Correndo em Círculos
36 Capítulo 36: Mais forte do que êxtase
Notas iniciais
Na casa dos Duarte uma atmosfera triste presenciava todos os cômodos, desde que Karina saíra aos prantos pela rua, Gael não comera mais direito, não tomara banho ou fizera qualquer coisa a não ser chorar. Passava o dia inteiro sentado em sua poltrona, olhando para a foto de sua falecida esposa e chorando. Ele sabia que havia errado, mas não tinha forças para consertar aqueles seus erros e por isso temia que nunca mais fosse ver sua filha novamente.
Cada segundo longe dela lhe dava mais vontade de levá-la à força para aquela casa, mas ele sabia que usar a força nunca trazia boas coisas e por isso continuava a esperá-la. Esperar que ela se acalmasse, as lágrimas secassem e a cabeça clareasse, antes de correr até ele, com o perdão no coração. Ele sabia que ela tinha que ter seu tempo, mas temia que ele fosse muito longo para que suportasse.
–- Pai... come alguma coisa. – pede Bianca, se agachando em sua frente com um prato de torradas e um copo de suco.
Ele nega devagar.
–- Comer não vai trazer sua irmã de volta.
Bianca suspira e larga o prato e o copo em cima da mesinha de centro, se levantando para voltar para seu quarto. Também se sentia culpada, mas já havia aprendido que não adiantava chorar, implorar ou espernear. Eles tinham que esperar e enquanto isso, seguir suas vidas. Karina era assim, era uma garota furiosa, Esquentadinha, como dizia Pedro, e precisava de tempo até que sua cabeça esfriasse.
–- Filha... – chama Gael, baixinho. – Você me perdoa? – pergunta o homem, com lágrimas nos olhos.
A garota desvia o olhar de seu rosto. Havia decidido ficar depois de ver sua irmã ir embora. Sabia que Gael não aguentaria ficar longe das duas filhas, uma já era demais. Mas pretendia, assim que possível, sair de casa. Já era sua hora e não havia motivos para continuar ali. Não porque não amasse sua família ou por Gael ser tão duro, mas sim porque ela já era adulta, tinha seu próprio salário (trabalhando na academia) e meio caminho andado em sua carreira de atriz e sabia que a relação com seu pai só tendia a piorar se continuasse ali. Dá meia volta e se agacha em sua frente novamente.
–- Depende, pai... você se arrepende? Você entende o que estava acontecendo ali? Eu e o João somos namorados, mesmo que você não aprove e nós estávamos a ponto de fazer amor naquele camarim, sei que não é um lugar adequado, mas... você já foi jovem, não? Sabe como a paixão pode ser intensa às vezes. Tão intensa ao ponto de não percebermos o que estamos fazendo até já termos feito.
O homem assente, pela primeira vez em dias, olhando-a dentro dos olhos, os seus, chorosos e culpados, olheiras profundas em sua volta pelas duas noites mal dormidas que passara.
–- Sim, eu entendo. Eu fui um ogro com você e a Karina noite retrasada. Não devia ter te arrastado daquele jeito, nem dado aquele tapa em sua irmã. Não tenho motivos pra ser como sou. Tenho duas filhas exemplares, lindas, fortes e determinadas, mas acho que nunca percebi isso. Sempre quis protegê-las do resto do mundo por achar que vocês não fossem fortes o suficiente. Acho que esse é o erro de todo pai, mas eu ainda o ultrapassei. É você quem deve escolher com quem deve ficar, e a quem ama, não eu.
Bianca seca seus olhos molhados com as costas de sua mão e se aproxima mais um pouco, segurando seu rosto.
–- Eu quero que você saiba, pai, que o motivo de eu querer sair de casa não foi esse. Eu já tinha pensado nisso á um tempo, mas não tinha coragem de dizer. Isso de eu morar com você acaba atrapalhando nossa relação.
O homem arregala os olhos, levemente surpreso, suas mãos tremendo de desespero.
–- Você vai embora?
–- Não agora. Você precisa de mim. Nós precisamos passar força um pro outro. – afirma, deixando-o mais aliviado. – Você me entende? Eu já tenho dezenove anos agora, a gente passa a vida inteira pensando em como seria morar sozinho. Não tem nada haver com você... mas em breve eu quero ter o meu próprio canto.
