Correndo em Círculos

40 Capítulo 40: Sou à prova de balas


Notas iniciais
Oiiiiiiiiii! Fiquei feliz que vcs comentaram mais no capítulo passado! Espero que com esse cheguemos aos 400 comentários – PQP, IMAGINA SÓ, 400?! Capítulo recheado de surpresas, espero que gostem! Música: Titanium – David Guetta ft. Sia (tinha feito um vídeo da Karina com essa música, mas deletaram por causa dos direitos autorais :”( BOA LEITURA!

Depois de alguns minutos de apenas contato visual entre o pai e a filha, o mestre e a aluna, Pedro os deixou a sós e foi para dentro do Perfeitão, beijando a cabeça da namorada antes de sair dali. Esperava alguma reação bombástica dela, como sair correndo, xingá-lo ou, pelo menos, algum olhar irritado, mas ela não fez nada, apenas encarou seu pai duramente, quase sem piscar.

O mestre não precisa dizer muita coisa, na verdade, ele não precisa dizer nada para que ela o siga até um banco qualquer da praça José Wilker. Os dois se sentam ali, lado a lado, como se não fossem as pessoas que mais conheciam uma a outra no mundo e sim dois desconhecidos.

Karina encara suas próprias mãos, nervosa.

–- Eu não podia passar seu aniversário sem ao menos te ver. – afirma o homem com sinceridade. A menor aperta seus próprios dedos suados, inquieta e assente com rapidez, ainda sem olhá-lo nos olhos. Ele sorri. Ela podia não ter seus traços físicos, mas definitivamente tinha sua personalidade. Nervosa, orgulhosa, esquentadinha...

– Eu já estava pensando em te visitar desde ontem, mas havia prometido não insistir nem te forçar a nada. A decisão se eu vou continuar sendo ou não seu pai, é sua e só sua. – admite ele, com dor no coração. – Mas o Capirotinho me ligou hoje cedo e disse que haveria uma festa surpresa no Perfeitão e que você iria gostar de me ver nela.

Ela ri por dentro. Pedro era tão... indecifrável. Ele conseguia ver tudo nela, mesmo que ela não dissesse, mas para ela ele era cada dia mais uma caixinha de surpresas. Irônico. Ela nunca foi fã de surpresas e agora passava a amar e esperar ansiosamente cada uma das dele.

Ela realmente queria ver Gael. Queria uma desculpa para aparecer em sua casa, nem que fosse para brigar com ele, mas queria vê-lo de qualquer maneira, o único empecilho era seu maldito orgulho. Uma felicidade que o dele fosse menor e que ela tivesse o melhor namorado detetive do mundo, para que seu desejo fosse realizado.

Ela o encara fixamente nos olhos pela primeira vez no dia, por apenas alguns segundos, antes de desviá-los, com medo de ele conseguir decifrar cada um de seus pensamentos e temores. Agora que seu desejo fora realizado, ela não sabia como agir. Ainda não tinha uma resposta concreta para ele, nem sabia se estava preparada para voltar para casa, a dor pela traição ainda fervia forte em seu peito.

O homem suspira, constrangido pelo longo silêncio que só se estendia entre eles.

–- Eu não quero que as coisas voltem a ser como antes agora. Quer dizer... querer eu até quero, mas eu sei que elas não vão e nem peço que sejam. – ele fecha os olhos fortemente, tentando encontrar as palavras certas para o que pretendia. – Mas eu quero que você saiba, Karina, que não importa a justiça, o Lobão ou a ciência, você ainda é a minha filha e sempre vai ser especial pra mim. Dói cada dia mais te ver distante, mas sei que seria muito pior vê-la ferida nas mãos de Lobão, por isso te peço que fique longe dele mesmo que ele seja seu pai biológico, só eu e sua mãe sabemos o quão perigoso ele pode ser.

Ela o encara novamente, curiosa.

–- O que ele fez?

–- São tantas as coisas que fica difícil de listá-las.

–- Você pode tentar... – insiste ela, e ele acaba por ceder. Estreita os ombros para trás e sorve uma grande quantidade de ar, antes de começar:

–- Quando nós éramos jovens, éramos melhores amigos. Lutávamos, treinávamos e aprendíamos juntos cada golpe novo de muay thai. Muito mais que isso, saíamos para beber, dançar e namorar quase toda a noite. Apostas, drogas e mulheres. Até que eu me apaixonei. Fomos convidados formalmente para uma peça teatral, e famosos como A Ribalta e nós éramos, tivemos que ir. Fiquei dormindo a maior parte do tempo e Lobão tirava sarro de mim e insistia em dizer que a peça valera a pena pela beleza da protagonista. Eu nem reparara, entediado como estava. Mas depois que a peça terminou, estava eu reclamando dela, e apareceu aquela linda protagonista, furiosa, protegendo com unhas e dentes o seu trabalho. Foi ódio à primeira vista.

