Correndo em Círculos
30 Capítulo 30: Meu amor cabe em três vidas inteiras
Notas iniciais
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–- Então, Pedro? A gente ta junto ou não ta? – repete Karina, nervosa, os olhos marejando aos poucos de desespero.
Ele engole em seco e ergue uma de suas mãos, passando-a pelo rosto dela, que fecha os olhos, bufa e a afasta depois de alguns segundos.
–- Por favor... me responde. – pede.
–- Eu não sei, Karina. A única coisa que eu sei é que o sentimento entre nós dois é muito forte pra ser ignorado... eu não vou negar, eu te amo mais que tudo e esse amor, se é real mesmo, nunca vai acabar.
Ela assente, virando seu corpo e se sentando de frente para ele.
–- Mas...
–- Não. Não faz assim... – pede ela, desesperada, colocando um dedo na frente dos lábios dele para que se calasse.
Ele afasta sua mão e lambe os lábios antes de dizer:
–- A gente tem que ser realista, Ka. As coisas entre a gente mudaram... não porque a gente deixou de ser virgem ou porque estivemos separados por um tempo, mas porque passamos por muita coisa. Por muitos desafios e talvez não vá ser tão fácil assim.
–- Mas a gente nunca vai saber se não tentar. – sussurra ela, buscando desesperadamente seus olhos.
Ele assente com a cabeça, pega sua mão que repousava em seu colo e a cruza com a sua.
–- Isso é verdade. – afirma, sorridente. – Mas... você me perdoou?
Está é a vez dela de fugir de seus olhos, olhando para seus dedos cruzados com o coração acelerado.
–- Eu não sei, mas eu entendo suas razões e tudo o mais. O único problema é que é muito difícil manter minha estima alta e aceitar isso ao mesmo tempo...
–- Eu sei... você não merecia aquilo e talvez nem a mim mesmo. Você merece alguém melhor...
–- Não Pedro... você não ta entendendo. Você é o cara certo pra mim a gente se encaixa perfeitamente.
–- Mas nós somos muito diferentes. – afirma ele.
–- Não se completa um quebra-cabeças com peças iguais. – diz ela, abrindo um pequeno sorriso ao se lembrar de algumas semanas atrás, quando era ela que tinha dúvidas e ele quem dizia essa mesma frase.
Ele sorri de volta e beija suavemente seus lábios.
–- Vamos fazer o seguinte... depois de amanhã eu tenho uma turnê...
–- Como assim? Outra? – indaga ela, confusa.
Ele assente, levemente chateado.
–- É que a banda Onze:20 foi deixada na mão pela banda que ia abrir os shows dela no sul e centro do Brasil, ela viu nosso repertório e sucesso e nos chamou. – explica ele e ela assente, séria. – É uma oportunidade única, Esquentadinha... a banda Onze:20 é muito famosa e isso ia alavancar muito A Galera da Ribalta... o único problema é que vão ser três semanas de viagem.
Ela engole em seco e se vira para o lado, sem saber o que dizer.
–- Eu não queria que as coisas fossem assim também, Ka...
–- Para, Pedro! Esse é o seu futuro. É o seu sonho. Eu te entendo... eu também vou querer que você me entenda quando eu quiser subir em cima de um ringue e tomar uma surra da minha adversária. – interrompe ela, abrindo um sorriso de canto. – Mas... é muito tempo.
Ele assente, se aproxima mais um pouco e lhe abraça pelas costas.
–- Eu sei, linda, mas pensa pelo lado bom... a gente pode usar esse tempo pra pensar se vale a pena... se a gente ta preparado.
–- Eu não tenho mais nada pra pensar. – afirma ela, se virando para buscar seu olhar. – Eu te amo e não quero mais ficar longe, Pê.
Ele sorri e beija o topo de sua cabeça.
–- Eu também não quero ficar longe, Ka. Mas esse tempo vai ser bom pra gente ter cem por cento de certeza do que quer e pra dar saudade também...
Ela ri, assente e se joga em seus braços, fazendo com que ele caia contra o chão novamente.
Ele sorri, beija o topo de sua cabeça e a sente acariciar seu abdômen com os dedos enquanto se deita escorada nele.
–- Sabe que quando a gente ta assim... eu esqueço de tudo? Dos meus problemas, dos nossos problemas, das outras pessoas vivendo por ai... – sussurra ele, acariciando seu braço que estava embrulhado por ele.
Ela suspira apaixonadamente e sorri ainda mais.