Ele assente.
–- Eu entendo... só espero que ele seja bem próximo daqui pelo menos. – diz, rindo em meio às suas próprias lágrimas.
A garota sorri para o pai.
–- E eu te perdoou. Não dá pra considerar as coisas horríveis faladas durante uma briga como verdadeiras. Eu sei que você só quer o meu bem.
O homem solta um longo suspiro e vê a filha se levantar e abraçá-lo, tendo a mínima certeza de que tudo acabaria bem.
–- Eu vou falar com a Karina amanhã. Talvez a mim ela ouça. – diz ela e seu pai assente, ansioso.
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Antes de sair da praça José Wilker, Pedro e Karina passaram no QG, ela se despediu do amigo e agradeceu sua ajuda, enquanto Pedro os encarava de cara fechada, depois disso eles pegaram um táxi e foram até o endereço que Marcelo passara para Pedro. A viagem não fora longa, em menos de dez minutos se encontravam na frente de uma bonita casa azul com um florido jardim verde na frente e uma estradinha que guiava até a porta. Pedro já havia recebido uma mensagem de que o pai e sua nova namorada estavam no super mercado e que havia uma chave debaixo do tapete para que eles entrassem.
–- Uau... seu pai ta bem de vida, em? – diz Karina, analisando o chão de tabuão envernizado brilhar sob seus pés, as paredes amarelas de um corredor que guiava até uma porta de vidro que mostrava uma piscina quadrada na área dos fundos. Do lado esquerdo o corredor guiava até uma cozinha de tamanho mediano, da cor de madeira rústica e com uma bancada de mármore a separando do resto da casa. Do lado direito: uma sala de estar ligeiramente grande, com uma televisão de cinquenta polegadas na parede e um sofá de curva marsala em todo seu entorno. No fundo da sala de estar havia mais um pequeno corredor que levava para um banheiro, um escritório e os dois quartos da casa: o de Roberta e Marcelo e o de hospedes.
Pedro assente, olhando surpreso para o lugar.
–- Deve ser porque é a casa da Ro... – mas antes que ele completasse sua fala, Karina ataca seus lábios com intensidade, suas mãos roçando por suas costas desesperadamente e sua língua brincando com a dele incansavelmente. Ele larga a mochila preta que estava em sua mão no chão e a puxa forte contra seu corpo, fazendo suas intimidades se chocarem. Ela geme contra sua boca e ele aperta ainda mais sua cintura, descendo suas mãos para mais abaixo, em suas nádegas, por dentro dos bolsos de sua calça de moletom cinza.
–- A-acho... – diz ela, quando eles se separam, mas sua respiração ofegante a impede de continuar. Ri, corada. – Acho melhor a gente aproveitar a casa vazia... – diz ela, tentando soar sedutora, mas parecendo mais fofa do que devia enquanto fazia círculos no pescoço dele.
Ele sorri, encarando docilmente aqueles seus olhos azuis que o faziam lembrar de água. Ele estreita os olhos e os direciona para o final do corredor, para a piscina cujas águas da cor daqueles olhos estavam quietas e intocadas no momento. Sorri.
–- Ta calor, não é? – indaga e ergue sua camiseta para cima a atirando por cima de sua mochila. A garota sorri, o entendendo e não tarda a descer sua calça de moletom para baixo, revelando uma calcinha de renda preta, pequena demais para que ele não reparasse. Desde quando ela usava calcinhas assim? Encara sua bunda descaradamente, sentindo ainda mais calor.
Ela ri de seu jeito e termina de se despir, tirando a blusa de manga curta e vazada branca e azul e revelando um top de ginástica preto.
–- O que você está esperando? – pergunta ela, se divertindo com a boca aberta dele.
–- Você deixar de ser linda. – responde o garoto, encarando agora sua barriga chapadinha e o pouco de seus seios que tentavam escapar do top.
Ela dá um de seus sorrisos de lado.
–- Então vai demorar um pouquinho... – sussurra, para então corar ainda mais fortemente. Ele ri. Amava sua esquentadinha tímida, mas amava ainda mais quando ela percebia seu valor. Quer dizer... aquela era uma coisa nova. Devia ter sido a primeira vez que ele a via se considerar bonita. Desce sua calça jeans para baixo, tirando-a desesperadamente quando vê sua namorada correr até o fim do corredor e abri a porta de vidro, se virando para ele e o olhando sugestivamente.