Karina ri da ironia. Não era à toa que diziam que os opostos se atraiam. Perina, Joanca, Cobrade e agora Gana eram a prova real disso.

–- Nós brigamos feio naquele dia. Ela me chamou de troglodita e eu chamei a ela de patricinha. – ele ri ao se lembrar, olhando para o céu, emocionado. – Lobão agradeceu por aquilo, disse que assim poderia tê-la só para ele. Mas com o tempo, eu e Ana nos aproximamos, o ódio se transformou em amor e ela me mudou. Eu não queria mais saber de apostas, nem de outras mulheres, e logo meu antigo sonho de ser campeão foi guardado na gaveta.

“Lobão, é claro, me odiou por isso, mas continuou meu amigo, gozando de meu novo jeito certinho com desdém. Eu insistia pra ele largar aquela vida, mas ele nunca o fez. Me casei, tive minha primeira filha e cortei de vez os laços com ele. Nós brigávamos a todo e qualquer encontro. Ele sentia ódio pelo rumo que minha vida tomara e por eu ter desistido tão facilmente de meu sonho. Acho que ele também me odiava por eu ter conquistado Ana, mesmo com todas as suas investidas, o cara que ela odiava foi o que se tornou seu marido.”

“E deve ser por isso que ele insistia tanto em tentar seduzi-la, me deixando, é claro, furioso. Ele ia para suas apresentações, podre de bêbado e eu estando ou não ali, sempre tentava entrar em seu camarim e cortejá-la com flertes ridículos. Alguns dias eu o corria a pontapés dali. Os donos do teatro não gostavam de mim por isso, me achavam agressivo e possessivo e que Lobão fosse apenas um mero apreciador das artes cênicas. Eu sempre achei que ela nunca houvera cedido nos dias em que eu saia para torneios, com o ódio que ela tinha dele... mas hoje eu já não sei mais. Talvez aquele ódio, assim como fora comigo, houvesse se tornado amor.”

Ao final da história, os olhos dele se cobriam inteiramente de lágrimas, seu peito retumbando sem parar ao se lembrar de cada detalhe da vida que passara.

–- E então ela morreu por minha causa e você nunca ficou sabendo. – completa Karina, também chorosa.

Gael a encara, complacente e lentamente passa sua mão pelo rosto da filha.

–- Ninguém tem culpa da morte de Ana. Ela queria ter você. Nós queríamos ter você. Houve complicações no parto, apenas isso. – afirma ele e ela fica quieta.

Ele põe a mão dentro do bolso da camisa que vestia e ela encara seu movimento com os olhos, curiosa, até que o vê se levantar e ir para trás dela, colocando um colar de prata envelhecida em seu pescoço.

Ela toca nas três pedrinhas brancas que serviam de pingente e as encara com curiosidade.

–- A gente encontrou esse colar em uma feira de artesanato de rua qualquer. Sua mãe as adorava. Quando viu as três pedrinhas foi á loucura, quase chorou; quando pedi que explicasse ela disse que a pedra do meio era ela, a mãe e as outras duas eram suas lindas filhinhas. Eu ri e debochei na época, mas agora a entendo. Esse colar era e ainda é especial. A minha ideia era te dar quando você decidisse ter filhos, mas sei que não aguentaria até lá.

Karina encara de novo os pingentes e sente um arrepio percorrer sua espinha. Sorri, sentindo seus olhos marejarem novamente, e os beija com carinho.

–- Por que eu e não Bianca? – pergunta, realmente intrigada.

Ele sorri em resposta.

–- Porque eu sei que ele vai ter muito mais significado pra você. Pode não parecer, mas entre vocês duas, você é a mais sentimental e apaixonada. Igualzinha a Ana.

Karina ergue as sobrancelhas.

–- Pensei que a Bianca fosse muito mais parecida com ela. Todo mundo sempre fala no quão as apresentações dela são iguais as da mamãe, sua beleza e sua personalidade sonhadora.

