Correndo em Círculos

41 Capítulo 41: Garotas crescidas choram


Notas iniciais
ENTÃO CHEGAMOS AOS 400 REVIEWS! Primeiramente eu queria agradecer pelo carinho de cada um de vcs que fizeram a fic chegar a esse feito! Música do capítulo: Big Girls Cry – Sia (fiz um vídeo Jadrina com essa música: https://www.youtube.com/watch?v=_xY9tiwnJQE) BOA LEITURA!

Karina estava em uma sala escura; parede e chão, tudo preto. A única coisa que se destacava em meio àquela escuridão era um espelho. Ela caminha até ele e vê seu reflexo mudar pouco a pouco diante de seus olhos até que suas feições se transformem ao ponto de se tornar outra pessoa. Não era mais ela, mas sim Lobão.

–- O quê?!

–- Você é que nem eu. -- fala seu reflexo com as feições do bandido. Ela nega veementemente. -- Não se finja de boba, você sabe que existe uma loba igual a mim ai dentro.

Ela franze a testa e nega novamente, mas o espelho mostra uma visão sua difamando Gael quando descobriu que ele poderia não ser seu pai, socando Pedro e fazendo Bianca chorar quando soube do acordo dos dois. Lembranças dolorosas suas.

E então, o espelho mostra imagens novas, ela, mais madura e de expressão séria, treinando na academia Khan e nocauteando cada aluno dali até que não houvesse nenhum senão Gael. E ela vai pra cima dele sem piedade alguma, até que não sobre nenhum pedaço seu. Ele fica no chão, inconsciente, enquanto ela ri, orgulhosa de sua força.

Ela era um monstro. Esquentadinha era apenas um apelido carinhoso para o que ela era.

Fecha os olhos enquanto chora agachada sobre o chão e começa a ouvir as vozes daqueles que amava, insultando-a. Sente um frio na barriga e então alguém coloca uma mão gelada em seu ombro e ela pula de susto.

–- Você é que nem eu, filhinha. -- sussurra uma voz rouca, ecoando pelas paredes negras.

Ela abre os olhos e se vira para a pessoa. Estava certa, era Lobão, com seu sorriso arrogante no rosto.

–- Eu não sou sua filha. – afirma, e ele nega com a cabeça.

–- Tem certeza? -- pergunta o vilão e ela vê o cenário negro mudar e mostrar a ele; alguns anos mais novo, cobrindo a boca de uma mulher e segurando-a á força em um camarim. Sua mãe.

–- O que você fez? -- pergunta Karina, com lágrimas nos olhos, enquanto a imagem se dissipava no ar.

O homem sorri ainda mais e a vê se virar para ele.

–- Você, minha pequena loba.

Karina acorda em um pulo, o corpo suado e trêmulo pelas emoções que sofrera durante o sono. Não tarda a começar a chorar enquanto tentava regular sua respiração.

Ela consegue ver pelo canto do olho sua irmã ligar um abajur e correr para sua cama, abraçando-a firme enquanto tentava entender o que acontecera.

–- E-eu sou um monstro. E-eu sou um monstro... – começou a sussurrar ela, gaguejante.

–- Shh... calma. – responde Bianca, apertando-a mais forte em seu peito, até que ela se acalmasse.

Depois que sua respiração voltou ao normal, Bianca foi para a sua cama. Não insistiu que ela dissesse nada, pois não queria que as lembranças a fizessem ficar desesperada novamente.

Karina engoliu em seco e voltou a se aconchegar em seu colchão, sabendo que não dormiria mais aquela noite. Eram tantas as coisas em sua cabeça...

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A manhã seguinte iniciou feliz para Gael, que achava que sua vida finalmente tivesse entrado nos trilhos. Sua filha voltara para casa, Lobão estava preso e havia um imenso e caloroso sol banhando o Catete.

