Corpus
48 Capítulo 34
Notas iniciais
- Escute de uma vez por todas: Hoje eu acabo com essa palhaçada ou não me chamo Isabella Brandon, futura senhora Cullen, portanto, eu sugiro que você fique bem quietinho enquanto resolvo isso.
Seu olhar pela fresta da porta do banheiro só me deixou bem claro que ele estava tremendo.
Sim, tremendo de medo pelo que viria pela frente.
Meu banho foi cercado de uma aura calma e tranqüila. Não queria que meu filho pensasse que a própria mãe era uma louca, mentalmente abalada, que saltava no pescoço da futura avó assim, sem mais e nem menos.
Enrolada na toalha felpuda, me deparei com Edward sentado em nossa cama ainda observando a porta por onde eu entrava.
- Não sei como começar…
- Começar o quê?
- A enumerar suas qualidades e o que cada pedaçinho dessa pele reluzente me faz pensar sobre você. Sabe… Acho que além de te amar mais a cada minuto, sou terrivelmente, completamente, enlouquecidamente… Apaixonado por você.
Sinceramente eu não esperava uma declaração como essa. Ed estava muito mais romântico que eu pudesse sonhar ou desejar.
Lentamente caminhei até ele e sentei-me em seu colo. Minhas mãos acarinhavam seu cabelo todo bagunçado, o símbolo pleno de que não mais que duas horas havíamos nos entregado ao amor delicioso nessa cama.
- Eu amo você Edward Cullen.
Beijamos-nos tão lentamente como se estivéssemos forçando o tempo a parar para que nós nos amassemos, mas tudo que é bom dura pouco, e o nosso prazer durou exatos cinco segundos antes de ouvirmos o primeiro grito.
- ISABELLA BRANDON, QUERO VOCÊ EM 5 SEGUNDOS NA MINHA FRENTE.
Isso não era um bom sinal!
Isso definitivamente não era nada bom!
Diferente da voz de Alice, a voz de Esme paralisava até meu ultimo fio de cabelo. Talvez por amor, mas por respeito, sempre temi envergonhar meus pais adotivos.
- Sujou!
- É Love, acho que está na hora de descermos.
- Mas você ainda não tomou banho… Está com cheiro...
- Aham! Mas está maluca se acha que vou deixá-la descer sozinha.
Meu coração pulou uma batida ao pensar em quanto Edward me protegia. Ainda mais agora, com nosso filho me dando as mais birutas e estranhas idéias.
Ao descer as escadas me deparei com minha mãe sorrindo, enquanto notava que havia outras pessoas na sala anexa. Esme estava radiante e seus olhos não deixavam de me olhar com carinho, percorrendo meu rosto e parando pesadamente sobre minha barriga nada saliente sob o vestido leve e rubro que havia vestido.
- Na próxima vez que convidar alguém para sua casa minha filha, aprenda a estar pronta e bela como uma anfitriã deve estar.
Hein?
Alow? Cadê aquela linda, calma e pacata MÃE protetora que sempre tive?
Acho que minhas sobrancelhas deixaram claro o enigma que formava em minha mente ao escutar as palavras de Esme.
- Filha, agora você será esposa, mãe e mulher; acha que vou deixar você ser menos que a melhor nisso? Não seria você, se não se sobressaísse em qualquer uma dessas atividades.
Mãe é mãe…
Assenti rapidamente e praticamente me joguei em seus braços buscando conforto e amor. Não existia uma situação que Esme não fosse minha rocha e meu apoio, mesmo que eu nunca expressasse em palavras o quanto eu a amava por ter escolhido ser minha mãe.
- Obrigada por ser minha mãe.
- Pare com isso antes que os hormônios a façam chorar. Eu que tenho a agradecer por Deus ter me dado você, minha filha.
Oh senhor! Eu começava a engolir as lágrimas quando uma risada extravagante me chamou a atenção. Olhando para Ed, percebi que olhava para a sala de estar, onde eu podia escutar tranquilamente Alice e meu pai.
- Como você quer lidar com isso minha filha? Existem muitas coisas que você e Ed precisam ouvir, mas ao mesmo tempo não são obrigados a isso.