Ele corre atrás dela, levando consigo apenas seu telefone celular que ele largou em qualquer lugar do chão e a virou pela cintura, puxando-a para perto de seu corpo e pegando de volta aquele beijo que ela roubara á alguns minutos atrás, com astúcia. Essa é a vez dela de rir contra seus lábios e então senti-lo a erguer do chão e caminhar em direção á piscina.
–- Pedro, você não vai... – mas antes que completasse a frase, ele faz exatamente o que ela temia, empurra seu corpo para a água, fazendo-a mergulhar com tudo até o fundo e depois se erguer, furiosa. Estreita os olhos enquanto o encara gargalhar sem parar. – Seu idiota! Eu podia ter me machucado! – diz, fazendo biquinho.
–- Como? Com a água? Não se preocupa, Esquentadinha, ela é inofensiva. – afirma, brincalhão, não vendo a garota se aproximar da borda da piscina sorrateiramente.
Ele ri mais um pouco e ela vê a deixa perfeita para se vingar, puxa uma de suas mãos, fazendo-o cair com tudo para dentro da água também. Quando ele se ergue novamente, é a vez dela de gargalhar. Mas ele não fica bravo, entra na brincadeira, puxando o corpo dela para perto do seu.
–- Não tem graça, Esquentadinha. Machucou... – diz, com falsa irritação.
–- Ah... é? Me diz onde dói que eu dou beijinho. – responde ela, brincalhona.
Ele sorri maliciosamente.
–- Hm... dá mesmo? – pergunta, com as sobrancelhas erguidas sugestivamente. Ela soca seu ombro levemente e enrubesce a face. – To brincando, linda. O lugar que eu machuquei não é assim tão ruim. – diz, antes de beijá-la na boca.
Ela rapidamente desliza suas mãos para entre seus cabelos ensopados e agarra suas pernas com suas próprias, fazendo-o intensificar o beijo ao ponto de levá-la contra a borda da piscina e prensá-la ali. Ele morde forte seus lábios quando os dois se separam, ofegantes e encara seus olhos com volúpia, os seus, negros como a noite que se fechava cada vez mais. Ela o encara de volta e ousa puxar ainda mais os cabelinhos de sua nuca, arrepiando-o ao ponto dela sentir suas partes baixas com mais intensidade. Ela fecha os olhos, apenas agora percebendo o quanto sentia sua falta daquele jeito, recebendo beijos e mais beijos por seu pescoço e logo chupões os substituindo com astúcia, fazendo-a gemer fracamente, a respiração apenas um fio.
–- E-eu quero você. – afirma, em um fio de voz, e ele imediatamente a ergue junto de seu corpo e sai da piscina. Ele só precisava daquele sinal antes de tomá-la novamente.
Guia seus corpos até uma cadeira inclinada de madeira, o dele por cima, sentindo a pele gelada dela ainda a envolver sua cintura, antes que ela as largasse com tudo na cadeira, para retirar sua calcinha. Ele encara os movimentos do corpo dela enquanto ela retira a peça, quase sem piscar e quando ela se senta novamente, corre suas mãos até a base de seu top e o ergue sem cerimônias. Como sempre, os dois estavam no mesmo ritmo, dessa vez desesperado, sem tempo ou paciência para preliminares, queriam apenas sentir seus corpos de uma vez. Sua excitação pela distância já era o bastante. Ele a beija novamente, fazendo o corpo dela se deitar por completo na cadeira e então desce seus lábios por seu pescoço, que ele mordisca no caminho até seus seios. Os beija carinhosamente, com aquele medo de sempre de machucá-los, escorregando junto de seus lábios suas mãos famintas, por todas as curvas dela, seu peito, sua barriga, suas nádegas e sua virilha, fazendo-a arquear cada vez mais as costas e gemer sem parar.
Quando ele a olha novamente, não consegue mais ver o lindo azul de seus olhos, apenas o preto os preenchendo por completo, suas pupilas tão dilatadas que o assustava. Ela empurra levemente os quadris dele para cima para que chegasse em sua cueca e logo a puxa para baixo, deslizando suas mãos propositalmente por sua pele no caminho e deixando-o ainda mais excitado.