Nesse ritmo ele arrumou a mesa para o café da manhã, bem farto e saboroso. Beijou a cabeça de cada uma de suas filhas ao vê-las e os lábios de Dandara. Sim, Dandara também estava de volta, e era um dos motivos de seu sorriso. Quando João apareceu ali, ele dispensou os beijos, reprendendo Bianca ao vê-la agarrá-lo com audácia.

–- Mandamento 579! Sem beijo de língua antes do meio-dia!

A atriz se separa do nerd e revira os olhos com desprazer, rindo em seguida. Apesar dos pesares, era engraçado quando seu pai agia desta forma. Ela estava começando a se acostumar...

Karina dá um sorrisinho torto e depois de pegar um pedacinho de bolo de cenoura, corre para a porta.

–- Ué... já vai? – pergunta seu pai, preocupado.

Ela trava e solta um suspiro, vendo o olhar igualmente preocupado de sua irmã sobre ela. Temia que ela entrasse no assunto do pesadelo e aquilo fizesse com que ela contasse o que descobrira. Aparentemente ninguém sabia do quão malvado Lobão fora e justamente com alguém tão próximo deles, mas não ia ser ela que tiraria suas vendas. Eles estavam tão felizes sem saber a verdade...

–- Eu não falei com o Pê ontem. To com saudade. – inventou ela rapidamente, por mais que saudade fosse uma coisa que não tinha espaço em seu peito no momento. Ela realmente queria vê-lo, mas para voltar a se sentir amada e segura novamente.

Gael acaba por assentir, mesmo sabendo que havia alguma coisa incomodando a pequena esquentadinha. E realmente havia; um grande e malvado demônio chamado Lobão.

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Assim que Pedro viu Karina, ele soube que havia alguma coisa errada. Era comum que ela tivesse olheiras sob seus olhos, mas naquele dia elas estavam drasticamente acentuadas, além, é claro, de sua expressão para baixo e seus olhos melancólicos.

Ela lhe dá um rápido beijo antes de se sentar ao seu lado no trepa-trepa.

–- Você parecia tão desesperada no telefone, achei que fosse estar feliz agora que Lobão foi preso e você não precisa mais escolher um pai.

Ela sorri levemente, mas ele sabe que ela está fazendo aquilo apenas para não constrangê-lo, a abraça de lado, beijando sua cabeça em seguida. Ela cruza seus dedos com os dele antes de admitir:

–- O Lobão merecia muito mais do que isso.

Pedro franze a testa, confuso e então entra em desespero:

–- Ele te fez alguma coisa? – pergunta, preocupado.

–- Não. Eu não o vejo desde o dia que ele disse ser meu pai. – ela suspira. – Exceto em meus pesadelos, é claro.

Pedro desce uma das barras de ferro para encarar melhor seus olhos azuis e insiste com o olhar para que ela prossiga e o explique direito aquela história.

–- Edgard me deu um baú que era da mamãe... eu encontrei algumas anotações dela em algumas páginas de sua agenda de espetáculos e descobri que Lobão podia sim ser meu pai.

O garoto franze a testa, levemente confuso quando a vê se debulhar em lágrimas.

–- Ele abusou dela, Pê. – completa, com a voz embargada. – E o pior de tudo é que eu posso ser fruto desse abuso.

Pedro não sabe como reagir no início, mas logo sobe novamente aquela barra de ferro e a puxa fortemente contra seu corpo, abraçando-a com todo o carinho que poderia abraçá-la.

Depois de um tempo sendo reconfortada, ela suspira.

–- Eu quero que ele apodreça na cadeia.

–- Relaxa, Esquentadinha, ele vai passar a vida toda dele lá.

Ela nega.

–- Não. A lei brasileira é de caráter perpétuo. Ele pode passar no máximo 30 anos lá, mesmo que ele tenha uma carga de 70 anos por todos os seus crimes, no Brasil o máximo que alguém fica na cadeia são 30 anos. É a lei. Se ele viver mais que isso, vai ser solto, sem contar com o tempo que pode ser diminuído por bom comportamento. Eu não quero nunca mais imaginar um mundo com aquele monstro. – afirma ela, pensativa.