- Eu só quero minha família feliz mãe, é pedir muito? Aquela mulher…
- Não fale assim Isabella. Aquela como você diz, será sua sogra, queira você ou não.
- Desculpe Esme, mas essa é minha escolha.
Edward olhava para minha mãe com amor aos olhos, mas sua mão foi dura e forte sobre meu braço puxando-me contra seu corpo.
- Isabella é, vai ser, e para todo o sempre será minha esposa. Isso é uma coisa que aquela lá precisa entender e aceitar. Portanto, é minha escolha se exponho ou não minha mulher as grosserias de dona Elizabeth novamente…
Esme olhava para os braços de Edward envoltos em minha cintura ao tempo que percebi Elizabeth aparecendo atrás de minha mãe.
- Ora, ora, vão nos dar o prazer da presença do casal sem sal ou vão ficar se escondendo?
O leve tremor vindo de Edward me fortificou para que me desvencilhasse de seus braços e fosse até ela.
- Seja bem vinda a nossa casa. Espero que saiba se comportar dessa vez, caso contrário… Deus será minha testemunha, mas colocarei você para fora dela com meu pé estampado em sua bunda.
- ISABELLA BRANDON, pare já com isso!
Olhei para a expressão assustada de Esme, enquanto Edward mantinha seus pulsos fechados e seus olhos sorrindo para mim.
- Não mãe, não sou eu quem deve parar. Tentei tratar essa mulher com toda a educação possível, até ser chamada de bastarda… Não mãe, não vou parar, se o que ela quer é sempre me humilhar ou machucar meu Ed.
Fechei minhas mãos em punhos e fui em direção àquela que deveria estar me dando os parabéns por carregar o futuro da família.
Duas suaves mãos repousaram sobre meu ombro e fui obrigada a recuar, sentindo minhas costas sobre seu peitoral.
- Love, acho que preciso conversar com ela antes de qualquer coisa.
Eu queria começar a bater em alguém e tinha quase certeza que Ed chegaria na voadora para me defender, só que agora eu me deparava com alguém calmo e tranqüilo acarinhando minhas costas e cheirando a um incrível e delicioso perfume de amor+sexo+desejo.
Encarei Elizabeth que mantinha aquele maldito sorriso como se fosse vencedora. Edward passou por mim e parou me encarando.
- Estarei na biblioteca com ela. Converse com seus pais enquanto isso... Diga-lhe as novidades. Estarei com você antes que possa sentir minha falta.
Seus lábios repousaram suavemente contra meus lábios, aumentando novamente a vontade que eu tinha de nos seqüestrar e sumir dessa vida. Mal seus lábios deixaram os meus, senti-os na minha testa.
- Vamos Elizabeth, vamos conversar…
- Mamãe…
Esme me abraçou ao mesmo tempo em que Edward se afastava de mim com Elizabeth em seu encalço.
- Se acalme. Tudo será resolvido da melhor maneira possível.
Sentia como se meu corpo se dobrasse dentro dele ao ver aquela cena. Edward encarando a jararaca sozinho era como mandar um garotinho para a guerra. Tive medo pelos danos que ela poderia causar no meu amor.
- E se…
- Shhh! Eles precisam acertar a relação deles minha filha, e enquanto isso, que tal acertar a nossa?
E eu nem fazia idéia que minha mãe tinha algo a acertar comigo… Dancei!
Esme me levou até a sala de estar, onde meu pai estava sentado conversando com um senhor de aparência “noel” de ser. Alice e todos os outros não estavam por perto, mas as vozes ainda eram ouvidas.
- Sua irmã está na sala de jogos com todos os outros minha filha, não se preocupe…
Meu pai nos olhou com um sorriso encantador nos olhos como sempre.
- Minhas mulheres, Alfred…
Encarei para o “Noel” que seguiu me encarando como se eu fosse o Alien, ou o oitavo passageiro para ser mais exata.
- Boa noite Srta. Brandon. Sou Alfred, e me arrisco a dizer que sou o segundo pai do bom senhor Edward.
Alfred era literalmente um Senhor Noel muito bonachão. Alto, cabelos bem grisalhos, pele branca e olhos claros. As bochechas rosadas confirmavam a cada segundo…
- O senhor é Noel?