–- Eu também, Pê.
–- Vamos fazer uma coisa? Antes da minha viagem... – indaga ele, despertando a curiosidade da menina. – Vamos tirar o dia de folga? Folga de tudo, das outras pessoas, das obrigações... e termos um dia só de Perina?
Ela se levanta para encará-lo nos olhos.
–- Você ta falando sério? – pergunta, com um brilho no olhar, ele assente, sorridente. – É tudo o que eu mais quero, Pê. -- e rouba os lábios dele para os seus, iniciando mais um beijo intenso. Ele se levanta e a empurra contra o chão e ela passa suas mãos pela nuca dele, seu corpo sendo prensado cada vez mais e logo sente ele começar a tomar vida, sua pele aquecer e seu coração acelerar de paixão. Até que eles escutam o som de um celular tocar e se afastam.
Karina corre até sua bolsa, apenas agora se lembrando do mundo lá fora e começando a ficar preocupada. O toque de seu celular cessa antes que ela tivesse tempo de atendê-lo, mas ela entra em desespero ao constatar o número de mensagens e ligações desesperadas que recebera de sua família.
Arregala os olhos e sente um vulto se aproximar.
–- Ta tudo bem, Esquentadinha? – pergunta Pedro em suas costas.
–- Não... aparentemente meu pai ta desesperado atrás de mim. – responde a garota, engolindo em seco e depois pega seu celular e liga desesperadamente para sua irmã.
–- Oi, Bi. – sussurra, temerosa.
–- Ah! Finalmente deu as caras! Eu já tava ficando preocupada... achando que você tinha se suicidado pra que o papai não o fizesse! – murmura sua irmã, baixinho – provavelmente para que seu pai não a ouvisse.
Karina arregala ainda mais os olhos.
–- Desculpa! É que eu não vi o tempo passar. – responde a lutadora, ao mesmo tempo em que sente Pedro beijando-lhe o pescoço. O empurra, irritada e lhe manda uma expressão desaprovadora que ele responde com dois braços erguidos para o alto em sinal de rendição.
–- Hm... sei. – diz Bianca, maliciosamente.
–- Para com isso! O que você falou pro papai?
–- Que você devia ter ficado pra dormir na casa de alguma colega... mas ele não engoliu essa história, ta pensando até em ir pra delegacia.
–- Droga... – amaldiçoa Karina. – Eu já to indo pra casa, segura ele ai que depois eu arrumo alguma desculpa.
–- Ta... e você vai me contar tudinho do que aconteceu, em mocinha?! Principalmente sobre o resultado do teste. – Karina cora ao imaginar tudo o que teria que contar.
Ela desliga a ligação e corre para dentro do ringue a procura de suas roupas, sendo seguida pelo olhar curioso de Pedro.
–- Pelo visto a coisa ta feia... – diz ele, magoado.
Ela para por um segundo e suspira.
–- Eu vou ter que ir, Pê. Mas a gente se encontra ás nove horas pra passarmos o resto do dia juntos? – diz, enquanto tira a blusa dele e veste seu top. Ele encara a cena por alguns segundos, ainda perplexo com o fato de tudo aquilo ter sido dele alguns minutos atrás. Ela era tão linda que quase o cegava.
Ela cora e ri ao reparar em seu olhar e veste sua blusa.
–- O.k., Pê? – pergunta ela, e ele acorda de seu transe, franzindo a testa. Ela ri novamente. – A gente se encontra às nove?
–- O.k... mas o que você vai dizer pro seu pai? Já são quase onze horas da noite. – pergunta ele, preocupado.
Ela termina de vestir sua calça, sai do ringue, pega seu rosto com as duas mãos e encara seus olhos.
–- Eu vou dizer a verdade. Que eu tava com você... – sussurra e mesmo cheia de medo ele não se encontra em seu tom de voz.
Pedro assente e lhe dá um rápido beijo nos lábios.
–- Só espero que esse não seja o fim do Mick Jagger... – ela ri e depois se agacha para pegar sua mochila.
Os dois desligam as luzes e saem da fábrica e depois dela fechar a porta, se vira para ele com um brilho no olhar.
– Nos vemos mais tarde, Moleque. – diz, se afastando.
Ele sorri.