–- É verdade. Mas as pessoas só veem o superficial. Elas nunca reparavam no quão esquentada, marrenta, forte, mas sentimental era sua mãe porque não a amavam como eu amei. Por isso elas não veem o quão parecidas vocês duas são.

A pequena assente, sorridente.

–- Obrigada, pa... – ela engasga ao reparar no que falaria e arregala os olhos como se tivesse sido pega na caixinha.

Gael sorri grande.

–- Bem... é isso. Espero que a partir de hoje as coisas mudem entre nós dois, filha. Eu sinto tanto a sua falta que chega a doer. – afirma ele, se levantando. – Aliás, feliz aniversário... – ele sorri, os olhos marejados. – Nem parece que minha garotinha já está completando 17 anos. Já é quase uma mulher.

Ela não fala nada, absorta em pensamentos como estava; só o vê se curvar e beijá-la na cabeça, antes de ir para sua casa.

Ela fica encarando a porta verde se fechar com curiosidade. Pensou que haveria uma briga ou discussão, mas houvera acontecido exatamente o contrário. Seu pai estava mudando e cada vez para melhor. Ela sempre o achara um pai incrível, apesar de seu jeito machão de ser e das regulações de seu namoro, então aquilo lhe trouxera um sorriso para o rosto.

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–- Como foi lá com o seu pai? – pergunta Pedro, curioso, depois que a festa terminou e eles subiram para ver algum filme qualquer na televisão.

Ela olha para baixo e sorri, antes de se sentar no sofá, se aconchegando em seu abraço.

–- Foi você, não foi? – pergunta, desconfiada.

Ele assente.

–- Você pode me bater se quiser, eu sou masoquista mesmo... – ela ri. – Mas eu não aguentava mais te ver tristinha.

–- Você fez bem em chamá-lo. Eu acho que era disso que eu precisava... de um impulso.

–- Mas você não me respondeu como foi lá...

–- Pra falar a verdade foi muito bem. Meu pai ta diferente... ele não insistiu que eu voltasse para casa. Acho que ele ta entendendo que eu precisava de tempo pra digerir tudo aquilo.

O garoto assente, cruzando suas mãos em sua barriga e abraçando-a.

–- Você o perdoou?

–- Eu não sei. Foi uma conversa muito esquisita. Ele pediu pra eu tomar cuidado com Lobão e me contou algumas histórias... não falamos sobre eu ter ou não o perdoado. – diz ela, pensativa.

–- Hmm... – murmura ele, o que faz ela se virar para encarar seus olhos. – Mas você não sente saudade da sua casa?

–- Sinto. Muita.

Ela olha para baixo, pensativa. Sentia um frio na barriga gelar o seu corpo pouco a pouco. Ela não devia ter deixado seu pai sair dali daquele jeito, não guardava mais rancor dele.

–- E não se sentiu desconfortável com ele como achou que fosse se sentir... – ela assente. – O que você ta fazendo aqui ainda, então?

Ela se vira pra frente novamente, olhando para teve, mas sem vê-la, seus olhos em seu pai, sua reação, seu arrependimento. O que mesmo ela estava fazendo ali? Devia ter falado tudo para seu pai, tudo que guardava em seu coração, que o entendia, amava e perdoava, o único problema era o seu orgulho.

–- Eu não sei. – admite.

Pedro se curva para frente e dá um pausa no filme, puxando o rosto dela com as pontas dos dedos e virando-o para ele.

–- Não deixa seu orgulho tomar conta de você. Vocês dois estão sofrendo com essa distância. Se você quer voltar para casa agora, vá. – ele sorri. – Irônico eu dizer isso porque amo ter você na minha cama todas as noites, mas se é o que você quer...

Ela sorri de volta e joga seu corpo por cima do dele, lhe beijando intensamente. Ele murmura em seus lábios.

–- Se você continuar me beijando assim , vai ser eu que vai te proibir de ir embora.

Ela ri e lhe dá um peteleco, antes de se levantar e correr porta á fora.

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Karina não bateu na porta, ela a abriu sem avisar mesmo. Por sorte, ninguém havia a trancado ainda.

A primeira coisa que viu ao abri-la foi seu pai sentado na poltrona, chorando sem parar enquanto olhava para um porta-retratos com uma foto dele, Bianca e sua esposa ainda grávida de Karina. O silêncio reinava na casa. Na pia havia alguns pratos sujos, as folhas dos bonsais amarronzadas pela falta de cuidado. Ele devia estar realmente abalado com toda aquela situação.

Ela caminha lentamente até ele e quando está em sua frente, ele a vê, ergue o olhar surpreso e franze a testa.