Pedro se afasta um pouco para enxergar seus olhos. Não sabia dessa lei e era um absurdo que ela existisse. Lobão fizera tanto mal e ainda assim poderia passar uma parcela de sua vida solto; fazendo ainda mais maldades.

–- E o que você vai fazer? – pergunta ele, curioso. Realmente não sabia como os dois poderiam mudar aquele fato.

Ela se vira para ele.

–- Eu vou denunciá-lo. Fazer o que minha mãe não teve coragem nem cabeça para fazer. Vou levar sua agenda como prova. Mesmo que isso não mude o tempo dele na prisão. Eu não posso ficar parada com ele tendo feito isso.

Ele permanece sério por um tempo, até que começa a tremer de nervosismo e coça a cabeça em sinal disso.

–- Então você vai ter que falar com seu pai. Eu imagino que ele não saiba, não é?

Ela engole em seco e sente as lágrimas em seus olhos novamente.

–- Talvez eu consiga fazer isso por baixo dos panos e ele nunca fique sabendo...

Pedro balança a cabeça, desacreditando que fosse realmente ela dizendo aquelas coisas.

–- Mas ele precisa saber...

–- Não precisa, não. Isso vai destruir ele. Perigo ele fazer alguma coisa errada...

–- Eu não to te reconhecendo. Pensei que a verdade fosse sempre o melhor caminho. Você me ensinou isso.

Ela morde o lábio.

–- É diferente. Não se trata dele, e sim de mim e de minha mãe.

Pedro nega novamente.

–- Se trata dele sim. Ou você quer que ele passe a vida pensando que Ana o traiu, sendo que ela foi forçada?

Ela acaba por ceder, curvando as costas e colocando o rosto entre as pernas enquanto tentava segurar as próprias lágrimas.

–- Eu só não quero que ele sofra... eu não quero que ele sinta tudo o que eu estou sentindo. – admite, temerosa.

Pedro suspira e se aproxima um tanto, abraçando sua silhueta encolhida.

–- Mas você tem razão. Ele merece saber a verdade... – completa ela, levantando o olhar para encará-lo.

Ele acaricia seu rosto, tentando transmitir força para mais um momento difícil dela. Na alegria e na tristeza, mesmo que eles ainda não fossem casados.

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Mesmo decidida a contar, Karina não o fez naquela tarde.

Depois de sair daquela praça, ela foi treinar. Descontar, como sempre fora, toda sua raiva no saco de pancadas. Gael reparara na mudança que ela vinha tendo. Estava mais séria, feroz e quieta demais para o seu gosto, mas decidira respeitá-la e esperar o momento certo para que conversassem.

Agora ela estava sobre o ringue, lutando contra Duca em um de seus treinamentos e ganhando de lavada do rapaz. Ele poderia ser mais velho, experiente e maior, mas ele não tinha a raiva e determinação dela e os dois sempre lutaram no mesmo nível. Exceto agora. O surpreendera vê-la daquele jeito feroz, era quase como se ela estivesse lutando contra seu próprio inimigo – e era exatamente isso que ela fazia, em sua mente.

–- Hey! Será que já dá pra trocar de adversária? – pergunta uma voz feminina, despertando os dois.

O olhar de Duca abre ao ver uma morena forte tirar o calçado e sorrir para ele enquanto pisava descalça no tatame. Karina encara de um rosto ao outro, confusa e então consegue reconhecer ela. Natália. A ex-namorada de Lobão e motivo da mínima alegria que ela estava sentindo.

Duca sai de dentro do ringue e agarra a garota em seus braços, beijando-a intensamente em seguida. Quando eles se separam, Natália encara a pequena figura que estava em suas costas, curiosa.

–- Karina, não é? – pergunta, se aproximando.

Todos da academia param o que estão fazendo para verem o encontro das duas lutadoras.

–- Natália? – pergunta a outra, de testa franzida.