Quando ele se vê nu, trava um instante, sentindo o corpo dela puxá-lo para mais perto desesperadamente.
–- E-eu não... – ele geme levemente, quase sem conseguir proferir as palavras. – Protegi. O. Mick.
–- Não precisa... eu tomo pílula agor... – sussurra a garota, sendo interrompida no meio de sua fala, pelo movimento prazeroso do corpo dele mergulhando para dentro do dela. Fecha os olhos fortemente e deixa que seus lábios soltem os gemidos que lhe vinham, sem vergonha nenhuma. Seus corpos se cobriam de suor dos pés a cabeça, a água da piscina se misturando com aquele líquido. E os cabelos dela, rebeldes envolta de seu rosto, já começavam a grudar em sua testa. Não por causa da noite quente, mas pelo movimento de seu corpo, o calor compartilhado com o dele. Morde os lábios com força e roça as unhas suavemente pelas costas nuas dele, arrepiando-o.
–- Hmmm... K-Ka... – geme ele contra seu ouvido e então desliza sua boca sobre a dela e a beija com ousadia, aumentando o ritmo de suas investidas ainda mais a cada unhada que sentia em sua pele.
Eles não se importavam com o barulho que faziam ou com a intensidade de seu toque, não naquele momento. Queriam apenas satisfazer de uma vez sua necessidade um do outro. Ele morde os seus lábios e ela aperta ainda mais suas unhas contra sua pele, fazendo-o soltar um burburinho por sua boca, não se importando nenhum pouquinho com o sangue que logo começou a escorrer e a leve dor prazerosa que aquilo trazia. Marcas. Ele nunca ficaria tão feliz com uma marca quanto naquela noite. Aquelas marcas em suas costas diriam: eu sou dela. E as marcas no pescoço dela diriam: eu sou dele.
Ela geme tão alto que ele se torna praticamente um grito, sentindo seu núcleo arder em chamas e apertando-o ainda mais forte nos ombros. Ele ofega de dor, mas não interrompe as investidas, apenas as intensifica, sentindo seu corpo se libertar logo após o dela, o corpo quente dela que o envolvia se estreitar ao máximo e apertá-lo.
Deixa que seu corpo caia levemente por cima do dela, ofegante e depois de alguns segundos, os desconecta e corre atrás de sua cueca.
Não percebera que provavelmente aquela não seria uma cena legal de seu pai e sua nova madrasta verem, principalmente levando em conta que estavam plenamente visíveis na porta da frente. Sorri. Quando Karina estava Esquentadinha daquele jeito ninguém a segurava, muito menos ele, que se contaminava fácil por seus olhos azuis e corpo... ele olha para seu corpo nu, estirado sobre a cadeira que acabaram de fazer amor, o peito dela subindo e descendo, ofegante e seus olhos fechados fortemente sendo embalados por alguns fios de cabelo teimosos e suados que grudavam em sua pele. Ele poderia encará-la por uma eternidade. Era quase como uma obra-prima. Aquelas pinturas magníficas de jovens peladas em poses sensuais, com a única diferença que aquela jovem era única. Sua Esquentadinha.
Seu celular apita e ele caminha até ele, vendo uma nova mensagem de seu pai, dizendo que recém estavam saindo do super mercado e se desculpando pela demora. Ele agradece às forças superiores por eles ainda não terem chegado, mas se sente levemente frustrado. Queria ainda mais tempo á sós com sua Esquentadinha. Talvez todo o tempo do mundo.
Se vira para ela e a vê se erguer molemente da cadeira, encarando-o confusa, as bochechas coradas e os cabelos desorganizados lhe dando uma atmosfera altamente sexy.
Ele caminha até ela e a beija com tanta intensidade que seu pescoço cai com tudo para trás, as mãos dele no queixo dela, acariciando-o.
–- O-o que foi? – indaga a garota, ofegante.
Ele ri de felicidade.
–- Meu pai já ta vindo, mas temos algum tempinho... – sussurra contra seu ouvido, vendo-a olhá-lo inocentemente.
–- Que bom... eu preciso me vestir. – afirma, fugindo de seu olhar.
Ele ergue as sobrancelhas, mas não diz mais nada, apenas a vê catar suas roupas no chão, os olhos teimando em se desviar pelo bumbum perfeitamente redondo de sua namorada. Suspira. Pensar que aquilo tudo se entregara e se entregaria ainda mais a ele era maravilhosamente prazeroso.