–- Nos vemos mais tarde, Esquentadinha. – afirma, vendo ela lhe mandar um beijo ao longe e correr em direção a sua casa com um sorriso bobo no rosto. Ele nunca imaginaria que pudesse ser tão feliz do dia para a noite. Só esperava que essa alegria prevalecesse até muito depois de sua viagem e que fosse eterna como seria seu amor... pobre Pedro, não fazia ideia de que nada nunca é eterno.
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Antes de entrar em casa, Karina engoliu em seco, fechou os olhos e respirou fundo, abrindo lentamente a porta e tendo como primeira visão seu pai caminhando de um lado para o outro e Bianca sentada no sofá o olhando preocupada.
–- Pai... – sussurra Karina, nervosa e vê o mestre parar de caminhar e correr para abraçá-la, desesperado.
Ela arregala os olhos e deixa sua mochila cair.
–- Onde você se meteu, garota? Me deixou morto de preocupação! – murmura seu pai, depois de se assegurar de que ela não estava ferida.
Karina busca o olhar da irmã em busca de ajuda, mas Bianca não fala nada, apenas olha para baixo.
–- Ta tudo bem, pai. Eu só... encontrei com o Pedro.
Gael franze a testa, confuso e irritado ao mesmo tempo.
–- Encontrou com o Pedro? Como assim?! – indaga, nervoso.
–- Calma... – pede Karina, se sentando no sofá enquanto coçava a nuca, também nervosa. – Eu encontrei o Pedro ali na praça e a gente meio que se resolveu... – responde, sorridente.
Gael ergue uma sobrancelha.
–- Só espero que esse ‘se resolveu’ não signifique o que eu to pensando... – murmura ele, irritado. Karina cora e coça a cabeça nervosamente. Ingênuo mestre Gael...
Ela fica em silêncio por alguns segundos e Bianca sai da sala, notando que talvez os dois precisassem de privacidade para conversarem melhor. Gael se agacha na frente da filha, a olhando seriamente.
–- Você pode querer me matar ou assassinar o Mick Jagger, mas isso significa sim o que você ta pensando. – admite a garota, nervosa. A expressão de Gael decai para perplexidade e lentamente os olhos dele começam a marejar. – Eu não quero esconder isso de você, pai. Mas não é a primeira vez que acontece... – completa a garota, deixando-o ainda mais atordoado.
Ele se levanta, coça a barba e se senta ao seu lado.
–- V-vocês... vocês usaram... – pergunta, constrangido.
Karina assente com rapidez. Não precisava dizer que na primeira vez esqueceram, afinal, aquele assunto já estava resolvido e só traria dor de cabeça para seu pai.
Ele se vira para ela, e ela se surpreende com as lágrimas cobrindo seus olhos.
–- Minha filha... ta virando uma mulher. – sussurra, com a voz embargada.
Karina dá um de seus sorrisos de lado e sente seus olhos também marejarem. É claro que não esperava aquela reação dele, mas sabia que aquele Gael existia. Ele se preocupava com ela, era verdade, mas ele também sabia que ela era humana e tinha seus desejos e experiências. Afinal, era isso que era crescer.
–- Foi por amor, pai. – sussurra ela, tentando aliviá-lo um pouco, mas ele apenas assente e a abraça desesperadamente.
–- Eu sei, minha filha. Mesmo que eu não admita, eu sei que eu já te perdi pro Menestrel do Capiroto, que ele é o amor da sua vida. Dizem que as mães sabem dessas coisas, mas acho que os pais também sabem.
Ela assente, secando suas lágrimas com as costas das mãos.
–- Você não me perdeu, pai, nenhum pouquinho, o meu amor pelo Pedro ocupa outra parte do meu coração.
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Depois daquele momento emocionante na sala, Karina foi para o seu quarto, alívio percorrendo todo o seu corpo e uma felicidade fenomenal. Não é que as coisas se resolvem? Assim... de um hora para a outra? Ela passara de desesperada, apavorada e magoada para feliz da noite para o dia, literalmente, tudo porque deixou seu orgulho de lado e abriu seu coração para as pessoas que mais amava na vida.
–- Pelo visto deu negativo... – sussurra Bianca, despertando a atenção de Karina que olhava bobamente para o chão pensando em sua noite magnífica.
Ela assente.
–- É... – afirma, se sentando em sua cama. Bianca se senta ao seu lado, ansiosa. Queria retomar ao posto de irmã mais velha e voltar a ser sua confidente.
–- Mas que sorriso é esse? É só porque o papai não vai mais matar vocês dois, ou...
Karina ri, levemente envergonhada.
–- Eu e o Pê estamos nos resolvendo. – sussurra e vê a atriz abrir um imenso sorriso.
