Notas iniciais
Finalmente consegui postar X( Espero que minha sorte melhore e o tempo que tenho aumente XP Tenham uma boa leitura :)

A corte de um rei é cheia de conselheiros, belas moças, príncipes e princesas, uma bela rainha e um ou outro traidor. Mas o que não pode faltar de forma alguma na corte de um rei eram generais.

A voz estava diferente. Bem diferente. Parecia mais... Apaixonada. Sim. Apaixonada. Mas o que seria o motivo de tamanha paixão?

Fazia quase quatro anos que ocupavam algum lugar na corte do rei da Etiópia. Argos e Andrômeda agora eram generais da corte, os dois mais importantes. Nunca foram para uma batalha real, mas o que tinham feito até então provou que eram mais do que merecedores de seus cargos.

No entanto não gostavam muito das reuniões da corte, ainda mais quando o rei queria mais e mais poder e queria provar que era muito mais do que qualquer deus. Era um homem ambicioso, algo necessário a todo homem, porém, no caso do rei, esta seria a sua ruína.

¬ Se me mandarem destruir mais um templo, eu juro que mato metade da corte! – bradou Andrômeda.

A reunião tinha acabado fazia algum tempo e agora os dois caminhavam tranquilamente nos jardins do palácio, rumo às barracas, ainda tinham que continuar com os treinos dos jovens soldados e trabalhar a disciplina dos mais velhos.

¬ Feche a boca, mulher! – rebateu Argos. – Eu também não gosto, mas seguro minha língua para que a cabeça continue unida ao corpo.

¬ Não sei por que tem tanto medo. – rebateu a morena, não estava com o humor naquele dia. – Ninguém aqui entende nossa língua.

¬ O rei entende. – respondeu evidentemente revolto.

¬ O rei mal sai do trono. – continuava a responder de forma inconsequente e pouco educada.

Argos sempre teve um grande respeito por todos, principalmente Andrômeda, a quem ele considerava como uma irmã. E por conta desse respeito talvez excessivo, ele não admitia que os outros fossem desrespeitosos, sobretudo quando as palavras usadas definiram seu destino.

Agarrou o braço da morena com pouca força, apenas para demonstrar que seu comportamento não era o dos mais exemplares, e a puxou para que o encarasse. Por mais que a respeitasse, não podia deixar que continuasse com discurso tão perigoso.

¬ Não seja ingrata. – rosnou. – O mesmo rei que tanto criticas foi quem lhe devolveu a liberdade. Ao menos pense nisso antes de falar mal dele.

¬ E você pensa demais Argos! – rebateu se desvencilhando com violência.

Saio marchando a passos pesados do palácio, agora não queria nem ver a sombra do mais velho e muito menos ouvir o que ele tinha a dizer. Não que fosse ingrata, só não gostava muito de alguns comportamentos de seu soberano e isso a enfurecia.

Argos bufou alto e foi até um dos bancos do grande jardim, onde se sentou e bagunçou os cabelos irritado. Amava a morena como se ama uma irmã caçula, e exatamente como toda irmã caçula, ela esgotava sua paciência com alguns comportamentos e respostas.

¬ Lady Atena, dê-me paciência. – pediu olhando para o céu sempre azul do reino etíope. — Porque se me deres força, quebrarei o pescoço de sua guerreira.

Andrômeda só saio andando, não tinha um rumo e logo estava na praia. Fim da linha. Sentou-se em uma rocha que tinha na praia e começou a rachá-la com seu cosmo, estava louca de ódio com tudo. Não suportava o desrespeito de seu rei aos deuses, não suportava o fato de se calar frente ao comportamento dos membros da corte e não suportava o fato de só poder se apoiar em Argos.

Argos. Amava-o como amou seu irmão, mas tinha dias que seu maior desejo era matá-lo. Entretanto, o que faria sem ele? O mais velho era seu único porto seguro e o único lar que tinha. Só que isso não mudava o fato de que agora queria matá-lo, então o melhor era manter certa distancia.

¬ Cria de Hades... – rosnou o xingamento ao pensar no outro e logo mirou o céu. — Lady Atena, dê-me paciência. Porque se me deres força, curtirei o couro de meu amigo.

Suspirou. As Parcas lhe bordaram um destino bastante desordenado e isso era cansativo, apesar de Argos sempre tentar lhe conformar.

Essa desordem e o consequente cansaço lhe traziam uma imensurável saudade dos seus tempos de menina, quando sua única preocupação era respeitar seus pais e os deuses, quando o mundo era maravilhoso para os olhos de uma criança e quando seu irmão mais velho, Phoenix, estava sempre ao seu lado. Mais um suspiro cansado.

O que não sabia era que tinha mais alguém na praia e que essa pessoa deteve-se ao ouvir sua voz:

Olho para os céus e rogo sua volta,

Me consome a saudade fria e amarga,

Oh mar tão belo e vasto lhe peço,

Faça-o regressar... Regressar...

Espere porque sua caminhada é longa,

Mas o herói retorna ao seu lar...

Vai aonde ninguém quis ousar,

Mas o herói retorna ao seu lar...

Algum dia seu compromisso acabará

E o herói retornará ao seu lar...

Devo esperar porque sua caminhada é longa

E o herói retornará ao seu lar...