–- Pode me chamar de Nat. – diz a morena, simpática, oferecendo uma mão para que a pequena apertasse.

Karina encara seus dedos por alguns segundos, milhões de pensamentos em sua mente. E depois de algum tempo naquele impasse, ela encara seus olhos, os seus, como dois diamantes brilhantes, carregando tantos sentimentos que chegava a doer. Natália franze a testa, tentando decifrá-la, mas fica ainda mais confusa quando a pequena joga os braços envolta de seu pescoço e a abraça firme e forte.

–- O-obrigada. – sussurra Karina, tremendo. Se não fosse por Nat ela provavelmente estaria ainda mais desesperada, vendo aquele homem solto pelas ruas e com a chance de nunca ser preso.

Nat encara os ombros da menina e seus cabelos curtos e loiros e acaba por abraçá-la de volta, sabendo que aquela menina em seus braços compartilhava o posto de guerreira junto dela. Elas não se conheciam, mas já sabiam disso apenas pelo olhar de cada uma. Olhares experientes no amor e na dor. Lobão era o mesmo inimigo para as duas.

Depois de um tempo, Karina se afasta, levemente constrangida, as bochechas coradas de timidez. Gael se aproxima em suas costas e lhe dá um susto quando põe uma mão sobre seu ombro e encara Natália.

–- Eu acho que te devo desculpas, Nat. – diz ele, estendendo uma mão para que ela apertasse. Ela sustenta seu olhar e assente.

–- Eu entendo que tenha sido difícil pra você acreditar que uma pessoa tão próxima fosse do mal. – afirma ela, antes de aceitar seu cumprimento e apertar firmemente sua mão.

Karina franze a testa no início, mas então ela entende; Gael não só havia perdido um inimigo, mas também um amigo, ou quase isso. Até mesmo ela ficara surpresa quando descobrira que Heideguer estava no meio daquela sujeira toda. Mas era assim que o mundo funcionava, com o bem e o mal tão próximos, mas sem se notarem. Seu pai era a prova viva disso, antes havia confiado em Lobão e sido apunhalado pelas costas devido ao ciúme e inveja – mesmo ele não sabendo disso --, e agora, novamente havia sido nocauteado por alguém que confiava e dava a vida por: Heideguer. Ela não conseguia imaginar sua decepção, mas agora entendia porque Gael era tão sozinho, sem amigos, sempre se prendendo em uma casca. Ele tinha motivos para isto.

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Antes que chegasse em casa, alguém puxou Karina para um canto, para mais exatidão, um dos bancos da praça central do bairro. Ela ficou confusa no começo e ainda mais depois de ver quem era.

Jade.

Ela encara os olhos da morena e sente seu coração bater mais rápido e seus olhos a teimarem.

A morena a encara de volta, levemente constrangida. Ainda era muito orgulhosa para fazer o que pretendia fazer, mas não se aguentava mais. Leva uma de suas mãos para cima da de Karina, pousada em seu colo e a aperta junto de si.

–- Eu soube de seus problemas familiares... – diz, nervosamente. Karina assente, cabisbaixa. – Eu sinto muito.

A loira sorri de lado e encara suas mãos entrelaçadas. Mesmo quando as duas eram quase amigas, nunca houvera um gesto de tanto carinho entre elas. Elas ficam em silêncio por alguns segundos, até que Karina o quebra:

–- Eu te devo desculpas. Não acredito que eu tenha sido tão cabeça dura ao ponto de afastar alguém tão bom pra mim.

A dançarina ri. Era estranho ser considerada boa para alguém, ela sempre fora a vilã invejosa. Até mesmo para Karina... era duro pensar que aqueles finos olhos azuis e marejados no momento, já estiveram daquele jeito por sua culpa. Ela odiava tanto a Jade antiga, mas tinha que dá-la um mérito. Se não tivesse sido má por tanto tempo não teria aprendido a ser boa.

Logo sente seus olhos serem tomados por lágrimas e seca-os com as costas da mão.

