Correndo em Círculos

13 Capítulo 13: Vá em frente e tente me derrubar


Notas iniciais
Oiii gentiiiiiiiiiiiiiiiiiii Desculpa o pequeno atraso, mas eu to doente e não, isso não me trouxe mais tempo, pelo contrário, tenho dormido mais do que vivido e foi difícil escrever esse capítulo estando dopada o tempo todo... usahsua Mas enfim, o capítulo passado n teve o numero de comentários que eu esperava, mas fiquei feliz por ele ter sido aceito, afinal, eu também n gostei muito dele... Esse aqui ta um pouco melhor... mas ainda ta bem sentimental. Música do capítulo: Skyscraper – Demi Lovato Boa leitura e LEIAM AS NOTAS FINAIS, TEM AVISOS IMPORTANTES!

Depois que Karina derramara todas as lágrimas que conseguiu, Gael a deixou deitada em sua cama – já que ela se recusou a ir para seu quarto e ver Bianca novamente – e depois de beijar sua cabeça, saiu de casa, apressadamente.

Sua cabeça zunia o tempo todo, incapaz de acreditar no que estava acontecendo e sua expressão não era das melhores, sendo pai protetor que era, mas ele caminhava com determinação, os punhos fechados fortemente e o semblante sério.

Rapidamente ele se encontrou na casa de Pedro, e depois de Delma chamar o filho, Gael caminhou calmamente até a calçada, sendo seguido por Pedro, e os dois sentaram-se, lado a lado. Pedro, surpreso com a atitude do sogro, e Gael, pensativo.

–- Como ela ta? – pergunta o menor, preocupado, olhando para o pai da garota com uma expressão desesperada.

Gael suspira, antes de respondê-lo:

–- Como você acha que ela ta? Acabada. Ela não quer mais olhar na cara de vocês dois. E com razão.

–- Eu pensei que ela fosse voltar a ficar agressiva como antes e você também... – admite Pedro, cabisbaixo e depois ergueu o olhar contra o dele novamente. – Se vocês quiserem me bater eu agradeço, assim talvez eu consiga arrancar toda a dor que tem nela e passar pra mim.

–- Que diferença faria você apanhar? A dor que você sentiria não seria nem um milésimo da dor que ela está sentindo agora e talvez sempre sentirá. Nada. Absolutamente nada poderia machucá-la mais do que ser comprada.

–- Comprada? Não, ela não foi comprada... – apressou-se Pedro em dizer, se desesperando por pensar nela desse jeito.

–- Não? Porque pelo que eu vejo foi exatamente assim, quantas Karina’s feliz’es você quer por dois mil reais?

Pedro se encolhe, olhando para baixo com um quilo a mais na consciência. Pensar que Karina estaria agora em casa, se martirizando por ser apenas uma peça no tabuleiro da irmã e um boneco em meio aos brinquedos dele o deixava ainda mais arrependido.

Ele bufa, sentindo sua pele arrepiar só de pensar.

–- Eu sou um monstro. – fala, simplesmente, e vê Gael concordar.

–- Um monstro mentiroso ainda por cima. – Pedro concorda, olhando para o nada e assentindo devagar. – Mesmo eu implicando com você, com o namoro de vocês. Eu nunca imaginei que me decepcionaria tanto com um namorado de minhas filhas. – fala Gael, despertando a atenção do guitarrista, que o encara, cheio de lágrimas doloridas nos olhos. – Eu confiei em você, eu te entreguei a minha filha e nossa... só Deus sabe o quão difícil era perder, pouco a pouco, a atenção dela para um garoto qualquer, vê-la se alargar para ter mais espaço para um novo amor no coração e também vê-la sorrir como nunca à vi sorrir, sem ser por causa de mim. E eu me sinto um idiota por ter entregado uma de minhas maiores joias para alguém como você.

Pedro não desvia o olhar, mesmo que ele o queimasse inteiro por dentro, encarou de volto e sentiu toda a dor que precisava sentir, vendo a mágoa e a dor nos olhos daquele homem que depois de tanta dificuldade em aceitá-lo, estava odiando-o novamente, pelos mesmos motivos que sua outra metade do coração virara cinzas.

–- Eu sinto muito por tê-lo decepcionado. – fala o menor. – Mas o senhor tem que entender que eu amo sua filha, apesar de tudo, e que esse foi um erro do passado. Eu não sou mais assim. – completa, sentindo o olhar intenso do lutador sobre si.