Ela nota seu olhar e sorri, correndo de volta para o corredor e vestindo sua calça por cima da lingerie molhada mesmo. Gael havia entregado para Cobra algumas poucas peças suas, uma escova de dentes e outra de cabelos, apenas o bastante para ela se manter poucos dias na casa do amigo. Ele devia estar esperando que ela voltasse logo.
–- Ta tudo bem, Esquentadinha? – pergunta Pedro, preocupado, se aproximando sorrateiramente.
Ela se vira para ele.
–- Desde que a gente... você anda tão quieta.
Ela ri levemente, a verdade é que estava envergonhada. Aquela fora a primeira vez que se entregara com tanta intensidade e desespero. Nunca imaginou que fosse necessitar tanto de um corpo como necessitara do dele aquela noite.
–- Se for por causa do sexo... pra mim ele foi maravilhoso. Sempre que você quiser repetir... – ele a puxa contra seu corpo e ela cora ainda mais. – Você não gostou?
–- Para de bobagem, Pê. Foi... – ela trava, praticamente sem palavras. – é que eu nunca fiquei tão em transe assim. Imagina se seu pai chega na hora e...
–- Calma. Não aconteceu nada.
–- É, mas a gente transou na cadeira dele... – ela cora. – e, bem, não fomos exatamente silenciosos.
Ele ri.
–- É verdade... mas eu não me importo. Transar na cadeira da Roberta foi tão bom... e ainda por cima pode ser considerada uma vingança por ela ter roubado meu pai da minha mãe.
Karina franze a testa, absorta no início de sua fala. Roberta? Aquela casa era a de Roberta?
–- Seu pai se mudou pra casa da Roberta?! – murmura, surpresa.
Pedro coça a cabeça nervosamente.
–- Devo ter me esquecido de te dizer. Ele insistiu que eu viesse, disse que a Tomtom já voltou a se aproximar dele e que já era minha hora.
A garota veste sua camiseta e encara o chão, pensativa. Estava insegura novamente. Dá outra vez, fora através de Roberta que sua vida começara a desandar com Pedro. Agradecia por ter descoberto seu segredo, mas preferia que tivesse sido de outra forma, talvez através dele mesmo, que pretendia contar exatamente um dia depois daquela megera bater em sua porta sem motivo nenhum a não ser sua tristeza. Ela tinha alguma coisa contra seu namoro com Pedro.
–- O que foi? – pergunta Pedro, preocupado, terminando de puxar sua calça para cima, para então puxar o rosto dela em sua direção.
–- Tem uma coisa que você não sabe, Pê. – afirma a garota, engolindo em seco.
Eles conseguem ouvir o som de um carro estacionando na garagem, mas mesmo assim não quebram o contato visual.
–- A Roberta... foi ela que me contou do acordo.
Pedro franze a testa, confuso e indignado ao mesmo tempo.
–- Mas como...
–- Eu não sei como ela soube, mas foi ela que bateu na minha porta aquela noite e me disse toda a verdade, sem rancor nenhum.
O garoto se afasta levemente, olhando para o nada, boquiaberto.
–- Ela queria... ela queria se vingar de mim. – afirma com convicção. – Só pode... mas como ela soube? – indaga, não para ela ou para si mesmo, mas para as próprias paredes, que deviam saber mais do que qualquer um os pensamentos e ideias daquela mulher.
Karina se aproxima dele novamente, preocupada.
–- Pê... – puxa seu rosto em sua direção e ele a encara, ainda absorto em pensamentos.
A porta se abre.
–- Pega aquela sacola, Marc... – diz a mulher morena, mas se interrompe quando vê aquelas duas figuras em sua frente. Pedro ela já sabia que viria, mas Karina...? Esperava ter um tempo para se explicar, mas antes que dissesse qualquer coisa, o rapaz se virou para ela, com lágrimas de fúria nos olhos, as mãos fechadas tão fortemente que ela podia ver suas veias.
–- A gente precisa conversar. – afirma o garoto, com os olhos estreitos de raiva. Ela larga as sacolas no chão, sabendo que provavelmente aquela conversa levaria ao fim de seu relacionamento com Marcelo.
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