–- Eu também te devo desculpas. Fui muito dura com você... você só estava magoada. Eu entendo que você tenha feito aquilo e realmente não me importo. Deus, parece que foi á um milênio atrás. – as duas riem. – E eu acho que faria a mesma coisa. A gente é parecida até, sempre tentando fingir que não ligamos.

–- Graças às forças protetoras do Universo aprendemos a lição. – diz Karina, sorridente. Ela sabia da volta Cobrade, Cobra havia lhe contado á alguns dias, quando lhe parabenizou pelo aniversário. Ela ficara feliz e triste ao mesmo tempo, pensara que se a amiga perdoasse o rapaz, também a perdoaria, mas se enganara, até então.

–- Eu to me tratando agora. Cuidando melhor dos meus cabelos. – ela ri. – Cobra me forçou a começar uma terapia.

–- Hm... fico feliz de ouvir isso. Principalmente porque... – ela pigarreia. -- eu soube da sua mãe. – completa, apertando mais forte sua mão em sinal de apoio.

Jade suspira e deixa que uma lágrima escorra por seu rosto.

–- Ela é muito forte. Os médicos disseram que tem grande chance dela dar a volta por cima, mas eu ainda to com os nervos à flor da pele. Ela voltou ontem para casa e em breve vai recomeçar a quimioterapia. Ta no sangue dela agora.

Karina fica quieta por alguns segundos, absorvendo as notícias e sente a dor que vem de Jade a atingir. Ainda era novo para ela o amor da amizade, forte e delicado, capaz de suportar a dor do outro toda para si pelo bem dele.

–- Mas me fala de você. Como você ta com tudo isso?

Karina solta a respiração e decide se abrir.

–- Eu já voltei pra casa, perdoei meu pai, mas confesso que me sinto sem saída. – seus olhos a traem e deixam que lágrimas caiam deles.

–- O Lobão não foi preso?

A pequena assente.

–- Mas eu descobri que posso mesmo ser filha dele... e que ele é bem pior do que todos pensam.

A morena franze a testa e se aproxima da amiga.

–- Pode falar.

Karina encara seus olhos e acaba por ceder.

–- Ele estuprou minha mãe.

Jade arregala os olhos, sentindo o baque da notícia.

–- Eu quero que ele sofra por isso, eu quero denunciá-lo, mas não sei se tenho forças pra contar pro meu pai a verdade. Eu nasci de um estupro.

–- Você já recebeu o resultado do exame?

–- Não, mas eu sei disso. – ela bufa. – Da onde mais viriam meus olhos? E meu cabelo? E o pior... esse meu gênio malditamente perigoso.

–- Você não é perigosa. – afirma a dançarina, séria e Karina fecha os olhos fortemente enquanto se embala em um choro forte. – Olha pra mim, Karina. – ela abre os olhos molhados. – Não importa o seu pai, você vai continuar sendo essa garota maravilhosa.

–- Mas... eu posso ter surgido de um estupro. – interpõe a outra.

–- Não importa. Sua mãe quis te ter mesmo sabendo disso. Ela te amava e tenho certeza que não foi para aquela delegacia porque não queria que você se sentisse assim. Porque não importa o que aconteceu, ela amava aquele bebê em sua barriga. Você foi feita do amor e do carinho dela e de Gael e é do jeito que é graças a eles e não Lobão. Sua genética não faz de você ruim.

Karina solta um suspiro, se sentindo derrotada mais uma vez pelas palavras de Jade. Sorri, antes de recebê-la em seu abraço e enfim se sentir completa. Uma pessoa triste tentando fazer outra pessoa triste sorrir, isso se chama amizade. Ela tinha Gael, Pedro, Bianca, Dandara, Cobra e Jade, não ia ser derrotada tão facilmente por Lobão. Eles faziam a sua força.

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Naquela noite, ela foi determinada a contar tudo para seu pai, para casa. Chegando lá, ela abriu a porta sorrateiramente e o encontrou de pé, esperando exatamente por ela, com uma expressão séria no rosto, as duas mãos para trás das costas.