–- Não é? Então por que você não contou pra ela no momento em que “mudou”? – pergunta ele, irritado.

Pedro suspira.

–- Eu ia contar... hoje, mas ela descobriu antes e foi muito pior. – responde o garoto.

Gael franze o cenho, desacreditando.

–- Que azar, não é? Pobre inocente Pedro... – ironiza.

–- É sério! Já estava tudo planejado, mas ai... – diz Pedro, interrompendo a própria fala ao se tocar que não sabia como Karina havia descoberto seu segredo e nem o quanto ela sabia.

–- Ai? – pergunta o mestre, curioso.

–- Eu não sei... alguém bateu na porta, ela foi atender, e na próxima vez que nos vimos ela estava chorando desesperada.

Gael ri, surpreendendo o guitarrista, que o encara, perplexo.

–- Não sei se isso é verdade, mas tenho que admitir garoto, você foi muito burro. Manter uma mentira por tanto tempo só piora tudo.

Pedro suspira, assentindo. Sabia que devia ter contado á muito tempo, no momento em que decidira, mas quanto mais ele tentava apaziguar a intensidade da dor que ela sentiria, mais ele se assustava com o que poderia ser a reação dela. E assim, ele foi adiando cada vez mais, até que foi tarde demais.

–- Mas o senhor não vai poder desistir de mim, porque eu não vou desistir de sua filha.

Gael apenas olha para o chão e se levanta, antes de dizer:

–- Você devia. Porque ela não vai te perdoar e eu nunca mais vou te aceitar perto dela novamente. – e vai embora, com o olhar de Pedro ainda em suas costas, até que ele sumisse, e então o garoto se permitiu recair novamente, e foi cabisbaixo para dentro de casa, a esperança como apenas um fio em meio ao desastre de sua mente.

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Assim que Karina correu com Roberta de sua casa, a mulher foi para sua casa. E ao contrário do que pensara, não estava satisfeita ou feliz com o que fizera, ver a alegria e determinação se extinguir no rosto daquele jovem foi como ver a si mesma, alguns anos mais cedo, ter o coração destruído da mesma forma, através do amor.

Depois de todas as experiências que tivera com esse sentimento, Roberta passou a rejeitá-lo. Amar não era um remédio, e sim uma doença. Mesmo assim ela não podia negar que sentia muito por Karina, ninguém merecia sofrer daquele jeito, por mais bruto que fosse.

–- Chega disso, Roberta. Você fez o que tinha que fazer. – sussurrou ela, pra si mesma, mas ainda desacreditava que havia feito o correto.

Aquilo deveria fazê-la se sentir bem, afinal, ela estava trazendo a mesma dor que sentira para o responsável por isso: Pedro. E mesmo assim não conseguia ver o lado bom. Ela havia trazido ainda mais dor para alguém que não tinha nada haver com a história e é claro que havia aberto os olhos de Karina, ela nunca mais iria se permitir ser machucada por um garoto novamente. Mas até mesmo isso era ruim. Ela dizia não acreditar no amor, mas bem no fundo de seu peito sabia que ele existia.

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No dia seguinte, Karina ainda estava totalmente indisposta, mas ergueu todas suas forças guardadas e acordou, antes de todo mundo, deixando seu pai sozinho na cama em que dividira com ele durante a noite e entrando vagarosamente em seu quarto para se vestir.

Felizmente, para ela, Bianca não acordara, e depois de ela pegar a jaqueta de Pedro e sua camiseta, ela saiu de casa, sem que ninguém notasse e caminhou determinada pelas ruas vazias do bairro, até uma casa.

Bateu na porta, uma, duas, três vezes, e foi atendida aí, quando suas pernas já pareciam estar se desmanchando e sua determinação se esgotando.

–- Ka... – sussurra uma voz, fazendo seus braços amolecerem e sua pele se arrepiar. O anfitrião sorriu tristemente para a garota, seu fio de esperança se estendendo.

Mas Karina desviou o olhar e olhou para o chão, seus braços esticados em frente ao seu rosto com as roupas cuidadosamente dobradas sobre.

–- Eu vim te entregar isso. – fala a garota, ainda sem olhar para ele, e Pedro desmancha o sorriso na hora, seu fio sendo cortado repentinamente.

Ele olha para as mãos dela e assente.

–- Você pode ficar com essas coisas... eu não preciso delas. – responde, encarando seu rosto como se magicamente ela fosse olhar em seus olhos.