- Isabella!
Carlisle sorria enquanto Esme se desculpava como se eu fosse à criança de 7 anos que eles haviam acabado de levar para seu primeiro dia de aula.
- Não querida, não se preocupe.
Ele olhou todo bondoso para Esme e logo voltou a me olhar.
- Não sou Noel minha criança, sou Alfred, porém tenho que convir, minha imagem sempre faz com que as crianças na rua me perguntem isso. A verdade é que sou o suficiente para permanecer com essa imagem já que Rosalie e Edward sempre me pediam para ficar assim.
Achei lindo o brilho nos olhos dele quando falava de Ed e sua irmã. Ele os amava muito e deixava isso ser transmitido em cada palavra.
- Fico feliz que esteja aqui. Edward já sabe?
- Claro que sabe. Ele já me deixou saber que eu era querido em minha casa…
- Ops! Esqueci que essa casa era de sua. Edward me contou, mas estava muito tumultuado no momento… Não sei se soube, mas tivemos uns probleminhas…
- Não se preocupe minha criança… O que é meu, é de Edward e por conseqüência, seu também.
Não por nada, mas eu amei o bom velhinho. Talvez porque eu continuava achando que ele é o papai Noel, mas não está mais aqui quem perguntou isso.
Brincadeiras a parte, sentei-me entre meus pais, que permaneceram conversando com Alfred, mas minha mente viajava constantemente até a biblioteca, onde não se ouvia ao menos um berro.
Quando se quer algo bem feito, faça você mesmo!
Eu sabia que Edward não teria coragem de acabar com Elizabeth como ela merecia. Enfim, assim que ele saísse dali eu trataria de acabar com a jararaca.
- Filha?
Olhei para meus pais e me afastei daquela pequena viagem mental onde eu sufocava Elizabeth com uma jararaca de verdade.
- Oi mãe…
Alfred se retirava da sala no momento em que meus pais meio que me cercaram entre seus corpos.
- Você precisa nos contar algo?
- Hein?
- Quem sabe nos contar oficialmente que seremos avós, seria um bom começo…
- Ops... Acho que isso era para contar com Ed ao meu lado, mas alowwww vocês já sabiam.
Os abraços foram fortes e suaves ao mesmo tempo. Senti o amor mais que forte que existia entre minha família.
- Ei, eu ainda sou parte dessa família ou já fui relegada à mera ovelha negra.
- Venha cá Alice, deixe de lado essa manha.
Mãezinha era hábil em acabar com os bicos que Alice inventava de fazer nos momentos mais impróprios. Em meio aos nossos abraços, Edward saiu da biblioteca com uma Elizabeth de olhos e nariz vermelho.
- Love? Algum problema?
Eu mal tive tempo de dizer que em minha família não havia problemas algum e questionar o que havia acontecido quando seu olhar mirou a escada.
- Vocês poderiam nos dar alguns minutos? Bella?
Suas mãos em minha direção me deram tempo apenas de olhar para meus pais, não buscando aprovação, mas apenas informando que eu me ausentaria. No instante seguinte, subia as escadas com um Edward imponente e duro, algo como um Sir.
Assim que a porta de nosso quarto se fechou, Edward me agarrou nos tombando na cama.
- Deus como eu precisava de você naquela sala…
Sua boca correu meu pescoço lambendo, mordendo, suspirando contra minha pele que já se arrepiava com seu toque.
- O que houve meu amor?
- Agora não…
Não era preciso mais palavras para entender que ele precisava estar dentro do meu corpo, como se ele houvesse em algum segundo saído de meu coração.
Suas mãos foram grosseiras e duras contra a barra do vestido que logo estava em algum canto do quarto, no mesmo momento em que sua mão se livrava de algo chamado de “pedaço irritante de pano”.
Ed se colocou entre minhas pernas percorrendo cada centímetro de pele com sua língua quente e tenra. Espasmos percorreram o mesmo caminho me levando a um cataclismo de sensações sem igual. A cada arfada contra minha pele, sentia que um rio se movimentava em mim.