–- Ai meu Deus, Ka! Como isso aconteceu? – pergunta ela, ansiosa.
–- Depois que a gente saiu do hospital eu fiquei meio mexida com o fato de ter dado negativo. Sabe... eu comecei a pensar que o fato de eu estar grávida significava mais uma chance pra nós dois. Talvez a última chance. E que esse bebê ia nos unir novamente. Nós seríamos uma família feliz... – desabafa Karina. – mas dai deu negativo e eu fiquei com medo das coisas voltarem a serem como antes. Nós dois separados e brigando. Só que ele também tava com medo disso acontecer e a gente acabou se consolando juntos...
Bianca quase pula de alegria. Já era fato que ela era uma Perina shipper.
–- E por se consolando você quer dizer...
Karina dá um de seus sorrisos constrangidos e assente, envergonhada.
–- A gente teve nossa segunda vez... – sussurra num fio de voz.
–- E vocês usaram... – indaga Bianca, por mais feliz que estivesse, ela não queria sofrer mais uma vez o tormento desesperante que passaram á pouco.
Karina apenas assente e as duas ficam em silêncio por um tempo, ambas perdidas em pensamentos, Karina com seu sorriso bobo pensando em seu amor e Bianca com seu sorriso orgulhoso, feliz por ter conseguido ter mais uma conversa pacífica com sua irmã e poder estar sendo a irmã mais velha que sentia tanta falta de ser.
Ela se aproxima mais de Karina e a abraça.
–- Eu fico tão feliz de ouvir isso, Ka... – sussurra, sentindo seus olhos marejarem.
Karina arregala os olhos, perplexa com sua atitude, mas depois de um tempo sorri e lhe abraça de volta, sentindo uma dose de adrenalina percorrer sua corrente sanguínea, seu coração retumbando no peito. Ela ainda não tinha reparado no quanto sentia falta de Bianca.
As duas se separam depois de um tempo e Bianca se deita em sua cama. Karina pega seu pijama e sua toalha e vai em direção á porta, parando por um segundo e se virando para a irmã.
–- Obrigada. – sussurra, tímida.
Bianca a encara, surpresa.
–- Obrigada por me ajudar com tudo isso... eu fico feliz de poder dizer que você é minha irmã. – completa Karina, se virando para ir embora com pressa por causa da timidez e deixando uma irmã sorridente para trás. A paz finalmente surgindo em seu peito. Estava tudo bem. Karina era tímida, nunca diria com todas as palavras que havia a perdoado, mas ela sabia que isso tinha acontecido e sentia um grande alivio. Sua irmã havia a perdoado e isso era tudo o que importava no momento.
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No dia seguinte, Karina acordou cedo. Estava ansiosíssima para seu dia com Pedro e mal dormira durante a noite pensando nisso. A primeira coisa que ela fez ao levantar foi pegar seu celular e encarar a fofa mensagem de boa noite que seu Guitarrista lhe mandara noite passada. Ela sorri bobamente e corre para se vestir.
Ela não sabia direito o que Pedro pretendia para seu dia, mas optou por vestir algumas das roupas que Jade comprara com ela quando elas ainda eram amigas. Jade... como ela sentia falta da dançarina. Nunca pensou que fosse sentir isso por alguma pessoa que não fosse da família ou que não fosse Pedro, mas a garota se tornara muito importante em sua vida e ela se arrependia por tê-la decepcionado.
Sacode a cabeça, afastando esses pensamentos negativos. Hoje o dia seria feliz e nada a abalaria.
Ela veste sua roupa e cessa esses pensamentos, se analisando no espelho e sorrindo, satisfeita. Aquela ali era Karina Duarte, ela conseguia ver perfeitamente. E mesmo assim estava linda... vestia uma camiseta cinza simples, all star preto e uma calça xadrez bordo.
Logo que ela sai do quarto vê seu pai e sua irmã tomando o café da manhã. Gael levanta uma sobrancelha, analisando seu figurino.
–- Er... pai... eu queria te pedir pra não treinar hoje. – diz Karina, deixando-o ainda mais confuso. – É que amanhã o Pedro sai em turnê e eu queria passar esse dia com ele... pra me despedir.
O mestre levanta a cabeça, fazendo sua famosa pose de durão.