E a mágica aconteceu, ela ergueu o olhar até o dele, destemida, e engoliu todas as lágrimas que ameaçavam embargar sua voz, mordendo seus próprios lábios.

–- Não quero nada que seja seu. – diz ela, e ele sente mais uma vez sua confiança em si mesmo desandar. Ele a encara no rosto, tentando ver alguma hesitação nele, mas não consegue ver nada senão a seriedade. E ela se orgulha por ter conseguido esconder o que realmente estava sentindo naquele momento. – Pega... elas são suas. – insiste a garota, investindo novamente com seus braços em direção a ele.

Pedro bufa, e nega novamente. Sabia que aceitar aquelas roupas seria também aceitar o fim, e ele não permitiria um fim.

–- Eu já disse... não preciso dessas coisas... – fala ele e quando percebe o olhar confuso dela sobre si, completa: -- A única coisa que eu quero de você é o seu perdão.

Ela desvia o olhar, sentindo seu coração bater descontrolado, repentinamente, sua boca secar e suas mãos tremerem, hesitantes.

–- Isso você não vai ter. – sussurra.

–- Karina... por favor, me ouve. Não faz isso com a gente. Não joga fora tudo que a gente viveu. – implora ele e ela sente seu corpo tremer e seus olhos encherem d’água.

–- Tudo o que a gente viveu foi uma mentira. – fala, mantendo seu olhar no dele.

Ele nega com a cabeça.

–- Não. Nossa história pode ter começado meio errado, mas ela foi verdadeira. Meus sentimentos por você são verdadeiros. Eu te amo, de verdade. Cada declaração que eu te fiz era verdadeira e eu queria te contar o segredo, mas fui incapaz. Não queria te ver magoada.

Karina ri sarcasticamente.

–- O que você não queria era apanhar de mim, mas adivinha? Eu não sou essa bruta que você acha que eu sou. Só quero me livrar desses maus agouros do passado e recomeçar a minha vida. Bem longe de você. – fala, deixando o garoto se sentindo ainda mais culpado e desesperado.

–-Desculpa, mas eu não vou deixar isso acontecer. Eu não vou me afastar de você. – fala ele, sequestrando o olhar da garota, que bufa, enraivada e depois se agacha e coloca as roupas no chão, se virando para ir embora antes que as lágrimas que estavam em repouso acordassem novamente.

Mas ela não conseguiu andar muitos passos e logo foi barrada por um cordão de dedos que se engancharam na pele de seu braço e puxaram-na de volta. Ela o olhou, surpresa com sua atitude. Os olhos marejados ameaçando transbordarem a dor que ela sentia em estar em seus braços, sabendo que não devia sentir o que sentia. Mas o corpo trai a mente, e quando ela se tocou, estava absorta em um mar de Pedro, sua respiração tão ofegante quanto ela estaria caso estivesse nadando, os olhos dele traçando seu rosto, fazendo seu coração bater na velocidade da luz e as mãos dele em seus braços arrepiando sua pele até que os pelos de todo seu corpo se eriçasse.

Ela o amaldiçoou em pensamento. Como ele podia? Ela havia ido ali apenas para dar um ponto final na relação dos dois, mas ali estava, louca para tomar-lhe os lábios e esquecer-se de tudo.

–- Eu já disse que não quero essas roupas... – fala Pedro, ofegante, seus olhos vagando por todo o rosto dela e seu coração pulando dentro do peito ao perceber o quanto ainda a afetava. – Eu quero é você. – sussurra, rouco, e ela se aproxima ainda mais, seus lábios em uma perigosa distância de um centímetro.

E quando ele está pronto para tomá-los, a consciência dela liga novamente e ela o empurra para longe, incapaz de falar qualquer coisa. Ele a encara, ainda absorto na sensação de abraçá-la em seus braços, seu corpo inteiro formigando em busca de atenção.

–- Nunca mais encoste um dedo sequer em mim. – fala ela, enojada e vira as costas para o garoto, indo embora.

Pedro encara-a á distância, sua mente remoendo cada reação dela ao ser puxada para seus braços. Seus lábios se erguem em um sorriso involuntário. Ela não o odiava, ou pelo menos não era só isso que sentia por ele. Ainda havia sentimentos bons em seu coração em relação ao garoto que o deixara em farrapos. O único problema seria trazê-los à tona novamente, afinal, Karina estava firme e forte em sua decisão de afastá-lo.