–- Nós precisamos conversar. – disse ele e ela se surpreendeu com sua fala. Pelo visto ele havia reparado em seu jeito estranho ou talvez já soubesse sobre o que se tratava a conversa. Ela até mesmo imaginou se ele não saberia sobre a história de sua mãe... talvez ele houvesse entregado o baú para Edgard por causa disso...

Ela se senta no sofá e põe as mãos sobre seu colo, seus olhos sem desviar um instante sequer dos de seu pai. Ele se aproxima, mas continua de pé, encarando os olhos da menina se preencherem, pouco a pouco, de água e sua respiração acelerar. Ela estava entrando em desespero, era como se fosse dar uma notícia de morte, e era quase isso mesmo. O encara nos olhos e ele consegue senti-la em um labirinto. Se agacha em sua frente, com a testa franzida de preocupação.

Ela limpa seus olhos e se levanta.

–- E-espera ai. Eu tenho uma coisa pra te mostrar. – diz ela, com a voz embargada. Engole em seco e então caminha com passos lentos em direção ao seu quarto.

Gael a obedece, e quando ela volta, encara o objeto em suas mãos com curiosidade.

–- Esse baú... – murmura, reconhecendo a pequena caixinha.

Ela se senta em sua frente novamente e abre cuidadosamente o baú de madeira, retirando dali uma agenda que ela folheia até uma página em específico.

–- Filha, eu também tenho algo pra falar com você...

–- Espera, por favor. – pede ela, interrompendo-o. Ele acaba por assentir, sentindo o nervosismo ficar cada vez mais presente em seu corpo.

Ela lhe entrega a agenda, aberta naquelas páginas em específico, as mãos trêmulas alcançando o caderninho para ele, que depois de um momento mais de confusão, lê as palavras presentes ali e começa, pouco a pouco, a recair cada vez mais.

Ela encara o olhar dele sobre a folha com dor no coração, até que vê a destruição e raiva em seus olhos cobertos de água. Ele se atira para trás e escora a cabeça no sofá, absorto em seus pensamentos e ela se agacha em sua frente e põe suas mãos sobre seus braços enquanto chora.

–- A sua mãe... – começa ele, mas fica impossibilitado de continuar sua fala, dolorido demais para que abrisse os próprios lábios.

Ela assente, derramando uma lágrima mais de dor.

–- O Lobão é um monstro. – afirma e ele fica estarrecido de repente, olhando para seu próprio colo, onde o motivo dele querer falar com ela estava pousado.

Ela segue seu olhar, confusa, até que vê o envelope e o pega entre seus dedos trêmulos:

DARD

Resultado do exame de paternidade judicial feito em Jorge Lobo e Gael Duarte, sobre a tutela da menor Karina Duarte.

Notas finais
NÃO ME MATEM, CALMA O que será que a Ka vai fazer, em? Sobre a prisão do Lobão... eu pretendia deixar ele preso a vida toda aqui na fic, mas fui informada em uma aula de filosofia disso das pessoas não ficarem mais de 30 anos na prisão no Brasil. É absurdo, eu sei, mas é a realidade. Falem ai se gostaram do pesadelo – ficou assustador, essas coisas? --, da aparição da Nat e volta da amizade Jadrina? Nat vai aparecer de novo no próximo! Mais duas perguntas: vcs gostaram disso da Jade se tornar enfermeira ou preferiam que ela fosse dançarina mesmo? Qual outra profissão ela poderia seguir sem ser essas duas? E o Marcelo, vcs acham que o Pedro deve perdoá-lo e os dois voltarem a conviver? MUITO IMPORTANTE QUE VCS ME RESPONDAM! Falta pouquíssimo pro fim da fic, mais uns quatro capítulos mais ou menos, então mãos à obra ai nos reviews, em? E se quiserem mandar recomendação – sim eu sou cara de pau assim --, a hora também é agora sahusahu Beijoo