–- Karina? – pergunta, confuso.

Ela se agacha em sua frente, já sentindo seus olhos molhados de lágrimas.

–- A gente não conversou direito... – diz ela, com a voz embargada.

O homem se curva mais pra frente, para encará-la mais de perto.

–- E-eu... eu também sinto sua falta. – admite, num resfôlego só.

Gael continua a lhe encarar, curioso.

Ela suspira, quase tremendo de nervosismo.

–- Quando eu descobri a verdade, o meu mundo caiu. Eu tinha uma família, imperfeita, mas tinha. Um pai durão, uma irmã mimada... – ela sorri. – e então, eu tinha perdido tudo aquilo.

–- Você não nos perdeu, Karina. Nós ainda te amamos. Sempre vamos te amar.

Ela assente.

–- Eu sei. Meu orgulho tentou me mostrar o contrário disso, mas eu sei, no fundo de meu peito, que nada mudou. – ela funga, secando algumas lágrimas com suas mãos trêmulas. – Você é meu pai.

Ele sorri grande, sentindo se debulhar cada vez mais em lágrimas de emoção, felicidade.

–- Agora eu consigo ver as coisas boas que você fez, muito mais do que as más. E as más... – ela suspira. – você só queria me proteger.

–- Talvez eu tenha errado em ser tão protetor. Talvez eu devesse ter deixado seu namoro com o Pedro e o namoro de Bianca com João mais livre, como eu fazia com o Duca. Mas acho que faltava confiança... não em você, nem nela, mas nos garotos.

Os dois riem. Algumas das situações antigas pareciam piadas se comparadas a atual.

–- Você me perdoa?

–- Pelas regulações? Não tem o que te perdoar. – ele sorri levemente.

–- E por te esconder a verdade?

Ela olha para baixo, pensativa.

–- Eu entendo o seu lado. Entendo que era difícil pra você entrar nesse assunto e correr o risco de me perder, mas eu quero que você também me entenda. Eu odeio mentiras, elas sempre são o pior caminho.

O homem assente.

–- Eu sei disso, já sabia há muito tempo, mas fui um covarde. Fazia menos desse assunto porque achava que, de qualquer forma, você sempre seria minha filha. Mas eu não percebia que essa decisão tinha que vir de você e que você faria a melhor escolha.

Ela assente, se levantando e abraçando-o firme, seus pés erguidos nas pontas para que alcançasse seu pescoço. Ele sorri, emocionado, e a aperta de volta, seu corpo grande quase cobrindo completamente o dela.

–- Mestre Gael? – chama uma voz, despertando a atenção dos dois, que se separam e encaram a visita. – A justiça convoca Gael Duarte e Karina Duarte para um exame de DNA daqui a... – ele lê a folha que estava em sua mão. – cinco dias.

Karina encara seu pai, perplexa e ele tem a mesma atitude, mas aperta sua mão, tentando transmitir força. Eles estavam juntos agora, e aquela era sua força.

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Alguns dias depois...

Os dias passaram com rapidez. Ao contrário do que Karina pensara, voltar para casa não fora de todo bom. Havia algo entre ela e seu pai mal resolvido, o medo daquele exame sempre a atormentá-los. Como seria depois que saísse o resultado? Aquilo zanzava por suas mentes sem parar, atormentando seus sonos e pensamentos.

Mesmo assim eles voltaram à bela relação pai e filha que tinham; treinando, brincando e brigando a todo instante e aquilo foi maravilhoso, até aquele dia, o dia do exame.

Assim que saíram do laboratório, os dois não falaram nada. Ficaram em silêncio, o medo pairando entre eles como uma barreira. Graças a Deus, Lobão havia estado ali algumas horas mais cedo, lhes poupou de muito bate-boca.

Gael dirigiu em silêncio para a Ribalta e desse mesmo jeito, os dois foram treinar.

Depois de alguns minutos nesse dialeto, Karina voltava do banheiro, quando foi puxada para um abraço.

Ela se surpreendeu com o gesto, pois ele viera justamente de uma pessoa com quem não tinha nenhuma intimidade. Encara Edgard, confusa e o homem seca algumas lágrimas de seus olhos molhados com uma de suas mãos; a que estava desocupada. O contrário da outra, que agarrava um pequeno baú de madeira envernizada. Ele silenciosamente lhe oferece o objeto, olhando para os lados com temor, como se escondesse de alguém.