- Caralho Love só essa bucetinha depilada para me deixar mais duro ainda.
A primeira lambida foi o estopim para meu corpo se convulsionar em um orgasmo inesperado.
- Isso foi muito feio... Muito feio. Sabe que só não te encho de palmadas nesse rabo por conta dos nossos convidados…
Em algum momento entre a viagem do céu a terra que eu estava fazendo, senti Edward me penetrando. O vai e vem era frenético e no instante em que o foquei, Ed estava ali, para mim, com lágrimas e os lábios tortos, se concentrando em não explodir tão rápido.
O ritmo foi diminuído, tornando-se uma união lenta e estável, algo como quanto mais de pele fosse sentido, melhor era.
- Eu amo você. Você é minha vida…
Eu não tinha palavras e nem imaginava o que se passava em sua cabeça, mas soube o momento exato onde eu o aliviei…
- Então venha pra mim, seja sempre meu…
Não precisei pedir e nem dizer mais nada, suas mãos foram violentas na minha cintura enquanto Ed mergulhou em um ritmo alucinante de duras estocadas, até que o vai e vem frenético nos levou a um orgasmo magnífico.
Continuamos por mais alguns minutos apenas nos olhando, apreciando cada vez mais o amor que nos unia.
Edward se jogou na cama e me puxou contra seu peitoral.
- Eu fui massa de manobra…
Não fazia a menor noção do que ele dizia, mas a respiração longa e dura me mostrou que Ed precisava falar. Apenas falar…
- Eu sou filho dos meus pais sim, mas minha mãe me usou sempre que pode para machucar meu pai.
Enquanto ele falava o que haviam conversado, fiquei acariciando-lhe por todo braço na tentativa de suprir o sentimento triste que carregava suas palavras.
- Ela nunca se preocupou que eu ouvisse todas as mentiras e sofresse, apenas se concentrava em machucar meu pai, culpando-o por erros antes do meu nascimento.
Não fazia a menor noção do que poderia falar para amenizar seu sofrimento, mas Edward me respondeu a pergunta da minha cabeça sem nem imaginar.
- Eu só quero nós dois formando uma família nova. Todo meu sofrimento vai passar assim que você for minha e nosso filho não passar por nada que passamos em nossa infância.
- Eu já sou sua. Não é um papel que vai me fazer ser mais ou menos sua. Eu e seu filho, já somos sua família.
Disse aquilo que meu coração mandava, porque se existia uma verdade em tudo isso era que a cada segundo eu amava mais e mais Edward.
- Como você quer lidar com tudo isso?
Olhei para ele aturdida, afinal “como assim eu quero lidar?” Minha posição não havia se alterado, eu teria nocauteado a jararaca de Gabana na primeira oportunidade.
- E então?
- Não entendo, o que preciso decidir? Por mim já estaríamos entre nossos amigos e meus pais assinando o papel que irá acertar tudo no tribunal e marcando nosso casamento em Vegas o mais rápido possível.
- Mas e Elizabeth?
- O que você decidir Ed… Afinal, ela é sua mãe.
Edward me beijou e me abraçou mais ainda, me trazendo contra seu peitoral e me mantendo protegida ali.
- Acho que ficarmos aqui o resto de nossas vidas não é opção…
- Já tentamos isso e na última vez, lembro que sai machucada por ficarmos trancados alheios ao mundo…
- Não me lembre disso, agora temos nosso filho para cuidar.
- E uma hora precisarei sair daqui para parir, ou você acha que não vou gritar por uma droga quando tiver que parir?
Sua risada deve ter sido ouvida por todos na casa, mas o que mais me emocionou foi senti-lo mais leve.
- Vamos lá bundinha gostosa. Vamos tomar um banho e acertar de uma vez por todas o nosso relacionamento com dona Elizabeth…
- E eu achando que você me manteria nesse quarto por mais tempo... é bons tempos aquele onde você agüentava mais que uma…
- Maldita provocadora.
Cai na gargalhada no momento em que Ed me jogou novamente na casa. Sem saber realmente o que havia acontecido naquela biblioteca, mas vendo que meu futuro marido estava em paz com isso, eu finalmente ficaria em paz também…
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