–- Tudo bem... eu te libero das aulas de muay thai. – diz ele, e Karina vibra por dentro. Achava que teria que apelar para Bianca, que o mestre ainda estaria abalado por noite passada. – Mas... – ela desmancha o sorriso e revira os olhos. É claro que não seria tão fácil assim. – eu quero você em casa nos máximo ás dez, quero que você leve proteção -- Karina cora e Bianca ri dos dois. --, e que esse menestrel venha falar comigo.
Karina arregala os olhos.
–- Mas pai... a gente ainda não ta junto. – diz rapidamente e se arrepende no momento em que fecha a boca, seu pai endurece a face, sua testa franzida de irritação. – Er... quer dizer... a gente vai oficializar depois da viagem dele. Não queremos iniciar um compromisso logo na véspera de sua viagem.
–- Mesmo assim, Karina. O que eu tenho pra falar com esse menestrel diz respeito ao fato de você não ser mais pu...
–- Pai! – murmura Karina, perplexa, Bianca apenas os encarava, rindo por de trás de uma torrada.
–- Você me entendeu... – diz o mestre e Karina acaba por suspirar e assentir.
–- Você fala com ele quando ele me trouxer aqui... – diz, em tom monótono. Odiava quando Gael demonstrava sua pose de cruel com Pedro e sentia inveja quando ele deixava Bianca e Duca fazerem tudo. Mas agora ela sabia que o problema não era ela nem Bianca, era Duca, ele gostava mais do lutador do que de qualquer outra pessoa, afinal, com Joanca era a mesma coisa. Ela estava vendo com os próprios olhos o sofrimento de sua irmã para ficar com o viciadinho.
Ela se curva, dá um beijo na bochecha de seu pai e depois na de sua irmã, que sorri, boba, Karina não era de demonstrações de afeto daquele tipo mesmo antes dela saber do acordo.
–- Ah... e dona Karina... – chama Gael, fazendo a garota voltar. – me manda mensagem de duas em duas horas.
Ela revira os olhos, mas assente. Claro que não se lembraria de fazer isso nos horários combinados, ela estaria um pouco distraída...
Lhes manda mais um beijo à distância e sai apressadamente para fora de casa. Olha para os dois lados da rua e sente seu coração acelerar ao ver uma figura de cabelos compridos sentada em um banco da praça, de costas para ela. Sorri e corre até seu Cabeludinho.
–- Quem é? – indaga, cobrindo seus olhos.
Pedro sorri e tira suas mãos dali.
–- Hm... não sei. Será que é... a Sol? – Karina ri e lhe dá um peteleco na orelha. – Ai... Esquentadinha você, em? – diz o garoto, brincalhão.
Ela ri e se senta ao seu lado.
–- Dormiu bem, Pê? – pergunta, insinuante.
–- Dormiria melhor se tivesse uma certa companhia... mas até que deu pro gasto. – a garota ri novamente e ele a encara, estupefato com a sua beleza. – Eu já disse que amo esse seu sorriso assim de lado? – indaga, olhando-a apaixonadamente. Ela cora. – E esse seu jeito tímido? – ela encara seus olhos, desmanchando seu sorriso e ficando séria. – E esses seus olhos... – ele se aproxima, pega seu queixo e beija delicadamente seus lábios. – E essa sua boca...
Ela ofega. – Não disse... mas as suas músicas sim. – brinca.
–- Ah é? Pois então agora ta dito! Eu amo você todinha. – afirma ele, beijando seu pescoço e então subindo seus lábios até sua orelha. – Aceita ser minha por hoje? – sussurra ali, deixando-a arrepiada.
–- Só se você também for meu. – rebate ela, astuta.
Ele sorri. – Mas eu já sou seu, linda. Sempre fui. E sempre vou ser.
Ela encara seus olhos e pode ver no fundo deles que ele falava sério.
–- O.k... e pra onde você vai me levar, meu? – ele ri com sua tentativa de piada, se levanta e lhe oferece uma mão.
–- Você ta muito curiosa pro me gosto, mas vou ser bonzinho... eu vou te levar pra um lugar onde você vai ter uma presença pra lá de gostosa, linda e sensual.
Ela gargalha, mas pega sua mão.
–- E convencida também. – brinca, mas ele se distrai com um movimento de ônibus.
–- Depois a gente conversa sobre esse convencido ai... porque agora a gente precisa correr pra pegar aquele ônibus! – diz ele, puxando-a em direção à parada.
Ela corre atrás dele, sorridente. Pra onde quer que ele a levasse... ela seria feliz. Porque ela estaria com ele e isso já bastava.
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