem a gente usar o banheiro mais do que o necessário e eu não aprecio isso. – Amren diz apoiada na parede. – 700 anos e ainda não entendo essa necessidade absurda de privadas.
— Nós viemos assistir ao show, mas chegamos atrasados. Precisaremos das fichas de todas vocês amanhã nesse mesmo horário. Também iremos fazer alguns testes individuais. – Azriel me passa uma lista com as informações que necessitam. – Não se atrasem e espero que sua perna esteja melhor. Sua mão também — Ele diz apontando para Annakki e se vira para sair.
"Espero que sua perna esteja melhor" falo resmungando em minha mente. Que homem insuportável. Ele precisa querer ter razão em tudo sempre?
— Mas nossos registros estão na academia, por que precisamos entregar outra ficha? – Questiono.
— Porque sabemos que as informações contidas neles não tem um terço do que precisamos e o próprio Tarquin solicitou isso diretamente para o Grão- Senhor da Noturna. Então acho bom ser obedecido. – Eles se viram e saem. Amren parece querer morrer de tédio e Cassian pisca com um olhar divertido quando se vira para sair.
— Bem, banho, jantar e reunião. Vamos.
Todas começam a sair e eu espero na porta. Quando Manu passa, a última a sair, eu a seguro pelo braço.
— Se você realmente quer isso vai ter que mostrar para o que veio. Todas já passaram por muito para sequer serem testadas, não espere tratamento especial. Sei que você é forte, compreendo as coisas pelas quais passou, mas isso não alivia em nada uma batalha. Mostre para elas, e para mim, o motivo de você ser uma Pária.
Saio da sala e faço tudo mecanicamente. Todas soltam gargalhadas quando entrego meu estado de espírito com o tom de meu cabelo, demonstrando minha infelicidade ao perder o potinho brigadeiro da sobremesa do dia que eu tanto queria.
Duas horas depois todas estavam com suas roupas limpas, cabelos molhados e sorrisinho bobo enquanto novamente nos reunimos para discutir a questão de Manu.
— Todas nós tivemos nossa primeira chance independente de idade e sim por talento, acho que seria injusto não dar pelo menos a chance para a garota. Imaginem se fossem vocês. – Polly fala e dá para sentir a compreensão em sua voz.
— Todas a favor de deixá-la tentar levantem as mãos. -Digo.
Todas erguem seus pulsos. Manu levanta o olhar e um sorriso divertido e meio malicioso passa por seu rosto delicado, chega a ser quase engraçado vê-la tão pequena sendo tão ameaçadora.
— Bem, acho que vocês têm alguns segredos Párias.
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