–- Sei que está passando por uma situação difícil. – afirma ele, complacente. – Eu era amigo de sua mãe, estudei teatro com ela... e depois que ela morreu, Gael me entregou essa caixa, pois era muito doloroso para ele ver essas lembranças. Acho que você a merece.

Ela finalmente aceita o presente, encarando o pequeno baú com um brilho no olhar. Era de sua mãe... Sorri.

Ela não esperou muito, saiu correndo da fábrica e foi para casa. A caixinha estava destrancada e por isso foi fácil ver seus pertences. Fotos, medalhas, brincos e cartões postais. Era incrivelmente dolorosa a sensação de ver cada uma daquelas coisas. Elas eram parte de uma vida, uma vida que ela amava, mesmo desconhecendo.

Não demora muito, e ela sentiu seus olhos cobertos de água. Chora por vários minutos, até que vê um pequeno caderninho e o pega, curiosa. Era uma agenda, a agenda de shows de sua mãe. Folheia sem vontade, aquele era o tipo de coisa que Bianca amaria. Sorri e então, passando uma página em específico, desmancha o sorriso.

“Dói. Dói mentir e ser tão covarde. Naquela noite eu não consegui segurá-lo e só de lembrar sinto dor em meu peito. Ele sempre foi assim, ameaçador, mas naquele dia ele ultrapassou isso. Eu agradeço por não estar completamente sã na hora, um pouco bêbada pela comemoração da peça, e não me lembrar com clareza de suas mãos em meu corpo.

Agora eu choro, choro porque fui covarde e escondi esse segredo. Estou grávida. Me dói dizer que não sei de quem é, mas quando Gael vem cheio de carinho para cima de mim, creio cada vez mais que seja dele. Eu rezo por isso e rezo também para que alguém não seja medroso que nem eu e denuncie-o.”

Algumas folhas adiante, havia o seguinte texto:

“Hoje ela chutou. Doeu um pouco, mas foi mágico. Minha linda garotinha é forte e cada vez menos eu penso naquela noite. Karina é especial, eu torço por sua vida como a plateia torce por minha Julieta. Cada dia mais a amo, mesmo ela podendo ser consequência de um triste momento de minha vida.

Lobão continua solto por ai, provavelmente abusando de outras como fez comigo, e isso me causa asco. Não consigo mais vê-lo nem mesmo em foto que fico desesperada, mas sei que algum dia alguém fará justiça.”

Karina ficou em choque, encarando a página com dor no coração. Ele... ele... era doloroso demais pensar na situação que sua mãe passara e ainda mais pensar que a consequência daquilo poderia ser ela. Sua visão embaça e ela sente o ódio crescer dentro de seu peito e tomar proporções absurdas. Ela queria matar aquele homem, não importava se ele fosse seu pai, ela queria matá-lo.

Seu celular apita uma mensagem nova e ela o pega com agressividade, apenas porque sentia que devia fazê-lo:

Pedro: liga a tv. É sobre o Lobão.

Assim ela o faz, vendo a cara arrogante e perigosa do homem sendo empurrada para dentro de uma viatura.

–- O mestre da Khan foi desmascarado por Natália, sua ex-namorada e aluna. Ela diz ter fugido de sua casa, em que ele a mantinha foragida pela mesma saber de seu segredo, e corrido imediatamente para a polícia para denunciá-lo por assédio, agressão e muitas outras acusações.

“Além dele, o advogado de renome: Heideguer, também sofre das mesmas acusações. De acordo com o delegado, os dois passarão por um tribunal, mas provavelmente ficarão presos por uma média de 70 anos devido às provas já mostrados por vários de seus cúmplices.”

Notas finais
Siiiiiiiiimmm! Esse capítulo foi uma explosão de surpresas, não é? Mas espero que tenha agradado! A mãe da Karina realmente foi abusada aqui na fic, mas ainda não sabemos quem é o pai real dela – digam ai nos comentários qual é o mais provável? Lembrando que não necessariamente as coisas serão iguais á novela aqui. Por a novela ser no horário que é, acho que os autores mudaram isso, mas acredito que lá no início eles pretendiam que a Ana tivesse sido abusada pelo Lobão mesmo. E bem, eu acredito que uma pessoa como ele ia insistir até conseguir. No próximo vai ter o sonho de terror que eu mandei pro gshow e uma personagem não tão nova assim vai aparecer... saudades da Nat? E de Jadrina? Espero que cheguemos aos 400 reviews com esse! COMENTEM! Beijoos