Oh mar tão belo e vasto lhe peço,

Faça-o regressar... Regressar ao seu amado lar...

Sua voz era límpida como a água, suave como uma carícia. A pessoa imediatamente buscou-a por sua voz e se colocou ao seu lado quando a encontrou, seu olhar era encantado e bastante curioso.

Um jovem homem com roupas simples, algumas proteções de couro e uma espada de folha larga presa ao cinto. Era bonito, isso não negaria, os cabelos eram como ouro, mas algo neles lhe lembrava o verde da relva, e os olhos eram como as águas do mar. Ombros fortes, pele morena de sol e mãos calejadas, um corpo bastante admirável.

¬ Quem é você? – perguntou em etíope, dando espaço para que sentasse caso desejasse. — Pelo seu aspecto, suponho que seja um pescador, um mercador, artesão ou um jovem que deseja a vida inglória de um soldado. – ele se sentou ainda com o mesmo olhar. — Com que finalidade vem para este reino tão distante?

¬ És grega. – respondeu em etíope e deixando um sorriso divertido se desenhar em seu rosto. — Você, por outro lado, parece uma princesa que roubou o arsenal. – o olhou de soslaio, tirando-lhe um risinho. — Longe de mim desmerecê-la, na verdade estou apenas dizendo o que meus olhos penam para crer. Como uma mulher tão bela pode empunhar uma espada? Sua beleza é, ouso dizer, superior a da princesa deste reino, então porque empunha uma espada ao invés de sorrisos? – estava sendo cortejada, ou era uma impressão sua? — Perdoe-me se a ofendi com uma de minhas questões, afinal, também pode ser uma Amazona, mas não vejo o porquê de uma estar tão longe de sua terra. – sorriu mais abertamente, seu olhos faiscaram como relâmpagos. — Meu nome Perseu, de Sérifos.

Aquele homem, Perseu, estava bastante longe de casa. Sérifos era uma ilha distante, uma colônia grega pequena, mas bastante agradável ao olhar daqueles que desejam descansar os velhos ossos. Mas seu nome era o que mais lhe chamou a atenção, Perseu, filho do fogo ou luz.

¬ Um nome bastante estranho o seu. – para não dizer orgulhoso e ser tomada como ofensa.

¬ É o que todos dizem. – deu de ombros. — E talvez não tivesse sido a minha escolha preferida, mas agora não o trocaria por nenhum outro, com ninguém.

¬ Veio fazer o que, Perseu? Se veio pescar ou vender, desejo-lhe a fartura e o bom tempo. Se veio guerrear, desejo-lhe um adversário não excessivamente difícil. – ele não teria uma vida nada fácil no exercito se essa fosse sua escolha.

¬ Era por alguém que você cantava aquelas palavras?

Phoenix. A memória do irmão mais velho a tomou.

¬ Por ninguém. – mas não tinha a necessidade de atormentar o outro com suas dores.

¬ E por que me deseja um adversário não excessivamente difícil se meu desejo for tornar-me um soldado? – ele se fingia de ofendido, tirando um pequeno sorriso da morena. — Acha que não poderia enfrentá-lo?

¬ Por que tem olhos bonitos. – a resposta surpreendeu o rapaz por um tempo. — Mudam de cor quando sorri. Não quero que percam tais cores. – que para si era a maior prova de que ainda havia alguma esperança no mundo.

¬ Os seus olhos também são bonitos, luminosos. – respondeu sorridente. — Podemos perder-nos no seu olhar. Mas, afinal, quem é você?

¬ Andrômeda, de Atenas. Aprendiz de Virgem. E General da 2° Legião do Exercito Etíope. – deveria se apresentar direito afinal.

¬ E eu aqui, um mero e feliz pescador. – brincou, fazendo-a rir. — Andrômeda. Acho que vou começar a passar por esse estreito mais vezes.

Mais tarde, quando o sol mergulhava no reino de Poseidon e se permitia descansar, Andrômeda retornara para o palácio a fim de descansar. Tinha passado a tarde conversando com Perseu, que teve de ir embora, afinal tinha que voltar para seu lar em Sérifos, mas estava ansiosa para reencontrá-lo, afinal ele lhe prometeu que regressaria para conversarem muitas horas mais.

¬ Arrumaste um marido? – a voz de Argos soou brincalhona de uma das sacadas.

Andrômeda se aproximou para mirar seu rosto e percebeu que ele tinha uma visão bastante ampla da praia, ainda mais de onde esteve sentada a tarde toda. Logo concluiu que ele a observou a tarde toda.

O encarou um tanto descrente, enquanto este lhe devolvia um olhar e sorriso bastante sugestivos. Riu do absurdo que se passava na mente do mais velho, não tinha idade para mais nada daquilo e gostaria de ficar furiosa com ele, mas o máximo que conseguia era ficar constrangida e irritada.

¬ Cale-se! – bradou tirando risos do mais velho.

¬ Você nada conhece Andrômeda. – e continuou a rir enquanto a morena expressava sua irritação com reclamações e impropérios.

Todo o que ouviu antes de despertar foi uma belíssima voz a cantarolar e tudo o que viu eram mãos tecendo uma singela coroa de flores.

Notas finais
Agora torcemos para que eu consiga tempo para escrever e que o próximo cap. seja disponibilizado mais cedo. Espero que tenham gostado :) Bjs. L :3