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Depois que Karina sairá de perto de seu perigoso vício, ela correu para o QG, em busca de seu amigo. Não queria ir para casa e chorar nos braços de seu pai novamente, nem ser observada pelo olhar piedoso da irmã. Ela tinha que demonstrar força agora, para provar a todo mundo que ela não se atingira pelas armações de Pedro e Bianca. Por mais difícil que isso fosse... afinal, não demonstrar nenhuma reação nos braços de Pedro seria algo praticamente impossível.

–- Loirinha... – murmura Cobra, sorridente, assim que a garota entra em seu estabelecimento. Ele desmancha o sorriso ao ver sua expressão. – Que cara é essa?

Karina não fala nada, apenas abraça o amigo fortemente, seu corpo tremendo por segurar as lágrimas por tanto tempo. Ele fica sem reação, mas a abraça de volta, preocupado, e quando ela se afasta, limpando os olhos molhados, ele puxa seu pulso em direção a ele.

–- Pode desabafar. – murmura, sentindo ela nervosa.

Ela pisca fortemente os olhos, fazendo as lágrimas molharem sua bochecha. E assim viu todos os momentos que passara naqueles dois últimos dias passarem em frente aos seus olhos novamente, como uma promessa de que ela nunca esqueceria e nunca se curaria. Como era possível uma pessoa sentir tanto em tão pouco tempo? Amor, alegria, nervosismo, paixão, dor...

–- A-A B-Bi... – gagueja, mas as palavras travam devido ao choro e quando ela vê Cobra já estava a abraçando novamente.

–- Shhh... depois você fala. Primeiro você tem que se acalmar. – fala ele, preocupado, acariciando suas costas com as mãos enquanto beijava o topo de sua cabeça.

Os dois amigos ficam assim por alguns minutos, até que os soluços de Karina vão se esvaindo com o tempo e ela se afasta dele, limpando os olhos.

–- A Bianca pagou o Pedro pra me namorar. – fala, olhando para os pés do amigo, sem expressão, incapaz de enxergar a pena em seus olhos.

–- O quê? Como assim? – pergunta Cobra, alto, e Karina ergue seu olhar em direção ao rosto dele e vê raiva estampada ali. Ela franze a testa, surpresa pela reação do amigo.

–- É isso mesmo... minha irmã pagou o Pedro pra me namorar e eu fiquei sabendo na noite dos nossos seis meses de namoro... – responde ela, pensativa, lembrando o quão ruim a situação era, quando ela havia se entregado por completo para ele naquela noite e ele havia a aceitado... o que aconteceria se Roberta não tivesse aparecido? Seria mais feliz se ela não soubesse disso e só o visse se afastar quando enjoasse dela? Provavelmente. Mas a verdade, por mais nua e crua que fosse, era necessária, para seu ego, orgulho, decisão e crescimento.

Agora ela sabia o que tinha que fazer para crescer como pessoa. Tinha que erguer a cabeça e seguir em frente, sempre com um pé atrás e o coração trancado e guardado no fundo do peito. Porque amar, muito mais do que é sentir, é destruir e ser amado, é ser destruído.

Cobra encara a amiga, e se aproxima, pegando suas mãos e as acariciando.

–- Aquele cara não merece uma lágrima sequer de você. E ele vai se arrepender, porque nunca vai encontrar alguém melhor que Karina Duarte. – fala, recebendo um sorriso torto e choroso da amiga, que o encara, agradecida.

–- Posso saber o que essa Sapahétero ta fazendo aqui?! – grita uma voz, fazendo o dois se afastarem rapidamente, e encararem uma Jade furiosa, as mãos fechadas em punhos, os olhos cheios de dor olhando para as mãos do namorado -- que ainda agarravam as de Karina --, e sua cabeça indagando se deveria ter confiado naquela garota.

Notas finais
Iiiih minha gente! FERROU! Mandem-me suas opiniões e palpites, o que a Jade vai fazer? Cobrina é shippável como romance ou amizade? A parte sentimental esta acabando... em breve chega a parte em que a Ka samba em todos inimigos! E eu to mega ansiosa pra escrever essas cenas pq vocês vão amar! Usaush Posto o próximo quando chegarmos a 100 comentários, e com uma pequena surpresinha... Agora me contem, o que vocês shippam: duanca, joanca, dunat, rianca, jovick...? See you soon!